Marco Civil: Teles tentam evitar votação e querem mudar neutralidade de rede

As empresas de telecomunicações – vale dizer, as detentoras das redes por onde trafegam as informações e aplicações da Internet – querem garantir mais tempo para a discussão do Marco Civil, com especial dedicação a modificar o texto em relação à neutralidade de rede.

As teles já apresentaram sugestão de mudança no texto durante os três dias em que o substitutivo do relator, Alessandro Molon (PT-RJ) ao PL 2126/2011 foi aberto à sugestões na semana passada. Nesta terça-feira, 10/7, foram ao Ministério das Comunicações pedir ajuda para um novo adiamento da votação.

“O Marco Civil é muito importante, mas o processo está se dando de forma muito rápida e, da forma como está, pode engessar o desenvolvimento do setor. Há muita delicadeza na interpretação da palavra neutralidade”, afirma o diretor-executivo do sindicato nacional das teles, o Sinditelebrasil, Eduardo Levy.

Segundo ele, a legislação deve prever a “possibilidade de administrar de forma mais eficiente a rede de Internet brasileira”, mas o substitutivo, como está, criaria “risco de muita restrição a qualquer possibilidade [dessa administração] e qualquer medida pode ser interpretada como ofensa à neutralidade”.

A proposta das teles para a neutralidade prevê justamente a “administração eficiente da rede”, bem como substituiu o papel do Comitê Gestor da Internet por regulamentação da Anatel. “O CGI não é um órgão de Estado. A Anatel, sim. E aquilo que a Anatel já regula hoje é suficiente para garantir a qualidade da Internet”, sustenta Levy.

Até aqui, o relator do projeto pretende manter a apresentação do texto em sessão marcada para esta quarta-feira, 11/7. Mas ele participará ainda na noite desta terça-feira, 10/7, de uma nova reunião com representantes do governo – após a primeira, pela manhã, confirmou-se o adiamento da votação inicialmente prevista para hoje.

Nessa reunião serão discutidas as mudanças feitas por Molon no texto, após as ressalvas do Executivo, especialmente às atribuições dadas ao CGI.br – que, apesar da celeuma criada, aparece apenas como responsável por recomendações no texto do relator.

Com governo e empresas preferindo impedir que a votação aconteça ainda antes do recesso parlamentar, o movimento tem tudo para ser bem sucedido. Mas por conta da tramitação em regime de urgência do projeto, isso exigirá a ausência de quórum na sessão desta quarta, ou a aprovação de um requerimento de adiamento – ou ainda convencer o presidente da comissão, deputado João Arruda (PMDB-PR) a cancelar a sessão.

Conselho Curador da EBC aprova faixa de programação religiosa e indicação de novos membros

Redação – Observatório do Direito à Comunicação

Em reunião no dia 27 de junho, o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) encaminhou a realização de uma consulta pública para a indicação de dois novos membros e a definição da política de conteúdo religioso nas emissoras públicas.

Os conselheiros aprovaram que será enviada uma lista única para a designação da presidência da República de dois novos representantes. Foi aprovado a necessidade que os indicados representem uma ampliação a diversidade regional, de presença de mulheres, indígenas e negros, e o conhecimento nas áreas de comunicação pública, direitos humanos e rádio. O edital de indicação da sociedade civil deverá ser publicado nos próximos dias.

O Conselho Curador também aprovou a nova resolução sobre os programas de conteúdo religiosos. Foi estabelecido uma faixa de programação de uma hora, de cunho jornalístico sobre as crenças, e um programa de meia hora voltado a mensagens dos diferentes grupos religiosos. Foi também criado um Conselho Editorial da Faixa da Diversidade Religiosa para avaliar se as propostas de novos programas estão adequados a política definida.

O órgão ainda aprovou o manual para cobertura das eleições municipais e uma moção de apoio à manutenção do atual horário do programa Voz do Brasil.

Com informações da Secretaria do Conselho Curador da EBC

Governo do RS já tem primeira versão do Conselho de Comunicação

Redação – Observatório do Direito à Comunicação

Representantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul (CDES-RS) entregaram nesta terça (9/7) ao governador Tarso Genro (PT), a minuta de Projeto de Lei para a criação do Conselho Estadual de Comunicação Social. O projeto foi formulado por um grupo de trabalho a partir das diretrizes aprovadas pelo CDES-RS.

