Atualizada em 9 de outubro – 13h55
A Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) foi adiada por decisão da Presidência da República. A etapa nacional será realizada entre os dias 14 e 17 de dezembro, onze dias após a data prevista no decreto que convocou a conferência (1, 2 e 3 do mesmo mês). Segundo informações da Assessoria de Comunicação do Ministério das Comunicações, a mudança será feita para "compatibilizar a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva".
Na quarta-feira, o consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, havia adiantado a informação do adiamento a membros da Comissão Organizadora Nacional (CON). Naquela oportunidade, a data sugerida era 7, 8 e 9 de dezembro. Bechara informou que a decisão foi tomada em reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros responsáveis pela Confecom – Hélio Costa, das Comunicações, Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, e Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência.
Ao relatar a reunião para os membros da CON, Bechara não explicou os motivos de tal mudança. Disse, apenas, que o presidente estava muito otimista, contente com a Confecom e que avaliava participar do evento.
Quando do corte nas verbas previstas para a realização da conferência, o governo já havia aventado a possibilidade de adiar a conferência. Depois, os impasses criados pelas representações empresariais dentro da CON atrasaram a edição do regimento interno e as organizações e movimentos sociais envolvidos no processo chegaram a propor uma revisão do calendário. A preocupação era o prazo curto para a realização das etapas locais e das conferências estaduais, que elegem os delegados da Confecom.
“A mudança agora não resolve nada, mas ajudará se for acompanhada de uma alteração também do prazo para as estaduais em mais uma semana”, comentou Jonas Valente, representante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social na comissão organizadora.
Em nota da assessoria do ministério, Marcelo Bechara afirma que, como foi o presidente quem convocou, ainda em abril, a conferência, somente ele pode abrir o evento. “É desejo do presidente Lula participar da abertura da conferência de comunicação, a primeira a ser realizada na história do país. É natural que ele possa adequar sua agenda para participar da abertura, que acontece no dia 14 de dezembro”, justificou.
O novo decreto de convocação da Confecom deve ser publicado no Diário Oficial da União na próxima semana.
Recomposição do orçamento
A assessoria do Ministério da Comunicações também informou que o presidente sancionou o Projeto de Lei 27/09, que recompõe os recursos previstos no orçamento da pasta para a realização da conferência. Haviam sido cortados R$ 6,5 milhões, que serão repostos integralmente. O total de investimentos previstos na Confecom é de R$ 8,2 milhões.
Embora seja cada vez mais comum órgãos públicos e outros entes estatais usarem os recursos da rede mundial de computadores, as possibilidades de interatividade e instantaneidade criadas pela chamada “web 2.0” parecem multiplicar o interesse dos cidadãos em relação à presença do Estado no mundo digital. Há um mês, a estréia do Blog do Planalto foi uma demonstração do grau de curiosidade da população em relação a estes instrumentos. Mal entrou no ar, o site criado pela Secretaria de Comunicação Social do governo federal caiu por excesso de conexões. Foram registradas 6 mil visitas por minuto. O episódio mostra que a mudança gradual nas estratégias de uso governamental da internet gera, ao mesmo tempo, dúvidas em relação às intenções dos governantes e a expectativa de que estas ferramentas ampliem a transparência e a participação nas decisões governamentais. Afinal, a internet e as opções da web 2.0 facilitam o acesso às informações públicas? Abrem um canal mais direto de contato com o cidadão comum? Incentivam a participação das pessoas na elaboração de políticas públicas? Tem-se, enfim, um instrumento que serve de retorno sobre a eficácia de políticas governamentais ou a internet é apenas mais um veículo de propaganda dos governantes? Para Sivaldo Pereira, doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), o uso da internet pelo Estado brasileiro não está focado na interatividade. “Em primeiro plano, os portais têm hoje uma função muito mais de expor informação do que de interagir com os cidadãos. Em segundo plano, servem como canais de prestação de alguns serviços (como emissão de documentos, cadastros, etc.). Em raríssimos casos há o uso de ferramentas como chat, fóruns de debate online ou votação