É Tudo Verdade tem inscrições prorrogadas

Do site Tela Viva News

 

Foi prorrogado até o dia 17 de dezembro o prazo para inscrições de documentários brasileiros para o É Tudo Verdade 2011 – 16o. Festival Internacional de Documentários. O evento, dedicado à produção não-ficcional na América do Sul, será realizado entre 31 de marco e 10 de abril simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Haverá támbém um circuito itinerante, ainda não divulgado.

Para participar. A obra deve ser inédita no país para poder concorrer entre os longas e médias-metragens documentais na mostra competitiva nacional. O prêmio é de R$ 100 mil.

Não há exigência de ineditismo para a competição de curtas-metragens brasileiros, mas a seleção dará preferência a produções inéditas. O mesmo critério vale para a seleção de títulos nacionais para as mostras informativas do festival (O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano) O regulamento e a ficha de inscrição podem ser encontrados no site www.etudoverdade.com.br. (Redação)

A verdade ganhará sempre

Em 1958 o jovem Rupert Murdoch, então proprietário e editor de The News de Adelaide, escreveu: “na corrida entre segredo e verdade, parece inevitável que a verdade ganhe sempre”.

A sua observação talvez reflectisse a revelação do seu pai, Keith Murdoch, de que as tropas australianas estavam a ser sacrificadas desnecessariamente nas costas de Gallipoli por comandantes britânicos incompetentes. Os britânicos tentaram calá-lo, mas Keith Murdoch não se deixou silenciar e os seus esforços levaram ao fim da campanha desastrosa de Gallipoli.

Quase um século depois, a WikiLeaks está também a publicar destemidamente fatos que precisam de ser publicados.

Cresci numa cidade rural de Queensland, onde as pessoas diziam o que lhes ia na alma de forma franca. Desconfiavam dum governo grande, como algo que pode ser corrompido se não for vigiado cuidadosamente. Os dias negros da corrupção no governo de Queensland, antes do inquérito Fitzgerald, são testemunho do que acontece quando os políticos amordaçam os meios de comunicação para não informarem a verdade.

Essas coisas calaram-me fundo. A WikiLeaks foi criada em torno desses valores centrais. A ideia, concebida na Austrália, era usar tecnologias Internet em novas formas de informar a verdade.

A WikiLeaks cunhou um novo tipo do jornalismo: o jornalismo científico. Trabalhamos com outros serviços informativos para trazer as notícias às pessoas, mas também para provar que é verdade. O jornalismo científico permite-nos ler uma história nas notícias, a seguir clicar online para ver o documento original em que é baseada. Dessa forma podemos ajuizar por nós mesmos: a história é verdadeira? O jornalista informou-nos com precisão?

As sociedades democráticas precisam de meios de comunicação fortes e a WikiLeaks é uma parte desses meios. Os meios de comunicação ajudam a que o governo se mantenha honesto. A WikiLeaks revelou algumas verdades difíceis sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e sobre histórias incompletas da corrupção corporativa.

Houve quem dissesse que sou anti-guerra: para que conste, não sou. Às vezes as nações têm de ir à guerra, e há guerras justas. Mas não há nada mais errado do que um governo mentir ao seu povo sobre essas guerras e depois pedir a esses mesmos cidadãos e cidadãs que arrisquem as suas vidas e os seus impostos com essas mentiras. Se uma guerra for justificada, então digam a verdade e as pessoas decidirão se a apoiam.

Se você tiver lido alguns dos diários de guerra do Afeganistão ou do Iraque, algum dos telegramas da embaixada dos Estados Unidos ou alguma das histórias sobre as coisas que a WikiLeaks reportou, pondere como é importante para todos os meios de comunicação serem capazes de informar estas coisas livremente.

A WikiLeaks não é o único editor dos telegramas da embaixada dos Estados Unidos. Outros serviços informativos, incluindo o britânico The Guardian, o The New York Times, o El Pais em Espanha e a Der Spiegel da Alemanha publicaram os mesmos telegramas editados.

