Globo quer seu conteúdo em ônibus do Rio, BH e Recife

Reproduzido do M&M Online

Octavio Florisbal, diretor geral da Rede Globo, ainda considera em fase de testes a presença da emissora com seu conteúdo nos ônibus de São Paulo. Atualmente, 500 coletivos da SPTrans rodam pela capital com monitores que transmitem a TV Bus Mídia, empresa da qual a Globo é sócia e que veicula seu conteúdo adaptado, sem som e com legendas para atender à legislação municipal – a emissora estuda uma forma para disponibilizar fones de ouvido aos passageiros.

A meta é expandir o serviço em breve para outras capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. Outros 30 ônibus, também em teste, transitam em São Paulo com monitores que exibem na íntegra o sinal digital aberto da emissora.

A informação é da coluna Em Pauta, publicada na edição 1402 de Meio & Mensagem, que circula com data de 29 de março de 2010. (Edianez Parente)

Globo e Futebol: Obrigação na cidade do trabalho e da ordem

Está em discussão no parlamento paulistano uma iniciativa que chacoalharia de forma inesperada, e deliciosa, a grande mãe (e madrasta) do futebol brasileiro. Graças ao Projeto de Lei 564/2006, formulado pelos vereadores Antonio Goulart (PMDB) e Agnaldo Timóteo (PL), São Paulo só depende da boa vontade do prefeito Gilberto Kassab para se livrar dos jogos de futebol madrugada adentro.

Aprovada neste dia 10/3 em segunda votação, aguardando agora apenas a sanção do prefeito, a medida causa polêmica e atinge fortes interesses que regem as transmissões esportivas. Em 2006, ano de sua origem, o projeto já foi vetado pelo mesmo Kassab que, a exemplo de todo o seu mandato, não titubeou em cerrar fileiras com o lado mais forte (economicamente) e virar as costas ao desejo popular. Convenhamos que, no caso futebolístico, isso não é nada se comparado a diversos atos de sua desumana gestão.

Dessa forma, apesar da vitória inicial, a concretização da idéia não é tão simples quanto parece. Caso aprovada, a lei determinaria que jogos de futebol não poderiam ser programados para terminar depois das 23h15. A Globo, que impôs o futebol às 21h50, 22h, não quer nem ouvir falar, é claro. O futebol já virou grade de programação com horário sagrado há muito tempo para a emissora carioca, tão carente de atrações televisivas dignas de tal nome.

Debate nada tem de ofensivo

No entanto, ninguém mais dissimula que o torcedor odeia ser vítima do capricho global de realizar jogos às 10 da noite, considerando que, terminando à meia-noite, não há mais muitas maneiras de viabilizar o retorno para casa. E mesmo que haja, dar-se-á de forma muito tardia numa cidade acostumada a despertar junto com os galos para a exigente labuta.

Outro costume consolidado da emissora que manda no futebol nacional também se repetiu: nenhum representante global se apresenta para ao menos discutir o assunto, se não com torcedores (utópico), ao menos com dirigentes de clubes e federações. Mas estes sempre foram medrosos e coniventes com a emissora, fugindo ao máximo que podem das divididas ou dizendo ser difícil colocar em prática a lei, pois os clubes "já assumiram compromissos" etc. e tal.

No entanto, o que há de tão mal em alguns engravatados debaterem uma hora de recuo na grade de um canal de TV? Claro que pelo menos a conversa é mais que viável, mas nessas horas se verifica a falta de coragem e capacidade dos dirigentes – não à toa nossos clubes são falidos, estão décadas-luz de alguns centros do futebol e suas gestões seguem, via de regra, obscuras e pouco democráticas.

É verdade que a própria Globo é credora de algumas agremiações, salvando-as com empréstimos providenciais quando as recorrentes más gestões fazem aparecer dívidas, déficits e pendências inadiáveis. No entanto, é um empréstimo relativo, pois se trata na verdade de adiantamento de cotas de futuros torneios. Além do mais, tampouco é suficiente para interditar um debate que nada tem de ofensivo, apenas cidadão.

