Anatel evita se posicionar sobre 2,5 GHz e defende apenas alinhamento internacional

No debate sobre a destinação da faixa de 2,5 GHz realizada nesta quarta, 7, na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, a Anatel procurou não tomar partido diretamente na discussão. O conselheiro Jarbas Valente disse que a proposta da Anatel para a faixa foi feita com base em estudos de projeção pela demanda dos serviços e reafirmou a necessidade de ampliação das radiofrequências destinadas à telefonia móvel, sem especificar se o 2,5 GHz é imprescindível nesse plano de expansão. Valente disse ainda que as comparações entre os dois setores não são produtivas, uma vez que se tratam de segmentos bastante distintos.

O posicionamento mais claro da Anatel é com relação à necessidade de o Brasil estar alinhado às tendências internacionais para conseguir os ganhos de escala de uma escolha tecnológica global. Jarbas Valente analisou que o Brasil deve tentar se posicionar como um "produtor" de tecnologias, apesar de o país não possuir um parque industrial de fabricação de equipamentos celulares atualmente. "Temos que entrar como produtor também. Quem ficar só como consumidor nessa relação, vai sair perdendo", ponderou.

Banda larga terá política fiscal, industrial e regulatória

O Plano Nacional de Banda Larga vai propor incentivos fiscais, uma política industrial para a produção nacional, a política regulatória e qual será o alcance da rede do governo na universalização do acesso à internet em banda larga.

A informação é do assessor de Inclusão Digital da Presidência da República, Nelson Akio Fujimoto, que participou na manhã desta quinta-feira (08/04) de audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara.

Segundo Fujimoto, após a apresentação do plano, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será iniciada uma etapa de discussões com a sociedade para viabilizar a implantação das ações, que terão metas de curto (2010), médio (2012) e longo prazos (2014).

Aos deputados da CCTCI, Fujimoto destacou que o objetivo geral do plano será ampliar o acesso à banda larga no Brasil para os cidadãos, instituições do governo, entidades da sociedade e empresas, de modo a promover oportunidades, desconcentrar renda e incorporar os cidadãos hoje excluídos desse serviço.

Ele destacou ainda a importância de capacitação da população para o uso das novas ferramentas e informou que no sistema nacional de banda larga os ativos do governo deverão ser utilizados de forma colaborativa para uso público e privado.

Segundo o assessor da Presidência, o Brasil tem hoje ativos da Eletronet, recuperados na Justiça, além de fibras da Eletrobrás e, em alguns trechos, fibras da Petrobras. “O importante é que todas essas fibras existem e o direito de passagem delas está disponível”, completou. A meta, segundo ele, é reposicionar o Brasil no cenário mundial da banda larga, elevando a densidade e reduzindo o custo do acesso.

O presidente do Serpro, Marcos Mazoni, que também participou do debate, destacou a importância de se reforçar a infraestrutura de banda larga no país, e disse que a nova rede vai possibilitar que os serviços públicos cheguem aos cidadãos.

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), autora do requerimento de audiência pública, defendeu a atuação do governo para reverter os baixos índices de acesso da população à internet em banda larga. “É preciso descentralizar a prestação desse serviço e ampliar o acesso reduzindo custos e aumentando a velocidade e a qualidade dos serviços”, disse.

Uma reunião de apresentação do plano ao Presidente Lula, iniciada também na manhã desta quinta-feira, acabou inviabilizando a participação do coordenador do Programa de Inclusão Digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, e do secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, na audiência de hoje, que foi a segunda para debater o tema na CCTCI.

Segundo o primeiro vice-presidente da Comissão, deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), uma terceira audiência poderá ser agendada para que os deputados possam discutir o plano com o coordenador Cezar Alvarez.

Também participaram da audiência de hoje o presidente da Abranet (Associação Brasileira de Internet), Eduardo Fumes Parajo; o gerente de Infraestrutura da TelComp, Luiz Henrique Barbosa da Silva; e o presidente da Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid), Percival Henriques de Souza Neto.

O representante da TelComp criticou uma forte participação estatal no Plano, e defendeu o compartilhamento da infraestrutura já existente como forma de fortalecer o ambiente competitivo. “É uma ilusão achar que só o setor público vai conseguir”, disse.

Parajo, da Abranet, destacou a necessidade de levar, além do acesso à internet, o conhecimento aos cidadãos brasileiros ainda excluídos digitalmente. Segundo Parajo, a infraestrutura de aproximadamente 1700 provedores de acesso à internet espalhados pelo Brasil deveria ser aproveitada no plano do governo.

