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Ministério da Cultura aposta em novas mídias e co-produções

A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura está de olho nas novas mídias e nas novas modalidades de produção audiovisual, conforme explica o novo secretário da pasta, Silvio Da-Rin, em entrevista à revista Tela Viva que circula neste mês de fevereiro. "Nós criamos uma coordenação geral de TV e novas mídias, que vai cuidar de programas como o DocTV e o DocTV IB, mas vai cuidar também de um novo edital de projetos de jogos eletrônicos, aprimorando o edital anterior", diz o secretário. "Estamos pensando também em alguma coisa para a telefonia móvel. Queremos fomentar a produção de audiovisual brasileiro para a telefonia móvel", completa.

Fomento

A nova versão do Documenta Brasil deve contar com 12 documentários, "três vezes mais que a edição anterior", diz Da-Rin. O secretário diz que ainda está em negociação com as redes, portanto não pode afirmar com certeza qual será a parceira no projeto. Contudo, conforme apurou e noticiou Tela Viva News em janeiro deste ano, o mais provável é que aconteça com a Record, com o nome "Janela Brasil". "O projeto será na forma de patrocínio. Esperamos que a Petrobrás nos acompanhe novamente este ano", afirma o secretário.

Co-produções

Apesar do sucesso dos projetos exportadores Cinema do Brasil e Brazillian TV Producers, Da-Rin acredita que há espaço para explorar ainda mais o mercado internacional. "O Brasil evoluiu pouco nas co-produções internacionais, se comparado a outras cinematografias de porte semelhante, como Argentina e México", diz. Deve haver um seminário no segundo semestre deste ano, além de um trabalho para divulgar os acordos bilaterais que o Brasil mantém com diversos países.

Infra-estrutura

O CTAV, Centro Técnico Audiovisual, passa, agora sob a batuta de Gustavo Dahl, por reformulações. Conforme explica Silvio Da-Rin, está em construção um novo prédio para o centro, além de unidades em Manaus (AM), Niterói (RJ) e Cataguases (MG), que se somarão às outras 12. "É o CTAV que vai cuidar de uma política de regionalização da produção através dos núcleos de produção digital em várias cidades do Brasil", diz.

Relator da MP 398 quer restringir publicidade na nova TV pública

Está prevista para o próximo dia 18 de fevereiro a entrega do relatório final da Medida Provisória 398/07 pelo deputado Walter Pinheiro (PT-BA). Relator da MP que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), empresa estatal mantenedora da TV Brasil, Pinheiro deve incorporar ao texto o veto à publicidade e o estabelecimento de fontes não-contingenciáveis ao orçamento da emissora pública. Segundo o parlamentar, estas e outras mudanças devem facilitar a aprovação da MP no Congresso Nacional.

Os próprios dirigentes da TV assumem as dificuldades para superar as resistências no Legislativo: sabem que, a exemplo de outras votações importantes, como a prorrogação da CPMF, a MP deve passar com certa tranqüilidade na Câmara, mas correrá sério risco no Senado, onde o governo tem uma maioria frágil e pouco confiável.

“No Senado, reconhecemos que a situação é mais difícil. A situação política é de uma oposição mais forte, aguerrida. É onde as propostas do governo têm mais dificuldade na sua tramitação”, reconhece Tereza Cruvinel, presidente da EBC. “Tudo isso faz parte do processo democrático. Por isso, na reabertura do Congresso, estão previstas mobilizações de grupos da sociedade que defendem a TV pública. Seus representantes devem visitar os líderes partidários e parlamentares em apoio à TV pública”. Segundo Cruvinel, entre as entidades que devem se manifestar em apoio à TV Brasil está a Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais).

