Banda Larga: Governo admite que acesso a R$ 35 só virá em 2011

Com o avançar dos meses, a expectativa de implantar ainda em 2010 o Plano Nacional de Banda Larga foi redimensionada. Já é certo que o plano não poderá com novos recursos de Orçamento, além dos cerca de R$ 280 milhões da já realizada Capitalização da Telebrás e de verbas para programas ministeriais de alguma forma voltados para inclusão digital.

Não é por menos, portanto, que o coordenador dos programas de inclusão digital do governo federal, Cezar Alvarez, já fala no lançamento de uma primeira etapa do PNBL. "O Plano Nacional de Banda Larga será algo de 4, 5, 10 anos. O que estamos fazendo é lançar uma primeira fase", afirmou Alvarez, que nesta terça-feira, 27/4, participou de audiência pública na Câmara dos Deputados.

Por isso, além do prazo reduzido – lembrando que 2010 é ano eleitoral – o projeto piloto que inicialmente previa experimentar o PNBL em 300 cidades, sendo 23 capitais, foi reduzido para 100 cidades e 17 ou 18 sedes estaduais. Mais do que isso, o governo já sabe que os brasileiros não terão como comprar acesso à internet até o teto de R$ 35 ainda este ano.

"Até reconstituir uma Telebrás, ou criar uma nova empresa, contratar os funcionários, fazer licitação, comprar equipamentos de rede, enfim, é algo que deve levar algum tempo", reconheceu o coordenador dos programas de inclusão digital.

Mas a falta de novos recursos do Orçamento não impedirá que haja dinheiro para a ampliação das redes e mesmo para a prestação de serviços. Isso porque haverá uma linha de crédito do BNDES de aproximadamente R$ 5 bilhões, a ser disponibilizada tanto para os eventuais parceiros privados, como pela própria estatal que vai gerenciar o PNBL.

Esse dinheiro será importante uma vez que o governo tentará avançar na infraestrutura ainda este ano. "Teremos backhaul próprio", garante Cezar Alvarez. O coordenador reitera, porém, que há interesse em compartilhamento das redes de empresas privadas, de forma a evitar duplicação.

"Se estou forçando as empresas a compartilhar redes, não vou ficar duplicando infraestrutura", afirmou, tocando num dos pontos que farão parte do plano dentro dos instrumentos regulatórios, como o unbundling (desagregação de redes).

Alvarez sustenta que o objetivo "é basicamente, se possível exclusivamente, atuar no atacado". Mas admite o provimento de acesso em casos excepcionais. "Nós não queremos fazer a última milha, mas se ninguém quiser levar, ou cobrar uma exorbitância, tenho uma responsabilidade pública", disse.

Outra possibilidade é a venda de conexões para clientes corporativos ou que recebam tratamento similar no provimento, como prefeituras ou mesmo lan houses. Nesse caso, seria como a venda de linha dedicada.

No campo tributário, Alvarez explicou que haverá desonerações de Fust e Fistel, mas que elas não se darão de forma "universal". "Não haverá desoneração incondicional. Eventuais desonerações de Fust e Fistel, parciais ou totais, estarão vinculadas a determinados serviços", disse.

O próprio Alvarez e a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, terão ainda nesta terça-feira, 27, uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva onde pretendem avançar nos pontos que faltam ser decididos sobre o PNBL. Em especial, vão apresentar uma lista de prós e contras o uso da Telebrás, do Serpro ou a criação de uma nova empresa para gerir o plano.

Na noite desta terça-feira, no entanto, por meio de comunicado à imprensa, o Palácio do Planalto informou que 'em função de agenda, não houve tempo para discutir Banda Larga no despacho do presidente Lula com a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra.

Comissão de lan houses apresenta projeto de lei até 20 de maio

O presidente da Comissão Especial dos Centros de Inclusão Digital (lan houses), deputado Paulo Teixeira (PT-SP), adiantou hoje em audiência pública que o relator do colegiado, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), vai apresentar no próximo dia 20 de maio a primeira versão de um projeto de lei que regulamenta esse tipo de estabelecimento no País. Na data, a comissão realiza nova audiência em São Paulo e, no dia seguinte, no Rio de Janeiro.

Teixeira antecipou que a nova legislação deverá prever uma base tributária pequena para as lan houses, assim como incentivos fiscais na compra de softwares e equipamentos. "Devemos dar maior formalidade, regularidade e incentivo a esse tipo de atividade", afirmou.

O presidente adiantou também que a proposta deverá tratar da localização das lan houses, que hoje, segundo algumas leis municipais, devem ficar a uma distância mínima de um quilômetro das escolas. A ideia é uniformizar a regra em todo o País. De acordo com o deputado, a proposta deve ainda garantir às lan houses nas conexões à internet de banda larga. "Já que há muitas legislações restritivas, vamos na direção do fim dessas restrições. Também vamos buscar resolver o problema da frequência de crianças e adolescente [a esses locais]", acrescentou.