via internet”, avalia Pereira, que estuda como o Estado faz uso da interatividade digital. O Blog do Planalto, por exemplo, não tem espaços para que os internautas deixem seus comentários. A equipe responsável pelo site afirma, na seção “Sobre o blog”, que ele é um espaço para “compartilhar informações sobre o cotidiano da Presidência da República”. A opção por não abrir o site a comentários dos leitores causou tal estranhamento que, apenas três dias depois da estréia do site oficial, usuários da internet criaram uma versão alternativa que reproduz o conteúdo do blog com a espaço para interatividade. Interatividade Como se vê, a idéia de que a internet deixe de ser utilizada apenas como canal de transmissão de notícias do governo para ser também um espaço com foco na participação do cidadão ainda precisa ser apreendida tanto pelos governos, como pela população. Experiências como a da reformulação da Lei Rouanet pelo Ministério da Cultura, que contou com uma consulta via internet aberta ao público, ainda são consideradas inovação e não regra. “As ferramentas de interatividade precisam ser implantadas em paralelo com o fomento de uma cultura cívica de apropriação disso”, lembra Sivaldo Pereira. O pesquisador ressalta também que é preciso considerar a dificuldade de acesso à internet ainda enfrentada pela grande maioria da população brasileira. “Realizar uma democracia via internet com grandes contingentes de cidadãos que não tem acesso pode reforçar as desigualdades já existentes. Isso não quer dizer que é preciso incluir digitalmente para depois desenvolver ferramentas de interatividade: é preciso ver a inclusão digital e a interatividade como parte de uma política de democracia participativa integrada.” As práticas de interatividade também precisam ser uma política de Estado e não uma política de governo que pode mudar com o humor dos governantes. Para Pereira, a internet definitivamente entrou na estratégia de publicidade governamental, mas isso não significa, necessariamente, que o ambiente digital sirva apenas à propaganda política. “Embora haja muita propaganda nos portais, há também muita informação útil e muitos dados que podem ajudar a tornar o Estado hoje bem mais transparente do que era há 20 anos.” Apesar da exclusão digital marcar a realidade brasileira, o crescimento do número de acessos à internet e também a configuração dos espaços interativos, a exemplo dos blogs, como fontes de informação não podem mais ser desprezados pela comunicação do poder público. Segundo estudo da agência de mídia Universal McCann, já são 625 milhões o número dos internautas ativos. Destes usuários ativos, 63% têm ou já fizeram perfil em sites de relacionamento, 29% afirmam manter blogs na internet e 71% declararam buscar informações em blogs. Um dos grandes exemplos mundiais no uso dessas ferramentas é o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A utilização do twitter – uma espécie de blog no qual as pessoas podem postar pequenas notícias – por Obama durante as eleições presidenciais dos EUA acabou por popularizar a ferramenta em todo o mundo. Ao ser eleito presidente, o blog do então candidato passou a ser o Blog da Casa Branca. Essa experiência, considerada um caso de sucesso no mundo das estratégias de comunicação política, passou a ser adotada em mais países e também em diferentes esferas de governo, como os governos estaduais e municipais. No Brasil, esse fenômeno já começa a se desenhar em algumas esferas do poder público, mas principalmente no Poder Executivo. Blog da Presidência Curiosamente, a versão brasileira de comunicação presidencial recorre, ao mesmo tempo, à internet 2.0 e à imprensa tradicional. Além do Blog do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a ter também uma coluna semanal em jornais regionais. A opção pela criação do blog considerou, especialmente, o fortalecimento da internet como fonte de informação prioritária para uma determinada parcela da população, principalmente os jovens. A diversificação da estratégia de comunicação do Planalto, incluindo a internet, deve-se também à criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a incorporação dos veículos que antes faziam a comunicação do Palácio do Planalto – como a Radiobras e a Agência Brasil – em um sistema que se pretende público e que agora tem a intenção de se manter distante do governo. Além da Presidência, também os ministérios, empresas públicas e autarquias federais desenvolvem outras iniciativas a partir das plataformas digitais. Um exemplo de interatividade, mas também de polêmica, foi a criação