Rafael Correa quer suspender publicidade oficial na grande mídia equatoriana

No que depender do presidente equatoriano, Rafael Correa, os grandes jornais, revistas e canais de rádio e televisão do país já não poderão contar com as receitas da publicidade oficial para financiar sua programação. No último sábado (28), o mandatário anunciou que deixará de contratar anúncios pagos nos meios de comunicação comerciais.

“Não temos porquê, com o dinheiro dos equatorianos, beneficiar o negócio de seis famílias do país”, constatou o presidente, recomendando ao secretário de Comunicação, Fernando Alvarado, que retirasse imediatamente a grande mídia equatoriana da carta publicitária das empresas e instituições governamentais. “Daqui pra frente, zero publicidade oficial aos meios mercantilistas, para ver se fazem comunicação por vocação ou por negócio.”

A notícia veio durante a 282ª edição do programa Enlace Ciudadano, uma espécie de prestação de contas misturada com propaganda institucional que Rafael Correa realiza semanalmente em algum lugar do país – desta vez, o evento ocorreu em Ibarra, ao norte da capital, Quito. O presidente lembrou que seis semanas antes havia sugerido aos meios de comunicação privados que renunciassem à publicidade oficial, uma vez que criticam tanto o governo por não respeitar a liberdade de expressão.

De acordo com o mandatário, nenhum meio abriu mão da verba publicitária. Pelo contrário, o presidente da Associação Equatoriana de Editores de Jornais (AEDEP, na sigla em castelhano), Diego Cornejo, afirmou em uma emissora de rádio que nenhuma empresa de comunicação do Equador deixaria de veicular as rentáveis propagandas oficiais. Fazê-lo, argumentou, seria contrariar a lógica do negócio. “Maravilhoso que seja honesto”, exaltou Correa. “Reconhece que é um negócio, que sua lógica é fazer dinheiro.”

Batalha

A suspensão da publicidade oficial é apenas mais um capítulo da batalha política entre o governo e os meios de comunicação equatorianos. O último passo de Rafael Correa em direção à grande mídia do país havia sido desferido em junho, quando o presidente proibiu seus ministros de concederem entrevistas exclusivas aos veículos comerciais. Em contrapartida, os editoriais e artigos de opinião atacam constantemente a administração correista por não respeitar a liberdade de imprensa.

A mais recente decisão do presidente ganha peso devido à Lei de Comunicação, que tramita há dois anos na Assembleia Nacional do Equador. Depois de muita discussão, o projeto está pronto para ser votado em plenário. O problema é que nem governo nem oposição têm maioria para aprová-la ou rechaçá-la. Esperava-se que a lei fosse apreciada pelos deputados na semana passada, mas o presidente da Assembleia, Fernando Cordero, suspendeu a votação alegando falta de quórum.

Entre seus 120 artigos, a Lei de Comunicação pretende dividir as frequências de rádio e televisão entre meios de comunicação privados, públicos e comunitários. A proporção seria 33%, 33% e 34%. Os canais de rádio e televisão que acabam de perder a verba publicitária oficial se opõem ferrenhamente ao projeto. O governo é seu maior entusiasta.

“O texto determina expressamente que o governo deve distribuir a receita publicitária entre os meios privados, públicos e comunitários – e também entre os meios rurais e urbanos”, assegura Romel Jurado, assessor do deputado Mauro Andino, presidente da comissão que escreveu a Lei de Comunicação.

Globo não abre mão da licença de TVA e Anatel manda emissora sair do controle da NET e da Sky

Embora o grupo América Móvil tenha sido o primeiro a dar entrada na Anatel ao pedido de migração de todas as suas licenças de TV por assinatura da NET, Embratel e Claro para o novo serviço de TV paga, o SeAC (Serviço de Acesso Condicionado) ,e de a autorização da Sky para a migração já ter sido analisada pelo conselho diretor da Anatel, os processos voltaram para seu início. E só serão resolvidos depois que as Organizações Globo saírem integralmente do controle das duas operadoras.
 