Incentivos à atividade

O coordenador do Programa de Inclusão Digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, ressaltou que, na regulamentação, o projeto deve qualificar as lan houses, hoje consideradas casas de jogos. "É consenso em vários estudos que as lan houses são espaços sociais e culturais e de inclusão digital. Portanto, a atuação do Poder Público deve ser para qualificar esses espaços, em áreas como educação, formação de redes, prestação de serviços em geral e suporte a serviços públicos", ressaltou.

Segundo Alvarez, apenas 1% das lan houses é completamente regular. Para ele, uma das causas do grande número de estabelecimentos irregulares pode ser o alto custo dos processos de legalização, que, de acordo com o coordenador, chegam a 10% dos custos totais dos empreendimentos. "Por isso, o governo tem de oferecer parcerias e benefícios, como financiamentos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], uso do vale-cultura nesse espaços, incentivos e subsídios", argumentou.

Classificação das lan houses

Cesar Alvarez anunciou na audiência pública que as lan houses terão nova classificação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como são considerados casas de jogos, esses estabelecimentos têm o processo de legalização dificultado, pois é necessário um alvará do Juizado de Menores para funcionarem. Esse alvará, segundo representantes do setor, dura apenas 180 dias e pode demorar até 28 meses para ser expedido. Com essa classificação, as lan houses também não conseguem benefícios tributários e fiscais concedidos a outras atividades econômicas.

 

De acordo com Alvarez, a reclassificação já foi aprovada pelo Ministério da Fazenda e deve ser adotada nos próximos dias.

Proteção a crianças e adolescentes

O delegado da Polícia Federal responsável pela unidade de repressão aos crimes cibernéticos, Carlos Eduardo Miguel Sobral, também reconheceu a importância das lan houses, mas defendeu a adoção de medidas de proteção a crianças e adolescentes e de combate a crimes virtuais. Ele sugeriu, por exemplo, que a nova lei determine modificações nos computadores a serem utilizados por crianças, de forma que haja controle do acesso a conteúdos impróprios.

Segundo Sobral, também poderiam ser adotados programas que registrem os sites navegados pelas crianças. Os dados, dessa forma, ficariam disponíveis para os pais por um período determinado. "Seria possível ainda condicionar o acesso de crianças à internet em lan houses a cadastramento e autorização dos pais", propôs.

Após decisão do Supremo, MTE registra mais de mil jornalistas sem diploma

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já contabiliza 1098 registros de jornalistas sem graduação específica na área, após a decisão do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a obrigatoriedade de diploma para exercer a profissão.

A emissão de registro para jornalistas sem graduação passou a ser adotada pelo MTE no início deste ano, após publicação do acórdão da decisão. A orientação é de que os profissionais formados sejam registrados como “Jornalista Profissional”, e os sem diploma, “Jornalista/Decisão STF”.

O estado que mais emitiu o registro para não diplomados foi São Paulo, com 554 emissões. A lista segue com Minas Gerais (113) e Distrito Federal (70). O único estado que ainda não emitiu esse tipo de registro foi o Amapá. Os dados contabilizam registros emitidos até o dia 09/04.

Para o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murilo de Andrade, o número não altera a posição dos sindicatos em defender ou não a filiação de não diplomados. “É bom lembrar que já temos um estoque de quase 15 mil precários, por liminar. Esse novo número não altera a posição dos sindicatos em lutar pela regulamentação da profissão”, declarou.

Andrade acredita que o número de jornalistas sem graduação na área tende a crescer ainda mais. “Não me surpreende esse número, achei que até poderia ser maior. Tenho a impressão que irá crescer cada vez mais, porque o Ministério do Trabalho não tem critérios para o registro, basta estar vivo”, critica.

Sobre os direitos que esses novos jornalistas pretendem desfrutar, o presidente da Fenaj diz que a questão deve ser polêmica. “Os direitos desses jornalistas agora é problema do Congresso Nacional, digo da Câmara e do Senado. Eles que terão que saber o que fazer com esse estoque de jornalistas sem formação”, conclui.

Para Ipea, governo deve liderar universalização da banda larga

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o acesso à banda larga no país reafirma a necessidade de o Estado assumir a responsabilidade de liderar a universalização do acesso à internet em alta velocidade. Em meio ao vai e vem do governo em definir o Plano Nacional de Banda Larga, os responsáveis pelo estudo do Ipea foram cuidadosos. Ao apresentar recomendações, o fizeram de forma bastante genérica e a conclusão principal é que “políticas de massificação de banda larga devem ser implementadas de modo integrado”.

