Para especialistas, PNDH não limita a liberdade de expressão

Alvo de críticas por parte de entidades patronais de comunicação, o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) é apoiado por especialistas na área. Para eles, o plano será um marco regulatório para o País e conterá os excessos contra a dignidade humana. O PNDH foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e seguirá para avaliação do Congresso.

Um dos objetivos do plano é regular os meios de comunicação para que mantenham uma linha editorial de acordo com os Direitos Humanos, com punições para os que desrespeitarem as normas. A proposta foi contestada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) que afirmam que o plano é uma tentativa de limitar a liberdade de expressão.

Regulação e censura

“No Brasil há uma prática dos empresários atribuírem como censura qualquer possibilidade de ampliar a discussão sobre conteúdo veiculado pela mídia. A proposta nada mais é do que a vontade da sociedade no sentido de exigir que os meios respeitem a dignidade humana”, defende Laurindo Leal Filho, jornalista, professor da ECA/USP e ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação.

Laurindo também ressalta que a mesma proposta já estava presente no 1º PNDH na gestão de Fernando Henrique Cardoso e que não há motivos para polêmicas. “Isso é uma prática consagrada no mundo. Eu não sei por que no Brasil se faz tamanho escarcéu sobre algo que deveria ser corriqueiro”, emenda.

Carlos Chaparro, doutor em Ciências da Comunicação e professor de jornalismo da USP, também acredita que o plano não interfere na liberdade de expressão. “Isso não altera muito o que está na Constituição, não mexe com a liberdade de expressão, isso faz parte da democracia e reproduz o que está na Constituição”.

Apesar de concordar que o programa não afeta a liberdade de imprensa, Chaparro reprova a forma como o PNDH foi encaminhado. “Não penso que seja papel do governo produzir documentos desse tipo, mas sim do Congresso, que representaria a sociedade. O governo deveria apenas cumprir a Constituição, porque é só olhar ao redor e ver que ele não cumpre”, critica.

Para Edson Spenthof, presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), as críticas das empresas apenas reproduzem o mesmo que aconteceu na elaboração de outras propostas de comunicação para o País. “O que eu vejo é a ladainha de sempre das empresas de comunicação. Tudo o que é regulação e democratização eles veem como censura, o que não é. É o mesmo que aconteceu na Confecom, com a Lei de Imprensa, o diploma de jornalismo, o Conselho Federal de Jornalistas, entre tantos outros”.

Lula defende legalidade da proposta

O presidente Lula, que assinou o programa alterando apenas um ponto referente à repressão militar, respondeu as críticas contra o plano. "Não brinco com esse assunto. Para mim, não existe democracia sem liberdade de imprensa. O decreto não propõe controle sobre nenhuma mídia. Se propõe que sejam apurados os abusos contra os direitos humanos, caberá aos órgãos responsáveis verificar o que está ocorrendo, como é hoje”, declarou.

Pirataria não é crime, é política, defende novo partido político

Nos anos 80, quando alguém copiava uma fita de música ou gravava a novela das oito no video-cassete pra ver mais tarde, ninguém chamava isso de crime; hoje, ao emprestar um tocador de MP3 de um amigo e copiar suas músicas ou baixar da internet algum filme, você pode ser processado por algumas das maiores empresas do mundo. As leis são as mesmas, mas agora o cenário mudou: gravadoras e distribuidoras estão em crise. E um dos culpados pela crise, segundo eles, pode ser facilmente identificado: é você.

Nos últimos anos, processar usuários de internet e fechar sites de compartilhamento de arquivos tem sido a estratégia das maiores empresas do mundo da música. Paradoxalmente, a criminalização da troca de arquivos online deu início a um movimento contrário: a luta pela alteração do atual sistema de propriedade intelectual e direito de cópia – o chamado copyright. Assim surge, na Suécia, em 2006, o Partido Pirata. De lá pra cá, a ideia se espalhou pelo mundo e partidos piratas começaram a se organizar em pelo menos 25 países. Entre eles, o Brasil.

