Seis integrantes do Conselho Curador deixam cargo

Nesta terça-feira (14), seis dos 22 primeiros integrantes do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) deixaram seus cargos menos de dois anos após a inauguração da TV Brasil.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, o presidente do Conselho, Luiz Gonzaga Belluzzo, declarou que os cargos foram abandonados por dificuldades de conciliação entre agendas pessoais e as reuniões mensais do órgão na cidade de Brasília. No entanto, ele nega que as demissões prejudiquem o órgão, que tem por objetivo "assegurar o controle social sobre alinha editorial e a qualidade" dos produtos da EBC.

"A composição do conselho tem uma diversidade regional muito grande", disse Belluzzo. "As pessoas têm de viajar a Brasília para participar das reuniões. Isso é incômodo, inclusive para mim. A participação é, em muitos casos, sem remuneração. Alguns recebem um pequeno jetom… No fundo, é um ônus. Chega um momento em que perturba a vida privada".

Até a última segunda-feira (13), tinham requisitado demissão o rapper MV Bill, o advogado Luiz Edson Fachin, o ex-ministro Delfim Netto, a carnavalesca Rosa Magalhães, a empresária Ângela Gutierrez e o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. Alguns destes nomes já foram substituídos no último mês de junho.

PL do Executivo que recupera orçamento da Confecom aguarda votação no Congresso

Está na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) do Congresso Nacional o Projeto de Lei 27/2009, enviado pelo Executivo Federal, e que pode restituir ao Ministério das Comunicações os mais de R$ 6,5 milhões cortados das verbas para a realização da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). O PL prevê crédito suplementar para vários ministérios, entre eles o Minicom. A tramitação do projeto pode ser atrapalhada pelo início do recesso parlamentar.

Na audiência do Conselho Curador, cobranças por transparência

Após 17 meses de existência, o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) realizou sua primeira audiência pública. Anunciada como espaço para a manifestação da sociedade civil sobre a TV Brasil, a reunião foi bastante além da divulgada discussão sobre “o papel da TV pública no Brasil” e da expectativa dos conselheiros e diretores da empresa de conversar sobre a programação do canal. Os participantes da audiência ampliaram o temário à estrutura, financiamento e gestão da EBC, inclusive questionando o funcionamento do próprio Conselho Curador.

A realização da audiência foi um dos primeiros compromissos assumidos por esta gestão inaugural do conselho. Foi a forma encontrada pelos conselheiros e a direção da EBC para minimizar as críticas ao fato de a composição do órgão deixar a desejar no que diz respeito à participação da sociedade na gestão da empresa. O Conselho Curador é composto por indicações diretas do presidente da República, com exceção de um representante dos funcionários que, por sua vez, apenas acompanha as reuniões.

A primeira experiência de abertura do conselho, entretanto, apresentou problemas em relação à divulgação e ao formato de participação. Apesar de aberta ao público, apenas pessoas que se inscrevessem previamente e fossem sorteadas no início da audiência poderiam falar durante o evento. Apenas 33 pessoas se inscreveram e, destas, só 12 compareceram à reunião – justamente o número de participações previstas pelo conselho.

Alguns dos designados para falar durante a audiência passaram a palavra a outras pessoas que participavam da reunião, criando certo incômodo entre os conselheiros. Quando o jornalista e membro da Comissão de Funcionários da EBC, Flávio Gonçalves, alegando que outro colega representaria a comissão dos funcionários, passou a fala para o presidente do Sindicato dos Jornalistas – que não estava inscrito no sorteio -, o presidente do Conselho, Belluzzo, chamou de “estranha a participação de funcionários da TV”.

A mesma situação se repetiu quando da fala de Jerônimo Calório, da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação, a Enecos. Questionado sobre a manifestação dos funcionários, Belluzzo aproveitou para dizer: “Não pretendo cassar a palavra de ninguém, mas gostaria de ampliar o espaço para a manifestação da chamada sociedade civil”. A presidente da EBC, Tereza Cruvinel, em dado momento ressaltou que as regras da audiência foram estabelecidas pelo Conselho para organização da reunião.