Mas o Comunicado Ipea 46 publicado esta semana, com os resultados da pesquisa, e as declarações feitas pelos pesquisadores durante sua apresentação dão a entender que o ponto central de uma necessária revisão das políticas do setor é colocar o acesso à internet em alta velocidade na condição de serviço essencial. No documento, no trecho em que tratam das “recomendações para melhoria do Plano Nacional de Banda Larga”, os pesquisadores anotam que “toda a discussão sobre a massificação da banda larga diz respeito a um serviço que – formalmente falando – ainda não é considerado juridicamente 'essencial'”.

No estudo, os pesquisadores não fazem afirmações diretas sobre o tema. Mas é fácil entender que a formalização desta condição faria parte da modernização do arcabouço jurídico-regulatório ali defendido. Segundo a pesquisa, as regras do setor de telecomunicações estão “enfrentando a prova do tempo” essencialmente porque prevêem apenas a telefonia fixa como serviço essencial e esta tem sido suplantada em importância pelo acesso à banda larga.

Na coletiva que apresentou o estudo, as afirmações foram mais objetivas em relação à necessidade de incluir as operadoras de banda larga no regime público de prestação do serviço, impondo metas de universalização e qualidade, o comprometimento com a modicidade tarifária e com a garantia da continuidade. “A equipe é simpática à mudança para o regime público, porque se todos nós estamos aqui, falando disso, é porque este serviço é cada vez mais importante e isso só tende a aumentar”, afirmou Luís Carlos Kubota, um dos técnicos responsáveis pela pesquisa. A razão para esta simpatia é explicada pelo próprio Kubota: “O governo tem limitações para fazer cobrança às operadoras, cobranças que estão previstas no regime público.”

Veja a íntegra do estudo do Ipea.

Governo divulga entidades que serão apoiadas pelo programa Telecentros.BR

O Ministério do Planejamento divulgou nesta terça-feira (27) os 63 projetos selecionados na primeira fase do Programa Nacional de Apoio à Inclusão Digital – Telecentros.BR, que propõe a criação de 6.508 novos telecentros  e fortalecimento de 3.514 unidades já existentes. No total, foram apresentadas 1.071 propostas no primeiro edital do programa, lançado do mês de fevereiro.

O programa, que receberá investimentos de R$ 165 milhões, vai oferecer equipamentos de informática novos e recondicionados, mobiliário, conexão à internet em banda larga, além de bolsas e formação para monitores.

A seleção das propostas foi feita em conjuntos pelos ministérios da Ciência e Tecnologia, das Comunicações e do Planejamento, que coordenam o programa. Foram escolhidas aquelas que cumpriram procedimentos de inscrição e estão dispostas a implantar e manter ao menos 10 telecentros sob as diretrizes de funcionamento do Programa.

A avaliação considerou também o grau de apoio das proponentes aos telecentros, a experiência prévia e capacidade de continuidade, além da localização das unidades de maneira coincidente a políticas federais prioritárias e a abrangência populacional.

Veja a lista das entidades selecionadas:

IGES – Instituto de Gestão Social do Terceiro Setor
Ministério da Integração Nacional
Fundação Municipal de Educação de Niterói (RJ)
Prefeitura Municipal de Cariacica (ES)
GIRAL – Grupo de Informática, Comunicação e Ação Local
Movimento Ceará – Associação dos Educadores Populares do
Ceará
PRODABEL – Empresa de Informática e Informação do Município
de Belo Horizonte
MMA – Ministério do Meio Ambiente
IDEAR – Instituto para o Desenvolvimento Tecnológico e
Social
Prefeitura Municipal de Russas (CE)
Associação para o Desenvolvimento Tecnológico e Industrial do
Sudoeste do Paraná
Tanquinho Prefeitura (BA)
SECTI/ Governo do Estado da Bahia
PMPA SMDHSU CIDAT – Prefeitura de Porto Alegre (RS)
Fundação Banco do Brasil
Prefeitura Municipal de Vitória (ES)
Prefeitura Municipal de Campo Grande (MS)
Banco do Brasil
Prefeitura Municipal de Caxias do Sul (RS)
Sedect/ Governo do Estado do Pará
Casa de Cultura Tainã
Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal
Ministério do Desenvolvimento Agrário
Prefeitura de Novo Hamburgo (RS)
Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante (CE)
Associação de Resgate da Dignidade Humana Providência Divina
Ministério da Justiça
Prefeitura Municipal de Ivinhema (MS)
Prefeitura Municipal de Bauru (SP)
SEMED/ Prefeitura Igarapé-Miri (PA)
Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Inclusão / Prefeitura
Municipal de Osasco (SP)
AFFAS – Ação Faça uma Família Sorrir
PMVR – Prefeitura Municipal de Volta Redonda (RJ)
Prefeitura Municipal de Arapiraca (AL)
Censipam – Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção
da Amazônia
Prefeitura Municipal de Guarulhos (SP) – Secretaria do Trabalho
MPA – Ministério da Pesca
Prefeitura Municipal de Patos (PB)
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