Lula diz que resultado da Confecom foi de uma “sabedoria extraordinária”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou os resultados da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada no mês de dezembro, em Brasília. Lula também aproveitou para criticar os empresários que se recusaram a participar da discussão.

"Os grandes empresários não quiseram participar achando que seria uma guerra, mas, no fundo, o resultado foi de uma sabedoria extraordinária. Quem esperava divergência, (…) deve estar triste agora porque a conferência se deu num alto nível extraordinário", afirmou em entrevista coletiva após a assinatura dos termos de cooperação com as 12 cidades-sede da Copa de 2014.

Durante a preparação da Confecom, em agosto do ano passado, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Brasileira de Internet (Abranet), Associação Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA), Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), Associação dos Jornais do Interior (Adjori) e Associação Nacional dos Jornais (ANJ) desistiram de participar da conferência por divergências sobre pontos que consideraram restritivos à liberdade de expressão.

A Associação Brasileira dos Radiodifusores (Abra), que representa a Band e a Rede TV!, e a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) continuaram no debate.

A Confecom aprovou 672 propostas discutidas por 1684 delegados, como a criação do Conselho Federal de Jornalistas e do Conselho Nacional de Comunicação, exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, controle social nas empresas de radiodifusão, mais rigor nas outorgas e concessões e diminuição do capital estrangeiro nos meios de comunicação, passando de 30% para 10% de participação.

Agora as propostas serão avaliadas pelo Congresso Nacional e pelo Poder Executivo, que analisarão o que pode virar lei ou orientar novas políticas públicas de comunicação para o País.

Campus Party 2010 discutirá a regulamentação da internet

A Campus Party Brasil 2010, que terá início no próximo dia 25, em São Paulo, anunciou as novidades da sua programação. O evento discutirá a regulamentação da internet no Brasil, priorizando quatro eixos temáticos: plano nacional de banda larga, reforma do direito autoral, marco civil de direitos e direitos humanos na internet.

“Vamos discutir vários temas sobre a regulamentação da internet. O que é liberdade de expressão na rede, além de priorizarmos os quatro eixos temáticos do campus fórum. Todos os temas são de interesse público para a sociedade que cada vez mais usará a internet”, afirmou Sérgio Amadeu, diretor de conteúdo do evento, em coletiva realizada na manhã de hoje (14/01).

O evento deste ano terá quatro zonas demarcadas: Ciência, Criatividade, Entretenimento e Inovação. Marcelo Branco, diretor-geral do Campus Party, destacou a importância e influência do evento. “O Campus Party nos últimos anos influenciou muito a internet brasileira. Com o apoio da mídia, a divulgação do evento favorece o crescimento e é muito importante para influenciar e ajudar a popularizar a internet no Brasil”.

Os palestrantes, nacionais e internacionais, também são destaque. Participam do evento Lawrence Lessing, advogado norte-americano criador das licenças Creative Commons; Kevin Mitnick, que ficou conhecido por obter acesso não autorizado em sistemas de algumas das maiores corporações do mundo; e Scott Gojosdireitoacotein, coordenador da campanha de Barack Obama nas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Como palestrantes brasileiros, o evento conta com Marco Figueiredo, pesquisador há 17 anos do Centro de Vôos Espaciais Goddard, da NASA; e Marcelo Tas, apresentador do CQC, da Band.

A edição de 2010 conta com 54 patrocinadores. Para a realização deste evento foram investidos R$ 7,5 milhões, além de R$ 5 milhões em permuta com parceiros. Segundo a organização, mais de 5.900 pessoas já se inscreveram no evento e restam apenas 82 ingressos disponíveis para compra.

A Campus Party 2010 acontece entre os dias 25/01 e 31/01 no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. Para outras informações, clique aqui .

TV Câmara transmitirá ao vivo reunião sobre o PNDH nesta segunda (18)

Reproduzido do site da Câmara 

 

A TV Câmara transmitirá ao vivo a reunião pública sobre o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que será realizada na próxima segunda-feira (18), a partir de 15h, no plenário 9 do Anexo 2 da Câmara dos Deputados.