Outro momento de constrangimento entre os participantes foi provocado pela saída prematura do presidente do conselho da reunião. Belluzzo ouviu apenas metade das participações da sociedade, foi o primeiro a falar pela conselho e deixou a audiência por volta das 16h50. O fato não passou despercebido sendo lamentado por ter “demonstrado o compromisso dele com o evento”, segundo afirmou o jornalista da TV, Marcus Vinícius Fraga, um dos seis inscritos sorteados no dia do evento e que falaram após a saída de Belluzzo.

Entre outras demandas sobre a gestão da EBC, mudanças no funcionamento do próprio Conselho Curador foram cobradas. Os participantes lembraram a necessidade de se publicar as pautas e atas das reuniões do conselho, que acontecem mensalmente. “A transparência é um pilar fundamental que protege a TV pública que a gente quer”, defendeu Carolina Ribeiro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

Os demais conselheiros, que se manifestaram após as perguntas dos participantes, preocuparam-se em reafirmar a importância da audiência, como forma de abrir o Conselho Curador e a própria EBC à participação da sociedade.

Caráter público deve ser definido na prática

O tema central previsto pelo conselho para a audiência, a programação da TV Brasil, suscitou questionamentos acerca do caráter público de comunicação, transparência e diálogo com o cidadão. O jornalista da EBC, Eduardo Mamcasz, logo incitou a reflexão sobre o modelo de televisão desenvolvido pelo sistema público de comunicação. Ele ressaltou “a necessidade de se definir claramente o que é público”, a fim de que isto esteja presente nas atividades dos funcionários da TV.

Falando especificamente das questões jornalísticas, Mamcasz reclamou de que há “um manual de redação sendo feito sem discussão pública”. A diretora de jornalismo da TV, Helena Chagas, respondeu mais tarde que este manual “está sendo construído todos os dias”.

Defendendo a importância de haver uma tradução prática do caráter público do jornalismo da EBC, Guilherme Strozi, também jornalista da empresa, falou sobre a relevância de se “deixar claro o que é o jornalismo participativo (modelo que tem sido implementado pela TV Brasil) a fim de conseguirmos fazer a sociedade de fato participar”. “Se eu não posso ser fonte na Globo, que eu possa ser no 'Ver TV' [programa da TV Brasil e TV Câmara sobre comunicação]”, disse Francisco Pereira, jornalista da Câmara, ao se referir aos diferenciais de uma TV pública.

Como ponto positivo do jornalismo da EBC, apontou-se a existência de um correspondente no continente africano e a presença de apresentadores negros – uma questão ainda mal resolvida na televisão brasileira. Sobre o telejornalismo Tereza Cruvinel disse que “tem novas programações com licitação internacional, como a Revista África, e novidades na grade que ainda vão acontecer”.

A regionalização e pluralidade na programação também foram lembradas como aspectos que permitem a veiculação de manifestações culturais não encontradas em outras emissoras. Já a parceria entre TV Brasil e cinema nacional foi defendida como processo estratégico na atuação da TV pública considerando, inclusive, a grande produção interna nacionalmente mal usada.

Convergência tecnológica exige leis adequadas

A convergência tecnológica, quando o telefone celular, por exemplo, deixa de ser apenas um instrumento para fazer ligações e passa a ser usado para acessar e-mails e internet, jogos e até televisão, vai exigir dos operadores do Direito reflexões atentas nos próximos anos. É a conclusão dos palestrantes do seminário As mudanças no setor de telecomunicações e sua repercussão no Direito, organizado pela Escola da Magistratura do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio e Espírito Santo) na sexta-feira (10).

