“Outra batalha vai começar no Parlamento”

[Título original: Próxima ação é pressionar o Congresso]

Uma nova batalha deverá começar no Parlamento brasileiro, relativa à Comunicação, depois da 1ª Confecom. Fortalecidos pelo espaço conseguido com muita persistência, movimentos sociais do setor deverão dar continuidade ao processo que vislumbra a criação de um marco regulatório para o setor e a democratização da mídia no Brasil. O Congresso será o novo cenário dessa luta.

De acordo com o coordenador da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Rádio e Televisão (Fitert), Nascimento Silva, que também integra a Coordenação Executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), se o diálogo promoveu um rico entrosamento, abrindo as portas para que a grande plenária fosse possível, agora a estratégia para garantir que as demandas aprovadas na Confecom sejam contempladas em leis específicas será a pressão dos movimentos no Congresso.

Em ano de eleições para a renovação parlamentar, Nascimento sugere critério na escolha dos candidatos, lembrando que é atuando no Congresso – por meio de mandatos ou mesmo por fortes lobbies – que os atuais “donos da mídia” se sustentam no poder.

O que a Conferência Nacional de Comunicação representou para a democratização da comunicação no Brasil?
Para nós, radialistas, tudo que queríamos era a realização de uma conferência que externasse as diversas opiniões da sociedade. Claro que não foi a conferência que sonhávamos. Pudemos mostrar, apesar das dificuldades, que a realização da Confecom vai ajudar – e muito – na democratização dos meios de comunicação. Será um passo para garantir cidadania. Lutamos desde a época do Daniel Herz para que todos tenham direito a voz. Acreditamos que não há sociedade democrática sem meios de comunicação social democráticos. E essa conferência foi importante para falarmos, ou melhor, para gritarmos ao Brasil, que hoje não há controle publico sobre o conteúdo transmitido pelas empresas de comunicação. Mais uma vez, essa conferência mostrou para o povo que os donos da mídia por enquanto nos ignoram, porque são mito poderosos, mas estamos virando o jogo. Tenho como sugestão, que cada eleitor deve pensar muito bem pra quem vai dar seu voto na próxima eleição, porque outra batalha vai começar no parlamento.

Para os profissionais da radiodifusão, a Conferência representou – e marcará – mudanças significativas? As questões do setor foram bem encaminhadas nos debates?

Na realidade, se queríamos uma conferência de comunicação com a participação da sociedade, de empresários do poder publico, de estudiosos, enfim, de entidades que defendem a democratização dos meios de comunicação em nosso país, nos demos por satisfeitos nesse processo. Entendemos que tínhamos que dividir e defender propostas que também não eram nossas. Foi o que fizemos. Nossos grandes anseios eram os mesmos dos segmentos da saúde, educação, cultura, assistência social, meio ambiente. Apesar dessas áreas já terem realizado conferências nacionais para discutir políticas publicas, faltava a de comunicação. Todos vieram externar o que pensavam para nós, ajudar a mudar questões no nosso setor, porque foi com o voto desses segmentos que nossas propostas foram aprovadas.

Como a Fitert pretende acompanhar o encaminhamento das demandas após a Confecom?
É uma boa pergunta. Já demos o primeiro passo. No início deste mês (janeiro), a Fitert solicitou, junto ao presidente da Comissão Organizadora da Confecom, Marcelo Bechara, uma reunião para, nesse âmbito, encerrar os trabalhos. Posteriormente a essa reunião, estaremos convocando as entidades para darmos sequência a uma estratégia de pressão no Parlamento, para que as resoluções resultem em leis.

Qual a avaliação da Fitert sobre o processo de construção da Confecom e o diálogo entre os três setores que lá estiveram representados (sociedade civil, sociedade civil empresarial e poder público)?
A avaliação que fizemos é que foi muito difícil, principalmente com relação aos empresários. Chegamos até a propor para algumas entidades que fizéssemos a conferência sem eles, e fomos convencidos de que teríamos que ter os empresários na conferência. Demos muita sorte em a Abra e a Telebrasil terem ficado até o final. Mas isso não significa que eles foram bonzinhos. Muito pelo contrário, eles tripudiaram conosco até horas antes da abertura da Conferência. Quanto ao poder público, posso dizer que fomos acolhidos na medida do possível, porque não podemos esquecer que quem financia esse setor são exatamente os empresários. Nesse Brasil que vivemos, a comunicação tem postura partidária e isso traz graves consequências – o poder público é pressionado por conta das ajudas de campanhas eleitorais. O diálogo com a sociedade civil foi o que proporcionou a realização desta conferência. Apesar de algumas divergências, esse entrosamento foi rico.

Como você avalia a cobertura da mídia sobre a Confecom?
Vou responder com outra pergunta, que cobertura??? Eu poderia citar essa ou aquela TV Comunitária, essa ou aquela radio comunitária, através de um esforço hercúleo dos dirigentes da Abraço e ABCCom.