O presidente da Anid também defendeu a participação de micro e pequenas empresas de base tecnológica, incluindo as lan houses. “Os pequenos provedores de internet localizados no interior do Brasil precisam de estímulo e reconhecimento”, disse.

Já o representante da Anatel destacou que a Agência faz um acompanhamento constante das metas e cumprimento dos contratos pelas empresas de telecomunicações, e que está pronta para ajustar as regulamentações do setor no que for necessário para viabilizar as ações do plano.

Confira o áudio e as apresentações da audiência pública.

Líderes fecham novo acordo para votação do PL do Fust

Os líderes dos partidos na Câmara fecharam ontem à noite novo acordo para votação do projeto de lei 1481/07, que altera o uso do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) permitindo sua utilização no financiamento da implementação de internet banda larga nas escolas públicas. A votação, contudo, somente deverá ocorrer na próxima semana, uma vez que os deputados debateram o projeto sobre ficha limpa durante toda a sessão de ontem.

Pelo acordo, os líderes primeiro votarão o pedido de urgência para o projeto, para depois votar a matéria. E prevê a manutenção da criação do comitê gestor para o fundo, desde que seja coordenado pelo Ministério das Comunicações, que é o responsável pela formulação de políticas públicas para o setor. Esse item era combatido pelos partidos de oposição, que viam o comitê como um ‘cabide de empregos’.

O acordo estabelece ainda que o comitê seja instituído por meio de decreto, que deverá incluir não só os componentes, como também suas atividades e atribuições. O texto a ser votado é o substitutivo da comissão especial que analisou a proposta, que foi relatado pelo deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE).

Caso seja aprovado, o projeto mudará a destinação de recursos do Fust para que eles possam ser usados para financiar programas, projetos e atividades de serviços de telecomunicações prestados em regime privado, como o acesso à internet em banda larga.

Atualmente, esses recursos só podem ser usados por prestadoras públicas de serviço. Um exemplo da destinação do Fust é a implementação do Plano de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo Comutado (PMU) em localidades com menos de 100 habitantes. Nesses vilarejos, cabe ao governo instalar orelhões com recursos do fundo. Em locais com até 600 habitantes, o Fust é usado para financiar a instalação de telefones residenciais.

O fundo é formado pela contribuição de empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, de 1% de sua receita operacional mensal com a prestação de serviços. A arrecadação é de cerca de R$ 800 milhões por ano.

Anatel oficializa renovação das outorgas de TVA

A Anatel confirmou nesta quarta-feira, 7, a regularização das licenças para a oferta do Serviço Especial de TV por Assinatura (TVA, prestado em um único canal de UHF). A agência reguladora publicou no Diário Oficial da União (DOU) um despacho do Conselho Diretor divulgando a aprovação da adaptação das antigas concessões para este serviço em Termos de Autorização, adequando a prestação de TVA à legislação de telecomunicações em vigor.

A aprovação da adaptação e os procedimentos que serão tomados a partir de agora foram antecipados por este noticiário na edição de 18 de março, quando o Conselho Diretor deliberou sobre o assunto.

A Anatel confirmou a validade das concessões e assegurou a renovação das licenças sem o preço que será cobrado pelo direito de uso das radiofrequências associadas. Este é um aspecto delicado da adaptação, uma vez que a faixa utilizada pelo serviço de TVA – 500 MHz a 700 MHz – é considerada uma faixa nobre atualmente por conta da sua grande capacidade de propagação à distância. A área técnica da Anatel chegou a fazer um cálculo para a cobrança, tendo como referência o Preço Público pelo Direito de Uso de Radiofrequência (PPDUR). A sugestão, no entanto, foi recusada pelo Conselho Diretor.

A conclusão da análise determinou que a Superintendência de Comunicação de Massa (SCM) elabore estudos para o estabelecimento do preço a ser cobrado das TVAs nos próximos seis meses. Uma vez que o preço esteja estabelecido, a Anatel procederá na adaptação efetiva das concessões em termos de autorização. Essa mudança será submetida à consulta pública pelo prazo de 30 dias, conforme confirmado no documento publicado hoje pela Anatel.

Renovação automática

A grande polêmica associada à renovação das concessões de TVA está no fato de que essas licenças venceram há sete anos. Apesar disso, a Anatel não entendeu que as 25 operadoras desse serviço estavam funcionando ilegalmente. Isso porque todas elas solicitaram dentro do prazo a renovação das licenças. E foi a administração pública quem não respondeu rapidamente à demanda.

