Governo adia novamente decisão sobre PNBL

Mais uma vez o governo não conseguiu concluir o projeto que dará base ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Seis ministros estiveram nesta quinta-feira, 8, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o plano, mas nada foi decidido concretamente. Por volta das 19h, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, fez um breve comentário sobre o encontro, mas calou-se sobre o quê já estaria pacificado no projeto. "Fizemos uma reunião sobre o assunto e avançamos bastante, mas tem alguns pontos que precisam ser elucidados", afirmou o ministro.

Sobre o uso da Telebrás como gestora das redes públicas que serão utilizadas dentro do PNBL – um dos aspectos mais polêmicos do projeto -, Bernardo foi ainda mais lacônico. Ao ser questionado se a revitalização da estatal estaria entre os "avanços" obtidos na reunião, o ministro disse apenas que "a Telebrás faz parte dos itens que estamos discutindo". Bernardo não quis contar quais os aspectos que ainda precisam ser esclarecidos no plano, alegando que isso seria divulgar uma "não notícia".

Nova reunião

O encontro de desta quinta ocorreu em duas etapas, pois o presidente Lula precisou interromper a discussão para cumprir agenda diplomática com o presidente de Mali. A reunião, que teve inicio por volta das 10h, foi suspensa em torno do meio dia e retomada apenas às 17h. Ao todo, foram aproximadamente quatro horas de conversas dos ministros e outras autoridades com Lula sobre o PNBL.

Não há data confirmada para um novo encontro sobre o assunto. O ministro Paulo Bernardo disse que Lula irá viajar no domingo e só retornará à Brasília na quinta-feira da próxima semana, dia 15. Assim, a expectativa é que uma nova reunião ocorra no dia 15, caso haja espaço na agenda presidencial.

Sem anúncio

Pela manhã, havia a expectativa de que o governo decidiria ainda nesta quinta o modelo de implantação do PNBL. Tudo porque o assessor de Inclusão Digital da Presidência da República, Nelson Fujimoto, chegou a anunciar em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados que Lula bateria o martelo sobre o projeto ao final da reunião e, a partir daí, o governo abriria um debate com a sociedade sobre as metas de curto (2010), médio (2012) e longo (2014) prazos de implementação do plano. Segundo o assessor, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, anunciaria as bases do projeto em coletiva à imprensa nessa sexta-feira, 9.

Mas a agenda divulgada por Fujimoto foi frustrada pela reunião sem decisões realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do governo. Como o ministro Paulo Bernando admitiu que o debate pode ser retomado a partir da próxima semana, a ideia de um anúncio oficial foi descartada antes disso.

Além de Bernardo, participaram da reunião os ministros Erenice Guerra (Casa Civil), José Arthur Filardi (Comunicações), Juca Ferreira (Cultura), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Franklin Martins (Comunicação Social). Também estiveram no encontro o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg; o presidente do BNDES, Luciano Coutinho; o presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz; e as pastas da Saúde, Fazenda e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior foram representadas por seus secretários executivos. Os dois principais articuladores do PNBL, Cezar Alvarez (Presidência) e Rogério Santanna (Planejamento) fecham a lista de participantes da reunião com Lula.

BNDES sugere que Oi seja usada como gestora do PNBL

A reunião realizada nessa quinta-feira, 8, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu ministros e outras autoridades sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), reservou algumas surpresas até mesmo para a cúpula do governo. A nova variável veio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que se manifestou publicamente em favor de que o governo use a Oi para implantar a política pública de acesso à Internet. O presidente do banco, Luciano Coutinho, sugeriu que seria mais fácil para o governo usar a concessionária do que revitalizar a Telebrás ou usar qualquer outra estatal. Vale lembrar que o BNDES é acionista da Oi e, juntamente com os fundos de pensão, controla 49% do capital votante da operadora.

A proposta pegou boa parte dos participantes desprevenida, uma vez que as empresas privadas foram ouvidas várias vezes ao longo da construção do plano e, apesar de parcerias terem sido consideradas no projeto, em momento algum se levantou concretamente uma proposta de que a Oi fizesse todo o trabalho de massificação da banda larga.

Coutinho disse às demais autoridades da reunião que a Oi teria um bom plano de expansão do serviço e, por isso, deveria ser ouvida pelo governo. Ressaltou ainda o fato de o BNDES ter participação na empresa, o que daria algum poder do governo sobre a concessionária, apesar da posição minoritária. Em princípio, a proposta do BNDES – feita apenas agora, meses depois do início das negociações – não foi bem vista por muitos participantes da reunião.

Mesmo assim, Lula achou por bem atender ao pedido de Coutinho e deslocou uma equipe para ouvir a proposta da empresa. O encontro deverá ocorrer nesta sexta, dia 9, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do governo.