Quais devem ser as bases para um novo marco regulatório da comunicação brasileira?
A convergência de tecnologias que uniu os serviços de televisão, telefonia e internet vêm gerando uma discussão sobre a necessidade de se estabelecer novas regras para o setor. A Fitert, depois da conferência, e de avaliar as propostas aprovadas, vem trabalhando de forma que os sindicatos participem desse debate mais amiúde. Para isso, determinamos um prazo para que saia uma proposta sobre marco regulatório levando em conta outras posições e que, depois de aprovado, será apresentado como sugestão de projeto de lei à sociedade.

Como você avalia a participação do FNDC na Confecom?
Pelo fato de ser atualmente diretor da Coordenação Executiva do FNDC, não sou a pessoa mais qualificada pra responder essa pergunta, mas também não posso me furtar de respondê-la. As entidades que fazem parte do FNDC, há anos trabalham por uma comunicação democrática. Posso afirmar que, através dos companheiros e companheiras da executiva – Roseli, Berenice, Sóter, Schröder, Sheila, Rosane foram fundamentais para a realização dessa primeira Conferência Nacional de Comunicação. O FNDC disponibilizou vasto material como cartilhas, revistas, folders para a sociedade acompanhar as discussões, sem contar o diálogo direto com os empresários e o governo para concretização da Confecom.

Plano de Banda Larga sofre críticas por falta de metas

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), a ser lançado provavelmente em março pelo governo, será instituído por decreto e a Telebrás será reativada com funções ampliadas, passando a ser responsável pela administração da rede e até da prestação do serviço diretamente ao usuário. Mas ainda não há metas nem previsão de custos. Pelo menos essas informações não estão contempladas na minuta de decreto de criação do plano, que circula entre técnicos do setor e cujo teor foi antecipado pelo Tele.Síntese Análise na semana passada.

“É um decreto que cria um plano, mas não diz que plano é esse”, critica um técnico que teve acesso à minuta. Pela proposta, que deverá ser apreciada em reunião no próximo dia 10 de fevereiro, o Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital, instituído em agosto do ano passado e sob a coordenação do assessor especial da Presidência da República, Cezar Alvarez, fixará as ações e será responsável pela gestão e acompanhamento permanente do PNBL. O comitê, que já conta com a participação dos ministérios das Comunicações, Ciência e Tecnologia, Educação, Cultura e Planejamento, será ampliado com a inclusão de representante do Ministério do Desenvolvimento e da Secretaria de Assuntos Estratégicos, além de cargos de assessoramento.

O decreto, que não traz qualquer meta física ou econômica sobre onde se pretende chegar, estabelece uma série de itens de regulação a serem elaboradas e implementadas pela Anatel. Entre eles, a fixação de regras que assegurem a cobertura de todos os municípios brasileiros com acesso em banda larga, até dezembro de 2016, “com preços justos e razoáveis”. Essa determinação parece iinóqua, pois não explicita quais seriam os instrumentos para isso. Até o final deste ano, por exemplo, a banda larga já terá chegado em todas as sedes dos municípios brasileiros, devido à troca de metas de universalização que foi implementada pela Anatel, depois de publicado o decreto presidencial, troca essa negociada com as concessionárias de telefonia fixa. Para a ampliação dessa rede são necessários recursos públicos ou privados. E o governo deve apontar de onde eles virão.

O decreto manda ainda a Anatel adotar inúmeras medidas pró-competição, entre elas, a de adotar, até dezembro deste ano, a figura do Operador Móvel Virtual (MVNO). Para alguns técnicos, não faz qualquer sentido um documento que trata de política de banda larga entrar em detalhes que não têm nenhuma relação com o tema, como esse do MVNO. Mas o Palácio do Planalto quer também que a Anatel reserve faixas de frequência para a União (e não para estados ou municípios), que crie licenças únicas e, mesmo, que, em dois anos publique regulamento para tratar dos conflitos entre as empresas reguladas. (Colaborou Miriam Aquino)

Anatel registra 1,5 milhão de reclamações sobre telecom em 2009

Os números de reclamações contra operadoras de serviços de telecomunicações na Anatel chegaram a 110,8 mil em dezembro de 2009. O resultado só é maior do que o registrado em novembro do mesmo ano (106,2 mil) e a dezembro de 2008 (103,9 mil). No mês de março, por exemplo, as reclamações chegaram a 146,1 mil. O total de reclamações no ano chega perto de 1,5 milhão. O serviço móvel, com maior número de assinantes, é o responsável por mais da metade das reclamações. Em dezembro foram 56,9 mil queixas contra as celulares. 

O número maior de reclamações é sobre o serviço de cobrança das celulares, seguido das queixas contra o atendimento, serviços adicionais, promoções, reparos, cancelamento, bloqueio e desbloqueio, planos de serviços e código de acesso. A operadora com maior número de reclamações em dezembro foi a Brasil Telecom, seguida da Oi, TIM, Claro, Vivo, CTBC, AEIOU e Sercomtel.