Em entrevista ao Observatório do Direito à Comunicação, o deputado Walter Pinheiro discorreu sobre as mudanças que pretende incorporar ao texto original da Medida Provisória e afirmou que optou por amenizar os pontos polêmicos do texto, como a questão da publicidade. “Ter se utilizado de MP para essa questão foi muito ruim. De qualquer forma, foi importante definir bem que a EBC é pública, e não estatal. Encaro a resistência à aprovação com naturalidade”, afirmou o petista.

Publicidade restringida

Reivindicação central da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) manifestada através de algumas dezenas de emendas à MP 398 por parte, sobretudo, de parlamentares de PSDB e DEM, a restrição à publicidade na TV Brasil parece ser, pelo menos para Walter Pinheiro, a mudança mais importante para que o texto seja aprovado. Desse modo, a proposta do deputado é de que seja permitida apenas a categoria de “apoio cultural”, ou seja, propaganda institucional.

“Vamos restringir bastante a publicidade na TV Brasil. O apoio cultural será permitido, mas não propaganda de produtos ou serviços. O governo ou a empresa que quiser se utilizar do apoio cultural terá apenas seu nome divulgado e nada mais”, contou Pinheiro.

A forma de garantir um financiamento mais estável para a TV pública idealizada pelo relator seria através de uma parcela do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações). Para o relator, é importante que a emissora conte com meios de financiamento que sejam independentes de quaisquer governos. “Um dos pontos mais complicados é em relação ao financiamento, porque mesmo que a verba esteja prevista no orçamento, um governo qualquer pode contingenciá-la com a desculpa de que está onerando o caixa”.

Participação social

O texto de Walter Pinheiro também prevê algumas novidades em relação ao controle público e ao modelo de gestão da EBC. Nada muito significativo, mas que pode, ao menos, atribuir mais clareza e algum poder de intervenção ao cidadão. Uma delas é a criação do cargo de ombudsman ou ouvidor, iniciativa pioneira da Radiobrás que deve continuar na nova emissora pública.

“Está previsto que um ombudsman tenha por volta de 15 minutos por semana e verifique a receptividade da programação. Além disso, ele também deverá provocar o Conselho Curador e, inclusive, pautá-lo”, afirmou Pinheiro. A iniciativa é apoiada por Cruvinel: “Vamos ampliar e fortalecer esse mecanismo de interação com a sociedade. Neste momento estamos elaborando as normas. O segundo passo será a escolha do ouvidor”, afirma a presidente da EBC.

Sobre a composição e a atribuição do Conselho Curador da EBC, o deputado pretende incluir no texto a indicação de um representante da Câmara e outro do Senado, além de garantir a participação de, no mínimo, um nome de cada região do país. Já o processo de consulta pública, que consta de maneira bastante vaga na MP, deve receber uma definição mínima. “Vamos prever que o Conselho Curador encaminhe consultas públicas com a sociedade, onde o presidente da República aprovaria, por fim, os nomes indicados”. Não está claro, entretanto, no que o relator pretende avançar além do que já consta no texto original.

Os mecanismos de controle externo à EBC, segundo Pinheiro, ainda estão sendo analisados, mas o deputado revelou que a Comissão de Comunicação Social do Congresso deve ter uma atribuição nesse sentido, “e estou pensando em outros órgãos que possam ajudar, como a Ancine”, contou.

Com Yahoo, Microsoft pode ser líder no Brasil

Se concluída, a bilionária aquisição do Yahoo pela Microsoft – um negócio de US$ 44,6 bilhões que pode ficar ainda maior caso a oferta aumente, como tem sido comentado nos últimos dias – dará à companhia de Bill Gates a liderança da internet no Brasil, empurrando para o segundo lugar o arqui-rivalGoogle.

É o que mostram dados do instituto de pesquisa Ibope/NetRatings. Considerando todos os sites, páginas e serviços das companhias de internet que atuam no país, o Google e a Microsoft apareciam praticamente empatados, em dezembro de 2007, na preferência do público brasileiro. Cada companhia registrava cerca de 18,8 milhões de usuários únicos. Quando combinados, porém, os sites da Microsoft e do Yahoo somam 19,1 milhões de visitantes – já deduzidos os usuários que navegam nos sites das duas empresas. Ou seja, com o acordo, a Microsoft ficaria isolada na liderança.