do Blog Fatos e Dados pela Petrobras, em junho. Alvo das atenções da oposição no Congresso Nacional, que pregava a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a gestão da empresa, a assessoria de comunicação da Petrobras optou por fazer um blog para apresentar diretamente à população as informações geradas por seus profissionais e evitar edições desfavoráveis por parte da imprensa. O blog dividiu opiniões. Foi considerado por alguns como uma inovação, uma prática democrática, e por outros foi acusado de tentar intimidar jornalistas ao publicar na íntegra as entrevistas concedidas por representantes da estatal à imprensa. Fato é que o blog atingiu, nos seus primeiros dias de vida, números que superavam os 20 mil acessos diários e passou a ser mais uma fonte de informação sobre o processo que envolvia a estatal. O Ministério da Cultura (Minc), por sua vez, também fez uso das ferramentas interativas. O blog criado com intuito de discutir e construir coletivamente o novo projeto da Lei Rouanet ficou no ar por seis meses. Nesse período, teve 70 mil acessos e a consulta foi considerado um sucesso. Fraudes Assim como boa parte dos processos que envolvem inovações tecnológicas, a web 2.0 ainda traz uma série de problemas que, na perspectiva da comunicação pública, deixam de ser simples brincadeira e passam a ser fraudes com conseqüências de difícil solução. Como os sites de relacionamento são abertos, bem como a criação de um blog ou de um twitter, multiplicam-se os perfis falsos de pessoas públicas. Na página da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, uma nota alerta para um perfil falso do presidente Lula no twitter. Também já se identificou plágio do Blog Fatos e Dados da Petrobras, e várias outras denúncias de perfis falsos são feitas na internet. Os criadores do twitter, por exemplo, já anunciaram que vão lançar uma nova página inicial que explique melhor para que serve a ferramenta que, segundo Biz Stone, co-fundador do serviço, deve dar notícias em tempo real. Em se tratando de ferramentas utilizadas pelo poder público, as páginas oficiais, que são mais dificilmente copiadas, podem alojar ou indicar o link correto para os referidos endereços evitando as falsificações. [Título original: A Conferência Nacional de Comunicação, a TV Pública e os conteúdos ficcionais como fatores de transformação sócio-cultural] Uma reflexão sobre linguagens se faz necessária, uma vez que um mesmo conteúdo produzido digitalmente poderá ser exibido nos mais variados tipos de mídia, apontando para uma convergência também de linguagens que, certamente, irá estabelecer outros conceitos de diferenciação. Necessitamos, portanto, pensar em uma nova televisão que, além das novas propostas voltadas para o caráter público, democrático e de bem social, deverá ter uma produção de conteúdos indicando novos caminhos semiológicos. No caso das produções de ficção, um novo paradigma se coloca, aproximando cinema e televisão, dentro de novos conceitos. Na era da digitalidade e da convergência, poderemos ter, então, cada vez mais, conteúdos ficcionais em diferentes suportes mediáticos. Vale dizer que a democratização se faz necessária diante da abrangência total das novas tecnologias, onde o território audiovisual converge e dilui antigas fronteiras entre as linguagens. Sem dúvida, uma nova semiologia se faz, aqui, necessária. Inclusive, vale ressaltar que atualmente é pauta de discussões nas Universidades e nas agências de fomento da Educação Superior, uma nova definição para as áreas e sub-áreas que aponta para um conceito mais abrangente, denominado agora como: Audiovisual. Sem dúvida, a partir deste momento, produziremos, em todos os setores, de forma convergente, conteúdos audiovisuais, com diferentes formatos, todos aptos para exibição em diferentes mídias. Para a nova mídia televisiva, digital, democrática e pública, acreditamos, portanto, que é de grande interesse, além da produção de conteúdos com formatos jornalísticos, informativos, documentais, didáticos, esportivos e outros, a produção de conteúdos dramatúrgicos ou de ficção, uma vez que os dois conceitos englobam os mesmos aspectos que aqui tratamos: ficção e estrutura textual dramatizada, em linguagem audiovisual. É inegável que as televisões comerciais e privadas atingem o grande público, sobretudo, pela linguagem da teledramaturgia, porém, muitas vezes, sem o caráter educativo e cultural que a televisão pública, ao democratizar a comunicação, pretende seguir. É, portanto, de interesse público que a linguagem ficcional e dramatúrgica esteja presente na nova