Mas é a WikiLeaks, como coordenador desses outros grupos, que apanhou com os ataques e acusações mais maldosos do governo dos Estados Unidos e dos seus acólitos. Fui acusado de traição, embora seja australiano, não um cidadão dos EUA. Houve dúzias de apelos graves nos EUA para que eu fosse “retirado” por forças especiais dos Estados Unidos. Sarah Palin diz que devo ser “acossado como Osama bin Laden”, um projecto de lei republicano apresenta-se ao Senado dos Estados Unidos tentando que me declarem “uma ameaça transnacional” e se desembaracem de mim consequentemente. Um conselheiro do gabinete do Primeiro-Ministro canadiano apelou à televisão nacional para que eu fosse assassinado. Um blogger americano pediu que o meu filho de 20 anos, aqui na Austrália, fosse raptado e mal-tratado por mais nenhuma razão senão para apanharem-me.

E os australianos devem observar sem qualquer orgulho a alcoviteirice ignominiosa desses sentimentos pela Primeira-Ministra Gillard e pela Secretária de Estado dos Estados Unidos Hillary Clinton, que não tiveram uma palavra de crítica para com os outros meios de comunicação. Isto acontece porque o The Guardian, o The New York Times e a Der Spiegel são antigos e grandes, enquanto a WikiLeaks é ainda jovem e pequena.

Somos os da mó de baixo. O governo de Gillard está a tentar matar o mensageiro porque não quer a verdade revelada, incluindo a informação dos seu próprios feitos diplomáticos e políticos.

Houve alguma resposta do governo australiano às numerosas ameaças públicas de violência contra mim e outro pessoal da WikiLeaks? Poder-se-ia ter pensado que um primeiro-ministro australiano iria defendendo os seus cidadãos contra tais coisas, mas houve apenas reclamações não inteiramente genuínas de ilegalidade. Da Primeira-Ministra, e especialmente do Procurador-Geral, espera-se que tratem os seus deveres com dignidade e acima das querelas. Fiquem descansados, esses dois vão tratar de salvar a sua própria pele. Não o farão.

Sempre que a WikiLeaks publica a verdade sobre abusos cometidos por agências dos Estados Unidos, os políticos australianos entoam um coro provavelmente falso com o Departamento de Estado: “Vai arriscar vidas! Segurança nacional! Vai pôr as tropas em perigo!” Depois dizem que não há nada importante no que a WikiLeaks publica. Não podem ser verdade ambas as coisas. Qual delas é?

Não é nenhuma. A WikiLeaks tem uma história de publicação com quatro anos. Durante esse tempo mudámos governos inteiros, mas nem uma pessoa, que se saiba, foi mal-tratada. Mas os EUA, com a conivência do governo australiano, mataram milhares só nestes últimos meses.

O Secretário da Defesa dos Estados Unidos Robert Gates admitiu numa carta ao Congresso dos EUA que nenhuma fonte de informação ou métodos sensíveis tinham ficado comprometidos pela revelação dos diários de guerra afegãos. O Pentágono afirmou que não houve nenhuma prova de que os relatórios da WikiLeaks tinham levado alguém a ser mal-tratado no Afeganistão. A NATO em Cabul disse à CNN que não pôde encontrar nem uma pessoa que precisasse de protecção. O Departamento Australiano de Defesa disse o mesmo. Nenhuma tropa australiana ou fontes foram prejudicadas por nada que tivéssemos publicado.

Mas as nossas publicações estão longe de não ser importantes. Os telegramas diplomáticos dos Estados Unidos revelam alguns factos alarmantes:

– Os EUA pediram aos seus diplomatas que roubassem material humano pessoal e informação a funcionários da ONU e a grupos de direitos humanos, incluindo ADN, impressões digitais, exames de íris, números de cartão de crédito, senhas de Internet e fotos de identificação numa violação de tratados internacionais. Os diplomatas australianos da ONU presumivelmente podem ser visados também.

– O rei Abdullah da Arábia Saudita pediu que os representantes dos Estados Unidos na Jordânia e no Bahrain exigissem que o programa nuclear do Irão fosse detido por qualquer meio disponível.

– O inquérito britânico sobre o Iraque foi ajustado para proteger os “interesses dos Estados Unidos”.

– A Suécia é um membro encoberto da NATO e a partilha de informação de espionagem é escondida do parlamento.

– Os EUA estão a jogar duro para conseguir que outros países recebam detidos libertados da Baía Guantánamo. Barack Obama aceitou encontrar-se com o Presidente Esloveno apenas se a Eslovénia recebesse um preso. Ao nosso vizinho do Pacífico Kiribati foram oferecidos milhões de dólares para aceitar detidos.

Na sentença que se tornou um marco sobre o caso dos Documentos do Pentágono, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos disse que “só uma imprensa livre e sem restrições pode expor eficazmente as fraudes do governo”. A tempestade que gira hoje em volta da WikiLeaks reforça a necessidade de defender o direito de todos os meios de comunicação a revelar a verdade.

