TV paga movimentou US$ 240 bilhões em 2010

A empresa de pesquisa Infonetics aponta que as pessoas não hesitam em pagar pelo conteúdo que consideram atraente, apesar da quantidade crescente de conteúdo livre, especialmente a partir de soluções over-the-top (OTT) e outras fontes de vídeo online. Uma pesquisa realizada pela empresa apontou que a receita mundial de IPTV, TV a cabo e de serviços por satélite cresceu para US$ 240 bilhões em 2010, um aumento de 11% em relação a 2009.

Das diferentes plataformas de televisão por assinatura, a IPTV foi a que cresceu mais significativamente, 45%, seguida por satélite, com 13%. Mesmo ainda representando a maior proporção de receitas, a participação do cabo no faturamento do setor diminuiu visivelmente.

Entre as empresas, a Comcast manteve a liderança em termos de número de assinantes, com 22,8 milhões de clientes do serviço de vídeo. A título de receitas, a DirecTV apresentou o maior ARPU da indústria. Os 20 líderes em receitas representam 53% do total nos serviços de vídeo.

As regiões que apresentaram maior crescimento foram Ásia-Pacífico e América Central e Latina, impulsionadas pela conversão analógico-digital e o forte crescimento de assinantes novos em mercados como Brasil, Índia, Malásia e México.

Comentando sobre as tendências reveladas na investigação, Teresa Mastrangelo, diretora analista para vídeo, diz que "estamos vendo o crescimento contínuo no mercado de TV paga, impulsionado pela capacidade em oferecer serviços de voz/vídeo/dados, e por uma ampla gama de conteúdos entregues de forma linear ou sob demanda, como o DVR multi-room e a distribuição em múltiplas janelas. Embora a operadoras de cabo continuem a ser desafiadas pela concorrência com os operadores de IPTV e satélite, o mercado global continua robusto, apesar da atratividade dos serviços de OTT".

O relatório da Infonetics Research está disponível no site www.infonetics.com

Padrão brasileiro ter pode norma para enviar alertas à população

Redação – Tela Viva News

O Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital anunciou parceria junto ao governo para viabilizar a adoção da norma japonesa EWS no sistema brasileiro de TV digital. Através dela, é possível enviar alertas à população em risco em caso de catástrofes iminentes, como enchentes, deslizamentos de terra e ciclones.

A proposta ainda está em fase de planejamento dentro dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, Integração Social, Cidades e Casa Civil e sendo discutida paralelamente junto ao Fórum SBTVD.

Como forma de viabilizar a adoção do sistema no País e nas outras nações latino-americanas que escolheram o ISDB-T, o tema fez parte da pauta da reunião do Fórum ISDB Internacional, que aconteceu em Santiago (Chile) nos dias 28 e 29 de março. O evento teve a finalidade de harmonizar e padronizar as especificações do standard em todos os países que adotaram a tecnologia nipo-brasileira.

Banda larga móvel impulsiona e Brasil supera a marca de 40 milhões de acessos

Os acessos em banda larga no Brasil chegaram a 40,9 milhões em abril, de acordo com balanço da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).

Nos últimos 12 meses, 14,2 milhões de novos clientes passaram a ter acesso à internet rápida no País, o que representa uma evolução de 53,2%. O levantamento considera a banda larga fixa e móvel, incluindo os modems de acesso à internet e os celulares de terceira geração (3G).

A banda larga pelas redes fixas passou de 12,3 milhões de acessos, em abril de 2010, para 15,3 milhões no mês passado, o que significa um aumento de 24,7%. Na banda larga móvel, o crescimento no mesmo período foi ainda superior, com 77,4% de elevação.

O número de modems de acesso à internet pela rede móvel subiu de 5,2 milhões para 6,4 milhões nos últimos 12 meses e o de celulares 3G, que permitem conexão à internet rápida, passou de 9,2 milhões para 19,1 milhões.

