Conselhos fortalecem a democracia

A aprovação do Conselho Estadual de Comunicação pela Assembleia Legislativa do Ceará foi a senha para uma nova ofensiva da mídia comercial contra a regulamentação do setor e iniciativas análogas em debate em outros Estados.

 

O argumento é o de que os conselhos seriam órgãos de censura da mídia pelo governo.

 

A afirmação confunde e esconde o objetivo real dessas estruturas, que já existem em áreas vitais para o desenvolvimento, como saúde e educação, garantindo a participação da população na elaboração das políticas públicas para tais setores e a fiscalização da prestação do serviço público de acordo com a legislação.

 

Ao contrário do que bradam os grupos de comunicação, e até mesmo a OAB, os conselhos visam a ampliação do exercício da liberdade de expressão, e não sua restrição; portanto, nada têm de inconstitucionais. Não se trata de censurar conteúdos, muito menos de definir a atuação da imprensa.

 

Ao criá-los, os Estados não definem novas regras para a radiodifusão, o que seria prerrogativa da União, mas apoiam a aplicação dos princípios constitucionais e leis já existentes, muitas vezes ignorados por concessionárias de rádio e TV.

 

Os conselhos tratam das políticas estaduais, como o desenvolvimento da precária radiodifusão pública e comunitária local, o acesso da população à banda larga, e de critérios democráticos de distribuição das verbas publicitárias governamentais, feitas, em geral, de forma pouco transparente.

 

Em parceria com o Poder Executivo federal, podem ainda, por exemplo, fazer audiências para ouvir a população no momento de renovação de uma outorga de TV. Ou encaminhar ao Ministério Público denúncias de discriminação, que se multiplicam em programas policialescos exibidos à luz do dia.

 

Assim, os conselhos nada mais são do que espaços para a sociedade brasileira, representada em sua diversidade, participar da construção de políticas públicas de comunicação, acompanhar a prestação desse serviço e cobrar das devidas instâncias a responsabilização por violações das regras do setor.

 

Tratar a legítima reivindicação da população de se fazer ouvir nesses processos como ameaça à liberdade de imprensa é movimento daqueles que, pouco afeitos à sua responsabilidade social, querem manter privilégios em um campo marcado pela concentração de propriedade, homogeneização cultural e desrespeito à legislação.

 

O que a sociedade reivindica é justamente o exercício direto da liberdade de expressão por todos os segmentos, e não apenas pelos poucos que detêm o controle dos meios e impõem suas ideias à opinião pública como se fossem porta-vozes de uma diversidade que ignoram e omitem. Essa é a real censura à liberdade de expressão no país.

 

Ao questionar esse modelo, a Conferência Nacional de Comunicação, que reuniu milhares de representantes de organizações sociais, governos (não apenas o federal) e empresários que compreenderam a importância do debate democrático com a população, aprovou, em votação quase unânime, a criação de um conselho nacional e de conselhos estaduais.

 

Infelizmente, a cobertura sobre o tema tem distorcido as propostas e censurado visões favoráveis aos conselhos, o que comprova que setores dos meios de comunicação interditam o debate quando ele toca em seus interesses comerciais.

 

É sintomático que aqueles que se arvoram no papel de informar censurem o contraditório e defendam um ambiente desprovido de obrigações legais e mecanismos de fiscalização. A regulação da comunicação está consolidada em todas as democracias como baliza de Estados efetivamente plurais.

 

Se nesses países, com sistemas de comunicação mais desenvolvidos, iniciativas como essa não são consideradas ameaças à liberdade de expressão, por que aqui deveriam ser?

 

*Bia Barbosa, 33, Jonas Valente, 29, Pedro Caribé, 27, e João Brant, 31, são integrantes do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

 

Jornalismo PUC consegue agência de notícias

Depois de duas semanas de paralização dos professores e estudantes do Jornalismo da PUC-SP, foi aprovada na sexta-feira 29, na reunião do Conselho de Administração (Consad), a implementação da Agência Online, laboratório pedagógico. O reitor Dirceu de Mello afirmou na reunião que o projeto será agora encaminhado para o setor de compras da universidade e a Agência deve ser implementada ainda esse ano.

 

A vitória não teria sido possível sem a intensa mobilização dos estudantes. Dos 400 matriculados em Jornalismo, 210 compareceram às assembleias de segunda-feira, 18 de outubro, e aprovaram a greve quase por unanimidade. No ato do dia seguinte (19/10) foram 150 discentes protestando por todo o campus Monte Alegre da PUC-SP. Esses impressionantes números de mobilização que fizeram os padres José Rodolpho Perazzolo e João Júlio Farias, secretários da Fundação São Paulo, reverem suas posições e dessa vez votarem junto com o reitor Dirceu de Mello a favor da implementação da Agência.

 

Com essa decisão, os professores decidiram sair da greve logo após a reunião do Consad e os estudantes, durante a assembleia do curso, saíram à noite. Com a comissão pedagógica que será formada as demais reivindicações ao Departamento de Jornalismo serão discutidas em reuniões que serão mantidas ao longo dos próximos meses.

Fust poderá custear instalação de cinemas, teatros e bibliotecas

A Câmara analisa o Projeto de Lei 6993/10, do deputado Antônio Roberto (PV-MG), que destina pelo menos 3% dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FustO Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações foi instituído pela Lei 9.998/00 com o objetivo de proporcionar recursos para cobrir a parcela de custo relativa ao cumprimento das obrigações de universalização de serviços de telecomunicações que não possa ser recuperada com a exploração do serviço.