TV Pública, de forma inovadora, na grade de programação e na produção de conteúdos próprios. Num país emergente como o nosso, marcado por ainda não resolvidas desigualdades sociais, nossa televisão privada e comercial, até hoje, contou com o monopólio da informação, produção e transmissão. Como corresponder a essa expectativa de renovação de linguagem e também ao crescente apelo pela democracia no espaço da comunicação e da arte digital? Somente uma TV Pública, com compromissos sociais e culturais pode abrir esse espaço. Desde o I FÓRUM DAS TVS PÚBLICAS, realizado em maio de 2007, em Brasília, um forte movimento pela criação de um pólo expandido de TVS Públicas que abrigasse as comunitárias, as universitárias, as legislativas e as educativas, numa malha popular e democrática de expressão digital, tomou forma e, hoje, contamos com um movimento expressivo nesse campo. Não só a criação da Empresa Brasileira de Comunicação-EBC, mas, outros fatos, como uma forte demanda pela Conferência Nacional de Comunicação, com data marcada para dezembro deste ano de 2009, que criará um marco regulatório para o setor, são alguns dos acontecimentos que podem garantir que haverá uma verdadeira e criativa revolução nos meios de comunicação. Por isso abordamos, aqui, alguns aspectos, focando, sobretudo, a importância da produção de conteúdos ficcionais em mídia digital, apontando seu caráter inovador, dentro desse processo de criação de uma TV Pública com malha expandida, o que pode abrir uma perspectiva de transformação sócio-cultural no país. Já que a televisão pública ou a rede pública de televisão, convergente e digitalizada, tem como objetivo social a abertura de um novo espaço não comprometido com questões de audiência e comércio, publicidade paga e empresários interessados em vender para um cada vez maior número de espectadores, abre- se, então, um espaço crítico para a experimentação, pesquisa e inovação. Nesse caso, a ficção televisiva poderia, então, encontrar, na TV Pública, um espaço de excelência para afirmar seu papel crítico, educativo e cultural. Aqui, faz-se necessário abordar uma importante questão: a antropologia da arte. Como significação de referentes culturais, a manifestação de conteúdos ficcionais carrega um complexo universo de valores, concepções, costumes, enfim, subjetividades inerentes à materialização significante e sensível do signo. Como expressão subjetiva e corpo, como significado e significante, como signo e fenomenologia da arte e da comunicação, a produção ficcional insere-se num importante tripé: arte, comunicação e educação. Expressar mundos atuais não é a única possibilidade da ficção, sobretudo, atualmente, da televisiva digital. É preciso transformar. Para isso, uma perspectiva antropológica da produção audiovisual é tão abrangente quanto a perspectiva brechtiana da dramaturgia. Ambas, apontam para a significação cultural do drama-ficção e sua transformação como reflexo e materialidade em si do corpo e da subjetividade do social. Disso, sabem perfeitamente os poucos donos da mídia conservadora e comercial, comprometida com ideologias contrarias, na verdade, à consciência, como pensava Brecht, das classes sociais retratadas, porém submersas em universos culturais que se tornam estagnados e fechados diante da invasão das telas e suas histórias, onde a produção dramatúrgica não educa, não transforma e aprofunda o vazio cultural, apontando como única saída: a ascensão a qualquer preço, a mobilidade de uma classe a outra. Numa proposta de escalada social, comprometedora de consciências, a ficção transforma-se em escola de suspeita técnica de negação de valores de classe e de possíveis transformações críticas. Sem distanciamento brechtiano, numa lamentável catarse, crianças e adultos manipulados, sem singularidades, refletem os mesmos valores da classe dominante, numa escalada de cobiça, onde máquinas desejantes almejam uma materialidade capaz de violência social, desta mesma que aí está, sem proposta de transformação. Outro aspecto importante é a idéia de que o espectro eletromagnético é um bem público. Portanto, poderíamos pensar que toda transmissão televisiva ou toda a radiodifusão parte de uma base pública, o espectro. Nesse caso, os mesmos critérios de gestão poderiam ser aplicados a qualquer emissora desde que as concessões fossem tratadas como questões de políticas públicas. Outorgar uma faixa do espectro eletromagnético público permite que governo, população e movimentos sociais acompanhem, façam parte e discutam dentro de uma estrutura de gestão pública, com conselhos, reuniões e