Governo adia decisão sobre banda larga novamente

As definições que se esperavam para ontem sobre o Plano Nacional de Banda Larga foram novamente adiadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve reunido ontem (8) por boa parte do dia com sua equipe e não bateu o martelo sobre a questão alegando que ainda há questões a serem elucidadas. Uma nova reunião para tratar do assunto ainda não está agendada.

 

Sabe-se que na reunião surgiram algumas informações novas, como a possibilidade da empresa Oi atuar como protagonista na massificação da banda larga no país. A proposta teria sido defendida inclusive pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Também foi divulgado na imprensa que o Ministério da Fazenda teria apresentado restrições à reestruturação da Telebrás para gerenciar a rede de fibras que o governo possui. 

 

Estavam na reunião sete ministros, além do presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg; o presidente do BNDES, Luciano Coutinho; o presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz; o assessor da presidência, César Alvarez; o secretário do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna e alguns outros secretários.

 

 

 

Portaria abre caminho para decisão sobre rádio digital

Em uma de suas últimas ações à frente do Ministério das Comunicações, o ex-ministro Hélio Costa publicou, em 31 de março, portaria que cria o Sistema Brasileiro de Rádio Digital. Apesar de conter resoluções genéricas e não apontar, como pretendiam as empresas de comunicação, o padrão tecnológico a ser utilizado na digitalização do rádio no Brasil, ela abre caminho para uma tomada de decisão. Entidades da sociedade civil, no entanto, acreditam que o processo tocado pelo ministério tem sido pouco transparente e injustificadamente apressado.

Apesar de existirem vários padrões tecnológicos para a digitalização dos sinais de transmissão, o governo tem concentrado esforços em testar apenas dois. O primeiro é o HD Radio/Iboc, de propriedade da empresa estadunidense Ibiquity. O segundo é o DRM (Digital Radio Mondiale), desenvolvido por um consórcio internacional e adotado em alguns países da Europa, Índia e Rússia. Ambos apresentaram até agora algumas qualidades e defeitos consideráveis.

A Portaria 290/2010 recém publicada pelo Minicom não traz a definição por nenhum modelo tecnológico porque os testes com as duas tecnologias ainda não se encerraram. Segundo a secretária de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Beatriz Abreu, a expectativa é que pesquisadores de universidades brasileiras, a partir dos estudos, criem um sistema brasileiro, que pode ter como base o HD Radio/Iboc, dos Estados Unidos, ou o DRM, da Europa.

Segundo informa o site do ministério, os testes com os dois padrões devem prosseguir por aproximadamente dois meses. Em seguida será feito um relatório técnico, que será analisado por um grupo de trabalho do Minicom, que envolve também universidades como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade de Brasília (UnB), o Centro de Estudos em Telecomunicações da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Cetuc), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro). Depois da aprovação do ministro das Comunicações, o presidente da República tomará a decisão final.

Dois sistemas ao mesmo tempo

Com a indefinição em torno dos padrões, chegou-se a cogitar que uma das soluções seria o ministério decidir que os dois sistemas – HD Radio/Iboc e DRM – funcionassem ao mesmo tempo no país. O HD Radio, que teria se mostrado mais eficiente para a FM, e o DRM, que teria sido mais robusto para operar em AM. Com isso, os cidadãos também deveriam comprar equipamentos diferentes nos dois casos. No entanto, a portaria deixa claro que isso não irá acontecer. O texto diz que para o serviço de radiodifusão sonora em Onda Média (OM) e em Frequência Modulada (FM) deve ser adotado padrão que possibilite a operação eficiente em ambas as modalidades do serviço.

Mas essa é uma das poucas informações objetivas contidas na portaria (veja a íntegra da medida abaixo). De resto, ela estabelece 14 objetivos para o Sistema Brasileiro de Rádio Digital. Alguns importantes como “promover a inclusão social, a diversidade cultural do País e a língua pátria por meio do acesso à tecnologia digital, visando à democratização da informação” e “propiciar a transferência de tecnologia para a indústria brasileira de transmissores e receptores, garantida, onde couber, a isenção de royalties”.

A portaria causou impressões diferentes. Para a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), uma das entidades que tem cobrado uma decisão rápida do governo sobre o padrão, o sinal do governo foi positivo. “A decisão [da portaria] significa mais um passo dado no processo de definição do padrão a ser adotado pelo Brasil, o que permitirá às emissoras de rádio ingressar na era digital”, diz o presidente da Associação, Daniel Slaviero, ao site da Abert.

Já Arthur William, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, avalia que o fato de a portaria ter ficado genérica pode indicar que o governo esteja deixando a decisão sobre o padrão nas mãos do mercado. “Ela abre espaço para que cada emissora comece a fazer testes e a transmitir pelo padrão que ache mais interessante”, diz Arthur.

