Telebrasil e governo negam negociação sobre custeio de delegados das teles

Diante da notícia de que a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) cogitava retirar-se do processo de construção e participação na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), governo e representantes dos empresários apressaram-se em negar qualquer negociação entre os dois setores. Segundo o noticiário especializado TeleTime News, a Telebrasil teria reclamado de dificuldades para mobilizar representantes do setor para participarem da Confecom e para solucionar o problema teria solicitado auxílio do governo para remunerar estes representantes. O site fala em um gasto em torno de R$ 4,5 milhões.

O representante da Telebrasil na Comissão Organizadora Nacional (CON), Cesar Rômulo, negou que a entidade tenha feito qualquer pedido de auxílio financeiro para ajudá-los a conseguir delegados nos estados. "Não foi pedido nada”, disse Rômulo ao Observatório do Direito 'a Comunicação. Ele afirmou que a entidade não está com dificuldade de mobilização e que também não pretende abandonar a Confecom. “É uma hipótese meio remota”, disse. Mesmo assim, o empresário reclamou que a Telebrasil e seus representantes regionais estariam tendo dificuldades de integrarem as comissões organizadoras das etapas estaduais da Conferência.

O consultor jurídico do Ministério das Comunicações Marcelo Bechara foi veemente em negar a informação. “Não existe isso”, garante. Para ele, houve uma interpretação incorreta da matéria publicada. A próxima reunião da Comissão Organizadora Nacional será quinta-feira (15).

Teles podem abandonar Confecom

Reproduzido do TeleTime News

As empresas de telecomunicações podem ficar fora da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Segundo apurou este noticiário, o governo já foi informado sobre a intenção da Telebrasil de se desligar da conferência. As razões explicadas pela associação, que representa as teles, passam pela dificuldade de mobilizar os delegados para as etapas regionais da Confecom. A Telebrasil se deu conta de que não conseguiria mobilizar pessoal para participar, em condições de votar e atender aos requisitos do regimento, em todas as etapas estaduais. Seriam mais de 300 delegados que precisariam ser mobilizados em todas as plenárias, fora o trabalho dos coordenadores em 27 unidades da federação.

O número que foi apresentado ao governo como um custo estimado para esse esforço é da ordem de R$ 4,5 milhões, o que é mais da metade do custo total da conferência. Além disso, o modelo de mobilização baseado em delegados contratados poderia ser questionado pelas demais entidades participantes. Outro receio das teles é que boa parte dos delegados a serem mobilizados precisaria vir de empresas como provedores de acesso e operadores de SCM, que não necessariamente teriam as mesmas preocupações da cúpula da Telebrasil durante a Confecom. Essas empresas são as que têm maior capilaridade no mercado de telecomunicaões, mas quase sempre têm reivindicações antagônicas às posições das grandes concessionárias.

A movimentação de saída das teles é surpreendente porque surge em um momento em que o governo recebe sinais de que a Abert pode retornar à conferência. A entidade, que representa empresas de rádio e TV, teria sido cobrada pelo presidente Lula para participar da Confecom. Todos esses movimentos se somam ao adiamento da Confecom para os dias 8, 9 e 10 de dezembro determinado pelo Ministério das Comunicações. (Mariana Mazza)

Comissão aprova versão do PL da publicidade infantil que não trata do tema

A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC) transformou o projeto de lei que previa a proibição da publicidade infantil em uma regulamentação sobre a publicidade considerada abusiva. Na sessão de hoje (18), os deputados da CDEIC aprovaram o substitutivo do deputado Osório Adriano (DEM-DF), para quem “a proposição original, ao tentar estabelecer limites para a má publicidade voltada ao público infantil, acabou por se revelar remédio excessivamente radical, capaz de matar o paciente”.

O Projeto de Lei 5921/01, de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), proibia a veiculação de publicidade dirigida a crianças. Na Comissão de Defesa do Consumidor, o projeto ganhou nova redação, ampliando a caracterização do que seria a publicidade infantil, vetando inclusive a participação de crianças em vídeos publicitários.