A expansão dos serviços de banda larga nos últimos anos não se deu apenas em números absolutos, mas também na velocidade das conexões. Entre 2008 e 2010, a velocidade média dos acessos em banda larga fixa no Brasil aumentou 70%, passando de 1 megabit por segundo (Mbps) para 1,7 Mpbs, segundo estudo divulgado pela consultoria Teleco. Dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT) indicam que no mesmo período o preço dos acessos fixos caiu 64%, mais que a média mundial, que foi de 52%. Enquanto isso, a base de clientes de banda larga aumentou 195% no período, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Os números mostram ainda que 28% das conexões no Brasil estão acima de 2 Mbps e já há cidades que contam com ofertas no segmento de altíssima velocidade, acima de 100 Mbps. A ampliação da velocidade das conexões foi ainda maior na banda larga móvel, que apresentou 78% de crescimento no ano passado. A velocidade média das conexões via celular ou por modems 3G passou a ser superior a 600 quilobits por segundo (Kbps) no fim de 2010.

Banda larga nas escolas

A internet em alta velocidade também chega a instituições públicas de ensino por meio das prestadoras, no Programa Banda Larga nas Escolas. A meta inicial do programa assumida pelas concessionárias de telefonia fixa, de conectar 57,6 mil instituições de ensino até o fim de 2010, foi alcançada. Para dezembro de 2011, o compromisso é de chegar a 62,7 mil escolas e já no primeiro trimestre deste ano 94% desse total foram atendidas. Ao todo, 58,7 mil escolas já estavam conectadas gratuitamente à internet através de acessos banda larga no final de março de 2011.

A banda larga das prestadoras também deu um salto na penetração domiciliar na última década, chegando a 17,4 milhões de lares, segundo levantamento da Telebrasil realizado com base em dados preliminares do Censo 2010. O mesmo estudo revela que 58 milhões de pessoas já possuem internet rápida em casa.

Com o objetivo de discutir os avanços ainda necessários para o setor de telecomunicações, especialmente o de banda larga, a Telebrasil promoverá nos dias 1º e 2 de junho, em Brasília, o seu 55º Painel Telebrasil. A edição deste ano terá como tema “Soluções Completas com Tecnologias de Informação e Comunicação em Banda Larga – Alavancas para a Inclusão Social e a Competitividade Global”.

Bernardo e Mercadante negociam exploração de satélite pela coreana SK

Com novas posições orbitais já destinadas pela UIT ao Brasil, o país começa a negociar com potenciais interessados em explorar o uso de satélites – a começar pelo grupo sul coreano SK, que aproveitou a viagem do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na semana passada, para reforçar o apetite em entrar no negócio.

O governo gostou da ideia. Bernardo, que acaba de voltar da Coreia, tratou do tema em reunião nesta quarta-feira, 18/5, com o colega de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que também vai àquele país, em junho. “A SK quer explorar satélite aqui e é importante que o ministro Mercadante retome o assunto na viagem de junho”, disse Paulo Bernardo após o encontro.

Paralelamente, o Minicom também combinou que vai entrar nas tratativas em andamento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), igualmente voltadas à exploração de novos satélites. “As telecomunicações são o principal serviço dos satélites e já acertamos que o ministério [das Comunicações] fará parte das reuniões com o INPE, que tem vários projetos”, completou Bernardo.

A abordagem ao ministro, no entanto, não foi a primeira demonstração de interesse da SK. Em 20 de janeiro, representantes do grupo – um conglomerado de 92 empresas, sendo que a SK Telecom detém mais da metade do mercado móvel coreano – estiveram na Anatel para conhecer os termos do leilão das novas posições orbitais, a ser promovido pelo órgão regulador. Estiveram mantendo contatos na agência reguladora os diretores Simyon Sung e Hung Suk Kang (escritório de Nova York), além do gerente Steve Lee.