 

A avaliação de Arthur é corroborada por uma fala do próprio Hélio Costa, que dias antes de deixar a função de ministro disse: "Estamos dando o caminho para que as empresas, com seus técnicos e com apoio valiosíssimo da Anatel e do Ministério das Comunicações, possam concluir por um sistema que vai poder atender a necessidade brasileira.”

DRM x Iboc

Enquanto segue incerto o padrão que será adotado no Brasil, pesquisadores e entidades vão formando suas opiniões sobre o assunto. A Abert, por exemplo, já demonstrou sua preferência pelo sistema HD Radio/Iboc. Argumenta que esta tecnologia, além de permitir que as emissoras continuem funcionando nas mesmas frequências atuais, é mais barata que o DRM. Segundo a associação, enquanto os equipamentos de transmissão do modelo americano custam cerca de US$ 35 mil, o europeu fica entre US$ 70 mil e US$ 90 mil. Algumas das 4,5 mil emissoras comerciais de AM e FM já adquiriram equipamentos para migrar do modelo analógico para o digital.

Para o representante do Intervozes, a questão do custo deve ser relativizada, pois tanto o HD Radio quanto o DRM são “pacotes fechados” que dificultariam o uso de equipamentos compatíveis a eles pela indústria brasileira. Além disso, o Iboc é um padrão proprietário e seria necessário pagamento de royalties pelo seu uso. Mas para Arthur William esses fatores geradores de custos poderiam ser amenizados caso houvesse acordos e parcerias entre o governo brasileiro e os desenvolvedores das tecnologias. Ele também defende que é importante a realização de testes com outros padrões, como o ISDB-TSB (japonês), o DAB+ (europeu) e o DMB (coreano). “O Brasil precisa entender e testar todos os padrões”, diz.

A questão financeira é ainda mais importante se analisadas as dificuldades que terão as pequenas rádios privadas e também as emissoras públicas do país para fazer a transição para o modelo digital. Esse é um dos motivos que faz a Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) descartar a adoção do HD Radio/Iboc, que cobra royalties pelo seu uso. Além disso, esse padrão não garante a possibilidade de se ampliar o número de canais no dial. “É preciso ter mais espaço no espectro para mais canais. Hoje, as rádios comunitárias têm apenas um canal por localidade”, lembra Josué Franco Lopes, coordenador de Comunicação da Abraço. A entidade defende a criação de um padrão digital nacional para as rádios.

Para que a digitalização amplie o número de emissoras é preciso também que, além de uma solução tecnológica, se tenha vontade política. Para Arthur William, não se pode repetir o que ocorreu na definição do padrão para a TV digital, onde não houve abertura de licitação para novos concorrentes e os canais digitais foram concedidos aos atuais concessionárias. Por esta razão, o decreto que criou o Sistema Brasileiro de TV Digital está sendo contestado em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (saiba mais).

Segundo Arthur, é preciso compreender que o rádio digital é um novo serviço e, por isso, sua implementação exigiria a abertura de novas concessões.

Tempo

O processo que está sendo conduzido pelo Minicom para a escolha do padrão também não tem agradado alguns setores da área. A condução está sendo criticada por entidades como a Abraço, o Intervozes, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e a Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub).

“A escolha do padrão não pode se limitar a um debate técnico e não pode ser decidido em um gabinete fechado. Preferimos que demore mais um pouco, desde que tenha mais controle social nesse processo”, opina o presidente da Arpub, Orlando Guilhon. As entidades cobram uma participação mais efetiva nas discussões sobre o tema que estão sendo feitas no governo.

Uma definição correta neste momento pode ser fundamental para uma revitalização do rádio no país. Além de possibilitar o surgimento de novas emissoras, a digitalização vai melhorar significativamente a qualidade da transmissão, fazendo por exemplo que o áudio dos veículos que operam em AM sejam equivalentes ao do FM e que este soe como o som de um CD. Isso sem falar nos novos serviços agregados que podem surgir a partir do momento que se consiga transportar imagens e textos pelas ondas do ar e criar interatividade do ouvinte com o emissor.

No Brasil, existem cerca de 250 milhões de receptores de rádio funcionando, que estão presentes em em 86% das residências do país. São 4.339 emissoras de rádio comerciais e 3.865 rádios comunitárias, segundo dados de novembro do Ministério das Comunicações. Das emissoras comerciais, 2.425 funcionam no FM, 1.774 são AM, 74 operam em ondas tropicais e 66 em ondas curtas.

**********
PORTARIA No- 290, DE 30 DE MARÇO DE 2010

Institui o Sistema Brasileiro de Rádio Digital – SBRD e dá outras providências.