A versão que sai agora da CDEIC simplesmente abandona a idéia de controlar a publicidade dirigida às crianças. A proposta do deputado Osório inclui um parágrafo no Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) considerando abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer natureza, que incite à violência, explore o medo ou a superstição, desrespeite valores ambientais, que estimule o consumo excessivo ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. A menção ao público infantil resume-se, agora, a dois trechos: “aproveite-se da deficiência de julgamento e experiência da criança” e “que seja capaz de induzir a criança a desrespeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) comemorou a guinada na tramitação do projeto. “Foi a vitória do bom senso e da responsabilidade”, afirma o diretor-geral da entidade, Luís Roberto Antonik.

Já o autor do PL acredita ser preciso retomar o texto original. “Há comerciais que se transformam em verdadeira coação ou chantagem para a compra dos bens anunciados. Em alguns países é proibido que a publicidade se dirija a crianças. Em outros, existem restrições importantes. Já no Brasil, há um liberalismo total”, afirmou.

O projeto segue para análise nas Comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovados nas comissões, não precisará ir a Plenário.

Com informações da Agência Câmara e do site da Abert.

No MS, Justiça abre processo penal contra articulista por racismo contra indígenas

A Justiça Federal de Dourados acatou denúncia do Ministério Público Federal contra o advogado e jornalista Isaac Duarte Barros Júnior por publicar um artigo racista no jornal O Progresso, de Dourados (MS), em 27 e 28 de dezembro de 2008. O texto continha termos ofensivos aos indígenas da região. Barros Júnior agora é réu em processo penal por racismo e danos morais coletivos.

Segundo o MPF-MS, no artigo "Índios e o retrocesso", Barros Júnior usa os termos "bugrada" e "malandros e vadios" ao se referir aos indígenas, além de se insurgir contra o processo de demarcação de terras no estado. Ele também ataca diretamente a cultura dos povos índigenas, como no trecho "A preservação de costumes que contrariem a modernidade são retrocessos e devem acabar. Quanto a uma civilização indígena que não deu certo e em detrimento disso foi conquistada pela inteligência cultural dos brancos, também é retrógrada a atitude de querer preservá-la".

A OAB-MS chegou a divulgar, em junho, nota de repúdio a ação penal proposta pelo MPF, afirmando que a liberdade de expressão e pensamento do articulista tinha sido criminalizada. Em resposta, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), também publicou nota de apoio ao MPFm, onde afirma que "o ajuizamento de ação penal emite opinião de natureza hostil, intolerante, com o propósito explícito de discriminar a etnia indígena".

O racismo é previsto no Artigo 20, da Lei n.º 7.716/89: "Praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça ou etnia". No caso de uma ação criminal, quando o delito é cometido nos meios de comunicação social, a lei estipula pena de dois a cinco anos de prisão e multa.

Na ação por danos morais contra o advogado-jornalista Barros Junior, a indenização pleiteada pelo MPF é o pagamento de um salário mínimo por membro das comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul. O estado tem hoje cerca de setenta mil indígenas. A indenização, se estipulada pela Justiça, pode passar dos trinta milhões de reais. O valor eventualmente pago pelo articulista deverá ser destinado à melhoria das condições de assistência aos indígenas da região de Dourados.

Consulta para renovação do Conselho Curador começa a ser discutida

Próximo de completar dois anos em funcionamento, o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) está prestes a renovar metade da sua composição. Mais do que uma mudança de nomes, estará em jogo a afirmação do caráter público da empresa, já que hoje o órgão é o principal mecanismo de controle social da estatal que controla veículos como a TV Brasil, a Agência Brasil e um sistema de rádios.

A atual gestão do Conselho tem 19 de seus 22 membros indicados diretamente pelo presidente da República. Apenas os representantes do Congresso Nacional, escolhido pelo Legislativo, e o dos funcionários da EBC, eleito por seus pares, não fazem parte das indicações presidenciais. Alvo de críticas, esse modelo agora deve mudar, já que a Lei 11.652 de 2008, que cria a EBC, institui que a nova composição dos membros da sociedade civil deve passar por Consulta Pública.

A forma como será feita a consulta, porém, está em aberto. O assunto começou a ser discutido na última reunião do Conselho, realizada em 29 de setembro, mas vai entrar em pauta de fato no próximo encontro do órgão, que deve ocorrer no fim deste mês. O Conselho foi empossado em 14 de novembro de 2007.

