Teles pedem restrição à Nextel no leilão da banda H

O leilão da última faixa destinada à exploração de serviços móveis 3G, a banda H, continua gerando atritos entre operadoras celulares e a Anatel. O assunto foi tema de debate nesta sexta-feira, 26, no Conselho Consultivo da agência reguladora e um novo apelo entrou na pauta das teles para tentar evitar o surgimento de mais um competidor no setor. Desta vez a preocupação é com a Nextel, operadora do Serviço Móvel Especializado (SME), mais conhecido como trunking.

Em meio ao debate, o representante das empresas, conselheiro Luiz Perrone, sugeriu à Anatel que ela restrinja a participação no leilão da banda H às operadoras licenciadas no SMP. Perrone fez a sugestão "tirando o chapéu de conselheiro", ou seja, como diretor de Assuntos Internacionais da Oi. Apesar de não ter citado nominalmente nenhuma empresa ou serviço, o comentário do diretor foi interpretado pela Anatel como uma tentativa de restrição à Nextel, grande candidata a arrematar a faixa.

O gerente de Regulamentação da Superintendência de Serviços Privados (SPV), Bruno Ramos, deixou claro que a agência não pretende restringir a entrada da operadora no leilão. Ramos ressaltou que os operadores de SME têm uma atuação mais limitada, do ponto de vista de uso do espectro, do que as empresas de SMP, dando a entender que a Nextel já está em desvantagem. O teto para uso de blocos de radiofrequência pelo trunking é de 25 MHz, enquanto para as empresas de SMP é de 85 MHz. "E tem uma coisa que pouco se fala: o bloqueio à entrada no SME é maior do que no SMP porque os equipamentos são bem mais caros", afirmou o gerente.

Bruno Ramos anunciou ainda que a reguladora pretende, sim, aplicar assimetrias para viabilizar o quinto competidor no 3G. "Quando eu penso como um quinto competidor, eu entro com uma grande desvantagem. Nem é grande; é enorme ao comparar com empresas como uma Telerj que está há 20 anos no mercado. Eu obviamente tenho que pensar em assimetrias."

Uma década

Apesar das críticas das operadoras móveis, a Anatel tem se mostrado firme na intenção de licitar a banda H para um novo player no mercado móvel. Para reforçar que essa ideia não é nova para as empresas que hoje atuam no mercado, Ramos lembrou que desde 2000 a Anatel sinaliza sua meta de ter cinco competidores nesse segmento. Há uma década, a agência decidiu quebrar o duopólio no então Serviço Móvel Celular (SCM), exercido pelas empresas nas bandas A e B. Para isso, colocou mais três faixas em licitação: a C, D e E, abrindo espaço para cinco operações. "Desde 2000 a Anatel bate na tecla de cinco operadoras", insistiu.

Com relação às faixas de 3G (F, G, H, I e J), o gerente voltou a dizer que a perspectiva de ter cinco competidores está clara desde 2007. A escolha da Anatel de deixar uma faixa de fora da licitação, a H, foi feita simplesmente para evitar conluio já que, na época, havia apenas cinco interessados prospectados (a Nextel entre eles). "Se eu colocasse todas as faixas, eu teria direcionado o edital, pois existiam cinco faixas e cinco competidores."

Bruno Ramos explicou que as operadoras de SMP que já possuem faixa de 3G não estão proibidas de participar da licitação da banda H. A limitação se dá pelo teto de composição dos blocos de radiofrequência. No cenário atual, poucas empresas ainda teriam uma "folga" de 5 MHz para comprar radiofrequências na faixa de 1,9 MHz/2,1 MHz. Como o bloco da banda H foi dividido em 10 MHz + 10 MHz, nenhuma operadora de SMP tem condições regulatórias de disputar a faixa neste momento. Elas podem, no entanto, brigas pelos dois blocos de extensão da banda H, de 5 MHz cada.

Justiça mantém a proibição de cobrança pelo ponto extra em São Paulo

A Fundação Procon-SP conseguiu manter a proibição de cobrança dos pontos-extras nas operações de TV por assinatura. A decisão foi proferida quarta-feira, dia 24, pela 6ª Vara da Fazenda Pública, que esclareceu ainda que a proibição inclui também o aluguel do decodificador. Em sua decisão, a juíza Cynthia Thomé afirmou que a cobrança "caracteriza enriquecimento ilícito e prática abusiva", alegando que as normas vigentes da Anatel proíbem explicitamente a cobrança pela utilização do ponto-extra. Além disso, afirma que não há serviço permanente e contínuo referente ao ponto-extra.

Contudo, a decisão permite que as empresas cobrem do consumidor pela instalação do ponto adicional e pela da manutenção da rede e dos conversores/decodificadores.

Com isso, a sumula da Anatel que estabelece como cabível a cobrança pela venda, aluguel ou comodato do equipamento decodificador fica suspensa no Estado de São Paulo. O descumprimento da decisão acarretará em multa diária de R$ 30 mil.

