Profissionais do Jornal do Brasil reclamam de falta de informações

Os repórteres do Jornal do Brasil criticam a falta de informação da empresa sobre o fim da edição impressa do veículo. Os jornalistas dizem que só ficaram sabendo do encerramento da publicação por meio de notícias divulgadas em outros veículos. Os profissionais preferiram não se identificar, e aguardam um comunicado na intranet da empresa ou que a informação seja dada pessoalmente por alguém da direção.

De acordo com duas fontes, o clima na Redação é relativamente normal, e os jornalistas estão tentando manter o profissionalismo, já que a informação de que a empresa investirá apenas na edição online ainda não foi dada internamente.

Uma das fontes negou a informação divulgada pelo O Globo de que dois funcionários teriam passado mal com a notícia. “É compreensível que isso aconteça, mas ainda não aconteceu nada do tipo”.

Para outra jornalista, que diz que os repórteres trabalham normalmente, o clima não tem sido bom. “Pra mim, particularmente, o clima não está bom porque tenho um apego muito grande ao jornal”, lamentou.

Outro repórter confirmou que o último salário dos profissionais estaria atrasado. “Na sexta-feira (09/07) recebemos apenas R$ 800,00 do pagamento de junho e ainda não há previsão de quando devemos receber o restante”, explicou.

Sindicato deve acompanhar situação

O vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, Rogério Marques Gomes, disse que atrasos salariais no Jornal do Brasil eram constantes, mas que depois a empresa regularizava a situação com os funcionários. Para Gomes, o problema é outro. “A maior irregularidade do JB é a contratação de um grande número de jornalistas como Pessoa Jurídica (PJ)”.

Gomes lamentou a situação e disse que o sindicato está de “luto” pela decisão de Nelson Tanure, que anunciou a intenção de manter apenas a versão online do jornal. “Posso dizer que estamos de luto. É uma situação lamentável. Isso é péssimo para a democracia, porque o Rio de Janeiro fica numa situação de transmitir praticamente uma opinião só, a do grupo Globo”, destacou.

O dirigente afirmou que pretende se reunir com os demais membros da diretoria do sindicato para discutir os passos que devem ser tomados a partir de agora. “Estamos pensando em fazer alguma coisa para que essa decisão não se concretize, o que parece difícil, mas perder o JB é perder uma parte da história do Brasil”.

Caso o anúncio de Tanure se concretize, a entidade pretende acompanhar a situação dos jornalistas de perto. “Vamos acompanhar rigorosamente de perto, pra que não aconteça o que aconteceu com a TV Manchete”, enfatizou.

Governo quer conversor digital por R$ 17 mensais

Na última segunda-feira (12), representantes do governo e iniciativa privada iniciaram estudos para facilitar o acesso à TV digital. A ideia é baratear os conversores de sinal através de medidas como incentivos fiscais e novas linhas de crédito, que possibilitarão a compra parcelada a prestações de R$ 17.

A proposta do governo foi apresentada ao Fórum Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) pelo assessor especial da Presidência da República para a Área de Políticas Públicas em Comunicação, André Barbosa. Segundo ele, a meta é fazer com que a tecnologia chegue às classes D e E, que representam 30% da população brasileira. A porcentagem equivale a cerca de 16 milhões de famílias em um país com 54 milhões.

São várias medidas dentro da proposta. Além da ampliação das linhas de crédito para aquisição dos equipamentos através da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil – com prestações a preços populares -, também se pretende abater valores do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). De acordo com Barbosa, todas as propostas estarão prontas no prazo de seis meses.

O assessor ressalta que são vários os benefícios de se popularizar a TV digital. Além da qualidade superior na transmissão de som e imagem, a população passa a ter acesso a diversos serviços interativos, como marcação de consultas médicas no sistema público, além de educação à distância e compra de produtos.

O Brasil já vendeu mais de 2 milhões de televisores com 32 polegadas desde o início do ano, quando estes aparelhos passaram a ser obrigados a sair de fábrica já convertidos para receber o sinal digital. “Acreditamos chegar nos 5 milhões até o final do ano. Porém, estão sendo atendidas as classes C para cima, deixando de fora as classes D e E, que têm na televisão a sua única fonte de informação. Nossa proposta é chegar a essa população”, disse Barbosa.

Por decreto presidencial, o Brasil tem prazo até 2013 para tornar obrigatória a cobertura digital em todo o país, com a extinção do sistema analógico programada para 2016. Para o presidente do fórum, Frederico Nogueira, o país tem condições de bater essa meta, por ter avançado mais rápido do que grande parte dos países de mesmo perfil econômico.

Desde 2007, o processo de migração já atingiu 7 milhões de aparelhos, e Nogueira garante que a troca de governo não interfere no avanço das metas. “O Brasil já atingiu uma maturidade tão grande, tanto na área social quanto na econômica que, seja qual for o governo, será priorizada a política pública para a conclusão da migração da TV digital e inclusão das comunidades mais carentes”, explicou. Barbosa também comparou a mudança com a popularização dos computadores pessoais, cujo custo foi reduzido gradativamente em razão do aumento de demanda.

*com informações são da Agência Brasil.