O motivo da demora foi a longa análise feita pela agência e pelo Ministério das Comunicações sobre a natureza desse serviço. A operação de TVA usa canais UHF e sua transmissão pode ser feita parcialmente por meio de sinal aberto de TV. Isso fez com que esse serviço acabasse tendo uma natureza híbrida, mesclando características de telecomunicações (TV por assinatura) e de radiodifusão (transmissão aberta).

Ao fim da análise, Minicom e Anatel decidiram que este é um serviço de telecomunicações e, portanto, deve ser submetido às regras da Lei Geral de Telecomunicações (LGT). Ocorre que, quando a decisão foi tomada, as concessões já estavam vencidas.

A regularização feita hoje pela Anatel confirma a visão de uma corrente na Anatel, de que as concessões passaram por uma "renovação automática" na medida em que a agência não respondeu ao pedido de renovação em tempo. A agência deixa claro esse entendimento no segundo item da lista de decisões tomadas no mês passado: "Assegurar, no texto do ato que efetive a referida adaptação, o direito de uso de radiofrequência associada a cada uma das atuais concessionárias, pelo prazo de 15 (quinze) anos decorrentes da renovação automática ocorrida a partir da data de vencimento da concessão original".

PL 29/2007

A renovação automática das TVAs é o cerne de uma polêmica na Câmara dos Deputados envolvendo o PL 29/2007, que trata do setor de TV por assinatura e do audiovisual. O relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), apresentou quatro emendas supressivas à proposta, eliminando o regime especial de transição das licenças de TVA para o novo Serviço de Acesso Condicionado (SAC), criado pela futura lei.

O principal motivo levantado por Cunha para executar a exclusão é exatamente a presença do texto da "renovação automática" das licenças de TVA. Esse item foi considerado pelo deputado como uma forma de beneficiar empresas que estariam operando irregularmente. Além disso, para o deputado, a decisão sobre renovações cabe exclusivamente à Anatel e, portanto, o item não deveria estar no projeto de lei.

Coincidência ou não, a agência prontificou-se a executar a regularização das TVAs na semana seguinte à apresentação do parecer de Cunha na CCJ.

Batalha política atrasa votação da nova Lei do Fust

Quando o PL 1.481/2007, mais conhecido como nova Lei do Fust, foi incluído na lista de prioridades de votação no Plenário da Câmara dos Deputados, a perspectiva era de que o projeto teria uma aprovação rápida e tranqüila, já que era um dos poucos a contar com acordo para deliberação. Três semanas depois da consolidação da pauta prioritária, o projeto continua esperando ser aprovado e uma polêmica acabou surgindo durante as negociações para efetivar a votação.

A confusão em torno do projeto está em uma emenda de Plenário apresentada pela liderança do governo. Essa emenda cria um Comitê Gestor do Fust, órgão que será responsável pela avaliação de projetos e destinação das verbas arrecadadas para a universalização. Acontece que a oposição não gostou nada da ideia.

A crítica oposicionista é que o governo pode estar criando mais um "cabide de empregos" com a consolidação do comitê. Para os deputados contrários à proposta, não seria necessária a existência de um grupo gestor já que Ministério das Comunicações e Anatel dividem a responsabilidade pelo fundo – o primeiro criando políticas para aplicação dos recursos e o segundo, executando a liberação das verbas.

A emenda, segundo o relator Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE), é a única polêmica em torno do projeto neste momento. Mas, ainda assim, não deve ser subestimada. Os projetos prioritários não têm sido deliberados na velocidade esperada pelo Colégio de Líderes Partidários – era para todos serem aprovados até a semana passada.

O governo tem demonstrado grande interesse na aprovação do PL 1.481 e garantiu nesta terça-feira, 6, que a proposta estará em pauta novamente na sessão de amanhã. O interesse está no fato de o projeto flexibilizar a aplicação do Fust, hoje restrito ao financiamento da universalização do serviço prestado em regime público (telefonia fixa) pelas concessionárias. Com o projeto aprovado, o Fust poderá financiar qualquer serviço de telecomunicações, inclusive programas de massificação de banda larga. Assim, o governo espera a mudança na lei para garantir o financiamento do seu Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que ficou de fora da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) exatamente por não dispor de recursos orçamentários previstos.

Para tentar pacificar a votação, o relator da proposta pode rejeitar a emenda do governo e deixar que a bancada faça um "destaque" da proposta. Caso isso ocorra, o destaque iria para votação separada do chamado "texto-base" e oposição e governo decidiriam no voto se haverá ou não um conselho gestor. Lustosa não confirmou se a estratégia será usada e disse a este noticiário que ainda está negociando um acordo.