 

Cabe ao Ministério das Comunicações formular as políticas, as diretrizes gerais e as prioridades que orientarão as aplicações do Fust e definir os programas, projetos e atividades financiados com recursos do fundo.) para subvencionar a instalação e a manutenção, por instituições sem fins lucrativos, de espaços de difusão da cultura nacional, como cinemas, teatros e bibliotecas, em municípios que não contam com estabelecimentos desse tipo.

 

“Grande parte da nossa população vive em pequenos núcleos urbanos, sem acesso a eventos culturais, inteiramente dependente da programação de televisão”, argumentas o deputado. Ele assinala que “significativa parcela da sociedade brasileira” não tem contato com manifestações culturais que lhe dariam alguma capacidade crítica em relação aos acontecimentos políticos, sociais, econômicos e culturais, permanecendo à margem da história, relegada ao papel de simples agente passivo”.

 

Antônio Roberto sustenta que o projeto vai contribuir para mudar essa realidade, ao criar opções de entretenimento e lazer e fazer com que o habitante de pequenos municípios tenha acesso a material de leitura e a eventos culturais de boa qualidade.

 

Tramitação

 

O projeto foi apensado ao PL 1481/07, do Senado, que amplia o acesso a redes digitais de informação em estabelecimentos de ensino. As propostas aguardam votação pelo Plenário.

Audiência pública discute critérios de reajuste de ligações entre fixos e celulares

Redação – Agência Brasil

 

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promove audiência pública amanhã (3) para discutir critérios de reajuste para chamadas entre telefones fixos e celulares. A ideia é reduzir o valor das chamadas locais ou interurbanas em 10% no ano que vem e em mais 10% em 2012.

 

O encontro será das 13h às 17h no Espaço Cultural Anatel, em Brasília. O novo regulamento proposto pela agência estabelece que o reajuste das tarifas das chamadas entre fixos e móveis deve ocorrer no máximo a cada 12 meses, mediante aplicação de fórmula específica.

 

A medida afeta também os valores dos demais tipos de chamadas que envolvem o pagamento da tarifa de interconexão (VU-M), como ligações entre operadoras diferentes. Esse valor continuará sendo livremente pactuado entre as empresas. Se as operadoras não chegarem a um consenso sobre a questão, a Anatel fixará cautelarmente o valor da tarifa.

Anatel autoriza entrada da PT na Oi

O Conselho Diretor da Anatel aprovou por unanimidade na manhã desta sexta-feira, 29, a entrada da Portugal Telecom (PT) no bloco de controle da concessionária Oi. A agência não impôs nenhuma contrapartida à empresa para a manutenção da anuência. Mas isso não significa que a Oi não terá desafios a superar para confirmar a validade da autorização.

Isso porque a Anatel adotou a nova interpretação da Advocacia-Geral da União (AGU) de que os Procedimentos de Apuração por Descumprimento de Obrigações (Pados) também devem ser quitados para que a companhia comprove "regularidade fiscal". Nem todos os Pados entram nesse critério. Devem ser quitados obrigatoriamente os processos transitados em julgado, ou seja, que não tem mais previsão de recurso da concessionária na esfera administrativa.

Isso não significa, porém, que a empresa não tenha mais nenhum meio de contestação. Na verdade, o movimento natural das companhias sempre foi recorrer ao Poder Judiciário contra as multas aplicadas pela Anatel. Com a quitação que deverá ser feita agora, esse direito não se extingue. Mas, obviamente, fica mais complicado para a companhia contestar na Justiça um sanção já paga à agência.

20 dias

A Oi terá 20 dias para fazer esse acerto de contas na Anatel e obter o certificado de regularidade fiscal junto à agência. Caso ela não cumpra esse prazo, a concessionária corre o risco de ter a anuência prévia ao negócio revogada. Apesar da Oi, especialmente após a compra da Brasil Telecom, ser a campeã em multas administrativas no setor de telecomunicações, o montante a ser quitado representa menos de 10% do total de sanções pendentes de pagamento.

Segundo o conselheiro João Rezende, 28 Pados contra a Oi já transitaram em julgado e, portanto, devem ser quitados. Esses processos representam R$ 74 milhões em multas. Pelos últimos balanços da Anatel, o montante de penas contra a Oi supera a casa do R$ 1 bilhão, mas a grande maioria dos processos ainda pode ser objeto de recurso por parte da concessionária.

Polêmica

Apesar de existir um posicionamento da Coordenação-Geral de Correições (CGCOR) da AGU – local hoje responsável pelo controle do recolhimento de débitos das autarquias – em favor da interpretação de que a existência de Pados não quitados caracterizam débito fiscal, o assunto ainda gera polêmica dentro da Anatel. Tanto que, apesar de existir uma instrução normativa desde fevereiro deste ano da procuradoria da Anatel confirmando essa interpretação, esta é a primeira vez que o método é aplicado na análise de um pedido de anuência prévia.

Segundo fontes da Anatel, a agência não fez qualquer análise dos débitos dos Pados quando concedeu recentemente a anuência prévia à mudança de controle na Vivo, onde a Telefônica assumiu plenamente o comando da operadora celular com a saída da PT.

Outro fato intrigante na comparação entre o processo Vivo/Telefônica e Oi/PT é que, no primeiro caso, a agência aguardou o fechamento dos mercados para anunciar sua decisão. Já no processo julgado hoje, a Anatel optou por confirmar a decisão em entrevista coletiva marcada incialmente para às 12h e depois remarcada para às 12h30, em seu escritório regional em São Paulo.

Anúncios desse tipo costumam afetar a negociação das ações das companhias abertas e, por isso, os órgãos públicos costumam divulgá-las apenas após às 17h, quando o pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é concluído. Às 13h30, os papéis da Tele Norte Leste Participações, holding da Oi, registravam queda de 2,51% nas ações ordinárias (R$ 33,72) e de 2,12% nas preferenciais (R$ 25,80).