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Três jornalistas ficam detidos em Cuiabá (MT)

Os repórteres-cinematográficos Marcos Alves (TV Centro América, afiliada da TV Globo em Mato Grosso) e Belmiro Dias (TV Record), além de Otmar Oliveira, repórter-fotográfico de A Gazeta, levaram um susto na última sexta-feira (11/01). Eles ficaram detidos por mais de duas horas a mando do juiz da 4ª Vara Criminal de Cuiabá, Rondon Dower Filho. Os três tentaram registrar imagens durante audiência de um processo que corria em segredo de Justiça.

O cinegrafista conta que a porta da ante-sala estava semi-aberta e alguns repórteres entraram para saber da audiência. “Não havia nenhum comunicado, ninguém sabia que havia sido decretado sigilo naquele processo”, disse Alves ao Comunique-se. O entra e sai da imprensa chamou a atenção do juiz, que decretou voz de prisão aos três.

Graças à atuação dos advogados dos veículos para os quais eles trabalham, do Sindicato dos Jornalistas do Mato Grosso e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), eles não chegaram a ser levados para a delegacia.

O processo que os três tentavam cobrir diz respeito a supostas atividades de corrupção cometidas por funcionários do fórum.

Estudo da Andi evidencia os problemas na cobertura de mudanças climáticas

Mudanças climáticas ganham um espaço cada vez maior na mídia. Falta só incluir as causas e possíveis soluções. Esta é a idéia transmitida pela pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira, produzida pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi).

Foram analisados 997 textos de 50 jornais, entre julho de 2005 e julho de 2007. Há um crescimento na periodicidade em que o tema apareceu nas páginas: nos primeiros meses, a média era de um texto publicado a cada cinco dias. No último ano, o índice atingiu um a cada dois dias.

A incidência foi maior nos jornais de influência nacional analisados – Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, O Globo e Correio Braziliense – e nos diários econômicos – Valor e Gazeta Mercantil –, que contribuíram, na média individual, com 5,95% dos textos. Entre os 44 veículos regionais, a média individual foi de 1,46%. De positivo, foi salientada uma grande variedade de fontes.

Alguns eventos acentuaram a presença do tema nos jornais, como os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e o documentário de Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”, bem como o Nobel da Paz do ex-presidente dos EUA. Mas somente 1/3 dos textos traz as razões ou estratégias de enfrentamento. E só 1,1% dos textos definem o que são mudanças do clima.

Políticas públicas

Outro ponto criticado pelo estudo é a ausência de críticas ou análises de políticas públicas. Apenas 3% ressaltam a responsabilidade do governo, enquanto 0,9% apontam a do setor privado e 0,25%, a sociedade em geral. Nos enfoques, a perspectiva ambiental domina, sendo escolhida em 35,8% dos textos. Em seguida, o ponto de vista econômico, com 19,7%.

Os autores ressaltam a grande quantidade de material opinativo – 26,7% dos textos são artigos, editoriais, colunas e entrevistas – e concluem que a ausência de causas e conseqüências pode ser convertida em oportunidade. Em 2008, o governo começa a elaboração de um Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o que pode manter o tema na mídia de forma mais aprofundada.

O estudo estará disponível no site da Andi a partir de terça-feira (15/01).

Google Brasil vai recorrer da decisão sobre páginas ‘ofensivas’ a Edir Macedo

O Google Brasil está decidido a recorrer da decisão da 34ª Vara Cível de São Paulo que o obriga a retirar do Orkut páginas consideradas ofensivas ao bispo e empresário Edir Macedo. Em nota enviada ao Comunique-se, o Google diz entender que há uma confusão entre a autoria das agressões com o meio eleito pelos agressores "para perpetrar tais atos”.

A decisão partiu do juiz Leandro de Paula Martins Constant no dia 13/12. Edir Macedo quer que páginas como “Ñ sou vítima do Edir Macedo” e “Macedo vai tomar no c…” sejam retiradas do site de relacionamentos. Caso não cumpra a decisão, o Google terá que pagar multa diária de R$ 1 mil por página.

O juiz afirmou em sua sentença que os documentos juntados aos autos mostram o caráter difamatório. O Google Brasil comparou o que chamou de confusão à penalização de uma companhia telefônica pela prática de trotes. “O Google acredita que a Justiça reconhecerá o direito de liberdade de expressão na internet brasileira”.