Isso não quer dizer que as coisas serão fáceis para a Microsoft. A diferença em relação à audiência não é assim tão grande e há muitos pontos que podem interferir na preferência do público. 'Por enquanto, é difícil prever o que ocorrerá na prática', diz AlexandreMagalhães, gerente de análise de mercado. 'As pessoas tem suas próprias preferências em relação às marcas e podem deixar de usar uma ou outra, dependendo do que acontecer.'

Não é só isso. No cenário geral da audiência, a Microsoft leva a melhor. Mas dependendo do segmento,a fusão pode ser mais ou menos relevante, avalia Magalhães. O saldo é positivo, por exemplo, no serviço de e-mail gratuito. 'O Hotmail (da Microsoft) e o Yahoo Mail são fortes no Brasil, assim como o Gmail (do Google)', afirma o analista. 'Com a fusão, a Microsoft teria um ganho interessante,por volta de uns 30% (da audiência).'

No segmento dos serviços de busca, porém, onde está a fortaleza do Google, a Microsoft ainda terá um longo caminho pela frente. O Google tem 16 milhões de usuários de seu buscador no Brasil, contra 3 milhões do Yahoo e cerca de 200 mil daMicrosoft. Resultado: mesmo que o negócio se concretize, a diferença continuará enorme.

O segmento de busca está no centro da disputa on-line por causa dos links patrocinados. Esses pequenos anúncios, que aparecem ao lado das respostas às consultas dos usuários, são a base dafortuna do Google, que encerrou seu ano fiscal mais recente, em 31 de dezembro, com uma receita de US$ 16,5 bilhões.

Na avaliação de profissionais do mercado de mídia on-line, a fusão pode ter reflexos positivos ao criar um concorrente com maior potencial para desafiar o domíniodo Google. 'Gostaria de ver um mercado mais competitivo', diz Marcelo Sant'Iago, da agência de marketing MídiaClick. 'Para o anunciante é complicado depositar todos os ovos em uma mesma cesta.'

No Brasil, a possível união entre a Microsoft e o Yahoo pode ter um impacto menor do que em outros países no flanco da publicidade on-line, afirma Sant'Iago. Embora já tenha lançado seu próprio software de distribuição de links patrocinados em alguns países, por aqui a Microsoft continua usando a tecnologia do Yahoo, o que facilitaria a integração dos negócios.

A publicidade na internet vem crescendo, no país, a taxas mais rápidas que o bolo publicitário em geral. Em média, enquanto o mercado avança 7%, os anúncios on-line crescem 20%. Em outubro do ano passado, o volume de investimentos na publicidade on-line já havia superado os gastos feitos em todo o ano de 2006, compara Sant'Iago. E isso considerando que os números do Projeto InterMeios, o principal termômetro do mercado, ainda não incluem os dados do Google.

O que pouca gente sabe ou se recorda, diz o publicitário, é que até 2002 o mecanismo de busca usado pelo Yahoo era o do Google. 'O Yahoo teve a oportunidade de comprar o Google, mas não o fez.'

Apesar de sua larga vantagem na publicidade, porém, o Google tem vários desafios, além da Microsoft. Novas tecnologias estão surgindo em outras companhias, como um software que ajuda a encontrarsons, como palavras ditas em músicas e filmes. 'A internet é um meio muito rápido. A empresa que é líder hoje pode não sê-lo em cinco anos', diz Magalhães, do Ibope/NetRatings.

Estudo indica 2007 como o ano mais violento da década para jornalistas

Em decorrência dos ataques no Iraque e na Somália, 2007 foi ano em que mais jornalistas morreram na década, enquanto mais e mais profissionais foram presos por acusações imprecisas 'contra o estado', muitos deles pelos governos da China e de Cuba. As informações são da nova edição do anuário do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Ataques à imprensa.