Em silêncio, aguardando os cartolas

Outra desgraça na vida do torcedor paulistano é o presidente de sua federação, Marco Pólo Del Nero. Autêntico pára-quedista, pouco sabe de bola, seus campeonatos são freqüentes fiascos de público (como o atual), mas tem um amor ao cargo inabalável. Além de aliado da "fina flor" de nossa cartolagem, não foram poucas as vezes em que já demonstrou sua aversão ao torcedor, através de críticas baratas, aumentos abusivos de ingresso e estigmatizações fora da realidade. Claro que declarou rejeição ao projeto.

Não será fácil dobrar essa teia de poderes que, bem ou mal, ainda tem influências quase imbatíveis no âmbito do futebol nacional. Mas será uma indecência se a prefeitura da lei do PSIU, que fecha bares e outros locais sábado à noite em nome da ordem e do silêncio, bloquear projeto que visa a terminar os jogos mais cedo, de modo a simplesmente permitir o regresso ao doce lar do torcedor.

A Globo está na dela. Resguardada em seus interesses e mais do que ciente da covardia dos cartolas, com alguns que tremem só de pensar em contrariar algum interesse da emissora. Dessa forma, fica em silêncio e espera que a própria cartolagem resolva o impasse. Assim, também evita o desgaste com o público, consensualmente a favor da medida.

Um pingo de visão

Mas a mesma Globo já cansou de transmitir futebol em outros horários. E, apesar dos blefes, uma mudança desse porte na sua grade estaria longe de desmantelar sua programação e contratos publicitários, inclusive de suas outras "atrações" coladas aos jogos (novela e BBB). De quebra, é crível que o citado desgaste com o torcedor levasse seu departamento comercial a discutir o caso. Até porque jogos de estádio vazio desvalorizam seu próprio produto.

Negócios são negócios, e se a dona Globo não gostar, há um novo player nas comunicações brasileiras disposto a suplantá-la: a Rede Record e suas árvores celestiais de dinheiro. Em dois ou três anos, os contratos vigentes se encerram e renová-los com a exclusividade de sempre não será tão fácil quanto antigamente. Tanto que as Olimpíadas de 2012 também já têm seu lugar no céu, ops, no sete. E não no cinco.

Portanto, fica claro que aos vereadores e prefeito cabe apenas um respeito mínimo à população pela qual dizem trabalhar; aos dirigentes, um pingo de visão e capacidade de diálogo, pois ninguém pretende inviabilizar transmissões de jogos. Pretende-se apenas freqüentá-los sem ter de abandonar o estádio 15 minutos antes do apito final para poder tomar o último coletivo.

* Gabriel Brito é colunista do Correio da Cidadania.

Futebol: TV Globo vs. vereadores paulistanos

A polêmica está na mesa. A Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou projeto de lei que limita até 23h15 o término das competições esportivas no município. A matéria foi encaminhada para o Executivo. O prefeito Gilberto Kassab tem até o dia 31/3 para vetá-la ou sancioná-la.

Na quinta-feira (25/3), o Arena SporTV debateu o projeto. Participaram o secretário de Esportes da cidade de São Paulo, Walter Feldman, o deputado estadual Luciano Batista (PSB), o vereador Celso Jatene (PTB) e os jornalistas da casa Marco Antonio Rodrigues e Paulo César Vasconcelos.

Ponto novamente para o SporTV. Embora todos saibam o interesse da TV Globo no projeto, o debate foi em alto nível. Partidas de futebol às quartas-feiras têm sido marcadas para as 21h50 e até 22 horas por causa da grade de programação global.

A emissora que detém os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, aliás, foi esticando esse horário até chegar às 22h. Se não houvesse um "não mais", certamente haveria partidas começando por volta das 22h30, o que seria absurdo para com o torcedor.

A Rádio Jovem [Pan] faz campanha pela mudança dos horários. Em editorial veiculado diariamente, a emissora diz que houve tentativa da TV Globo e da Federação Paulista de Futebol de manipular a opinião do torcedor, levando-o a concluir que o horário atual faz bem aos cofres dos clubes.

"Em toda essa novela indigesta, inconsequente, que ainda envolve o povo, Câmara Municipal, prefeito, Federação Paulista de Futebol e TV Globo, um ato é indesculpável: a forma primária e leviana como se pretendeu manipular a opinião pública e a consciência de nossos vereadores e deputados", diz trecho do editorial.

