Mais um capítulo na história da megalomania digital

Mark Zuckerberg quer dominar a internet. Seu plano tem método e se ancora na identidade de cada um. Há quase meio bilhão de pessoas que usam o Facebook com frequência. Estão entre os usuários mais ativos da internet. O Facebook sabe quem são os amigos destas pessoas, conhece seus hábitos de consumo e suas preferências culturais. Conforme mais e mais sites de serviço se aliam ao Facebook, mais o Facebook saberá sobre nossas vidas. E esta informação estará a venda.

O Facebook quer chegar ao ponto em que se alguém sabe quem é quem na internet, se uma única empresa sabe como vender o que para cada um de nós, será ele próprio. A identidade digital de todos nós será um perfil no Facebook.
Mark Zuckerberg não é o primeiro a querer dominar a internet. É só o último de uma história comprida que só. E o conceito de o que é “dominar a internet” tem variado um bocado.

Começou com a Guerra dos Browsers. Foram emocionantes os últimos anos da década de 90 do século passado. A web se popularizou por causa do primeiro software de navegação gráfico – o Mosaic. No topo da onda, o jovem estudante que havia escrito o programa se juntou ao fundador da Silicon Graphics e juntos eles puseram na rede o Netscape.

O raciocínio de Mark Andreessen, o programador, e Jim Clark, o executivo, era de que nossa base computacional deixaria de ser o sistema operacional do micro e pularia para a web. Um raciocínio ousado: nosso correio eletrônico, agenda, textos escritos, relatórios – tudo na web. A Microsoft, que tinha total monopólio do modelo antigo com seu Windows, entrou em pânico e partiu para a guerra aberta, total.

Embora o Explorer da Microsoft ainda esteja aí e o Firefox, baseado no Netscape, também tenha seguido uma carreira de sucesso, ambas perderam.

Assim como é irrelevante qual o sistema operacional que qualquer um use, hoje, tampouco importa qual o browser. Porque o domínio da internet passou a ser de outra ordem: quem controla o acesso a informação?

É o modelo Google que dominou os últimos dez anos. Conforme a internet cresceu, tornou-se impossível acompanhar toda informação em toda parte. E ao se transformar em site-centro de toda a internet, o Google foi além descobrindo um modelo de negócios.

Propaganda. E propaganda barata emaranhada nos resultados de busca a um custo de centavos por clique.

Logo os engenheiros perceberam que podiam ir além. Bastava oferecer serviços para donos de sites pequenos ou grandes. Caixas de busca, ferramentas de análise de tráfego, assinaturas por RSS. Tudo sempre uma boa desculpa para inserir um código do Google no site e, portanto, mais um pedaço da internet no qual o Google pode vigiar o usuário que passeia.

Com sua licença, venho postar um texto de Pedro Dória, na página online do Estado de S. Paulo que vale a pena: o Link. Uma boa reflexão sobre os tempos de internet, compartilhamento, tendências, privacidade, consumo e cultura… VALE!

Há uma diferença. O Google acompanha cada página visitada, consegue encaixar a propaganda certa para o usuário de acordo com seu padrão de navegação mas, muitas vezes, não sabe de quem se trata.

Para o Facebook, não basta. E um novo conceito de o que é dominar a internet nasce. Cada usuário que navega pela rede tem nome e sobrenome. E ferramentas começam a pipocar em sites diversos – o botão de “curtir” e o login são apenas o início.

Mas o que é realmente dominar a rede? Quem controla a estrutura de endereços da internet é o Departamento de Comércio dos EUA. Praticamente todas as interconexões de servidores são feitas por roteadores de uma só empresa, a Cisco. O governo chinês filtra quase tudo que seus cidadãos veem com considerável sucesso. A internet já tem quem a controle faz tempo.

* Luana Schabib é repórter da revista eletrônica Cultura e Mercado. Trabalhou por um tempo na revista Caros Amigos. Escreve sobre livros, pessoas, convergência e cultura. É o que chamam de analista de mídias sociais.

Processo de escolha de conselheiros da EBC recebe críticas

Em 28 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, por meio do Diário Oficial da União, os nomes de Ana Maria Veloso, Takashi Tome e Mario Augusto Jakobskind como os escolhidos para integrarem o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) por quatro anos. Os nomes dos três tiveram origem em um processo de renovação que iniciou com uma consulta pública, aberta à participação de qualquer organização social brasileira.