Retransmissão é nova etapa da transição para o digital

Após a primeira fase de digitalização dos sinais de TV aberta nas geradoras, começa o processo de digitalização das retransmissoras de televisão. Trata-se de uma etapa da transição para a TV digital que demanda tecnologias que até agora não precisaram ser discutidas. O diretor comercial da fabricante de transmissores Screen Service, Júlio Rocha, destaca que as emissoras terão de escolher uma tecnologia para levar seu conteúdo até as retransmissoras. Depois, escolherão como estas tecnologias serão usadas. "No analógico, tudo é feito por micro-ondas ou satélite. Estas tecnologias poderão ser usadas no digital, mas otimizadas", explica.

Uma solução apontada por ele para reduzir o custo de envio do sinal às retransmissoras é mandar apenas o sinal digital, em substituição ao sinal analógico enviado hoje. "O sinal vai direto para o transmissor digital e convertido para o transmissor analógico", diz, lembrando que a banda necessária para enviar os dois sinais seria maior. Outra hipótese apontada por ele é o uso de redes IP nos links de micro-ondas, permitindo assim não apenas o envio do sinal digital, mas o uso do link para tráfego de material para o jornalismo, ou telefonia IP para comunicação entre geradora e retransmissora, por exemplo.

Apostando neste mercado, não apenas no Brasil, mas na América do Sul, a empresa construiu fábrica de 4,5 mil metros quadrados no Brasil, montando transmissores de 0,5W a 22kW.

Nova lei da TV paga forçará radiodifusores a se desfazerem de outorgas de cabo

Reproduzido do Pay-TV News

Um dos elementos centrais que existem no PLC 116/2010 (antigo PL 29/2007), que cria novas regras para a TV paga, é um dispositivo que prevê que empresas de radiodifusão e produtoras de conteúdo não controlem outorgas de TV paga e, de maneira análoga, empresas de telecomunicações não poderão controlar a produção de conteúdos. Mas há um problema grande no horizonte. Hoje, muitos grupos de comunicação, incluindo radiodifusores, são operadores de TV por assinatura. O exemplo mais flagrante é o da própria Globo, controladora da Net e uma das grandes defensoras da separação de mercados entre produtores de conteúdo e empresas de telecomunicações. Nesse caso, já se sabe que quando a legislação permitir, a Embratel imediatamente assume o controle da operadora.

Mas existem outras situações mais específicas: hoje, entre os controladores da operadora de TV a cabo TV Cidade estão Bandeirantes e SBT, o que colocaria essa composição societária em desacordo com o novo projeto da TV paga. Há ainda outros grupos de radiodifusão que controlam operações de TV paga, como a TV Bahia (controladora da operadora de MMDS Bahiasat), ORM (controladora de operações de cabo no Pará), TV Jangadeiro (controladora de operadoras de cabo e MMDS no Ceará), grupo SCC de Santa Catarina, que também é afiliada do SBT, e TV Alphaville, entre outros. Ou seja, esses operadores terão ou que se desfazer de suas concessões de cabo e autorizações de MMDS ou o PLC 116/2010 terá que trazer alguma exceção. Na redação atual, esses grupos estarão em desacordo com a lei. (Samuel Possebon)

ABTA prevê limitação de até cinco operadoras de TV a cabo por municípios

O presidente da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), Alexandre Annenberg, disse nessa terça-feira (13) que não é contra a entrada das teles no mercado de TV a cabo, mas defende que a Anatel encontre formas de resguardar o espaço para os pequenos operadores especialmente os locais. Ele discorda da adoção de um preço único para as outorgas, de R$ 9 mil, como já anunciou a agência, adiantando que o valor deve permanecer como está, ou seja, proporcional ao tamanho do município que será atendido.

“Se a Anatel pretende com o novo valor aumentar os competidores a um número ilimitado, criará outro problema, que vem das restrições naturais”, disse. Annenberg explica que os postes das redes elétricas só podem transportar de quatro a cinco redes. “Nesse caso, a decisão sobre as empresas que poderiam passar seus cabos pelos postes das companhias energéticas ficaria com quem? Com a própria empresa de energia? Com a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica]?, questiona.

Para o presidente da ABTA, essa limitação natural poderá criar um leilão pelas distribuidoras de energia, que escolheriam as empresas pelo preço maior a ser pago pelo uso dos postes. E isso, sustenta, impediria o acesso das pequenas operadoras, principalmente as locais, que têm maiores condições de criar empregos diretos na cidade a ser atendida, além de facilitar a divulgação de serviços na área da saúde, educação, e-gov, do que as grandes operadoras.

Sem resposta

Essas e outras questões foram encaminhadas por carta à Anatel pela ABTA, depois que a agência decidiu suspender a limitação do número de prestadoras de TV a cabo, com objetivo de eliminar barreiras de entrada a empresas no mercado de televisão por assinatura no Brasil. Até agora nenhuma resposta foi dada pela agência.

A decisão, em caráter cautelar, foi tomada em reunião do Conselho Diretor da agência, e altera regulamentação do Ministério das Comunicações de 1997, antes da instalação da Anatel. Ao mesmo tempo, a Anatel determinou a retomada do processamento de mais de 1.000 pedidos de outorga de TV a cabo em tramitação na autarquia.

Annenberg pede ainda que a Anatel esclareça como será feito o planejamento da TV por assinatura, matéria que está sendo relatada pela conselheira Emília Ribeiro.