A telefonia fixa, com menor número de assinantes (41,6 milhões ante 173,9 milhões das móveis), recebe proporcionalmente mais queixas, fechando dezembro com 36,5 mil reclamações. Apesar de alto, o número é menor do que o registrado em dezembro de 2008, quando foram anotadas  39,7 mil queixas contra as concessionárias. A TIM lidera o ranking de reclamações, seguida da Telefônica, BrT,  Embratel, Oi, GVT, CTBC, Sercomtel e Intelig. Os principais motivos de queixa são cobrança, reparo, atendimento, bloqueio, instalação de acessos individuais, cancelamento, planos de serviços, mudança de endereço, código de acesso e serviços adicionais.

Os serviços de acesso a internet fecharam dezembro com 11,3 mil reclamações sobre  reparo, cobrança, instalação, cancelamento, atendimento, bloqueio, mudança de endereço, contrato de prestação de serviço e provedor de acesso. Esse número é menor do que o registrado em dezembro de 2008, de 14 mil queixas.

As TVs por assinatura foram responsáveis por 4,7 mil reclamações de assinantes em dezembro de 2009 ante 3,5 mil queixas registradas em igual período de 2008. Cobrança, reparo, atendimento, cancelamento, instalação, programação, bloqueio, mudança de endereço, serviço de valor adicionado e serviços adicionais são os motivos das reclamações.

EBC realiza audiências para discutir implantação de TV digital em emissoras públicas

O projeto Operador Único da Rede Nacional de TV Pública Digital Terrestre, que tem por objetivo a implantação e operação de uma plataforma de transmissões em sistema digital para emissoras públicas e estatais federais, será tema de audiências públicas realizadas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

As audiências públicas serão abertas a todos que tenham interesse no assunto e desejem esclarecimentos sobre o projeto e sua aplicação. A intenção é recolher e examinar as dúvidas existentes para que seja feito um aprimoramento do edital e dos contratos. As audiências serão realizadas nos dias 27 e 28 de janeiro. A primeira será realizada no Rio de Janeiro e a segunda, em Brasília.

A implantação do projeto vai baratear custos e acelerar a migração para a nova tecnologia. A concessão para a exploração do serviço será dada à empresa vencedora pelo período de 20  anos e o financiamento será feito pela Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES).

A lei que criou a EBC prevê a criação de uma Rede Nacional de Comunicação Pública e isso ocorrerá através da criação da plataforma digital comum.

Por meio desta plataforma, as TVs legislativas (Câmara e Senado), do Poder Executivo (NBR), do Judiciário (TV Justiça) e a TV Pública federal (TV Brasil) exibirão suas programações em tecnologia digital. Haverá ainda a implantação de novas redes estatais do Ministério da Educação, do Ministério da Cultura e do Ministério das Comunicações.

Emissoras privadas poderão alugar segmentos da plataforma para a transmissão digital em regiões que ainda não tenham instalado seu próprio sistema de transmissão.

TCU decide que Telebrás deve recuperar funcionários cedidos

O Plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) determinou o cancelamento de um contrato com a empresa Patrimonial Serviços Especializados e a Telebrás. O motivo do cancelamento, no entanto, pode mexer no cenário da regulação dos serviços de telecomunicações no País. Conforme noticiado pelo site Convergência Digital, a decisão do TCU de vedar a contratação da Patrimonial se baseia no fato de que a Telebrás teria quadros próprios para a realização dos serviços licitados. O problema é que esse efetivo está cedido para outras entidades públicas, em especial à Anatel.

Para evitar contratações desse tipo, que fere princípios consolidados na administração pública – onde os órgãos públicos não devem contratar empresas externas para exercer funções das quais seu próprio corpo técnico é capaz de executar -, os ministros do TCU determinaram que a Telebrás retome seus servidores cedidos para outros órgãos. A manutenção da cessão de funcionários só será permitida caso fique comprovado ser imprescindível a manutenção do servidor no outro órgão da administração pública.

A decisão do TCU pode ser o ponta-pé inicial para a solução de um dos impasses políticos que envolvem a revitalização da estatal, defendida pelo governo, que a usará como gestora de uma nova rede pública de oferta de banda larga no País. A recomposição do quadro da Telebrás vem sofrendo resistência por parte da Anatel, que tem servidores da estatal em alguns cargos importantes. Além de exigir que a Telebrás proceda a retomada dos funcionários, o TCU autorizou a realização de uma nova licitação, caso a recomposição do quadro não seja suficiente para o atendimento das necessidades relacionadas com as funções de "auxiliar operacional" e "assistente operacional".

A retomada dos servidores deve ocorrer "impreterivelmente, até 31/12/2010", segundo o acórdão. A concorrência cancelada pelo TCU tinha valor de R$ 3.409.046,88 e foi realizada no ano passado. O acórdão foi expedido na sessão realizada na última quarta-feira, 20, e o relator do caso foi o ministro Raimundo Carreiro.