Tudo porque a Anatel confirmou que a TV Globo possui duas licenças (no Rio de Janeiro e em São Paulo) de TVA (Serviço de Televisão por Assinatura), um serviço cujas licenças foram concedidas para pouco mais de 20 empresários e políticos de maneira muito pouco transparente há anos atrás. O serviçoe não tem mais de 100 usuários a ele vinculados, mas ocupa a nobre frequência de 6 MHz na faixa de 700 MHz.
 
O grande imbroglio ocorre porque a TV Globo não quer mudar estas duas licenças e migrá-las para o SeAC, mantendo-as como licenças de TVA. A nova lei do SeAC define que emissoras de radiodifusão não podem participar do controle das operadoras de TV paga e que velhas licenças dos serviços de TV por assinatura não podem coexistir com novas licenças do SeAC.
 
Trocando em miúdos, a Globo, por não querer migrar também as licenças de TVA para o Seac,  acaba criando uma coligação ilegal (pois é emissora de TV) entre ela, a NET e todas as empresas da América Móvil e a Sky, já que também tem ações desta operadora de DTH.
 
A Globo não é obrigada a migrar as suas licenças de TVA para o SeAC, mas a mesma lei estabelece que estas licenças não poderão ser renovadas, ou seja, a Globo está preferindo ficar com duas frequências e duas licenças que só estarão sob seu domínio até o ano de 2020 ao invés de se manter no controle da NET e Sky. Resta saber por quê.
 
Fontes da Anatel afirmam que, frente a esta decisão da emissora, a agência mandou que os grupos América Móvil e Sky reapresentassem toda a papelada e os acordos de acionistas, sem qualquer poder de controle sobre as  operações de TV paga. Assim, por exemplo, a Globo, que iria poder manter seu poder de veto em alguns itens decisórios da NET, terá que sair integralmente do controle da operadora.
 
Segundo técnicos da Anatel, os grupos econômicos já estão reencaminhando seus acordos de acionistas para a apreciação da agência, o que significa que a emissora vai mesmo sair do controle dessas operações.  A conferir.
 
Hoje, no evento da ABTA, o presidente da NET, Antonio Félix, anunciou aumento de investimentos, mas cobrou as licenças, sem as quais, a operadora não pode se expandir para novas cidades.

Banda larga terá plano de universalização

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, anunciou hoje em São Paulo, ao participar do 4º Congresso Brasileiro de Provedores de Internet, que reuniu representantes de cerca de 600 provedores regionais, que já foram criadas as condições para o país discutir um Plano de Universalização da Internet capaz de levar uma conexão à rede a cada domicílio brasileiro. Bernardo quer incluir este plano na revisão do planejamento estratégico do Ministério das Comunicações, que pretende iniciar neste semestre. "Temos que fazer um plano de universalização que cubra seis, sete anos. Certamente esta é uma tarefa para ser levada à frente pelo próximo governo", disse ele.

Ao fazer um balanço dos avanços na área de internet, o ministro citou a ampliação do número de conexões à internet — ele disse que até o final do ano metade dos municípios brasileiros estarão conectados à internet –, o aumento das velocidades contratadas e a queda dos preços, tanto para o usuário final como para quem compra capacidade das operadoras, no caso os provedores regionais. Destacou o papel da Telebrás na queda dos preços de atacado e na conexão dos municípios (em 2014 cobrirá 4.283 cidades), a chegada da internet rural a partir da licitação das frequências de 450 MHz e de 2,5 GHz, o incentivo à ampliação da infraestrutura de banda larga com a desoneração fiscal incluida no Regime Diferenciado de Preços, entre outras medidas.

Frequências para os pequenos

Á reivindicação apresentada pelo presidente da Associação Brasileria dos Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Wagner Maia, sobre o acesso dos provedores regionais a radiofrequências, o ministro Paulo Bernado respondeu que está pronto para discutir o acesso a faixa de 3,5 GHz como a outras possibilidades. Os pequenos provedores querem acesso a uma faixa de radiofrequência que seja licitada em uma modelagem que permita a sua participação. "Para isso os lotes terão que ser pequenos, de preferência por cidades", disse Maia. Segundo ele, até agora a Anatel vem adotando modelos de leilão das frequências voltados apenas para os grandes usuários.