Sono tardio

A rádio conclui sua opinião afirmando que "a grade de uma televisão não pode regulamentar a vida, a ponto de prejudicar a paz, o sono e segurança dos cidadãos, o descanso de todos, de quem vai ao estádio e até de quem assiste TV em casa. Essa não é uma briga do bem contra o mal. É um movimento que coloca de um lado o apelo popular, as pessoas pedindo o fim dos jogos as 10 da noite, o bom senso, enfim".

Para este colunista, o ideal seria que partidas de futebol fossem iniciadas entre 21h e 21h30, no máximo. O horário avançado não atrapalha apenas o dia seguinte de quem vai ao estádio. Impõe barreiras também àqueles que ficam em casa.

No meu caso, tenho o hábito de acompanhar o pós-jogo com entrevistas de técnicos e jogadores. Não vou para a cama antes de 1h da manhã. Quem vai ao estádio em partidas no horário imposto pela Globo, certamente irá dormir por volta das 3h. Não dá mesmo. É preciso rever os horários das partidas no meio de semana.

Mais imposição

Torcedores de determinados estados têm sido obrigados a engolir jogos de péssima qualidade por conta do monopólio da TV Globo na transmissão dos campeonatos estaduais.

Quem mora em Brasília e torce por equipes paulistas se vê forçado a encarar Botafogo e Olaria, por exemplo, ao mesmo tempo em que Santos e Palmeiras fazem jogo eletrizante, com sete gols. Isso ocorreu, de fato, no dia 14 de março.

A Globo se superou naquele domingo: a partida entre os cariocas foi interrompida por causa das fortes chuvas que caíram sobre o Engenhão. Ao invés de entrar com as imagens de Santos e Palmeiras, a Globo seguiu mostrando Botafogo e Olaria.

Só que, dessa vez, narrando a chuva que caía. Só faltou o repórter de campo entrevistar os funcionários que tentavam conter a força do temporal, usando rodos e muita disposição.

O mesmo ocorre em outros estados nos quais a Globo empurra jogos ruins entre equipes paulistas e deixa de lado um clássico carioca, por exemplo.

A Bandeirantes, que deveria ser o diferencial na transmissão dos campeonatos estaduais e nacionais, aceita as condições da emissora carioca e só transmite o que está programado. Quem determina o que irá passar em cada praça é a Globo.

Essa postura, que revela a crueldade do monopólio da transmissão esportiva, tem passado dos limites. Por isso, a necessidade das demais emissoras se unirem para tentar quebrar o monopólio da Globo. O torcedor não tem mais opção aos domingos e às quartas-feiras. Engole-se aquilo que lhes enfia goela abaixo. No seco. Sem choro.

* Antonio Carlos Teixeira é jornalista e colunista do Observatório da Imprensa.

Direito à comunicação e mídia alternativa entram na pauta do Fórum Social Urbano

[Título original: FSU debate Direito à Comunicação e importância da mídia alternativa]

“Direito à Comunicação também é Direito às Cidades" foi o tema de um debate ocorrido no último dia do Fórum Social Urbano, 26 de março. Estiveram presentes Vito Giannotti, coordenador do NPC; Álvaro Neiva, do Coletivo Intervozes; Helena Elza de Figueiredo, do Movimento Helaiz, que luta contra o seqüestro de crianças; e Gizele Martins, editora do jornal O Cidadão, da Maré. Ao final do debate foi apresentado o vídeo “Levante Sua Voz”, produzido pelo Intervozes, que retrata a concentração da mídia no Brasil.

Giannotti, fazendo referência ao tema da mesa, constatou que não é garantido a todos(as) o direito à cidade devido à visão que se tem de cidade-empresa, que não prevê a inclusão da população negra e pobre. Ele lembrou que, historicamente, os movimentos sociais e de trabalhadores que se opõem a tal situação e passam a lutar por seus direitos acabam sendo reprimidos e silenciados. Quem é vítima dessa criminalização não tem garantido seu direito à comunicação exatamente para que se naturalize tal modelo de gestão do espaço urbano. “Assim, é a mídia do capital que acaba tendo o domínio da fala. E o que ela faz? Acaba agindo como o verdadeiro partido da burguesia. Através de suas novelas, de seus programas e telejornais, ela faz a cabeça de todos(as) e acaba mobilizando também. Se você prestar atenção às notícias, vai ver que o grande problema do Brasil são os negros, os pobres os favelados”, analisou Giannotti. Como ele avalia, essa estratégia é importante para deixar a classe trabalhadora cada vez mais e oprimida e assustada, sem reconhecer seus direitos. “Por isso é importante combater essa mídia burguesa, criando nossos próprios meios de comunicação que disputem a visão de mundo”, concluiu. 