 

 

* Julian Assange é redator-chefe da WikiLeaks.

Hackers atacam Mastercard por cortar serviço ao WikiLeaks

Ataques de hackers ao site da Mastercard nesta quarta-feira prejudicaram pagamentos de usuários da empresa de cartões de crédito. O site foi um entre vários atacados por um grupo de hackers chamado Anonymous (Anônimo), que diz punir as empresas que deixaram de prestar serviços ao site WikiLeaks.

O WikiLeaks e o seu fundador, Julian Assange, vêm sofrendo uma forte pressão internacional, principalmente por parte dos Estados Unidos, desde que começaram a divulgar um pacote de mais de 250 mil mensagens diplomáticas secretas americanas, na semana passada.

A Mastercard, que deixou de permitir doações ao WikiLeaks, diz que o ataque não afetou pagamentos feitos por usuários do cartão de crédito. Mas a BBC foi contatada por uma empresa que disse que seus clientes enfrentaram uma queda completa do sistema.

A companhia, que não quis ter o nome revelado, afirmou que o serviço de autenticação de pagamentos online, conhecido como Mastercard's SecureCode, deixou de funcionar.

Leitores também relataram problemas com pagamentos pela internet. Não se sabe qual foi a dimensão do problema. A Mastercard não confirmou o ataque.

Mais cedo, o funcionário Doyel Maitra havia dito que o site corporativo da empresa – Mastercard.com – estava enfrentando um "tráfego pesado", mas que continuava acessível.

"Estamos trabalhando para restabelecer a velocidade normal do serviço. Não há impacto algum na capacidade dos usuários dos cartões Mastercard ou Maestro de usar seus cartões para transações seguras."

Ativismo virtual

O Anonymous, que assumiu a autoria do ataque, é um grupo de hackers ativistas que diz já ter atingido diversos alvos – incluindo o site dos promotores que acusam o fundador do Wikileaks, Julian Assange, de estupro.

A PayPal, que deixou de permitir doações ao WikiLeaks, também foi atacada.

A empresa de pagamentos diz que tomou a decisão após o Departamento de Estado americano determinar que as atividades do WikiLeaks eram ilegais nos Estados Unidos.

Outras empresas que se afastaram do WikiLeaks, como o banco suíço PostFinance, que congelou a conta de Assange, também sofreram ataques. O banco diz que o fundador do site forneceu informações falsas ao abrir a conta na instituição.

Especialistas em segurança dizem que os sites foram atacados por um mecanismo chamado DDoS (distributed denial-of-service attack), que faz com que as páginas saiam do ar.

Paul Mutton, da empresa de segurança Netcraft, diz que 1,6 mil computadores agiram na ação.

Antes do ataque à Mastercard, um membro do Anonymous que se intitula Coldblood (sangue frio) disse à BBC que várias ações estavam sendo executadas para afetar empresas que deixaram de prestar serviços ao WikiLeaks ou que supostamente estariam atacando o site.

"Sites que estão se curvando à pressão governamental se tornaram alvos", disse o hacker. "Como organização, nós sempre defendemos uma sólida posição sobre censura e liberdade de expressão na internet e nos voltamos contra os que buscam destruí-la por qualquer meio."

Segundo Coldblood, o "WikiLeaks se transformou em algo maior do que o vazamento de documentos e tornou-se o palco de uma batalha do povo contra o governo".

O hacker admitiu que os ataques podem prejudicar pessoas que tentam acessar os sites, mas disse que essa é a "única forma efetiva de dizer a essas companhias que nós, o povo, estamos descontentes".

O Anonymous também está ajudando a criar sites espelhos para o WikiLeaks, após seu provedor americano retirá-lo do ar.

Revista CartaCapital lança blog sobre WikiLeaks

A revista CartaCapital estreou, nesta quarta-feira (08), um blog sobre o WikiLeaks, em que a jornalista Natália Viana publicará informações em primeira mão sobre os documentos secretos divulgados pelo site fundado pelo australiano Julian Assange. Segundo informou o blog de Luis Nassif, Natália foi convidada pela organização de Assange para coordenar a publicação dos dados sigilosos sobre o Brasil com a imprensa nacional e, ainda, escrever reportagens independentes.

"Aqui neste blog vou ter a certeza de que o conteúdo inédito vai sair em primeira mão. E também vou dividir essa experiência na linha de frente do jornalismo", escreveu a jornalista.