Marcelo Bechara Hokaiba, consultor jurídico do Ministério das Comunicações e um dos palestrantes do seminário, entende ser necessário um marco legal adequado que fortaleça o modelo regulatório e de defesa da concorrência. Hokaiba constata que o domínio de empresas de telefonia faz com que elas tenham um poder econômico relevante, enquanto o domínio de empresas de comunicação faz com que elas tenham um poder social relevante. Como, atualmente, serviços de infraestrutura, como de telefonia, e os de conteúdo, como radiodifusão, estão se fundindo, a preocupação, na visão do consultor, é a maneira como se dará essa convergência.

Para ele, a grande ameaça é o aumento de poder de mercado. Por outro lado, diz, pode haver um atraso de implantação do modelo convergente por conta de um mercado tradicional, com postura conservadora. O consultor cita o exemplo da Itália, que optou pelo modelo em que há uma separação estrutural, ou seja, a empresa tem de se dividir em uma só de estrutura e outra só de conteúdo. Hokaiba explicou que eles entendem que esse modelo gera competição. “É o modelo que virou coqueluche”, diz. Ele acredita que, nos próximos três anos, a discussão sobre esse assunto vai se intensificar no Brasil. “A convergência é irreversível.”

Regulação necessária

O conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) Carlos Ragazzo disse que até pouco tempo a regulação era vista como algo anticompetitivo. “Hoje não é assim. Há uma mudança de como pensar a regulação”, diz. Ele cita a regra da portabilidade, em que o consumidor pode “levar consigo” o número do telefone ao trocar de operadora. “Esse é um exemplo de como a regulação pode aumentar a rivalidade.”

Ragazzo observa que o cenário de convergência tecnológica está fazendo com que haja uma mudança e um desafio na análise da concorrência no setor. A preocupação levou o Cade a debater em audiências públicas a questão, mas em termos de julgamentos do conselho, Ragazzo afirma que o órgão, em geral, não tem levado em conta a convergência. Em 2002, por exemplo, entendeu que o serviço de conexão à internet por meio do celular não pode ser considerado substituto das formas tradicionais de acesso, como telefonia fixa.

Em 2004, o Cade chegou a levantar a questão, constatando que a convergência é relevante e pode mudar a maneira como os casos são analisados.

Marcelo Hokaiba e a economista Lucia Helena Salgado, que também participou do seminário, entendem que a regulação por setor ou por tecnologia já está ultrapassada por conta da convergência que pode incluir vários serviços e tecnologia em um único aparelho. “A estrutura regulatória tem de evoluir com a rapidez e flexibilidade para dar conta das mudanças”, diz Lucia Helena. Por outro lado, os palestrantes também entendem que a regulação tem de garantir segurança jurídica.

UE planeja revisar regras para downloads na web

A União Europeia precisa de novas regras para downloads na Internet que dariam mais facilidade para as pessoas acessarem músicas e filmes sem recorrer à pirataria, disse nesta quinta-feira a responsável pela área de telecomunicações no bloco.

Ao mapear as prioridades da Comissão Europeia, braço executivo da UE, para os próximos cinco anos, a comissária de telecomunicações, Viviane Reding, disse que deveriam ser consideradas novas leis para reconciliar os interesses dos detentores de propriedade intelectual e dos internautas.

"Farei disso minha prioridade no trabalho… em termos um meio simples, fácil e legal de acessar conteúdo digital de maneira única em toda a Europa, assegurando, ao mesmo tempo, remuneração justa para os criadores (do conteúdo)", disse ela durante um seminário.

Segundo ela, as leis atuais são mal definidas, porque aparentemente levam as pessoas, especialmente os jovens, a piratear conteúdo na Internet, ou fazer o download de material ilegalmente.

"A pirataria na Internet parece estar se tornando cada vez mais 'sexy', em particular entre os que já nasceram na era digital", disse ela, citando pesquisa mostrando que 60 por cento das pessoas entre 16 e 24 anos fizeram download de áudio e vídeo na Internet nos últimos meses sem pagar pelo conteúdo.