Tarso afirmou que colocará o texto em discussão com outros atores e com os partidos da base do governo. Está previsto também a realização de um seminária sobre o tema. O projeto deverá tramitar sem regime de urgência na Assembléia Legislativa.

Confira a íntegra da proposta de criação do Conselho de Comunicação do RS

Com informações do portal Sul21

A raposa vigia o galinheiro – 2

Em tempos em que a imprensa se vê obrigada a explicitar temas que sempre foram de seu conhecimento, mas que preferia “não interferir”, como o caso de parlamentares que atuam como despachantes de luxo, vale a oportunidade para relembrar de outros casos em que o silêncio é adotado como o melhor tipo de cobertura para a manutenção de determinados interesses. São muitos, mas aqui especificamente vamos abordar um que sempre fica pela periferia dos debates que envolvem a mídia: a publicidade.

No fim de 2008, publiquei neste Observatório um texto com o título “A raposa vigia o galinheiro “, no qual questionava a indicação do então deputado federal Osório Adriano (DEM-DF) para a relatoria do PL 5.921/2001, sobre a regulamentação da publicidade para crianças. Nada contra o deputado nem contra os cidadãos do Distrito Federal que o elegeram; o que pesava era o fato de ele ser também proprietário da Brasal Refrigerantes, fabricante da Coca-Cola para o Centro-Oeste.

Na época, o então deputado/empresário argumentou à Folha de S. Paulo: “Eu estaria errado se estivesse administrando a fábrica, mas são meus filhos que fazem isso”. E a assessoria da Câmara dos Deputados informou que não havia nenhum impedimento, já que o projeto não tratava especificamente de refrigerantes. Como se a publicidade desse produto não fosse direcionada a crianças.

Folha corrida

Não é preciso ser jurista para interpretar o que está escrito no parágrafo 6º do artigo 180 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados:

“Tratando-se de causa própria ou de assunto em que tenha interesse individual, deverá o Deputado dar-se por impedido e fazer comunicação nesse sentido à Mesa, sendo seu voto considerado em branco, para efeito de quorum”.

E o filme se repete. No ultimo dia 15 de maio, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara indicou o deputado Damião Feliciano (PTB-PB) como novo relator do PL 1.637/2007, que propõe a regulamentação da publicidade de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gorduras e sódio, e de bebidas com baixo teor nutricional. O problema dessa vez é que o deputado, além de médico (o que lhe qualificaria para a relatoria) é concessionário de duas emissoras de rádio no interior da Paraíba: o Sistema Rainha de Comunicação Ltda . (Rádio Panorâmica 97,3 FM), em Campina Grande; e a Rádio Santa Rita Ltda. (Rádio Líder 100,5 FM), na cidade de Santa Rita.

Além das questões ligadas ao conflito de interesses tratadas no artigo 54 da Constituição, que fala do duplo papel deputado/concessionário, tal medida fere também o artigo 18, inciso II, e o artigo 180 § 6º do Regimento Interno Câmara, que tratam de interesses patrimoniais e votações em causa própria e de interesses pessoais dos deputados em matérias em tramitação na casa. Há um claro impedimento neste caso. A não ser que surja outra desculpa alegando que as rádios do deputado não veiculam publicidades de alimentos e/ou de refrigerantes.

Em relação à primeira irregularidade, colegas que se debruçam sobre o tema do chamado “coronelismo eletrônico”, como Venício A. Lima e Suzy Santos, teriam um prato cheio ao analisar o caso do deputado Damião Feliciano. Como pode ser visto na página online de uma de suas emissoras, o parlamentar mantém fortes vínculos com a emissora, tanto que apresenta diariamente o programa A voz do coração. Interessante também observar na sequência do banner dos destaques da emissora, o anúncio do Programa do Mução, apresentado pelo humorista e radialista Rodrigo Vieira Emereciano. O mesmo que foi preso pela Polícia Federal na semana passada em uma ação ligada a pornografia infantil, e responsável por um dos programas que mais desrespeitam os direitos humanos.

Raposas e currais

Quanto à afronta ao Regimento Interno da Câmara, se o próprio deputado não se der por impedido, cabe ao presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Márcio Reinaldo Dias Moreira (PP-MG), indicar outro relator, ou então a Corregedoria da Casa tomar providências pelo impedimento de Damião Feliciano.