A reunião é iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) em parceria com o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), o Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos (FENDH) e a Plataforma Dhesca Brasil, redes que, somadas, reúnem mais de quinhentas organizações da sociedade civil e movimentos sociais que atuam no campo dos direitos humanos e participaram de todo o processo de elaboração do PNDH-3.

O deputado Pedro Wilson (PT-GO), vice-presidente da CDHM, coordenará a reunião. Inicialmente, representantes do MNDH, do FENDH e da Plataforma Dhesca farão exposições acerca do PNDH e da polêmica recente em torno do mesmo. Em seguida, a palavra será franqueada ao público e demais entidades presentes. Por fim, serão respondidas eventuais dúvidas da imprensa.

Sintonize a TV Câmara em sua cidade ou assista à reunião pela Internet (www.camara.gov.br/tv), na segunda-feira, a partir das 15h.

Mais informações:

Comissão de Direitos Humanos e Minorias
Câmara dos Deputados
Fone: (61) 3216.6570 / 3216.6578
E-mail: cdh@camara.gov.br
Site: www.camara.gov.br/cdh
Twitter: http://twitter.com/cdhcamara
Youtube: www.youtube.com/cdhcamara

Com culpa no cartório, empresários da comunicação atacam PNDH

É só se falar em algum tipo de ação da sociedade para evitar os abusos freqüentemente cometidos pelos meios de comunicação que os seus controladores, imediatamente, pulam. Os gritos mais recentes são contra a proposta de criação de uma comissão governamental para acompanhar a produção das empresas do setor e estabelecer um ranking dos veículos “comprometidos com os direitos humanos”, contida no Programa Nacional dos Direitos Humanos lançado no final do ano pelo governo.

Em nota oficial, as entidades empresariais de comunicação bateram na velha tecla da “ameaça à liberdade de expressão”. São capazes de afirmar que os direitos humanos “estão acima de qualquer questionamento” para, em seguida, negar a possibilidade de um acompanhamento público do respeito que eles dizem dedicar a esses direitos. Ora, se são tão respeitosos com os direitos humanos, como afirmam, porque temem que a sociedade, através do governo, comprove na prática esse comportamento.

Parte da resposta está em diversos programas veiculados diariamente por grande parte das emissoras de rádio e televisão do Brasil, violadores contumazes dos direitos humanos. É a prova definitiva do cinismo com que são escritas essas notas oficiais assinadas pelas entidades patronais.

Veja uma das frases do documento empresarial: “A defesa e valorização dos direitos humanos são parte essencial da democracia, nos termos da Constituição e de toda a legislação brasileira, e contam com nosso total compromisso e respaldo”.

E agora compare esse texto com o relato de dois telespectadores, a respeito de um tipo de programa, chamado policialesco, que prolifera em nosso pais.

O primeiro de Salvador:

“Há cenas de pessoas mortas ou agonizando, ao vivo, com tiros recebidos na cabeça. Há casos de travestis quase nus se agredindo ou pessoas se agredindo com paus, pedras ou socos durante as reportagens”.

Outro de Porto Alegre:

“Aqui no Rio Grande do Sul temos um exemplar desse tipo de programa também. É apresentado por um sujeito bizarro que dá chineladas em uma mesa. Ele acompanha as ações policiais, e dão a ele o direito de humilhar e zombar das pessoas que são alvo de ações policiais”.

Mas há mais elementos concretos para tornar a nota oficial dos empresários uma peça de ficção. Basta ver como são tratados os negros nas telenovelas, os homossexuais nos programas de auditório e os pobres nos espetáculos policialescos acima mencionados.

Para quem ainda não teve o desprazer de ver esse tipo de programa basta entrar na internet e no YouTube e clicar, por exemplo, em títulos como “Se Liga Bocão”, da TV Itapoã ou “Na Mira”, da TV Aratu, ambas de Salvador. Ou ainda “Bronca Pesada” e “Papeiro da Cinderela”, da TV Jornal do Recife. Ou em muitos outros.

