Brasileiro vê acesso à internet como direito fundamental

Em pesquisa realizada pela BBC, 91% dos brasileiros entrevistados defenderam o acesso à internet como um direito fundamental do ser humano. O levantamento, realizado em 26 países e com mais de 27 mil pessoas, 87% das que usam a rede mundial de computadores defenderam o direito de ter acesso a ela. Entre os não-usuários, 71% disseram que deveriam ter o mesmo direito.

A pesquisa mostrou ainda que a maioria dos usuários entrevistados veem como positivas as mudanças que a internet trouxe às suas vidas, principalmente o volume e a variedade de informações que ela oferece. Para 90% dos entrevistados, a rede mundial de computadores é um “bom lugar para se aprender”. E 78% sentem que a internet deu a eles mais liberdade.

Apesar do apoio à rede de computador, a maioria (55%) disse que poderia viver sem a internet. Muitos dos entrevistados também se mostraram cautelosos com a rede mundial de computadores. Cerca de um terço deles (32%) dizem que as fraudes são o aspecto mais preocupante da internet. Outros 27% acreditam que o pior problema é o conteúdo violento e explícito presente em muitos sites.

A sondagem também mostrou que 53% dos entrevistados creem que a internet não deveria ser regulada pelos governos. Foram entrevistados 27.973 adultos de 26 países, em novembro de 2009 e fevereiro de 2010. Dos que responderam às perguntas, 14.306 são usuários da internet.

Plano de banda larga terá maior alcance se for lançado logo, diz Santanna

O secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, disse hoje que ainda há tempo hábil para implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) neste ano. Mas admite que a maior ou menor penetração do serviço dependerá da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o desenho do plano.

Depois da decisão, que poderá ocorrer em abril, será necessário lançar editais para construção do backbone e do backhaul, ações que podem ser retardadas por meio de impugnações, conforme já especulam no mercado. “Aí é contar com o imponderável, por isso cada dia que passa fica mais difícil imaginar o que ainda poderá ser feito por este governo”, disse Santanna.

Apesar disso, o secretário da SLTI acredita que  haverá tempo para levar o acesso à internet por meio da rede pública para 200 a 300 cidades nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o que atingiria quase metade da população brasileira. Sobre a questão da última milha (levar o acesso ao consumidor), ele disse que depende da decisão do presidente da República, mas acredita na parceria com pequenos provedores para solucionar a questão.

Na última reunião técnica sobre o PNBL, realizada na semana passada, foi solicitada ao BNDES a apresentação da s formas de financiamento para essas pequenas empresas e para fabricantes de equipamentos. As sugestões ficaram de ser apresentadas ainda este mês.

Em relação à reativação da Telebrás para gerir a rede pública de banda larga, Santanna disse que ainda não há uma confirmação, embora o presidente Lula já tenha se manifestado favoravelmente a isso. Ele ressaltou que não há, dentro do governo, nenhuma posição formal contrária a que isso aconteça.

A reunião com o presidente Lula para definição do plano está marcada para o início de abril. O lançamento ocorrerá após esse encontro. A rede pública de banda larga será compostas com fibras ópticas das companhias elétricas e de empresas estatais, como da Petrobras.

EBC e associadas assinam contrato para produção de jornalismo regional

Reproduzido do Comunique-se

A Empresa Brasil de Comunicação firmou contratos com oito emissoras associadas para a produção de conteúdo jornalístico regional. Informalmente, elas já produzem conteúdo veiculado pelos telejornais da TV Brasil, mas com o convênio, as emissoras receberão uma contribuição anual de R$ 25 mil para a produção de reportagens e entrevistas.

Os contratos foram assinados nesta segunda-feira (08/03), com as seguintes emissoras: TV Educativa Brasil Pantanal (MS); TV Universitária de Goiás (UFG), TV Universidade do Mato Grosso (UFMT); TV Educativa de Roraima (UFRR), TV Rede Sat (Universidade do Tocantins); TV Educativa de Alagoas (Fundação Zumbi dos Palmares); TV Educativa de Sergipe (TV Araripe), e TV Educativa da Bahia.

