Comissão quer explicações sobre testes com tecnologia para banda larga

A Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática enviará pedido de informações ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, sobre os resultados dos testes realizados pela da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com o "WiMax".

O acesso à internet sem fio, chamado de WiMax, é feito pelos segmentos de radiofrequências nas subfaixas de 3.400 MHz a 3.600 MHz, que são frequências para exploração de serviços de banda larga.

De acordo com o deputado Sandro Alex (PPS-PR), que propôs a pesquisa, as antenas parabólicas espalhadas pelo País utilizam a frequência de 3,5 GHz, que corresponde à frequência adjacente utilizada pelo serviço de telecomunicações “WiMax”.

Ele afirma que os usuários poderão sofrer sérios problemas de interferência nas suas transmissões através das parabólicas. Assim, a preocupação é que efetivamente as transmissões do “WiMax” interfiram também nas 22 milhões de parabólicas domésticas existentes no País.

O ministro terá de enviar à comissão uma cópia completa dos relatórios contendo os resultados dos testes já realizados. Sandro Alex também pediu os seguintes esclarecimentos ao ministério:
– se foram realizados testes pela Anatel com o “WiMax” em 3,5 GHz, utilizando a potência de 2We quais foram os seus resultados?;
– se foram realizados testes pela Anatel com o “WiMax” em potências elevadas de até 30We, em caso positivo, quais foram os seus resultados?

O ministro terá 30 dias para responder à consulta. Caso não responda dentro do prazo, o ministro poderá responder por crime de responsabilidade.

Meia-entrada para jovens de 15 a 29 anos pode sofrer “ajustes”

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (5/10) o Projeto de Lei que institui o Estatuto da Juventude e define um conjunto de direitos específicos para jovens entre 15 e 29 anos, como a meia-entrada em eventos artísticos e culturais. Atualmente, as leis que regem a meia-entrada são estaduais.

Além disso, o texto determina que no mínimo 30% dos recursos do Fundo Nacional de Cultura terão de ser destinados preferencialmente a programas e projetos culturais voltados aos jovens.

A matéria, aprovada na forma de um substitutivo, será enviada para análise do Senado. A autoria do projeto é a relatora Manuela dÁvila (PCdoB-RS).

Ajustes

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou nesta quarta-feira (6) que o texto do Estatuto da Juventude recém-aprovado pelo Plenário ainda pode sofrer ajustes. “O governo queria aprovar o estatuto, queríamos fazer alguns ajustes e fizemos. Mas é possível que tenham passado alguns pontos que precisarão ser revisados no Senado”, disse.

Entre os pontos a serem corrigidos, ele destacou a parte do estatuto que assegura o pagamento de meia-entrada, o que incluiria os jogos da Copa de 2014.

Segundo Vaccarezza, a aprovação da proposta não deve gerar conflitos com o projeto do Executivo que cria a Lei Geral da Copa (PL 2330/11), ainda em tramitação. “O Estatuto da Juventude é uma coisa perene para daqui a 100 anos, ali tem muitos desejos, vontades e princípios. Já a Lei Geral da Copa, em 2015 não vai ter mais importância nenhuma”, declarou.

Apesar de favorável ao Estatuto da Juventude, na opinião do líder, não cabe a uma lei federal estabelecer benefícios com a meia-entrada, e sim, às legislações de estados e municípios.

Anatel prorroga consulta pública do PGMC até 23 de outubro

Redação – Tele Time News

As operadoras têm mais 15 dias para formular suas propostas sobre o Plano Geral de Metas da Competição (PGMC). Nesta sexta-feira, 7, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou no Diário Oficial da União a extensão, até 23 de outubro, do prazo para a consulta pública nº 41. A data limite para contribuições à consulta se encerraria neste sábado, 8.

O PGMC cria regras à concorrência no mercado de telecomunicações e, por considerar o tema complexo, as entidades que representam a iniciativa privada em telecomunicações pleiteavam junto ao órgão um adiamento no prazo final para entrega das propostas sobre o tema.

Como antecipou este noticiário, em agosto, o  SindiTelebrasil, entidade que representa as operadoras de telefonia fixa e móvel, chegou a solicitar ao órgão regulador que esticasse o vencimento da entrega de contribuições para o projeto.

Além da entidade, as empresas do grupo mexicano América Móvil (Net Serviços, Claro e Embratel) pediram mais tempo para se manifestar sobre o PGMC e a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), também manifestou interesse pela postergação do prazo.

 

 

Plano de banda larga subsidiado dos EUA será votado no dia 27

Redação – Tele.Síntese

A Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) revelou na quinta-feira (7) a versão final de sua proposta para a universalização da banda larga nos Estados Unidos, que deve ser analisada por membros da agência reguladora para ser votada no dia 27 de outubro. O objetivo do “PNBL” norte-americano, que deve ser iniciado em 2012, será atingir a todos os 18 milhões de americanos que ainda não têm acesso à internet até 2022, usando, para isso, recursos do fundo de universalização das telecomunicações.