Apesar de a renovação do conselho inovar e abrir espaço para a participação, a condução geral do processo gerou críticas da sociedade civil. A principal delas é a de que a maneira de lidar com o resultado da consulta até chegar à indicação final pelo presidente, definida pelo próprio Conselho Curador, abriu espaço para que não fosse respeitada a ordem de indicações e a diversidade expressa pelo resultado da consulta, da qual participaram 65 organizações sociais. A decisão final sobre a composição do CC é uma prerogativa do presidente da República, definida na lei que criou a EBC.

As organizações puderam indicar até três candidatos ao cargo de conselheiro da EBC. Ao final da consulta, a lista de indicações contava com 47 pessoas. Embora já se soubesse que o número de votos recebidos não fosse um critério estabelecido nas regras do processo de renovação, a expectativa era que a ordem resultante da consulta fosse respeitada.

No entanto, as indicações recebidas por cada candidato não foram o critério definidor das três listas tríplices – uma para cada vaga no conselho – que saíram do Conselho Curador. De acordo com a presidente do CC, Ima Célia Vieira, essa lista de nove nomes – escolhidos entre os 47 indicados pela sociedade – foi feita pelo Conselho Curador a partir do enquadramento dos perfis nos seguintes critérios: diversidade regional, diversidade étnico-racial, diversidade de gênero e pluralidade de competências profissionais. O número de indicações que os candidatos haviam recebido também pesou, mas não foi determinante.

A partir destes critérios, os atuais conselheiros realizaram uma votação que definiu os nomes e a ordem das três listas enviadas ao presidente Lula. De acordo com Ima Célia, o regimento interno do Conselho Curador delega a este a função de acompanhar o processo de consulta pública. Na visão da maioria dos conselheiros, o acompanhamento iria além de simplesmente efetivar os nomes mais indicados pela sociedade civil.

Segundo apurou este Observatório, o presidente Lula apenas referendou os nomes daqueles que haviam obtido mais votos dentro do Conselho – Ana, Takashi e Jakobskind.

Na consulta pública, a jornalista pernambucana e ativista do movimento de mulheres Ana Veloso havia recebido 15 indicações, o maior número entre todos os candidatos. O engenheiro paulista Takashi Tome, pesquisador da área de telecomunicações, recebeu 12 votos. Já o jornalista carioca Mario Jakobskind havia recebido uma indicação.

Questão racial

Neste processo, duas representantes de organizações que lutam pelos direitos das mulheres negras, que haviam recebido significativo apoio na consulta pública e tiveram seus nomes incluídos nas listas enviadas ao presidente Lula, ficaram fora do conselho. “Infelizmente nós nos sentimos preteridas, excluídas”, diz Jacira Silva, do Movimento Negro Unificado e Fórum de Mulheres Negras. Ela acredita que o processo de consulta foi importante pela mobilização que gerou, mas entende que “não foi respeitada a voz da sociedade civil”.

A outra mulher negra da lista era Nilza Iraci Silva, coordenadora da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras. Ambas tiveram seus nomes incluídos na lista tríplice ao lado de Mario Jakobskind.

Atualmente o Conselho Curador só possui um negro, entre os 15 representantes da sociedade civil. É o produtor cultural e presidente do Olodum, João Jorge Santos Rodrigues. “É um número muito irrisório. Me parece que seria melhor ter mais negros e mais mulheres”, avalia. Dessa forma seria possível um olhar mais plural sobre a programação dos veículos públicos da EBC.

João Jorge lembra, por exemplo, que agora o conselho está sem nenhum representante indígena. Sobre a questão étnico-racial na programação da TV Brasil, o presidente do Olodum avalia que a grande novidade é o programa Nova África. “Mas na música ainda precisa incluir muita coisa além da Bossa Nova e do Jazz. Tem muito que andar, mas é um processo”, sintetiza.

Função

Segundo a lei que criou a EBC, é prerrogativa do Conselho Curador aprovar anualmente o plano de trabalho e a linha editorial da EBC, assim como observar a sua aplicação. Deve ainda acompanhar e fiscalizar a veiculação da programação, e suas indicações serão obrigatoriamente acolhidas pela Diretoria-Executiva.

Poderá ainda, por deliberação da maioria absoluta de seus membros, emitir voto de desconfiança à Diretoria ou a um dos diretores, sendo que a segunda advertência resultará necessariamente em afastamento do diretor censurado ou, se for o caso, de toda a diretoria.