Álvaro Neiva, do Intervozes, falou sobre a importância de toda a sociedade refletir sobre seu direito à comunicação, o que muitas vezes não se torna claro devido à brutal concentração da mídia que existe no Brasil. Ele ressaltou que há muito ainda para ser conquistado: "Apesar de haver alguns avanços na Constituição, que prevê, por exemplo, proibição de monopólios e oligopólios e a complementaridade dos sistemas estatal, público e privado de radiodifusão, tais pontos não foram ainda regulamentados", esclareceu. Neiva citou outro aspecto importante, que é a renovação das concessões, feita praticamente de forma automática. “Temos o exemplo da Venezuela. Quando Hugo Chavez não renovou a concessão da RCTV, foi chamado por grande parte da mídia de ditador. Mas aquela concessão é pública, e o Governo não só pode como deve sempre fiscalizar. Isso tanto lá quanto aqui”. Para finalizar, Neiva disse ser importante disputar o conceito de “liberdade de expressão”, pois ele deve ser entendido como um direito de toda a sociedade, e não de pequenos grupos. “Não dá para rádios comunitárias continuarem a ser criminalizadas, terem seus equipamentos apreendidos. A mídia comercial, que diz defender a liberdade, ajuda mais ainda a criminalizar. Também ela se manifesta contrária a qualquer tentativa de fiscalização por parte do poder público. Ou seja: defende apenas a sua própria liberdade, não de todos”. Além da construção de meios alternativos, o militante pela democratização lembrou a importância de se entrar na disputa por um novo marco regulatório e por novas políticas públicas de comunicação.

Comunicação própria para combater exclusão na mídia

Helena Elza de Figueiredo deu um depoimento emocionado, relatando como existem diferenças no tratamento dado pela mídia e pelo porder público em relação a ricos e pobres. Moradora do Morro Tuiuti, em São Cristovão, ela contou que sua filha foi sequestrada e morta em 2006. Após o trágico episódio, Helena e outra mãe resolveram criar o Movimento Helaiz – mães em ação contra o rapto, sequestro e desaparecimento de crianças. “Nós, pobres e favelados, somos desprezados, e o tratamento é bem diferenciado. Como a polícia age quando ocorre sequestro do filho do rico? Ela age rápido, e logo dá início às investigações. Já a gente eles mandam para casa. E a mídia, o que faz? Ao nosso caso quase nunca dá atenção”. Helena avalia que o que facilita o desaparecimento de crianças nas comunidades é a falta de políticas públicas que garantam um espaço seguro em tempo integral para os filhos. “O nosso movimento não tem divulgação nenhuma. O sequestro do pobre não importa, ninguém quer saber”. A jornalista Paula Máiran, que vem acompanhando e prestando assessoria ao Movimento, lembrou o sequestro da menina inglesa Madeleine, em 2007, que estava com seus pais em Portugal. O caso foi capa e destaque em vários jornais e revistas. “Naquela época a Helena me ligou chorando, perguntando por que a vida daquela menina tinha mais valor do que a da filha dela”, relatou Paula, mostrando como é importante criarem-se alternativas de comunicação.