A preocupação dos provedores regionais de que o governo venha a alterar a Norma 4, que impede as concessionárias de fazerem o provimento de acesso à internet e obriga o usuário da rede de telefonia fixa a contratar um provedor (hoje há muitos serviços gratuitos de autenticação), pode sair da pauta, pelo menos por enquanto. Ao tratar do tema, Bernardo disse que a discussão está em banho maria, depois que a Anatel enviou um parecer ao Ministério das Comunicações sobre o risco de que a internet, deixando de ser Serviço de Valor Adicionado, venha a ser sujeita ao ICMS que tem alíquitas superiores ao ISS. "Isso pode prejudicar o consumidor", diz Bernardo. Segundo ele, não há prazo para retomar este debate.

Conselho consultivo critica banda larga fora das metas de universalização

A Anatel adiou uma decisão sobre o relatório anual da agência relativo ao ano de 2011 – por pedido de vistas – mas apesar de elogios às medidas de transparência adotadas pelo regulador, especialmente a transmissão das reuniões do Conselho Diretor, há críticas sobre medidas adotadas no ano passado, com destaque para o acordo que esvaziou a revisão do Plano Geral de Metas de Universalização: foram eliminadas obrigações relativas à infraestrutura de acesso à Internet.

“A retirada do capítulo que tratava da ampliação da banda larga foi um grande erro. O termo de compromisso assinado com as operadoras é um instrumento muito frágil”, sustenta o relator do tema no Conselho Consultivo, conselheiro Marcello Miranda.

Em negociação capitaneada pelo Ministério das Comunicações, a proposta original do que seria o PGMU 3 foi desidratada. A intenção da Superintendência de Universalização da agência era ampliar metas de capacidade dos troncos locais de comunicação (backhauls). No lugar delas, o Minicom patrocinou um termo de compromisso pelo qual as concessionárias – e demais empresas de seus grupos econômicos – prometeram ofertar pacotes de dados de 1 Mbps por R$ 35 em todos os municípios do país.

O relatório ainda critica a redução progressiva no número de telefones públicos no país; pede uma fiscalização mais consistente sobre a oferta de banda larga nas escolas públicas; e defende maior atenção à crescente concentração na oferta dos serviços de telecomunicações no país. Em especial, sustenta que a Anatel precisa dar maior atenção ao tema dos bens reversíveis.

Parte das críticas, no entanto, se relacionam aos reduzidos recursos disponibilizados pelo governo federal à Anatel, com impacto direto nas atividades de fiscalização. “Só no ano passado foram arrecadados R$ 8 bilhões de Fistel, mas a Anatel recebeu R$ 500 milhões”, reclama o relator.

BNDES libera 5 bi a teles proibidas de vender novas linhas de celular

Desembolso do banco público aumentou 99% de janeiro a mai. Na comparação com o mesmo período de 2011, recursos do BNDES passaram de R$ 306 milhões para R$ 608 milhões. Para a indústria, caíram 16%.

Uma das coisas boas do atual imbroglio com as operadoras telefônicas é que, nessa campanha eleitoral, vai ser difícil aparecer algum cretino cantando loas às maravilhas da privatização – corre o risco de ser linchado, ao menos politicamente.

As teles auferiram, em 2011, um faturamento líquido no Brasil de R$ 113,6 bilhões e declararam um lucro líquido – isto é, já livre de qualquer despesa – de R$ 11 bilhões (cf. Exame, “Melhores e Maiores”, julho/2012; convertemos as quantias, publicadas em dólares, para reais, usando a cotação média do ano: o que quer dizer que, provavelmente, esses números são maiores).

E não foi o ano em que elas mais faturaram ou lucraram.

No entanto, o presidente da Anatel, ao anunciar a suspensão da venda de chips das operadoras de telefonia móvel (com exceção da Vivo, que pertence à Telefónica), falou da lastimável “qualidade das redes”, da insuportável “interrupção de chamadas e chamadas não completadas”, de que houve Estados em que as reclamações recebidas pela agência alcançaram “100% dos usuários” (sic) – e o resto os leitores (sobretudo os que têm celular) podem imaginar. A Anatel exigiu que essas operadoras apresentem um plano de investimento em 30 dias.