“Eles criaram um fórum internacional, abriram tópicos por país, de gente interessada. No segundo semestre de 2006 um grupo começou a organizar o partido no Brasil. Eu participei desde o começo”, explica Jorge, membro do grupo de trabalho de Comunicação do Partido Pirata do Brasil, porta-voz de São Paulo, que prefere não usar o sobrenome. “No caso do Brasil, em 2007 e 2008 houve uma expansão, mas não foi tão grande. Em 2009 sim. Os partidos piratas crescem no mundo conforme cresce a repressão”, diz.

A repressão a que Jorge se refere foi o projeto de lei que ficou conhecido como Lei Azeredo, e foi chamado até mesmo de AI-5 digital, em referência à lei que instaurou a ditadura no Brasil. Proposto pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que alegou ser um projeto contra crimes cibernéticos, o texto foi atacado em diversas frentes e terminou praticamente enterrado quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em fevereiro, que vetaria a lei, se fosse aprovada no Congresso, por considerá-la censura.

“O AI-5 digital ajudou o Partido Pirata crescer. Em janeiro fizemos o primeiro encontro presencial, no Campus Party, uma desconferência com umas 35 pessoas. Hoje temos cerca de 1.500 pessoas cadastradas e coletivos em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife. Estamos próximos da legalização. Mas concluímos que, mais importante que legalizar, é ter um estatuto colaborativo. A ideia não é ser uma filial do partido sueco, mas um partido com cara brasileira”, diz Jorge.

As diferenças entre o Brasil e a Suécia não são poucas. O Partido Pirata sueco nasce com apenas três pontos em sua plataforma política: alterar a lei do copyright para que todo o conhecimento e produção cultural possam ser copiados, se não forem usados para fins comerciais; abolir o sistema de patentes; e respeitar o direito à privacidade. No Brasil, além dessas bandeiras, existem várias outras. “Aqui, batemos muito na transparência”, diz o porta-voz do Partido Pirata do Brasil. “Lá, até o conteúdo dos emails dos parlamentares são públicos. Aqui, lutar pela transparência na política ainda é importante. A questão da inclusão digital, banda larga, também é muito importante. Banda larga não é um problema por lá. E o uso do software livre e formatos abertos na administração pública. Quebrar os monopólios. Essa é a diferença principal. O resto não é muito significativo.”

Segundo Jorge, o momento do partido agora é de estruturação da rede brasileira, organizar os coletivos locais em encontros presenciais, não apenas no mundo online. A legalização do partido será consequencia. Jorge não acha, também, que as alianças no Brasil seguirão as tendências suecas. “Lá são aliados do PV, aqui é difícil que isso aconteça. A gente bate forte na transparência, e os partidos tradicionais não defendem isso. Não queremos repetir as mesmas práticas dos partidos tradicionais.”

TV Brasil realiza seleção para séries de novos programas

 Reproduzido da  Agência Brasil

Brasília – A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) abriu, até o dia 19 de fevereiro, as inscrições para o concurso de seleção de projetos de produtores independentes para a produção de novas três séries para a TV Brasil. Os contratos são para a produção de 32 programas de 26 minutos de duração.

O segundo concurso (chamado de pitching) prevê contratos de R$ 1,120 milhão para as duas primeiras séries “Sábados Azuis: Histórias de um Brasil que dá certo” e “Esporte Olímpico, Paraolímpico e a Construção da Cidadania”. A série com o tema “Mulher: Questões de Gênero e Assuntos Contemporâneos” será no valor de R$ 960 mil.

O edital da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com a regulamentação do concurso, foi publicado no Diário Oficial do dia 4 de janeiro de 2010, mas pode ser acessados no site da TV Brasil e no site institucional da empresa.

Edição: Enio Vieira 

“Espero que a gente continue com essa mobilização”

Para o professor de Comunicação da Universidade de Brasília e ex-membro da Comissão Organizadora Nacional da Conferência de Comunicação (Confecom), Fernando Oliveira Paulino, o resultado da Conferência foi além do esperado. Pautas importantes dos movimentos da sociedade civil foram aprovadas, como, por exemplo, a necessidade de expansão do acesso à internet por meio da banda larga e a criação de um órgão regulador para a área.