A EBC também negocia acordos para a produção de programas, entre eles “Dango Balango” (infantil), “Diverso” (cultural) e “Rede Jovem de Cidadania”, com a TV Minas; “Periferia” (cultural), com a TV Aperipê, de Sergipe; “Tubo de Ensaio” (científico), TV Universitária de Natal; “Abrakaban” (animação infantil) e “To Sabendo”, com a TVE da Bahia e “Catalendas” (infantil), com a TV Cultura do Pará. (Da Redação)

Mídia é criticada no 8 de março de São Paulo

A opressão da mulher pela mídia e a publicidade foi lembrada no ato do 8 de março, dia Internacional de Luta da Mulher, em São Paulo. Entre as pautas que já foram encampadas pela luta feminista do Brasil, está o respeito às mulheres e a sua diversidade nos meios de comunicação. “Sempre tiveram uma arma contra a mulher. Na Idade Média existia uma grande criminalização das mulheres, protagonizada pela Igreja Católica. iam para as fogueiras as que ousavam lutar por outro tipo de vida, de relações afetivas… Mas quando chega no século XX, há uma outra arma: a mídia de massa”, afirmou em discurso Teresinha Vicente, da Articulação Mulher e Mídia. 

A mídia é utilizada para oprimir e controlar as mulheres há décadas, afirmou Terezinha. “As propagandas mostram a mulher como um objeto, para alavancar a venda de qualquer produto. Ela própria vira mercadoria, sendo oferecida como prêmio na propaganda de cerveja, na propaganda de carro.”

As mulheres também criticaram o agressivo padrão de beleza imposto desde cedo às meninas, o que faz com que um terço das cirurgias plásticas no Brasil sejam realizadas em menores de idade. Uma prova de que este padrão midiatizado tem se constituído como uma imposição sobre as mulheres brasileiras, as militantes lembraram que o Brasil, um país pobre, é o segundo maior consumidor da indústria cosmética no mundo.

Para Luka Franca, da Secretaria de Mulheres do PSOL, apesar de uma presença cada vez maior das mulheres nos debates sobre o conteúdo dos meios de comunicação, o movimento feminista tem dificuldade em discutir a pauta mídia. “Acho que acaba ficando superficial, sem avançar na questão conjuntural do que significa isso. A mulher é usada como mercadoria, há um padrão de beleza sim, mas precisamos lembrar: quem é que subsidia isso? A mídia sustenta a sociedade patriarcal, mas ela também sustenta a sociedade capitalista”, avalia a militante, que também é estudante de jornalismo. 

“Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”

O ano de 2010 não contou apenas com atos para lembrar o 8 de março e as lutas feministas específicas. Com o mote "Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, a Marcha Mundial das Mulheres tem organizado atividades artísticas e culturais, caravanas e ações, em frente a empresas fabricantes de armamentos e edifícios da ONU em vários países. No Brasil, a ação internacional da MMM acontece entre os dias 8 e 18 de março e terá o formato de uma marcha, que vai percorrer o trajeto entre as cidades de Campinas e São Paulo. São dez dias de caminhada: as mulheres marcharão pela manhã e realizarão atividade à tarde. Entre as atividades, haverá um dia de debates sobre o papel da mídia e o feminismo.

As ações também marcam os 100 anos do 8 de março. Em 1910, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, na II Conferência das Mulheres Socialistas, a criação do Dia Internacional da Mulher, que seguiu sendo celebrado em datas diferentes, de acordo com o calendário de lutas de cada país. A ação das operárias russas no dia 8 de março de 1917, precipitando o início da Revolução Russa, é a razão mais provável para a fixação desta data.

Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária será lançada dia 11, em São Paulo

Militantes pela democratização da comunicação, jornalistas, blogueiros e comunicadores, tomaram a iniciativa de convocar para o dia 11 de março uma reunião para iniciar uma rede em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais. "Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST [Movimento dos Trabalhadores Sem Terra] faz para compreender o que está em jogo", diz o manifesto. Assinam a convocatória 27 comunicadores.

O manifesto denuncia a campanha da grande imprensa que, associada a interesses de latifundiários, grileiros e parcelas do Poder Judiciário, que culminou com a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.

Diz o texto que um atentado ao movimento social ficou claro com a imagem de um trator “a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, que correu o país no fim do ano passado”. “Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo 'grave atentado'. A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais”, denuncia o manifesto, citando o caso como exemplo de como se produz a criminalização dos movimentos sociais.

Os comunicadores que assinam o manifesto acreditam que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra entidades e cidadãos que lutam por democracia.

Embora o evento que lança a rede seja realizado em São Paulo, a proposta é que a rede de comunicadores em apoio à reforma agrária tenha caráter nacional. A reunião será no dia 11 de março, às 19h, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rêgo Freitas 530). Comporá mesa João Pedro Stédile (coordenação MST), Paulo Henrique Amorim (blog Conversa Afiada) e Rodrigo Vianna (blog O Escrivinhador).