Sky entra com representação contra operação TVA/Telefônica

A Sky, maior operadora de DTH do Brasil, entrou com uma petição contra a Telefônica na Anatel se opondo à compra de participação na TVA pela Telefônica. A operadora de DTH alega que a Telefônica está adquirindo excessiva concentração de redes na sua área de operação para a oferta de serviços triple play (voz, dados e TV paga).

Além da rede de STFC, utilizada para voz e banda larga, diz a Sky, a Telefônica está concentrando uma importante rede de cabos, a rede de MMDS, já opera um serviço de DTH com uma plataforma própria e ainda por meio da operadora DTHi. São cinco redes, das quais três são redundantes na oferta da mesma natureza de serviços, alega a Sky. Nesse momento, a Anatel está analisando a compra da TVA pela Telefônica sob a perspectiva concorrencial para instruir o Cade. A Sky pede ainda a rápida conclusão da análise concorrencial pois a demora, alega, cria um fato consumado de difícil reversão no Cade.

Microsoft é alvo de duas novas investigações antitrustre da Comissão Européia

Depois de aplicar uma multa recorde de 497 milhões de euros à empresa norte-americana em setembro do ano passado, a Comissão Européia abriu nesta segunda-feira, 14/01, duas novas investigações antitrustre contra a empresa de Bill Gates.

Desta vez, os alvos são o Office e o Internet Explorer. De acordo com a Comissão Européia, há queixas das concorrência com relação ao uso do Poder Dominante de Mercado da Microsoft para "minar" a ação dos rivais junto aos consumidores.

A Comissão Européia investiga se a Microsoft recusou-se a divulgar "informações de interoperabilidade" a respeito de um conjunto de produtos, incluindo o Office, impedindo os concorrentes de criar produtos compatíveis.

A abertura das investigações contra a MS por parte da Comissão Européia tem um dado relevante: As gigantes IBM e Oracle endossaram as queixas feitas pelas companhias européias ao Comitê Europeu para Sistemas Interoperacionais (ECIS, na sigla em inglês) com relação ao Office.

A segunda acusação, sob apuração da Comissão Européia, envolve o Internet Explorer. A empresa de Bill Gates é acusada de ligar o Explorer ao sistema operacional Windows de tal forma a impedir a concorrência. O processo foi originado por uma queixa da norueguesa Opera Software, desenvolvedora de browsers.

Em comunicado à imprensa, a Comissão Européia esclarece que a abertura das investigações não significa que haja, até o momento, provas para possíveis infrações. Os fatos estão em apuração.

Histórico

Em setembro do ano passado, depois de uma longa batalha, a Comissão Européia manteve a punição à Microsoft e aplicou a multa recorde de 497 milhões de euros à companhia norte-americana.

A decisão dos reguladores europeus de insistir na punição à empresa de Bill Gates, acusada de uso do Poder Dominante de Mercado em detrimento da concorrência, criou um grande mal-estar entre as autoridades envolvidas nos órgãos reguladores do setor.

Num feito nada comum ao mercado, autoridades reguladoras trocaram "farpas" via imprensa. Thomas Barnett, chefe da divisão antitruste do Departamento de Justiça, não poupou críticas.

"Nos preocupa que o padrão aplicado à conduta unilateral por parte do CFI, ao invés de ajudar os consumidores, talvez acabe por prejudicá-los, paralisando a inovação e desencorajando a concorrência", disparou Barnett. Vários legisladores norte-americanos também criticaram o julgamento.

O troco veio de forma imediata. Neelie Kroes, Comissária da União Européia, em raro tom áspero, não perdeu a oportunidade para retrucar e repudiar as posições defendidas pelos especialistas norte-americanos.

"É totalmente inaceitável que um representante da administração dos Estados Unidos critique um tribunal de justiça fora da sua jurisdição. A Comissão Européia não emite juízo sobre sentenças de tribunais norte-americanos e esperamos o mesmo nível de  respeito", afirmou a executiva. As sansões impostas pela Comissão Européia foram acatadas pela Microsoft.

Agora, no entanto, dois novos rounds prometem "agitar" o relacionamento entre as autoridades norte-americanas e européias ao longo deste ano