Em sua primeira gestão, todos os 15 membros que representam a sociedade no Conselho Curador foram indicados diretamente pelo presidente da República. No fim de 2009, expirou o mandato de 8 destes conselheiros. Cinco deles indicaram que gostariam de permanecer no cargo e foram reconduzidos para um novo mandato de 4 anos. As três vagas preenchidas agora foram as primeiras a serem definidas com algum grau de participação da sociedade.

*** Para saber mais sobre o processo de renovação da EBC:
Conselho Curador da EBC elege nomes de listas tríplices para escolha de novos conselheiros
Definidos novos membros do Conselho Curador da EBC
Sai resultado da consulta pública para indicação de nomes ao Conselho Curador da EBC

TSE esclarece norma para debates em rádio e TV

Reproduzido do Comunique-se

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu nesta terça-feira (08/06) que apenas os candidatos de partidos com representação na Câmara dos Deputados e com pedido de registro junto à Justiça eleitoral poderão participar da definição de regras de debates em rádio e televisão nas eleições deste ano.

A posição foi tomada em resposta a consulta feita pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). A entidade questionava o quais candidatos deveriam ser consultados para a definição prévia das regras dos debates.

A resolução do TSE 23.191 prevê que as emissoras têm a obrigação de convidar para os debates apenas os candidatos com representação na Câmara, mas não versa sobre quais devem participar da elaboração das regras. O texto diz apenas que as normas devem ser aprovadas por pelo menos dois terços dos candidatos aptos. (Da Redação)

Provedores criam empresa para comprar banda em grande quantidade

Provedores de internet criaram uma empresa para comprar banda em grande escala e assim conseguir reduzir custos na negociação com fornecedores. A Unotel, que nasceu em 2006 como uma associação de provedores, hoje é uma Sociedade Anônima de capital fechado que tem cerca de 180 provedores sócios e vende capacidade de rede para mais de 300 companhias.

A dificuldade em conseguir capacidade de rede, o insumo principal de um provedor de internet, a preços razoáveis, é talvez a principal barreira de crescimento dos pequenos provedores. A Unotel procura trabalhar com fornecedores de porte médio e, como compra capacidade na casa dos Gbps, é um cliente importante para essas companhias, o que lhe dá não só condições melhores de negociação mas também um tratamento diferenciado. "Nossos provedores estavam nas mãos das operadoras. Depois que a Unotel foi criada e passamos a negociar banda na casa dos Gbps, elas estendem um tapete vermelho para você passar", afirma o diretor-presidente da Unotel, João José Ranzani.

Segundo ele, a empresa já dá lucro e o faturamento gira na casa dos R$ 1,5 milhão por mês. Hoje, a atuação da empresa é concentrada no norte de São Paulo e em Minas Gerais, estado onde nasceu a companhia. Ranzani, explica que a Unotel está em um processo expansão. Para conseguir a adesão de novos clientes e sócios, haverá encontro de provedores no Rio de Janeiro, depois em Fortaleza e por último em São Paulo, durante a Futurecom.

Valor agregado

A Unotel também está procurando diversificar o seu negócio, partindo para oferta de serviços de valor adicionado. A companhia tem uma solução de telefonia IP, em que o cliente/provedor não precisa adquirir nenhum equipamento a não ser aqueles que vão na casa do usuário final. "Para o provedor é só colocar o equipamento na ponta. É uma solução que usa cloud computing", explica o executivo. Outro serviço de valor agregado é uma solução de ERP, desenhada especificamente para o negócio dos provedores que contém análise da banda utilizada, billing de VoIP etc.

Além destes produtos, a Unotel ainda pode ajudar seus clientes na construção da última milha de suas redes. Esse trabalho pode ser feito de duas maneiras. Ou a companhia atua como se fosse um agente entre o provedor e o fornecedor e recebe uma participação por isso. Ou a própria Unotel faz o projeto e especifica os equipamentos para que um terceiro credenciado execute o serviço. "No geral, preferimos ser agente e ganharmos uma participação", diz Ranzani.

Telebrás

A Unotel não vê a reativação da Telebrás como uma concorrência para o seu negócio. Segundo o executivo, vários membros do conselho de administração da companhia se reuniram com Rogério Santanna, presidente da Telebrás, e a impressão que ficou é a Unotel poderá ser cliente da Telebrás.

A empresa tem hoje cerca de 25 funcionários diretos e transferiu sua sede de Lagoa Santa (MG) para São Paulo. E os planos são ambiciosos. Em dois ou três anos, a ideia é abrir o capital.