Para fazer com que o mandato de parte dos conselheiros não coincida com o do presidente da República, metade deles tem mandato de dois anos. Essas são as vagas que serão abertas a novos representantes. De 2007 para cá, alguns membros já foram substituídos, como o ex-ministro Delfim Netto e o rapper MV Bill, após decisão dos próprios conselheiros de abandonarem os seus cargos. Nos dois casos, as indicações voltaram a ser feita pela Presidência da República.

De acordo com a lei que regulamenta a EBC, o processo de consulta pública para eleição dos novos membros do Conselho Curador receberá indicações formalizadas por entidades da sociedade civil constituídas como pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, voltadas, ainda que parcialmente à promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos ou da democracia; à educação ou à pesquisa; à promoção da cultura ou das artes; à defesa do patrimônio histórico ou artístico; à defesa, preservação ou conservação do meio ambiente e à representação sindical, classista e profissional. São vetadas as indicações de partidos políticos ou de instituições religiosas.

No entanto, essa regra não prevê necessariamente a realização de eleições para o preenchimento das cadeiras do Conselho. Para alguns dos atuais integrantes do Conselho e entidades da sociedade civil, o processo deve contar com uma eleição, a fim de possibilitar uma maior participação social na empresa pública.

Entidades

O jornalista da Rádio Nacional Lourival Macedo, que representa os funcionários da EBC no Conselho Curador, é um dos que defendem que a escolha dos membros deve ser feita de forma democrática e sem a interferência do Executivo. Os conselheiros, para ele, também poderiam representar entidades. “Desde de que elas defendam a comunicação pública”, acrescenta. Se assim fosse, a tendência é que seus mandatos fossem mais públicos e, conseqüentemente, mais pessoas se envolvessem nas discussões que dizem respeito aos rumos da empresa.

No entanto, a possibilidade de haver representantes de entidades no Conselho Curador não agrada a todos. Importantes setores do governo discordam da posição do representante dos funcionários. O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, por exemplo, acredita que os conselheiros não devam falar em nome de organizações da sociedade civil.

Segundo consta no site da EBC, é prerrogativa do Conselho Curador aprovar anualmente o plano de trabalho da empresa, aprovar e observar a aplicação da linha editorial e acompanhar a veiculação da programação, fiscalizando e fazendo recomendações de acolhimento obrigatório pela diretoria-executiva. Poderá ainda, por deliberação da maioria absoluta de seus membros, emitir voto de desconfiança à diretoria ou a um diretor em particular, sendo que a segunda advertência resultará necessariamente em afastamento do diretor censurado ou, se for o caso, de toda a diretoria.

Outra importante decisão que começará a ser definida na próxima reunião do Conselho é a eleição do novo presidente do órgão, função antes ocupada pelo economista e atual presidente do clube de futebol Sociedade Esportiva Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzo.

Sugestões

O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, uma das entidades que tem feito críticas à pouca participação social na EBC, acredita que a gestão é o coração do sistema público de comunicação. Em documento elaborado como contribuição à Audiência Pública realizada em julho deste ano, a entidade diz que, “para além das prerrogativas altamente limitadas, o Conselho repete modelos de incidência extremamente reduzida”.

Para o Intervozes, o modelo de indicação em si é uma limitação ao caráter público da EBC, ao dar “ao Presidente da República o poder de escolha dos membros”. “Soma-se a isso o fato da solução da indicação de 'personalidades' não garantir, tomada a experiência destes primeiros 18 meses, nenhum vínculo orgânico com a sociedade e suas representações. O órgão sequer abre suas reuniões ou socializa o resultado delas, evidenciando uma prática nada transparente incoerente com a natureza de um órgão criado para participação do público”, diz o documento.

Na avaliação do Coletivo, a Consulta Pública para a renovação do Conselho Curador da EBC é uma obrigação estabelecida pela lei que deve ser aproveitada para corrigir um problema de origem do órgão e aproximá-lo do público.

A EBC gerencia, além da TV Brasil, outros dois canais de televisão (NBR e TV Brasil Canal Integración), uma agência de notícias (Agência Brasil) e oito estações de rádio (Rádio Nacional AM e FM Brasília e AM Rio de Janeiro, Rádio MEC AM e FM Rio de Janeiro e AM Brasília, Rádio Nacional da Amazônia e a Rádio Nacional do Alto Solimões, além da radioweb Radioagência Nacional).