critérios claros as concessões e todas as questões consideradas de interesse da população, referentes à continuidade de uma outorga. Novos critérios educativos e culturais devem pautar a utilização e exploração do espectro, pois os critérios quantitativos e, portanto, não qualitativos, comerciais, pautados pela audiência ou por uma falsa representatividade podem ser insuficientes para que um bem público esteja nas mãos de uma empresa privada com seus interesses de lucro, dentro da lógica da economia de mercado. Não há, aqui, necessidade de uma longa explicação sobre a evidente responsabilidade social de uma empresa de negócios particulares diante de uma concessão de direito público, o que até poderia ser inviável. Nesse caso, teríamos um conceito bastante ampliado de TV Pública, se pensarmos que sendo todo o espectro eletromagnético um bem público, automaticamente, toda TV deveria ser considerada pública. E mais, todo o setor de comunicação deveria ser considerado de interesse público e ser tratado dentro de uma perspectiva de políticas públicas e de direitos humanos fundamentais. Finalmente, vale ressaltar que somente a realização da CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO poderá criar um marco regulatório capaz de definitivamente estabelecer novos paradigmas para nossa cultura. Revisitando a estrutura de conferência no sentido de contrato social, citamos Jean Jacques Rousseau que no seu genial tratado percorre os inúmeros aspectos que implicam num amplo debate, entre vários atores. Sem dúvida a Carta dos Direitos do Homem e do Cidadão, surgiu como marco regulatório dos Direitos Humanos, cuja carta de 1948, tem como referência a carta nascida das enormes contradições dialéticas do século XVIII. Como estrutura, carta e marco, conferência e contrato, possuem ligações paradigmáticas. Portanto, a convocação da Conferência Nacional de Comunicação, onde haverá regulamentação, nos possibilitará uma clareza nos modos de gestão e financiamento para as TVS Públicas, ou malha estendida pública ou rede pública de televisão, para a convergência tecnológica e regulamentação de teles, radiodifusão, sinais, cabos, critérios para as concessões ou mesmo proposta de reforma constitucional para a comunicação, onde, inclusive, há a necessidade de uma nova idéia de complementaridade, mais exata, além de definições apropriadas para os conceitos de público, estatal e privado, hoje, bastante confusos. Ou seja, estamos em plena desregulação. Os atores diversos por vezes tendem a propor sub-regulações, projetos de lei parciais e setoriais. Os movimentos sociais lutam porque lutar é preciso e acreditam que a conferência é fundamental. Porém, somente a convocação e, em dezembro de deste ano de 2009, a realização da CONFECOM, pelo Executivo que, juntamente com os movimentos sociais e a classe empresarial, acaba de assumir essa importante tarefa, na verdade, histórica, pelo seu referencial revolucionário, poderão nos tirar das trevas. É preciso luz, racionalidade iluminada, lógica social clara para trazer clareza ao setor, tirando os atores do palco sem iluminação ou do “set” sem foto definida. A conferência é a luz que a área da comunicação necessita para que a idéia de rede pública de televisão digital cumpra seu papel inovador, convergente, capaz, inclusive, de iluminar a nova cena onde uma dramaturgia/ficção brechtiana estabeleça um fundamental distanciamento para que o povo possa se ver, se reconhecer, se buscar e se encontrar, criando um novo marco antropológico. Luz, povo e comunicação. Direitos Humanos, direito à comunicação, dramatização de nossas histórias. Luz, ação! * Heloisa Toledo Machado é professora do Curso de Cinema e da Pós-Graduação em Ciência da Arte, da UFF – Universidade Federal Fluminense. No ar desde o dia 21 deste mês, a nova programação da TV Brasil reflete o interesse da emissora no público infanto-juvenil. Dos 30 novos programas, pelo menos 10 são voltados para as crianças e 5 para adolescentes e jovens, somando seis horas diárias dedicadas às duas faixas etárias. Além das quatro emissoras próprias da TV Brasil em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão, boa parte das 24 TVs educativas que operam em rede com a emissora estão retransmitindo as novas produções. O diretor de produção da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Roberto Faustino, foi um dos responsáveis pela escolha dos novos programas. “Buscamos diminuir a faixa etária. Fazer com que mais jovens assistam à TV (Brasil)”, diz. Ele também explica que houve uma preocupação em ofertar alguns conteúdos para