Cidades escolhidas pelo ProUca devem ser atendidas também com plano de banda larga

O governo está concluindo o edital para compra de um milhão de notebooks para o Programa Um Computador por Aluno (ProUca), que beneficiará estudantes de escolas públicas de 300 cidades brasileiras, de perfis e regiões diferentes, ainda este ano. A meta é semelhante a já adiantada pelo governo para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), a ser lançado em abril, o que leva a crer que a lista de cidades será aproveitada nos dois projetos. Cresce também a possibilidade da participação da iniciativa privada no plano.

O assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, não sabe se as cidades relacionadas para o ProUca será a mesma do PNBL, porque não está acompanhando as discussões desse último programa, mas acha que, no mínimo, haverá coincidências de localidades a serem atendidas. Segundo ele, há um entrelaçamento dos projetos de inclusão digital do governo, envolvendo não somente o ProUca e o PNBL, mas também o Programa de Banda Larga nas Escolas e até o Gesac, programa de governo eletrônico que fornece conexão pública em telecentros por meio de satélite e que, segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, irá conectar boa parte das escolas rurais este ano.

Barbosa vê nesse entrelaçamento dos programas de inclusão a criação de um círculo virtuoso, que leva o governo a apressar as decisões sobre o PNBL, o que deve acontecer em reunião marcada entre o grupo que discute o programa e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dia 5 de abril. Na sua avaliação, a conexão das escolas públicas urbanas e a distribuição de notebooks para os alunos elevam as demandas da sociedade pelo acesso à internet e o governo, a exemplo do que estão fazendo os EUA e Austrália, deve iniciar seu plano ainda em 2010.

Quanto ao Programa de Banda Larga nas Escolas, que Barbosa acompanha de perto, há um claro entendimento do enorme sucesso que tem sido. Até dezembro de 2009, 45 mil escolas das 55 mil previstas inicialmente, já estavam conectadas e as operadoras se comprometeram em levar a conexão para mais oito mil escolas, além das previstas, até o final do ano, elevando a meta para mais de 63 mil estabelecimentos. Essas instituições foram reclassificadas de rurais para urbanas no censo escolar de 2009.

Na reunião sobre o balanço do Programa Banda Larga nas Escolas, realizada na quinta-feira passada na Casa Civil, algumas operadoras falaram do sucesso da implantação do backhual, resultado da troca das metas do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) imposto às concessionárias da telefonia fixa, da ampliação do número de municípios que já tem acesso ao serviço por meio das escolas, dos conteúdos educacionais já construídos. “Isso alimenta a possibilidade dessa discussão ser muito mais substancial nessa relação que pode haver entre governo e iniciativa privada no PNBL”, avalia.

Barbosa disse que a decisão sobre o formato do PNBL será dada pelo presidente Lula, mas adianta que a principal característica será de o governo ser indutor do plano, assim como tem sido indutor do Programa Banda Larga nas Escolas. “Se o governo tiver a possibilidade de ser indutor desse projeto e de ter as empresas privadas como parceiras, por que não?”, indaga.

PMDB aposta nos Correios como gestor do PNBL

A disputa política pelo domínio do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) tem se expandido nas últimas semanas com a iminente troca no comando do Ministério das Comunicações. A pasta é controlada pelo PMDB desde o início do governo Lula e, agora, o partido tenta assegurar uma posição, de olho inclusive no plano de banda larga, que pode dar mais importância para a pasta. A estratégia do PMDB passa, aparentemente, pela principal estatal associada às Comunicações: a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT).

Desde que o PNBL começou a ganhar corpo dentro da Casa Civil, o Minicom tem criticado a iniciativa dentro e fora do governo. O alvo principal do ministro Hélio Costa é o uso da Telebrás como gestora das redes públicas que serão utilizadas pela União na empreitada de massificar a banda larga no Brasil. Costa já apresentou publicamente suas preocupações com relação a possíveis barreiras legais para o uso da estatal no plano governamental e a pasta chegou a produzir um "plano paralelo" para o PNBL.

Os comentários nos bastidores da construção do PNBL, no entanto, são de que o alvo das críticas de Costa não é apenas inviabilizar o uso da Telebrás, mas abrir caminho para que a ECT assuma o posto de gerente dessas redes. Essa movimentação tem um componente essencialmente político: enquanto a Casa Civil já teria mostrado disposição em tirar o poder do Minicom sobre a Telebrás no PNBL, a ECT é de controle absoluto do PMDB há décadas, o que garantiria o comando do projeto pelo partido seja qual for o desfecho da eleição deste ano.