Paulino, que também é pesquisador do Laboratório de Políticas de Comunicação (LaPCom-UnB), acredita que é necessário manter a mobilização da sociedade para acompanhar a implementação das resoluções aprovadas na Confecom, por meio da continuidade da Comissão Nacional Pró-Conferência e das comissões estaduais que se formaram.

 

Qual a avaliação geral que você faz dos resultados da 1ª Conferência Nacional de Comunicação?
Eu avalio os resultados da I Conferência Nacional de Comunicação do ponto de vista conceitual como melhores do que eu esperava, mesmo com as dificuldades surgidas diante dos problemas operacionais que ocorreram. A sistematização das propostas e das informações sobre os delegados eleitos foi muito precária. Membros da Comissão Organizadora Nacional tiveram que fazer um amplo mutirão para garantir que os delegados que vieram a Brasília recebessem credenciais de maneira adequada. Além disso, houve dificuldades na sistematização das propostas que tinham sido aprovadas pelos GTs (grupos de trabalho). Mas, de qualquer forma, conseguiu-se viabilizar e distribuir o material necessário para a votação das propostas nas plenárias, superando-se estruturais que existiram na conferência.  

Quais as questões aprovadas que você avalia como os maiores avanços da Conferência?
Muitas das demandas que a sociedade civil brasileira têm em relação à comunicação foram colocadas nas propostas que foram aprovadas diretamente nos GTs e nas plenárias. No que tange acesso à internet, mais especificamente a expansão da banda larga, por exemplo, foram aprovadas propostas de fomento. Além disso, destacaria a necessidade de se estabelecer um órgão regulador autônomo para a comunicação.

Quais destas você acredita que de fato serão transformadas em lei ou até mesmo em políticas públicas?
Tenho a expectativa de que essas propostas se transformem em projetos de lei, no que se refere à necessidade de positivação, digamos assim, dessas questões ligadas ao direito à comunicação. Mas eu também imagino que haja possibilidades de efetivação das propostas sem necessidade direta, em alguns casos, do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Por exemplo, aprovou-se proposta de estímulo à criação de ouvidorias nos veículos de comunicação, e isso não necessariamente depende de que haja uma lei para que essa medida seja colocada em prática. Na UnB (Universidade de Brasília) a gente tem estimulado a criação de uma ouvidoria dentro da TV Universitária, que pode vir a ser implementada ainda esse ano. Uma medida que foi tema até de trabalho de conclusão de curso lá e que não necessariamente depende de uma ação direta ou indireta do Estado para que seja colocada em prática.

Alguma delas você acredita que ainda saem nesse governo?
Eu acredito que algumas das propostas que mencionei antes podem sem implementadas ainda neste governo. No que se refere à banda larga, há a expectativa que o Plano Nacional seja colocado em prática nesse ano de 2010.

Quais você considera mais urgente de serem implementadas?
Considero que garantir o acesso à internet é um dos temas mais urgentes de serem implementados, mas, claro, que tão urgente quanto isso é a necessidade de criação de um órgão regulador e de um Conselho de Comunicação para acompanhar a implementação das propostas que foram discutidas no âmbito da Conferência Nacional de Comunicação. Nas outras áreas que já têm conselhos nacionais estabelecidos (saúde, educação, etc), já há dificuldades históricas para que as propostas sejam colocadas em prática. Que dirá em um setor como a comunicação no qual existe uma histórica situação de ausência de um marco normativo e dispersão normativa por um lado e de fragmentação política por outro? No Brasil, ainda existe dispersão entre os órgãos da administração direta responsáveis por temas ligados à comunicação, tais como Ministério da Justiça, no que se refere à classificação indicativa, o Ministério da Cultura, na promoção do audiovisual. Por outro lado,  associado a essa fragmentação política, existe a dispersão normativa porque não se tem um marco legal contemporâneo para área. A necessidade de uma discussão sobre o marco normativo é essencial de ser feita o quanto antes.   

Por outro lado, quais foram as piores resoluções aprovadas pela Confecom?
Não acho que tenha havido piores resoluções, pelo menos, a priori. Acho que os três setores que participaram da Confecom saíram satisfeitos. Empresários saíram satisfeitos com os resultados, membros da sociedade civil também e os representantes do poder público idem. Então, eu não apontaria piores resoluções.