crianças de até 4 anos, que, segundo ele, não são bem atendidas pelas TVs comerciais. A construção da nova linha de produtos da TV também contou com um auxílio científico. Os membros do Conselho Curador da EBC Murilo César Ramos e Lúcia Braga elaboraram um estudo sobre o que existia na grade da TV Brasil e as novidades propostas. Os resultados foram apresentados em reunião do conselho realizada na terça-feira (30 de setembro). Ramos e Lúcia fizeram uma avaliação positiva do conjunto da programação infantil, já incluindo as novidades apresentadas nas últimas semanas. Uma das inovações apontadas como positivas foi a inclusão de animações para as crianças. “Preencheu-se uma lacuna”, disse o conselheiro, que também é professor de Comunicação da Universidade de Brasília. Segundo o estudo, a programação infantil da emissora também se qualifica quando não enxerga o público infantil como um futuro consumidor. “Há a ausência do fator consumo”, afirma Ramos. É a primeira vez que o Conselho dedica-se a olhar com mais atenção e precisão uma determinada temática da programação da TV Brasil. A idéia é que isso seja feito mais vezes. Para isso, o Conselho Curador da empresa aprovou a criação de outras comissões temáticas dentro do órgão. Os temas, porém, serão definidos na próxima reunião do Conselho. Programas Além do foco infanto-juvenil, Faustino explica que também foi feita uma aposta em privilegiar segmentos, como o feminino. Um dos programas que vem sendo colocado em destaque pela direção da empresa é o “Papo de Mãe”, co-produzido com uma produtora independente. “Num país onde cada vez mais cedo as mulheres vêm tendo filhos, um programa como Papo de Mãe será, decerto, de grande ajuda. O programa semanal terá 48 minutos, divididos em três blocos, com apresentação das jornalistas (e mães) Mariana Kotscho e Roberta Manreza. A série vai reunir jovens mães para abordar problemas e soluções do dia-a-dia com convidados e especialistas”, diz o texto de divulgação da atração. Outra produção de destaque pretende trazer aos telespectadores brasileiros mais informações sobre o continente africano. A série “Nova África” apresentará ao público 26 programas temáticos. Segundo sua sinopse, ela dará ênfase a alguns povos africanos, especialmente àqueles ligados à origem de nossos ancestrais, como os ioruba da Nigéria e do Benin, os que no Brasil foram chamados de “malês” e alguns povos da língua bantu, aqui chamados de “angolas” e “carabindas”, que chegaram ao país durante os anos de comércio escravagista. Gerado pela TV Brasil de São Paulo, o programa “Paratodos” promete atrair os jovens, buscando levar à tela semanalmente as expressões da cultura na música, dança, teatro, folclore e até na culinária. No ar desde 25 de setembro, ele tem 28 minutos de duração. “A relação da comida com a cultura brasileira é um dos principais enfoques que será dado pelo programa Paratodos”, descreve a sinopse. Entre os novos infantis estão “Angelina Bailarina”, as aventuras de uma ratinha que quer ser bailarina; “Poko”, um garoto que descobre o mundo a partir de seu quintal; “Como as Coisas Funcionam”, que vai introduzir as crianças no universo da ciência, e “Barney e Seus Amigos”, as aventuras de um dinossauro que vive com crianças de diversas culturas. Todos estes programas são produções internacionais, disponíveis hoje em canais pagos. A nova grade inclui, também, produções regionais. A animação infantil “Catalendas” é uma produção da TV Cultura do Pará. Já a Rede Minas contribui com três produções. Segundo Roberto Faustino, há o esforço por parte da empresa para que as emissoras locais produzam mais conteúdos. Já a programação esportiva segue sem muito destaque na grade da TV Brasil. Entre as estréias, não há nenhum conteúdo do tipo. “Antes precisamos fechar uma política sobre o esporte”, justifica Roberto Faustino. O diretor afirma que a reforma da programação prosseguirá nos próximos meses. Já em novembro serão apresentadas outras novidades e para março do ano que vem, está prevista uma nova reformulação de fôlego da programação da TV Brasil. Críticas O ouvidor da EBC, Laurindo Leal Filho, conta que houve um volume significativo de reclamações sobre a saída de alguns programas. Dois deles, em especial: “Atitude.com” e “Nos Braços da Viola”. Para Laurindo, a renovação dos conteúdos foi importante, mas deveria ter sido feita com mais cuidado pela direção da emissora. “Houve um esquecimento de que a televisão é hábito. É preciso que as modificações sejam gradativas e fartamente anunciadas ao público”, critica o ouvidor. Laurindo entende que a nova