Bittar classifica de “panfletária” e “terrorista” a campanha da Sky contra o PL-29

O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) divulgou texto nesta terça-feira (8) combatendo o que ele chama de “campanha panfletária e terrorista” da Sky contra o PL 29/07, que unifica as regras da TV por assinatura e permite a entrada das teles nesse setor. Segundo o deputado, a exemplo do que já fez no passado, através de inserções na sua programação combatendo a proposição, agora está usando o e-mail de seus assinantes para “disseminar pânico e indispor sua clientela contra o projeto”, disse.

O mote da mensagem divulgada pela Sky é de que a política de cotas prevista no PL 29 vai encarecer o preço da assinatura do serviço. “Isso é mentira”, afirma Bittar. Ele esclarece que o projeto estabelece limites para que essa política não venha onerar as grades de programação.

Leia, a seguir, a íntegra da nota distribuída pelo parlamentar:

“Sky faz campanha panfletária e terrorista contra PL 29

Através de um panfleto de péssima qualidade enviado a seus assinantes, a Sky está fazendo uma campanha mentirosa e terrorista contra o PL 29. A exemplo do que já fez no passado, através de inserções na TV por assinatura sem dar oportunidade para que a verdade seja esclarecida, a Sky está disseminando pânico para indispor sua clientela contra o projeto.

Sem apresentar qualquer embasamento técnico, essa operadora internacional de capital estrangeiro afirma que a política de cotas vai encarecer o preço das assinaturas. Isso é mentira.

Junto com a política de cotas foi criada também uma política de fomento que irá agregar, anualmente, mais de R$ 400 milhões para que os produtores de audiovisual brasileiro possam realizar produtos de qualidade, como as séries Peixonauta (filme de animação para crianças que está fazendo um sucesso extraordinário), Filhos do Carnaval, Mandrake e tantas outras.

Além disso, foram estabelecidos limites para que as cotas não onerassem as grades de programação e, portanto, não viessem a causar qualquer impacto sobre o preço da TV por assinatura. A política foi calibrada exatamente para não onerar as empresas e, por via de conseqüência, os assinantes.

É importante lembrar que as cotas não se aplicam a todos os canais, mas apenas aos de conteúdo qualificado, tais como os de filmes, animação e documentários. Além disso, numa grade de pelo menos 35 horas semanais de horário nobre, a exigência de exibição de produto nacional se limita a três horas e trinta minutos por semana e é de absoluta liberdade dos programadores e produtores, ao contrário do que diz a Sky no panfleto quando veicula a falsa informação de que a Ancine vai determinar que tipo de produto será veiculado no horário nobre.
 
Ainda com relação ao preço, ao simplificar a licença de TV por assinatura o projeto permite que milhões de novos clientes tenham acesso a esse serviço, inclusive com pacotes populares, e propicia ganhos de escala. Dos atuais oito milhões de assinantes, o mercado poderá se expandir para mais de 30 milhões. Além do ganho econômico, isso significa levar conteúdos culturais nacionais e internacionais de qualidade e informações educativas para as crianças a preços decentes.

O que está por trás da campanha da Sky é uma tentativa desesperada de responder às denúncias que temos feito sobre sua atuação subterrânea no Congresso Nacional. Além de ser um distribuidor estrangeiro, defendendo seus interesses para continuar distribuindo conteúdos internacionais de qualidade discutível, a Sky representa também alguns programadores internacionais que fazem trabalho de qualidade duvidosa.
 
Os bons programadores internacionais têm dialogado conosco e reafirmado que não discordam de uma política criteriosa de cotas como a que fizemos. A Sky nunca se apresentou para o debate público, preferindo agir às ocultas na tentativa de cooptar parlamentares para a defesa de seus interesses meramente financeiros.

Em desespero de causa, frente às denúncias que fizemos sobre essa prática anti-ética, a Sky tenta agora espalhar pânico entre seus assinantes, induzindo-os ao erro de acreditar que serão prejudicados pela aprovação do PL 29.

Os efeitos do projeto, porém, saltam à vista de todos, uma vez que são extremamente benéficos para a cultura, para a geração de empregos e para os assinantes, que vão ter conteúdo brasileiro de qualidade, além do conteúdo internacional, a preços acessíveis.

Só temos a lamentar que apenas a Sky não perceba isso. E asseguramos que, a cada golpe baixo, continuaremos respondendo publicamente em defesa da democratização do setor de TV por assinatura no Brasil e do direito de todos os cidadãos à informação.

Jorge Bittar – deputado federal PT/RJ”