É esse desrespeito embrutecedor da sociedade brasileira que o Programa Nacional de Direitos Humanos quer coibir. E tal proposta não saiu da cabeça iluminada de qualquer ministro para ser imposta à sociedade. Ela é resultado de um longo período de acúmulo de conhecimento e de maturação política. Basta lembrar que a 7a. Conferência Nacional dos Direitos Humanos, realizada em 2002, já apontava a TV como um elemento violador desses direitos. Nasceu aí a campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, até hoje em atividade, apontando periodicamente os programas que, segundo o público, mais violam os direitos humanos.

Cabe ressaltar a preocupação que o Ministério Público tem tido com a questão. Acionado por entidades da sociedade civil o MP moveu ação contra o programa do João Kleber, de caráter claramente homofóbico, e conseguiu decisão judicial suspendendo-o por um mês.

E, no Recife, vale a pena reproduzir alguns trechos da Ação Civil Pública assinada pelos promotores de Justiça Jecqueline Elihimas e José Edivaldo da Silva sobre os programas pernambucanos acima citados. Dizem eles, em resumo:

"O que se enxerga nos programas, que passam ao largo de uma legítima expressão artística, é apenas um enfoque bizarro tanto de situações do cotidiano ou dos próprios seres humanos, ali escolhidos para servirem de troça aos telespectadores. Sob o manto dissimulado da comédia, o que na verdade se vê é a execração pública das pessoas humildes, de suas vidas privadas, de seu sofrimento e dramas pessoais. Dessa forma, tornam a realidade cruel, injusta, sofrida ou violenta de uma população já excluída, um motivo de zombaria para os que a assistem. O que se vê é uma postura constante de veiculação e propagação de idéias preconceituosas, discriminatórias e homofóbicas e que atentam claramente contra princípios constitucionais, em especial à dignidade humana".

São afirmações que só confirmam a pertinência e a aplicação urgente do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, ainda que o empresariado que opera concessões públicas de rádio e TV grite e esperneie.

Reação empresarial ao PNDH-3 põe em risco avanços na comunicação

O decreto 7.037  de 21 de dezembro de 2009, que aprovou a terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH -3) aqueceu, nas últimas semanas, os debates em torno de ações necessárias para a garantia do direito à comunicação. Descontentes com o Programa, a Associação Brasileira de Emissoras de Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editoras de Revista (Aner) e Associação Nacional de Jornais (ANJ), em nota, acusaram o decreto de conter pontos que restringem à liberdade de expressão. A Secretaria Especial de Direitos Humanos, uma das autoras do PNDH-3, em contraposição, defendeu a formulação do documento e disse que o Programa “é mais um passo na construção histórica que visa concretizar a promoção dos Direitos Humanos no Brasil”.

O Programa prevê 13 ações e cinco recomendações para efetivação do direito à comunicação. Elas estão previstas em duas das 25 diretrizes do PNDH-3, que foi assinado por 37 ministérios. As diretrizes que citam a comunicação, mais especificamente as concessões de canais de rádio e televisão, são as de número 20 e 22. A primeira, transversalmente, quando trata do reconhecimento da educação formal como espaço de defesa e promoção dos direitos humanos e a segunda diretamente sobre a garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para a consolidação de uma cultura em direitos humanos.

A polêmica expressa na nota da Abert, Aner e ANJ – que se disseram perplexas diante das ameaças à liberdade de expressão contidas no decreto – diz respeito à possibilidade de cassação das outorgas concedidas para exploração dos serviços públicos de radiodifusão no caso de as empresas de comunicação não seguirem as diretrizes oficiais em relação aos direitos humanos. As associações também reclamaram da previsão de instâncias de controle social, que elas intitulam na nota de “controle de informação”.

Para Ivan Moraes Filho, conselheiro do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), uma das organizações que participou como representante da sociedade civil da construção do Programa, “a nota dos donos da mídia deixa claro o que está em jogo entre as diretrizes da comunicação. Mostra também que eles [os empresários da comunicação] estão realmente com medo das mudanças necessárias para transformar o Brasil num país que respeita e promove os direitos humanos de todas as pessoas”.