A primeira postagem feita no blog fala sobre o caso Cablegate, que detalha os bastidores da diplomacia dos EUA e relações com países árabes e Israel, além de pedidos para que diplomatas norte-americanos espionassem membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Os mais de 250 mil documentos expostos pelo WikiLeaks na última semana também citam o Brasil.

Uma série de telegramas revela mensagens enviadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex-líder dos EUA, George W. Bush., e a forma como o Departamento de Estado norte-americano descrevia algumas figuras-chave do governo Lula. O senador Aloizio Mercadante, por exemplo, seria visto como "radical", de acordo com o blog sobre o WikiLeaks.

As informações secretas divulgadas pelo site geraram críticas e pressões de governos para tentar impedir a atuação do WikiLeaks. Países como EUA e França pediram a empresas de internet para não mais oferecer serviço de hospedagem a página. Além disso, o australiano entrou para a lista de procurados da Interpol, acusado pela Justiça da Suécia de ter cometido crimes sexuais. Ele foi preso na última terça (07), em Londres, Inglaterra, após se entregar às autoridades.

O responsável pelo WikiLeaks também teve sua conta encerrada pelo banco suíço PostFinance, que alegou que Assange mentiu ao informar seus dados. De acordo com um comunicado do site, a conta foi aberta para receber doações, que chegam ao valor de 31 mil euros. E as empresas de cartão de crédito Visa, Mastercard e Paypal anunciaram que bloqueariam os pagamentos feitos a organização.

Em retaliação ao bloqueio, hackers pró-Assange deixaram inoperantes os sites da Mastercard, Paypal e do banco suíço, nesta quarta, na chamada "Operação Payback". Segundo O Dia Online, o grupo confirmou os ataques pelo Twitter, e ainda brincou com o slogan da empresa de cartão de crédito. "Existem coisas que o Wikileaks não faz. Para todas as outras, existe Operação Payback".

De acordo com O Estado de S. Paulo, o cerco ao site tem sido criticado por organizações ligadas a comunicação, como a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA, sigla em inglês), e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

Brasileiro gasta, em média, R$ 118 por mês na internet, aponta Ibope

O consumidor brasileiro que compra na internet pertence predominantemente às classes A e B, tem grau mais alto de escolaridade, compra produtos de uso pessoal e gasta, em média, R$ 118 por mês em lojas online. Esta é uma das conclusões do estudo TG.net realizado pelo Ibope Mídia para traçar um perfil do comércio eletrônico brasileiro.

Entre os principais objetivos da navegação em lojas online, cerca de 80% dos internautas responderam que usam internet para comparar preços, 25% buscam um carro novo e 18% realizam compras profissionais. Cerca de 43% dos internautas costumam recorrer à internet antes de realizar compras e, se o produto tiver valor superior a R$ 1.500, buscam mais informações na web.

Mais de 66% dos consumidores online realizaram de uma a cinco compras nos últimos seis meses e 30% gastaram, pelo menos, R$ 224.

Livros continuam liderando a preferência dos consumidores com 30% das respostas, seguidos de telefones e acessórios para celulares (20%), eletrodomésticos (18%) e produtos de tecnologia pessoal (17%), como câmeras digitais, leitores de MP3.

Nos próximos seis meses, 25% pretendem comprar câmera digital, 17% telefone celular 3G, 17% telefone celular com câmera e 15% iPhone.

De acordo com o estudo, 61% dos consumidores online estão nas classes A e B, 35% na classe C e representa 4% nas classes D e E.

A idade média do consumidor das lojas virtuais é de 33 anos, aponta o Ibope. A maior parte dos consumidores online (48%) está na faixa etária de 25 a 44 anos de idade, enquanto 17% têm entre 20 e 24 anos e 15% estão na faixa de 15 a 19 anos. Consumidores de 45 a 54 anos representam 13% do público que compra online e apenas 6% têm entre 55 e 64 anos.

A parcela de solteiros também é mais representativa (49%). O estudo revelou, ainda, que 36% estão matriculados em instituições de ensino e até 32% falam uma segunda língua.

A pesquisa TG.net foi realizada entre maio e junho deste ano com 2.500 internautas do Brasil, com idade entre 15 e 64 anos, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Distrito Federal, além de Goiânia, Nordeste e no interior da região Sudeste. As cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo respondem por 37% do total dos compradores.