A conclusão é fácil: as teles têm esses resultados exatamente porque não investem e arrancam o couro do usuário. Mas que têm dinheiro para investir e proporcionar um serviço mais decente, não há dúvida. O problema é que a telefonia foi entregue a alguns bandidos, elementos sem limites em sua ganância – e, até agora, ninguém pôs limites a essa bandidagem.

Porém, o que é mais incrível é que, desde 1999, o BNDES desembolsou R$ 36.034.712.645 (36 bilhões, 34 milhões, 712 mil e 645 reais) para essas quadrilhas das telecomunicações, sempre a título de financiar seus “investimentos” em rede.

Esses R$ 36 bilhões estão nas estatísticas operacionais do BNDES. Ao que parece, R$ 36 bilhões, nos perdoem a rudeza da expressão, que foram jogados no lixo – do ponto de vista dos interesses do país e do povo, ou seja, dos usuários. Mas serviram bastante para a Telefónica ou a Telmex/AT&T aumentarem as remessas de lucros para suas matrizes no exterior.

Como nos referimos a um período longo (1999-2011), frisamos: somente no período de janeiro a maio deste ano, o desembolso do BNDES para as teles aumentou 99% – passou de R$ 306 milhões, no mesmo período de 2011, para R$ 608 milhões. Na mesma comparação, os desembolsos do BNDES para a indústria caíram 16% e os desembolsos, por exemplo, para a área de transporte rodoviário caíram 38% (cf. BNDES, “Desempenho Setorial”, 31/05/2012).

Nos últimos 12 meses, o BNDES aprovou R$ 5,2 bilhões para as teles. Somente de passagem, cabe citar que as teles, quando estatais, eram proibidas de pleitear financiamentos do BNDES.

Também, apenas mencionaremos o fato de que a privatização das teles, além de significar a entrega por preço ínfimo de valioso patrimônio público e nacional a alguns bandidos, significou que estamos continuamente sustentando esses bandidos, enchendo seus cofres e engordando suas remessas de lucros com dinheiro do Tesouro e dos trabalhadores (o Fundo de Amparo ao Trabalhador, administrado pelo BNDES, transformou-se em fundo de amparo às multinacionais e outros monopólios). Não é inevitável, mesmo com empresas privatizadas, esse desenlace – mas o fato é que a política do BNDES permanece a mesma.

O problema que nos parece, aqui, mais relevante, é o seguinte: o país precisa desenvolver-se, crescer, urgentemente. O que só pode ser feito com base na indústria nacional – na indústria de propriedade de nacionais, pois as filiais de multinacionais são remetedoras de lucros para seus donos e importadoras de componentes, isto é, deixadas à solta são espoliadoras do país e, como consequência, paralisam o crescimento, tal como no atual momento.

Para financiar os investimentos das empresa nacionais foi fundado o BNDES – é praticamente a única fonte que existe para elas, fora eventuais recursos próprios. No entanto, o BNDES se dedica hoje a desembolsos para coisas como a Telefónica, TIM e semelhantes – e agora num momento crítico, porque necessitamos reconstruir vários elos da cadeia produtiva nacional que foram exterminados pela política do sr. Mantega no ano passado.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, sabe disso – até já declarou na imprensa que o problema é esse; porém, preferiu render-se à desnacionalização, por consequência, à desindustrialização. Realmente, é mais fácil, ou parece mais fácil. Mas os problemas do país não serão resolvidos pela aderência ao que parece mais promissor para a carreira de fulano ou beltrano. Até porque é um engano: essa política já é insustentável agora, quanto mais daqui a pouco.

Quanto à Anatel, apesar de inteiramente responsável pela situação, depois de anos de vista grossa – não punindo, perdoando multas, deixando os processos caducarem, etc., etc. & etc. – até os seus conselheiros sentiram que tinham de fazer alguma coisa, ainda que no campo da encenação. Mas, segundo disseram alguns, a situação estava começando a ser insuportável para eles. Nem podiam mais sair à rua sem que aparecesse algum conhecido, reclamando (até imaginamos o presidente da Anatel, sr. Rezende, comendo um bacalhau no “A Bela Sintra”, seu restaurante favorito, e aparecendo um usuário para estragar-lhe o paladar: “vocês não vão fazer nada, não, hein?”).