O PL 1.637/2007, de autoria do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), é um avanço nos debates sobre a epidemia da obesidade. Ele já tramitou pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, onde teve parecer contrário do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) – advogado, herdeiro político do pai Ibrahim Abi-Ackel, ex-deputado e ministro da Justiça na época da ditadura –; passou pela Mesa da Câmara e está na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio desde setembro de 2011. Nela, já recebeu parecer favorável do deputado José Augusto Maia (PTB-PE) e chegou às mãos do deputado/médico/radiodifusor Damião Feliciano há pouco mais de um mês.

Além de despachantes de luxo, o Parlamento continua cheio de raposas ávidas para continuar tomando conta de seus galinheiros, currais eleitorais e coisas do gênero.

Edgard Rebouças é jornalista, professor de Legislação e Ética na Comunicação na UFES e coordenador do Observatório da Mídia: direitos humanos, políticas e sistemas

Relator vai propor regulamentação da publicidade infantil

O relator do projeto de lei que proíbe a publicidade de produtos infantis (PL 5921/01 ), na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, deputado Salvador Zimbaldi (PDT-SP), apresentará em agosto seu parecer. O texto já foi alterado nas comissões de Defesa do Consumidor e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.

Após audiência pública que debateu o tema nesta terça-feira, Zimbaldi afirmou que uma lei sobre publicidade infantil é necessária porque o Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) não tem sido eficaz. "Nós vamos tentar buscar o melhor para população e particularmente para as crianças. Hoje, estamos convivendo com a população infantil obesa, por conta do consumismo, do sedentarismo. O que queremos, na verdade, é buscar um meio termo para que a propaganda não venha a ser restrita, mas, por outro lado, também não haja um incentivo, um estímulo absurdo ao consumo, conforme estamos vivenciando hoje."

Taís Vinha, que integra um movimento de mães por uma "Infância Livre do Consumismo", defendeu o projeto por considerar que a publicidade deve ser dirigida aos adultos.

Taís criticou o poder de ação do Conar que não tem atendido às denúncias a tempo, conforme o exemplo citado por ela. "Eles diziam no merchandising: foi descoberto o segredo de beleza da Barbie. Como é que se diz para uma criança que uma boneca de plástico tem segredo de beleza? Esse é o ideal de beleza que estamos fazendo uma criança acreditar? Esse ideal não existe, é plástico. Isso, na minha consideração, é propaganda enganosa. Fiz essa denúncia ao Conar em 2010, até hoje não tive retorno. Eles sequer acataram minha denúncia. O que a gente sente é que os pais não têm a quem recorrer. A gente quer participar, mas a gente queria que a coisa fosse rápida. O que adianta tirar (o comercial do ar) dois, três meses depois que a mensagem já atingiu milhões de crianças?"

A advogada do Instituto Alana, Ekaterine Karageorgiadis, defendeu a modificação do texto original do projeto para que a proibição seja para a publicidade direcionada às crianças e não aos produtos infantis. "A publicidade de produtos infantis pode existir desde que direcionada aos pais", explicou.

A entidade, que é uma organização sem fins lucrativos voltada para promover a assistência social, a educação, a cultura, a proteção e o amparo da população em geral, lançou um manifesto contra a publicidade infantil na internet (www.publicidadeinfantilnão.org.br) aponta as principais consequências da publicidade para as crianças: obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, conflito entre o a ideia de "ter" e "ser" e alcoolismo. "As crianças não diferenciam a publicidade da programação, elas não têm discernimento e não sabem que podem optar por comprar ou não", acrescentou Ekaterine.

Interferência do Estado

O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, criticou a interferência do Estado nesse tema. "Esse projeto de lei não tem consenso. O Estado não pode desligar a Internet ou proibir a viagem de crianças ao exterior. Vai acabar criando um sistema de castas, onde há aqueles com informação e aqueles sem", disse. Costa afirmou ainda que sãos as mães que compram 70% dos brinquedos no Brasil. "A mãe sabe muito bem o que está fazendo. Eu prefiro confiar na mãe do que na ação do Estado para regular o que a família deve fazer. Eu prefiro o respeito a família brasileira", destacou.

Apesar de convidado, o Conar não compareceu à audiência pública. Foi representado pelo vice-presidente da Associação Brasileira de Anunciantes, Rafael Sampaio. Contrário à proibição da publicidade infantil, o dirigente defendeu a autorregulamentação como o melhor caminho para coibir abusos.

Íntegra da proposta:

PL-5921/2001