O MINISTRO DE ESTADO DAS COMUNICAÇÕES, no uso das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso IV, da Constituição, e considerando o  disposto no art. 27, inciso IV, alínea "b", da Lei no 10.683, de 27 de maio de 2003, resolve:

Art. 1o Fica instituído, por esta Portaria, o Sistema Brasileiro de Rádio Digital – SBRD.

Art. 2o Para o serviço de radiodifusão sonora em Onda Média (OM) e em Frequência Modulada (FM) deve ser adotado padrão que, além de contemplar os objetivos de que trata o art. 3o, possibilite a operação eficiente em ambas as modalidades do serviço.

Art. 3o O SBRD tem por finalidade alcançar, entre outros, alcançar os seguintes objetivos:
I – promover a inclusão social, a diversidade cultural do País e a língua pátria por meio do acesso à tecnologia digital, visando à democratização da informação;
II – propiciar a expansão do setor, possibilitando o desenvolvimento de serviços decorrentes da tecnologia digital como forma de estimular a evolução das atuais exploradoras do serviço;
III – possibilitar o desenvolvimento de novos modelos de negócio adequados à realidade do País;
IV – propiciar a transferência de tecnologia para a indústria brasileira de transmissores e receptores, garantida, onde couber, a isenção de royalties;
V – possibilitar a participação de instituições brasileiras de ensino e pesquisa no ajuste e melhoria do sistema de acordo com a necessidade do País;
VI – incentivar a indústria regional e local na produção de instrumentos e serviços digitais;
VII – propiciar a criação de rede de educação à distância;
VIII – proporcionar a utilização eficiente do espectro de radiofreqüências;
IX – possibilitar a emissão de simulcasting, com boa qualidade de áudio e com mínimas interferências em outras estações;
X – possibilitar a cobertura do sinal digital em áreas igual ou maior do que as atuais, com menor potência de transmissão;
XI – propiciar vários modos de configuração considerando as particularidades de propagação do sinal em cada região brasileira;
XII – permitir a transmissão de dados auxiliares;
XIII – viabilizar soluções para transmissões em baixa potência, com custos reduzidos; e
XIV – propiciar a arquitetura de sistema de forma a possibilitar, ao mercado brasileiro, as evoluções necessárias.

Art. 4o Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

Marcos regulatórios: Quem tem medo do debate?

[Sobre comentário para o programa radiofônico do OI, 7/4/2010]

Os feriados de Páscoa e as fortes chuvas no Rio deixaram para trás um assunto que voltou a ferver na semana passada. Outra vez, mais uma vez, uma vez mais a polêmica em torno da terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), anunciado em dezembro passado e mal digerido pela mídia nos meses seguintes, em especial nos tópicos relativos à responsabilidade social da mídia.

A pendenga avivou-se em meados de março, numa reunião ocorrida na Federação do Comércio, em São Paulo, com a presença de dirigentes de entidades empresariais da indústria da comunicação, quando o PNDH apanhou sem dó nem piedade de todos os palestrantes [ver "Os outros direitos humanos" (rolar a página)]. Foi ali, naquele encontro, que a presidente da Associação Nacional de Jornais, Judith Brito, afirmou que os meios de comunicação no Brasil "estão fazendo, de fato, a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada".

De longe, de perto

A frase infeliz repercutiu a torto e a direito, deu munição farta aos que veem na mídia um inimigo a ser eliminado, e recebeu tradução livre do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que na terça-feira (30/3) afirmou, segundo a Folha de S.Paulo, que a presidente da ANJ "fala exatamente o que eu vinha dizendo como crítica. (…) `Na situação atual, em que os partidos de oposição estão muito fracos, cabe a nós dos jornais exercer o papel dos partidos´".

No mesmo dia a dirigente patronal rebateu o ministro, sublinhando que é papel da ANJ "defender a liberdade de expressão frente às seguidas tentativas do governo de criar regras para controlar os veículos de imprensa e os jornalistas". E deu como exemplos o projeto do Conselho Nacional de Jornalismo, as recomendações da Conferência Nacional de Comunicação e os pontos polêmicos do próprio Programa Nacional de Direitos Humanos.

Visto de longe, parece que estamos no limiar de atos institucionais ou da promulgação de decretos-lei. Visto de perto, são todas medidas – por mais polêmicas que sejam – que defendem a criação de marcos regulatórios, de alguma regulação que seja, sobretudo e principalmente para os canais de radiodifusão, que operam sob regime de concessão pública. Medidas que, ao fim e ao cabo, dependem de discussão e aprovação pelo Congresso Nacional – um "pequeno detalhe", aliás, convenientemente esquecido pelos críticos.

Por que, afinal, ter medo desse debate?

* Luiz Egypto é redator chefe do Observatório da Imprensa.