Para Vannuchi, reação da mídia ao PNDH é equivocada

O ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirmou que a parte sobre a imprensa no Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) está aberta a alterações. Em audiência promovida pelo Senado nesta quinta-feira (08/04), o ministro disse que o termo “controle social” não está no texto e que a repercussão negativa do projeto foi causada por equívocos de interpretação.

“A reação ao PNDH na questão da imprensa, ela não se explica com uma leitura estrita ao que o programa propõe. A palavra controle social não está presente e as alterações que podem ser introduzidas é no sentido de reafirmar a importância da mais ampla e total liberdade de imprensa construir mecanismos de acompanhamento, algo a ver com a classificação indicativa e analogias”, afirmou.

Segundo o ministro, o PNDH-3 garante o direito à “informação democrática”. Ele afastou qualquer possibilidade de criação de uma comissão governamental para monitorar os critérios editoriais dos veículos de comunicação.

Vannuchi explicou que a intenção é formar um grupo, com envolvimento de entidades da imprensa, como a Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ). De acordo com o ministro, a ideia é formular ações parecidas com a campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania” ou com premiações como o Prêmio Vladimir Herzog.

Com informações de O Globo, Agência Senado e Congresso em Foco.

Proposta do marco civil da internet reduz responsabilidades dos provedores

Já está em consulta pública a minuta do anteprojeto de lei sobre o marco civil da internet no Brasil elaborada pelo Ministério da Justiça. A proposta reduz as responsabilidades dos provedores sobre conteúdos ofensivos de terceiros e limita o prazo para guarda de registros dos usuários.

Pelo texto, os provedores de acesso à internet estão obrigados a manter os registros de conexão sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo máximo de seis meses. A proposta proíbe, entretanto, que sejam mantidos os registros de acesso a serviços de internet como navegação, comunicação instantânea, envio e recebimento de correspondência eletrônica, publicação de obras textuais ou audiovisuais em formato digital.

Os registros de conexão somente poderão ser fornecidos a terceiros mediante ordem judicial ou por autorização prévia e expressa do respectivo usuário. E os procedimentos de interceptação, escuta ou disponibilização de conteúdo das comunicações pela internet somente poderão ocorrer para fins de obtenção penal e serão regulados pela lei que trata da interceptação de comunicação telefônica e dados telemáticos.

Responsabilidades

Quanto ao fato de o provedor ser responsabilizo por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros somente ocorrerá se for notificado pelo ofendido e não tomar as providências para, dentro de prazo razoável, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente. Porém, terão que oferecer de forma ostensiva ao menos um canal eletrônico dedicado ao recebimento de notificações e contranotificações.

A notificação terá que conter a identificação do ofendido, incluindo seu nome completo, seus números de registro civil e fiscal e dados atuais para contato; data e hora de envio; identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente, que permita a localização inequívoca do material pelo notificado; descrição da relação entre o notificante e o conteúdo apontado como infringente; e justificativa jurídica para a remoção.

Ao tornar indisponível o acesso ao conteúdo, caberá ao provedor do serviço informar o fato ao usuário responsável pela publicação, comunicando-lhe o teor da notificação de remoção e fixar prazo razoável para a eliminação definitiva do conteúdo. Caso o usuário responsável pelo conteúdo infringente não seja identificável ou não possa ser localizado, e desde que presentes os requisitos de validade da notificação, cabe ao provedor de serviço manter o bloqueio.

O responsável pela publicação julgada ofensiva ou qualquer outra pessoa pode contranotificar o provedor de serviço, requerendo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade exclusiva pelos eventuais danos causados a terceiros. Nesse caso, caberá ao provedor de serviço o dever de restabelecer o acesso ao conteúdo indisponibilizado e informar ao notificante o restabelecimento.

A pessoa ofendida poderá, para o exclusivo propósito de formar conjunto probatório em processo judicial, requerer ao juiz a expedição de requisição solicitando, ao responsável pela guarda, o fornecimento de registros de conexão ou de acesso a serviço de internet. Este requerimento deverá conter a descrição pormenorizada de indícios razoáveis da ocorrência do ilícito; a justificativa motivada da utilidade dos registros solicitados para fins de investigação do ilícito; e o período ao qual se referem os registros.

A versão preliminar do anteprojeto de lei poderá ser consultada no endereço http://culturadigital.br/marcocivil. As contribuições à proposta poderão ser feitas no prazo de 45 dias. A versão final do anteprojeto de lei deverá ser apresentada ao Congresso Nacional até o final de junho.

Senadores montarão grupo de trabalho para avaliar mudança no 2,5 GHz

A proposta da Anatel de mudar a destinação da faixa de 2,5 GHz, permitindo que as empresas de telefonia móvel também usem essas frequências, voltou a ser tema de debate no Congresso Nacional. Desde que a agência reguladora colocou o documento em consulta pública, em agosto do ano passado, diversas audiências foram realizadas sobre o assunto tanto na Câmara dos Deputados, quanto no Senado Federal. Desta vez, os senadores resolveram ir mais além no monitoramento da proposta da Anatel.