Coincidentemente ou não, completa Moraes, “estas são as mesmas organizações que boicotaram a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). São organizações acostumadas a ditar as regras e têm aversão a qualquer coisa construída coletivamente, em especial, com o povo”.

Outras organizações também se manifestaram pela defesa das diretrizes do PNDH. Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, organização que milita com a temática do direito à comunicação, declararam apoio ao Programa e, especificamente, às questões relacionadas à comunicação.

A nota da Fenaj diz que “o momento é propício para que aqueles que se omitem ou são derrotados nas discussões refletirem sobre seus atos e pararem de boicotar sistematicamente os avanços da democracia no Brasil”. A Federação defendeu ainda que “está na hora, também, dos donos da mídia pararem de relacionar com censura e controle do estado toda e qualquer iniciativa que vise, minimamente, cobrar responsabilidade social dos meios de comunicação”.

A nota do Intervozes, no mesmo sentido, e com relação às diretrizes para a comunicação, diz que “a defesa da democracia e dos direitos humanos deve incluir, por um lado, a afirmação veemente do direito de todos e todas à liberdade de expressão e, por outro, a criação de mecanismos de responsabilidades ulteriores para aqueles veículos que praticarem violações a direitos humanos por meio de sua programação, especialmente os concessionários de serviços públicos de rádio e televisão”, e conclui que “liberdade de expressão não pode se confundir com carta branca para violações de direitos humanos”.

Movimentos que atuam em outras áreas também lançaram notas de apoio ao Programa, que sofreu com represálias de vários setores. Contudo, a preocupação com reação às políticas de comunicação foi também uma constante nas manifestações dos movimentos sociais. A nota lançada pela Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), por exemplo, diz que “O PNDH III toca em questões fundamentais para a justiça social e a democracia, dentre as quais a democratização da propriedade e dos meios de comunicação, a revisão de leis do período da ditadura militar que embasaram violações de direitos humanos, a efetivação da laicidade do Estado, a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a descriminalização do aborto”.

Contra algumas emissoras que fazem parte da lista de afiliadas das organizações empresariais que lançaram a nota, pesa a acusação de pouca ou quase nenhuma preocupação em cumprir ou acompanhar a política de direitos humanos do Governo Federal até antes da polêmica. Em artigo publicado no Observatório da Imprensa, o jornalista Alberto Dines lembra que no dia da publicação do Programa os principais jornais e revistas estavam dando destaque a aparência da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que aparecia pela primeira vez sem peruca, depois de meses fazendo uso do acessório por conta de um câncer que a exigiu um tratamento quimioterápico.

 

Programa de Lula e de FHC 

 

Já em 12 de janeiro, após uma série de polêmicas em torno de vários pontos do Programa, entre eles o que diz respeito às comunicações, o Jornal Nacional, da Rede Globo, fez um quadro comparativo entre o PNDH II, lançado em 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso e o PNDH III, lançado pelo presidente Lula. Para a matéria veiculada pela Rede Globo são grandes e importantes as diferenças entre um programa e outro. O primeiro, de FHC, previa a fiscalização de programas pelo legislativo e previa pena para as empresas que atuassem contra os direitos humanos. Já o programa de Lula, segundo o telejornal, limita a autonomia das empresas, faz acompanhamento da linha editorial, suspende a programação e promove a cassação de concessões.

O representante do MNDH não concorda com a avaliação do jornal global. Para ele, o PNDH-3 tem poucas mudanças em relação ao 1 e ao 2. Segundo Ivan Moraes Filho, a diferença está na probabilidade dos textos saírem do papel. “Por que só agora eles se doeram? Por que dessa vez leram, pelo menos pedaços, do PNDH? Porque estão vendo que dessa vez pode ser que seja pra valer”, avalia.