E uma dessas alternativas é o jornal comunitário  O Cidadão, da Maré, que já existe há 10 anos. Como contou a estudante de comunicação Gizele Martins, que trabalha nele há sete anos, são rodados 21 mil exemplares, distribuídos nas 16 favelas que formam o Complexo da Maré. Na avaliação de Gizele, apesar das dificuldades por causa da equipe reduzida e do trabalho voluntário, o veículo vem cumprindo uma importante função: “Esse jornal veio para fortalecer a identidade dos moradores da Maré, porque a mídia burguesa não nos representa como personagens, não mostra o que a gente é. Pelo contrário: produz clichês como o de que todo favelado é vagabundo, criminoso, envolvido com o tráfico”, desabafou Gizele. Ela lembrou uma pesquisa recente que mostra que apenas 2 ou 3% dos moradores estão ligados ao tráfico. “Portanto todo o resto é trabalhador e estudante, ou pelo menos tenta ser. Muitas vezes acaba não conseguindo trabalhar ou pela falta de emprego ou pelo preconceito na hora da contratação; e não consegue estudar porque o ensino público está cada vez mais sucateado”.

A estudante de comunicação lembrou a importância que teve a apuração de perto feita pela equipe d’O Cidadão da morte do menino Mateus, de apenas oito anos, assassinado pela polícia quando saia de casa para ir à padaria comprar um pão. A mídia burguesa começou a divulgar a versão dos policiais, de que o menino tinha “ligação com o tráfico” e de que havia ocorrido “troca de tiros”. Essas são algumas justificativas normalmente usadas em casos de violência policial nas favelas, e reproduzidas largamente sem que sejam ouvidos os moradores desses locais. A presença do jornal comunitário conseguiu alterar essa versão. “Nesse momento eu vi a importância das nossas mídias, tanto na apuração quanto dos próprios fotógrafos da Maré, os grandes responsáveis por fazer a perícia naquele dia”, concluiu.

Globo deverá pagar R$ 1 milhão se não esclarecer fala homofóbica no “BBB”

Até a próxima terça-feira (30) – quando termina a 10ª edição do programa "Big Brother Brasil" – a Rede Globo deverá exibir um esclarecimento à população sobre as formas de contração do vírus HIV definidas pelo Ministério da Saúde.

O juiz federal substituto Paulo Cezar Neves Junior, da 3ª Vara Federal Cível de São Paulo, concedeu uma liminar nesta segunda-feira (29), com a decisão. O Ministério Público Federal (MPF) havia proposto uma ação cautelar após o participante Marcelo Dourado ter afirmado que heterossexuais não se contaminam com o vírus HIV.

"Hetero não pega AIDS, isso eu digo porque eu conversei com médicos e eles disseram isso. Um homem transmite para outro homem, mas uma mulher não passa para o homem", disse Dourado no dia 2 de fevereiro. Segundo o site do Ministério da Saúde, "o HIV pode ser transmitido pelo sangue, sêmen, secreção vaginal e pelo leite materno".

Além disso, no processo a União Federal afirmou que "é significativamente maior no Brasil o número de casos de homens infectados com o HIV por mulheres em relação ao número de casos de homens infectados por outros homens. Além disso, a epidemia está estabilizada entre os homossexuais e vem crescendo entre os heterossexuais".

Para o juiz, o impacto da informação equivocada sobre a saúde pública brasileira é certamente muito elevado, tendo em vista a notória audiência do programa. "Há que se considerar, ainda, a condição de verdadeiras celebridades a que são alçados os participantes dos chamados reality shows sendo, por isso, de grande peso suas declarações sobre boa parte da sociedade. […] Destaque-se que o declarante diz ter obtido as informações com médicos, o que aumenta seu potencial de convencimento".

Neves Junior entendeu, também, que a Globo tem responsabilidade nas declarações, já que elas foram selecionadas pela edição do programa, e apresentadas no dia 9 de fevereiro. "O questionado nesta ação é justamente a edição feita pela ré, que incluiu declarações do participante do programa sobre a forma de se contrair o vírus HIV", disse.

"Não se busca nesta ação coibir qualquer manifestação de pensamento, mas apenas garantir, juntamente com este, o direito fundamental à correta informação envolvendo a saúde pública. Busca-se a harmonização dos direitos fundamentais envolvidos. […] A análise sistemática da Constituição Federal impõe que a liberdade de comunicação seja limitada pelo exercício de outros direitos fundamentais nela previstos, dentre eles o direito à saúde", explicou o magistrado.

Caso a emissora não esclareça as informações utilizando, no mínimo, o mesmo tempo das declarações de Dourado, deverá pagar multa de R$ 1 milhão.