Você acha que valeu a pena o esforço do governo e de setores da sociedade civil para manter a todo custo os empresariados na Conferência?
Acredito que a participação dos empresários foi interessante. Superou também as minhas expectativas, no que diz respeito à etapa nacional. Acho que houve possibilidade de se criar acordos, de se criar pactos que podem ser implementados não necessariamente a qualquer custo. Mas foi um processo positivo para os empresários e foi positivo também para o amadurecimento dessa discussão no Brasil. E até para contrastar com as críticas das instituições que saíram no meio do processo.

Como você analisa as críticas à Confecom feitas por setores empresariais que se retiraram do processo, como, por exemplo, a Globo que chegou a dar editoriais no Jornal Nacional dando a entender que a conferência foi um processo anti-democrático?

No caso específico dos editoriais do Jornal Nacional, eles desconsideraram o processo de realização da Confecom como um todo. Afinal de contas houve amplas condições de diálogo, de negociação em relação às demandas que as seis representações empresariais tinham feito na Comissão Organizadora Nacional antes do abandono que elas realizaram por livre e espontânea vontade. Isso ao meu ver faltou nas críticas que estavam no Jornal Nacional e faltou, claro, que o contraditório, porque também haveria necessidade de eles, ao fazerem esse editorial dando essa postura, também darem algum espaço de voz, de direito ao contraditório, para as organizações que tem uma compreensão diferenciada.  

Como você avalia a correlação de forças que se estabeleceu entre os setores presentes: sociedade civil, sociedade civil empresarial e estado? Se puder fale um pouco sobre a atuação de cada um desses setores na Confecom.
Do que eu vi, o Poder Público obviamente não tinha uma ordem unida, porque ele era um segmento bem diversificado, com interesses regionais, com várias pautas. Então não necessariamente houve uma votação em bloco por parte do Poder Público. Os empresários ao longo do tempo mantiveram uma unidade que atingia grande parte dos representantes das entidades empresariais. No entanto, surgiu no âmbito da Conferência a possibilidade de criação de uma organização das empresas que não estão associadas a grandes grupos de distribuição e isso pode se constituir como um fato novo interessante, uma pauta boa para o Observatório do Direito à Comunicação. 

 

E no âmbito da sociedade civil, a realização da Confecom proporcionou um espaço interessante para a interação de pautas, com a possibilidade de ações, de parcerias, independentes do Poder Público. Um exemplo disso ocorreu na etapa distrital. Manuella Torreão de Menezes, representante das pessoas com deficiência, é surda e se elegeu delegada no DF. Sua participação proporcionou que não só estudantes e professores universitários, mas também representantes de entidades sindicais se sensibilizassem com as propostas apresentadas por Manuella e planejassem parcerias na estruturação de palestras e cursos. Uma situação que pode estimular a criação de atividades conjuntas entre representantes da sociedade civil antes da realização da 2ª Conferência Nacional de Comunicação. Foi muito positiva essa possibilidade de colocarmos em contato pessoas com demandas diferenciadas. É salutar que possamos promover encontros que permitam que as pautas se expandam e que cada um conheça o olhar do outro, tenha essa alteridade, em relação a questões, de comunicação, cidadania, acessibilidade, inclusão social, mobilização social. Então acho que nesse aspecto também a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação foi um passo importante. 

 

Espero que a gente continue com essa mobilização de forma permanente, mantendo as atividades no âmbito da Comissão Nacional Pró-Conferência e das comissões estaduais pró-conferência para que a gente não perca toda essa energia acumulada para que haja condições de acompanhar a implementação das políticas e das ações e conseguir estimular a interação de boas práticas, algo muito necessário ao Brasil.

 

 

Veja vídeos produzidos sobre o papel do autor no seminário A Morte do Popstar

Está na rede uma série de depoimentos gravados durante o seminário A Morte do Popstar, realizado entre os dias 3 e 5 de dezembro do ano passado, em Vitória. Sete episódios destes videocasts podem ser vistos no site do encontro .

 

Neles, poetas, jornalistas, produtores culturais, pesquisadores e músicos falam sobre o papel do autor no atual cenário de fortes mudanças por que passa o mercado fonográfico.

 

Junto com o seminário aconteceu também o Festival de Música Livre.