programação foi construída sob uma lógica comercial, em que se inserem os programas para depois ver a aceitação do mercado. O diretor de produção da empresa, porém, acredita que a nova programação incorpora o espírito público da EBC. “Existem programas que uma TV comercial jamais colocaria no ar, como o ‘Ciência Nua e Crua’ e o ‘Catalendas’, uma animação regional”, contra-argumenta Faustino. Ouvidoria Outra questão que gerou críticas de membros do Conselho Curador em relação à nova programação foi a ausência de um programa destinado à Ouvidoria da EBC, previsto na lei que cria a empresa. Segundo norma interna, esse programa deveria oferecer mecanismos para debate público acerca de temas de relevância nacional e internacional a respeito da mídia e do jornalismo, contribuindo para desenvolver a consciência crítica do cidadão. A proposta do ouvidor, Laurindo Leal, é transformar um bloco de seu atual programa, o “Ver TV”, em um espaço para responder questões (dúvidas, reclamações, sugestões) enviadas pelos telespectadores. No entanto, ele reclama da falta de condições dadas pela direção da empresa para que o espaço se efetive. “Até agora não tivemos recursos necessários para viabilizá-lo”, disse. Os conselheiros não apontaram solução para este impasse. Entre os dias 29 de setembro e 3 de outubro, o Ponto de Cultura Circo do Capão em parceria com o Pontão de Cultura Junta Dados (UNEB) recebeu os demais Pontos de Cultura do território no I Encontro de Conhecimentos Livres da Chapada Diamantina, que aconteceu no Circo do Capão, em Caeté-Açu (Vale do Capão). O evento, que teve como objetivo fortalecer a rede de pontos de cultura do território estimulando a valorização da cultura popular da região e pondo em prática a cultura da colaboração, contou com oficinas de produção audiovisual com softwares livres, metareciclagem, debates sobre licenças livres, sustentabilidade e economia solidária. O Encontro dos Pontos de Cultura também foi um dos palcos dos debates sobre a Conferência Nacional de Comunicação que acontecem por todo o Brasil. Entre os destaques da discussão, houve o reconhecimento de um avanço na área cultural em políticas que contribuem para uma comunicação democrática, como as iniciativas dos pontos de cultura. Apontou-se, entretanto, a necessidade de ampliar as possibilidades de interação da produção audiovisual dos pontos e o sistema público de comunicação no Brasil. Como inserir a produção audiovisual dos pontos de cultura e produtores independentes – ou dependentes de editais – na TV Pública, sem reproduzir a lógica da cultura marginalizada é uma das preocupações levantadas pelos representantes dos pontos nas etapas preparatórias para a Conferência Nacional de Comunicação. Na apresentação do Portal iTeia (http://www.iteia.org.br/index.php), que reúne acervo da produção multimídia de centros culturais, integrando e relacionando conteúdos de redes como os Pontos de Cultura e Casa Brasil, Pedro Jatobá ressaltou o resultado dos debates da Conferência Livre de Comunicação e Cultura, que aconteceu no final de setembro em Recife. No eixo de sustentabilidade, Jatobá destacou a necessidade de financiamento das mídias alternativas, dividindo a publicidade do governo, que deve ser investida também nesses veículos. “Hoje o governo subsidia apenas a grande mídia, mas deve haver cotas de mídia para veículos locais e alternativos, democratizando as fontes de acesso a informação pública e democratizando a verba publicitária, que também é pública”, afirma Pedro Jatobá. As próximas etapas de Conferências Livres na Bahia acontecem no mês de Outubro em Ilhéus (09), Vitória da Conquista (15) e Barreiras (17).
Governos começam, aos poucos, a usar ferramentas da web 2.0
Reflexões sobre TV pública e a produção ficcional
No campo do audiovisual, a televisão, hoje, caracteriza-se como o espaço de excelência da convergência digital, numa espécie de piloto para todas as outras experiências das diferentes expressões da linguagem. Nada mais importante, pois, que tratar de forma democrática essas manifestações, quer artísticas, quer de comunicação, ou os dois ao mesmo tempo. A convergência, significando que todos os formatos de conteúdos existentes estarão disponíveis para os mais diferentes suportes audiovisuais, nos permitirá, entre outras coisas, criar novos paradigmas, sobretudo, para o cinema e a televisão, agora voltados, ambos, para a tecnologia digital.
Renovação da programação da TV Brasil busca atrair público infanto-juvenil
Encontro de Conhecimentos Livres da Chapada Diamantina discute propostas dos pontos de cultura