No entanto, a Associação Mundial de Jornais (WAN) e o Instituto Internacional de Imprensa (IPI) apresentaram números que divergem dos do CPJ. Segundo eles, 2006 foi o ano mais violento; não 2007. A WAN contabiliza 45 mortos no ano que se passou; enquanto a CPJ aponta 65.

Apesar das contradições, o anuário aponta aspectos importantes para a imprensa. Foram destacados temas como as restrições impostas pelo governo chinês aos meios de comunicação às vésperas das Olimpíadas de Pequim, a falta de liberdade de imprensa em muitas democracias jovens, a penalização do jornalismo na Rússia e na Ásia Central, a deterioração da influência norte-americana em questões relativas à imprensa na América Latina e o sutil uso de meios legais por parte dos governos árabes para abafar manifestações dissidentes.

Na Rússia, por exemplo, o governo de Vladimir Putin criou um estado nacional em que qualquer tipo de trabalho informativo pode ser classificado como extremismo. O estudo também lembrou que o governo de Hugo Chávez obrigou uma emissora contrária a seu governode sair do ar. O trabalho alertou, ainda, para o descumprimento das promessas de maior liberdade de imprensa por parte do governo chinês. Até o presente momento, existem restrições em relação ao tipo de conteúdo que deve ser veiculado durante as Olimpíadas.

O ponto que mais chamaatenção na pesquisa, é o crescente número de jornalistas mortos em conflitos ou ataques. No Iraque, por exemplo, pelo segundo ano consecutivo, 35 profissionais morreram em represália direta por seu trabalho. O país ainda sustenta, pelo quinto ano seguido, a posição de mais letal para profissionais da mídia.

O prólogo de Christiane Amanpour, integrante da diretoria do CPJ e correspondente internacional chefe da CNN, sublinha a luta contra a impunidade nos assassinatos de jornalistas. 'A impunidade é a maior ameaça enfrentada hoje pelos jornalistas. Afinal, o assassinato é a forma máxima de censura', escreve Amanpour. Ataques à Imprensa apresenta informes regionais e análises sobre as condições da liberdade de imprensa.

Associação acusa Band de censurar beijo lésbico

Um repórter da Band foi acusado de censurar um beijo lésbico durante a cobertura do Carnaval em Salvador (BA). A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais flagrou a cena e pediu 'providências' à emissora, que ainda não se manifestou sobre o caso.

A carta de Toni Reis, presidente da ABGLT, foi enviada a três diretores do canal (Elisabetta Zenatti, direção geral de programação e artístico, Fernando Mitre, direção nacional de jornalismo e Marcelo Mainardi, direção executiva comercial).

A associação relata que, na últimasegunda-feira, por volta das 17h45, o repórter Érico Aires impediu duas mulheres de se beijarem, diante das câmeras, em transmissão ao vivo.

Era uma ação de merchandising da marca de creme dental Close-Up. Casais deveriam se beijar para ganhar kits promocionais. Dois casais heterossexuais já estavam se beijando quando as duas mulheres começaram a se aproximar.

'O repórter, então, apresentou descontrole e gritou: 'Duas mulheres, não. Mulher com mulher, não. Beijar mulher e mulher, não'. Com o desconforto da situação, surgiu uma voz em off, encerrando o quadro, mas ainda foi possível ouvir o rapaz dizer 'vou arrumar dois homens para vocês'', relata Reis, em sua carta enviada à Band.

Na opinião do militante, é 'inadmissível que uma emissora do porte da Bandeirantes apresente tal atitude discriminatória', principalmente no ano em que o Brasil realiza sua 1ª Conferência Nacional GLBT, convocada pelo presidente da República.

A Folha Online procurou a assessoria da Band e pediu um comentário sobre a carta da ABGLT, mas ainda não recebeu uma resposta.