A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado pretende criar um grupo de trabalho para acompanhar o processo de mudança de destinação. A sugestão foi apresentada pelo senador Roberto Cavalcanti (PRB/PE), que inicialmente pretendia que fosse criada uma subcomissão sobre o assunto. Ao fim, decidiu que seria mais prática a criação de um GT, com a franca intenção de ser mais um elemento de pressão para que a Anatel conclua a transição da destinação de forma equilibrada.

O novo interesse dos senadores no caso é a preocupação de que as operadoras móveis acabem assumindo toda a faixa do 2,5 GHz, sacrificando a permanência do serviço de TV por assinatura via MMDS, que hoje usa essas frequências. "Não podemos deixar que as teles, que têm um poder mundial, destruam empresas que acreditaram no Brasil, que investiram aqui. A minha impressão é que nós não despertamos ainda para o quão estratégica é essa discussão", declarou Cavalcanti ao justificar a criação do GT.

Esse mecanismo de pressão política, na visão dos parlamentares, pode acabar impedindo uma decisão que extermine o serviço de MMDS. "Se nós não criarmos constrangimentos, vão fazer tudo o quê as teles querem", comentou Cavalcanti, citando o poder dos grupos internacionais que comandam as operadoras móveis. O poder das teles móveis na disputa pelo 2,5 GHz também foi citado por participantes do debate na comissão.

Para empresas de MMDS, incertezas regulatórias são ameaça a investimentos

O debate realizado nesta quarta, 7, na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado sobre a faixa de 2,5 GHz serviu para consolidar as posições dos diferentes setores sobre o tema.

Para João Reino, presidente da operadora de MMDS Acom, segunda maior operadora do serviço no Brasil, a força política das operadoras móveis tem funcionado a favor da mudança da destinação da faixa. "O lobby das celulares é muito maior do que o nosso. Nós estamos sofrendo muito; estamos há três anos investindo nessa insegurança", protestou o executivo. Segundo o presidente da Neotec, Carlos André Albuquerque, as negociações das empresas de MMDS com a Anatel não avançaram até agora. E, se a proposta for mantida como está, essas operadoras estarão fadadas a fechar.

"Como um empresário faz investimentos em um setor de capital intensivo com instabilidade regulatória e políticas de desincentivo? Porque a CP 31 é isso: um desincentivo", reclamou Albuquerque, referindo-se à consulta pública sobre a mudança de faixa. "Caso isso prevaleça, será o fim do MMDS no Brasil", acrescentou.

Triple play

Para o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg, o maior derrotado com uma decisão desfavorável ao MMDS será o consumidor de serviços de telecomunicações. Annenberg defendeu a necessidade de a agência reguladora assegurar que as empresas ofereçam a seus clientes o famoso "triple play", pacote de serviços conjugados de voz, vídeo e dados. Essa oferta conjugada pode trazer benefícios para o consumidor, na visão do executivo, além do papel estratégico das empresas de MMDS na expansão das políticas de inclusão digital. "O MMDS é o meio para se fazer a inclusão digital no Brasil. É por isso que ele precisa desse dito 'latifúndio' de radiofrequência", afirmou Annenberg, rebatendo as críticas de que a fatia de 190 MHz no 2,5 GHz destinada hoje à TV por assinatura seria grande demais para a execução desse serviço.

Para celulares, faixa de 2,5 GHz é fundamental para quarta geração

Se as empresas de MMDS protestam sobre a redução de seu espaço no 2,5 GHz – que passaria dos atuais 190 MHz para apenas 50 MHz -, as operadoras móveis também insistem em seu posicionamento de que, sem essa fatia do espectro, o Brasil ficará para trás na corrida pela quarta geração da telefonia celular, o 4G. Foi isso que se viu na audiência pública sobre a faixa de 2,5 GHz realizada nesta quarta, 7, na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.

O vice-presidente de Políticas Públicas da GSM Association (GSMA), Ricardo Tavares, alertou para a necessidade de que exista espaço para as móveis no 2,5 GHz para que as empresas possam investir na tecnologia LTE o mais rápido possível e, assim, aproveitar os ganhos de escala gerados pela migração de vários outros países para esta plataforma 4G. "O LTE é a tecnologia que garante eficiência para a comunicação móvel", afirmou Tavares.

Investimentos

O executivo da GSMA disse ainda que o setor tem exigido vultosos investimentos para a expansão da rede de forma a atender a crescente demanda por conexões móveis para o tráfego de dados. Segundo ele, as empresas celulares investiram praticamente todo o seu lucro nos próximos anos para assegurar esse crescimento.

O presidente da Acel, Luiz de Melo Júnior, também citou a baixa rentabilidade da telefonia móvel como um dos aspectos que não pode ser deixado de lado nessa discussão. Segundo Melo, a operação móvel é um ramo de capital intensivo e "o lucro não é tão alto assim". Apesar disso, as empresas têm aplicado muitos recursos no crescimento da planta e já teriam investido R$ 66 bilhões na última década. O presidente da Acel comparou o setor de telefonia celular com outros setores de infraestrutura (como a indústria de petróleo) para mostrar a importância econômica desse serviço para o país. E voltou a comparar a clientela da telefonia celular (mais de 176 milhões) com os consumidores de MMDS (aproximadamente 350 mil) para dizer que a telefonia móvel é o grande veículo de inclusão digital do país.