Outra análise, dessa vez feita pelo jornalista Luiz Carlos Azenha em seu blog Vi o Mundo também defende a semelhança entre os dois planos e aponta equívocos na comparação feita pela Globo, inclusive com omissão de informações importantes sobre o PNDH-3. Azenha diz que o editor do Jornal Nacional, Ali Kamel, “foi específico no caso de FHC, falando em ‘penas para empresas que atuassem contra os direitos humanos de acordo com a lei’, mas não fez o mesmo ao tratar do PNDH do governo Lula. Nesse caso, acrescentou um limite à autonomia das empresas, falou em acompanhamento da linha editorial — também previsto no plano de FHC – e não disse que as punições, mesmo as graves, no caso de Lula também aconteceriam de acordo com a lei’”.

A consonância do Programa com a legislação brasileira e com tratados assinados pelo Brasil de respeito aos Direitos Humanos, bem como a semelhança com o anteriormente proposto pelo PNDH II, é ressaltada também pelo Intervozes.

“Esse tipo de medida está em consonância com o que prevêem pactos e acordos internacionais ratificados pelo Brasil, tais como a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San Jose, 1969), a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher (Belém, 1994) e a Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial (Durban, 2001). Está de acordo também com a Constituição Federal brasileira e a legislação do setor (em especial o artigo 52 do Código Brasileiro de Telecomunicações), além de já ser prevista desde a primeira versão do PNDH, publicada durante o governo FHC”, diz a nota.

Propostas da Confecom

O alerta soou também para os participantes da I Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro passado em Brasília. Algumas das propostas e recomendações previstas no decreto que cria o Programa foram referendadas pela Confecom, inclusive com participação da Associação Brasileira de Radiodifusores (ABRA). As entidades que lançaram a nota contra o Programa, retiraram-se da Conferência ainda no início dos trabalhos.

Uma breve análise da reação das empresas de comunicação ao Decreto 7037/09 sugere que a implementação de vários pontos aprovados pela Confecom ainda enfrentarão oposição da classe empresarial.

Na opinião de Laurindo Lalo Leal Filho, jornalista, sociólogo e professor da Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo, o que está sendo proposto pelo PNDH- 3 de acompanhamento com relação aos direitos humanos está aquém do que se pratica há anos nas grandes democracias, que é um controle efetivo feito por agências reguladoras criadas pelo Estado e que contam com a participação de diversos setores da sociedade. Lalo dá exemplos como o Office of Communication (Ofcom), que é o orgão regulador da Inglaterra, o Conselho Superior do Audiovisual na França, o Conselho de Radiodifusão da Alemanha, o recém reorganizado órgão regulador de Portugal e o Federal Communication Commission (FCC), dos Estados Unidos, que existe desde 1934.

Lalo complementa ainda que o Brasil está atrasado 80 anos com relação às grandes democracias e que já está ficando na mesma situação também com relação aos países da América Latina. A nova Ley de Medios da Argentina, por exemplo, diz Lalo, não permite que nenhuma operadora tenha permissão para oferecer seus serviços a mais de 30% do espectro, “isso para evitar o monopólio”, bem como, lembra o professor, uma emissora de canal aberto não pode ser concessionária de canal a cabo. “Aqui no Brasil se faz de tudo e ninguém diz nada”, critica. A Venezuela, cita o professor, tem a Lei de Responsabilidade Social do Rádio e da TV que sem proibir ou censurar estabelece uma série de graduações para cenas de sexo e violência que, a depender do grau, devem ser exibidas em horários diferenciados. O Equador e o Uruguai também estão atualizando suas regulamentações para radiodifusão.

Para o professor, a resposta para a necessidade imediata de aplicação do que está previsto no PNDH-3 está em diversos programas veiculados diariamente por grande parte das emissoras de rádio e televisão do Brasil, violadores contumazes dos direitos humanos. “É simples confirmar isso. basta entrar na internet e no YouTube e clicar, por exemplo, em títulos como “Se Liga Bocão”, da TV Itapoã ou “Na Mira”, da TV Aratu, ambas de Salvador. Ou ainda “Bronca Pesada” e “Papeiro da Cinderela”, da TV Jornal do Recife. Ou em muitos outros”.