Correios S/A, com foco ampliado

Uma das peças desse quebra-cabeça político deve surgir em breve, segundo apurou este noticiário. Trata-se da edição de uma Medida Provisória transformando a ECT em uma sociedade anônima. Pelo documento que está pronto para publicação, a estatal passará a se chamar Correios do Brasil S/A e terá seu escopo sutilmente ampliado. A mudança é permitir que o Ministério das Comunicações defina entre as "atividades afins" da empresa serviços "que guardam semelhança com o serviço postal ou de telegrama, embora com estes não se confundam".

Para especialistas, essa flexibilização permitirá, por exemplo, que a nova Correios do Brasil entre no mercado de correio eletrônico, colocando de uma vez por todas a empresa no cenário digital. Essa brecha na MP também deixaria a porta aberta para que os Correios assumam o PNBL.

Sucessão

Mas, para isso, uma outra engrenagem ainda precisa se encaixar: a sucessão ministerial. O PMDB aposta no chefe de gabinete de Hélio Costa: José Arthur Filardi Leite. Ele enfrenta resistências na Casa Civil, mas seus esforços para construir uma imagem de bom articulador junto ao partido teriam lhe dado não só uma sobrevida na disputa, como o recolocado como principal candidato à sucessão de Costa. A expectativa é que Lula tome a decisão nesse final de semana.

Segundo fontes do setor, Filardi Leite é, por enquanto, o nome que assumirá a pasta, embora outras alternativas ainda estejam sendo estudadas. Para o PMDB, o chefe de gabinete de Costa seria uma garantia segura de manutenção do posicionamento do Minicom com relação ao uso dos Correios como ponta-de-lança do PNBL. Ou seja, a nomeação de Filardi manteria o clima de fogo amigo contra os planos originais capitaneados pela Casa Civil e coordenados diretamente pela Presidência da República de recuperar o papel da Telebrás.

No entanto, o chefe de gabinete não conta com irrestrito apoio do PMDB. Filardi ganhou a simpatia dos senadores pemedebistas, mas conta com sérias ressalvas na cúpula do partido na Câmara dos Deputados. Para os deputados, o governo deveria escolher um nome com perfil técnico.

O segundo nome mais cotado para a vaga é o do conselheiro da Anatel, Antônio Bedran. O conselheiro viabilizou-se como candidato após a primeira rejeição ao nome de Filardi, mas não conta com a mesma estima do PMDB no que tange ao posicionamento com relação ao PNBL. Bedran não tem um posicionamento público claro com relação à estatal que deve ser utilizada no plano de banda larga, mas setores do partido desconfiam que ele pode não aderir à ideia de levar o projeto para os Correios.

Dúvidas

Mesmo com o retorno de Filardi ao topo da lista sucessória no Minicom, ainda há dúvidas sobre a escolha. Incomoda ao governo colocar à frente da pasta um nome desconhecido no campo político e que também não tenha perfil técnico para o setor. As manobras para fortalecer os Correios como uma alternativa também estariam incomodando setores envolvidos com o plano de banda larga. O uso da ECT como gestora já teria sido avaliado pelos coordenadores do PNBL, mas descartado há anos, segundo fontes familiarizadas com o processo.

Por outro lado, o governo não tem demonstrado fôlego para bloquear o domínio do PMDB sobre as Comunicações e as chances de emplacar um ministro que não tenha apoio do partido são praticamente nulas, na análise de interlocutores do próprio governo. Comenta-se que o martelo será batido sobre o sucessor de Costa ainda neste fim de semana, já que o ministro terá que se desvincular até o dia 2 de abril para poder seguir com seus projetos de candidatura a governador de Minas Gerais, provavelmente com apoio explícito de Lula.

Consulta Pública para indicação de candidatos ao Conselho Curador da EBC se encerra em 10/4

Será concluída na próxima semana a primeira Consulta Pública para a renovação do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Organizações da sociedade civil podem fazer indicações de nomes para preencher as três vagas abertas desde o fim de 2009.

A realização da consulta pública é uma exigência da Lei 11.652/08 que criou a EBC e visa garantir a participação da sociedade civil na escolha dos conselheiros. Como a indicação dos primeiros membros do Conselho Curador foi feita diretamente pelo presidente da República, esta será a primeira consulta pública que viabilizará a participação direta da sociedade no processo de escolha dos membros do órgão.

As entidades que desejam participar da consulta têm até o dia 10/4 para enviar a indicação de até três nomes (um por vaga) para compor o Conselho Curador. Não poderão se inscrever partidos políticos, instituições religiosas ou entidades voltadas para a disseminação de credos, cultos, práticas e visões devocionais ou confessionais.

Informações sobre os documentos necessários e o formulário para a participação na consulta podem ser obtidos no endereço: http://www.ebc.com.br/conselho-curador/consulta-publica

Composto por 22 membros, o Conselho Curador da EBC é responsável por zelar pelo cumprimento dos princípios e objetivos da empresa, criada para responder a demandas de construção de um Sistema Público de Comunicação previsto no artigo 223 da Constituição Federal.