Como demonstrou ao ministro, a SK já avisara a Anatel que pretende entrar na disputa dos satélites, assim como adquirir radiofrequência no Brasil. “O principal interesse deles é em sobras da faixa de 2,1 GHz, com o qual eles prometem oferecer LTE”, disse Paulo Bernardo. À Anatel, a SK sustentou que o serviço com LTE (a quarta geração da telefonia móvel) poderá levar banda larga inclusive para a zona rural. A freqüência é viável para operação satelital.

O governo tem pressa, justificada pelo prazo exíguo para o Brasil confirmar a exploração das posições orbitais designadas pela União Internacional das Telecomunicações. O edital do leilão dessas posições está em discussão na Anatel – daí a visita de representantes da SK – mas o Brasil precisa garantir o uso dos slots até 2014. Em geral, um satélite leva de dois a três anos para ser colocado em órbita.

A pressa se justifica. O Brasil já teria sido avisado que, se perder essa oportunidade, poderá pagar o vexame de ver a Argentina – também interessada no negócio – indicada pela UIT para exploração dessas posições orbitais. Com o agravante de que o país terá de pagar aos vizinhos para se valer do serviço, pois o satélite que subir irá prover sinal para toda a América Latina.

O interesse da SK no Brasil não é coincidência. A empresa já entrou no país em associação com o grupo do empresário brasileiro Eike Batista – no ano passado, os coreanos aportaram US$ 700 milhões no grupo de Batista. Assim como o conglomerado coreano, o empresário brasileiro também tem interesses em mercados distintos como mineração, petróleo e telecomunicações.

No mercado brasileiro já se comenta que o empresário Eike Batista poderá criar em breve uma empresa destinada exclusivamente à realização de negócios no setor.

Bernardo cobra celeridade da Anatel na aprovação de regulamentos

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse nessa terça-feira (17), que o Brasil está muito atrasado na inovação e que a regulamentação de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, que está sendo elaborada pela Anatel, pode mudar esse quadro. “Nós estamos lutando para trazer para o Brasil fabricantes de equipamentos, mas ainda estamos longe da situação ideal”, ressaltou.

Bernardo, que participou da abertura do Seminário sobre PD&I, promovido pela Anatel em parceria com o Ipea, considera fundamental que a agência dê celeridade à aprovação dos regulamentos necessários para assegurar serviços de telecomunicações de maior qualidade e de preço mais baixo, especialmente os ligados ao acesso à internet. O ministro diz que a regulação é essencial para aproveitar o interesse que o mundo está tendo no mercado brasileiro, que tem um potencial considerável. “Vamos fazer a nossa parte para ter autoridade de cobrar metas e obrigações das operadoras”, enfatizou.

Em entrevista, o ministro esclareceu que a elaboração de normas deve ser precedida de amplo estudo, mas considerou o prazo de seis meses como razoável para aprovação de um regulamento pela Anatel, espaço de tempo muito abaixo do que a agência tem precisado para aprovar qualquer documento. “Se melhorarmos o ambiente regulatório, as condições de trabalho no Brasil, nós vamos nos desenvolver muito rapidamente. Têm muita gente que quer ter acesso as novas tecnologias, mas que não conseguem porque são caros, não são suficientemente oferecidas e que a regulação pode resolver rapidamente esses problemas”, frisou.

Bernardo disse que, como muitos dos regulamentos considerados prioritários já foram longamente debatidos, poderão ser aprovados logo. Ele reconheceu, entretanto, que só isso não basta. “O aumento de investimento em infraestrutura é também crucial e o Estado tem um papel importante no estabelecimento de políticas públicas que incentivem investimentos”, disse. E reafirmou a intenção do governo em aplicar até R$ 1 bilhão de recursos do orçamento por ano nessa área, priorizando regiões onde as prestadoras privadas não demonstram interesse.

O ministro adiantou que na próxima semana tem reunião com a presidente Dilma Rousseff para apresentar as linhas gerais da necessidade de investimentos para este ano.