Atualmente, o governo norte-americano já gasta cerca de US$ 4,5 bilhões por ano para subsidiar serviços de telefonia em áreas rurais. O plano da FCC é atualizar esse programa para levar a internet de alta velocidade à população rural que não é atendida pelo mercado de telecomunicações devido ao alto custo de servir regiões mais distantes.

"Ele ajudará a cortar pela metade, nos próximos cinco anos, o número de americanos ignorados pela banda larga, e nos colocará no caminho certo para universalizar a banda larga até o final da década”, disse o presidente da FCC, Julius Genachowski.

Segundo a agência de notícias Reuters, no começo do ano, a FCC sugeriu a modernização do fundo de subsídios de US$ 8 bilhões do governo, pago por taxas adicionais em contas telefônicas, para impulsionar a infraestrutura. Para Genachowski, o atual programa é ineficiente e deve incorporar também subsídios para banda larga fixa e móvel. A Comissão também quer acabar com o financiamento do governo para a duplicação de redes, que incentiva a presença de mais de uma operadora em localidades remotas.

A morte de Steve Jobs, o inimigo número um da colaboração

Steve Jobs morreu, após anos lutando contra um câncer que nem mesmo todos os bilhões que ele acumulou foram capazes de conter. Desde ontem, após o anúncio de seu falecimento, não se fala em outra coisa. Panegíricos de toda sorte circulam pelos meios massivos e pós-massivos. Adulado em vida por sua genialidade, é alçado ao status de ídolo maior da era digital. É inegável que Jobs foi um grande designer, cujas sacadas levaram sua empresa ao topo do mundo. Mas há outros aspectos a explorar e sobre os quais pensar neste momento de sua morte.

Jobs era o inimigo número um da colaboração, o aspecto político e econômico mais importante da revolução digital. Nesse sentido, não era um revolucionário, mas um contra-revolucionário. O melhor deles.

Com suas traquitanas maravilhosas, trabalhou pelo cercamento do conhecimento livre. Jamais acreditou na partilha. O que ficou particularmente evidente após seu retorno à Apple, em 1997. Acreditava que para fazer grandes inventos era necessário reunir os melhores, em uma sala, e dela sair com o produto perfeito, aquele que mobilizaria o desejo de adultos e crianças em todo o planeta, os quais formam filas para ter um novo Apple a cada lançamento anual.

A questão central, no entanto, é que o design delicioso de seus produtos é apenas a isca para a construção de um mundo controlado de aplicativos e micro-pagamentos que reduz a imensa conversação global de todos para todos em um sala fechada de vendas orientadas.

 

O que é a Apple Store senão um grande shopping center virtual, em que podemos adquirir a um clique de tela tudo o que precisamos para nos entreter? A distopia Jobiana é a do homem egoísta, circundado de aparelhos perfeitos, em uma troca limpa e “aparentemente residual”, mediada por apenas uma única empresa: a sua. Por isso, devemos nos perguntar: era isso que queríamos? É isso que queremos para o nosso mundo?

 

Essa pergunta torna-se ainda mais necessária quando sabemos que existem alternativas. Como escreve o economista da USP, Ricardo Abramovay, em resenha sobre o novo livro do professor de Harvard Yochai Benkler The Penguin and the Leviathan, a cooperação é a grande possibilidade deste nosso tempo.

 

“Longe de um paroquialismo tradicionalista ou de um movimento alternativo confinado a seitas e grupos eternamente minoritários, a cooperação está na origem das formas mais interessantes e promissoras de criação de prosperidade no mundo contemporâneo. E na raiz dessa cooperação (presente com força crescente no mundo privado, nos negócios públicos e na própria relação entre Estado e cidadãos) estão vínculos humanos reais, abrangentes, significativos, dotados do poder de comunicar e criar confiança entre as pessoas.”

 

Colaboração: essa, e não outra, é a palavra revolucionária. E Jobs não gostava dela.

 


Rodrigo Savazoni
é Webproducer e realizador multimídia. Diretor do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital e um dos criadores da Casa da Cultura Digital. Co-organizou os livros “Vozes da Democracia” (Imprensa Oficial, 2007) e “Cultura Digital.BR” (Azougue, 2009). Também foi professor do curso de pós-gradução de jornalismo on-line da PUC-SP. Em 2008, foi editor especial do estadao.com.br, responsável pelo desenvolvimento do projeto Vereador Digital, entre outros. Entre 2004 e 2007 conduziu a reformulação da Agência Brasil como chefe de redação.