Arquivo da categoria: Notícias

Série de textos sobre Veja rendem processo à Luis Nassif

O jornalista Luis Nassif comentou, nesta segunda-feira (11), a decisão dos jornalistas da revista Veja, Lauro Jardim, editor da seção Radar, e Eurípedes Alcântara, diretor de redação, de processá-lo.

Em seu blog, Nassif afirmou que um acerto de Veja com o colunista Diogo Mainardi foi precedido de uma aproximação entre Eurípedes e Daniel Dantas – que há tempos tentava se aproximar da revista – intermediada por Lauro Jardim. Ele afirmou que Nelson Tanure, do Jornal do Brasil, tentou contratar Mainardi pelo destaque de sua coluna. Nassif chamou os três, juntamente com Mário Sabino, de "o quarteto da Veja". De acordo com seu blog, eles "entrariam de cabeça a favor de Dantas".

Jardim e Alcântara decidiram processar Nassif, que considerou a decisão "um direito dos dois". Entretanto, o jornalista acredita que a situação deveria ser melhor explicada. "Eles podiam tentar explicar a situação. A Abril mandou uma carta contestando alguma coisa e foi publicada no meu blog e no IG. Já a Veja não tem por hábito permitir o direito de resposta. Isso é uma afronta maior. Para mim, ferir a liberdade de expressão é não permitir o direito de resposta".

A carta a que Nassif se refere foi enviada pela Editora Abril ao Portal iG, reivindicando um pedido de resposta a respeito da série iniciada no dia 30 de janeiro em seu blog, hospedado no iG, contra a Veja.

A editora afirmou que "repudia veementemente as informações" divulgadas no blog do jornalista, entre os meses de dezembro de 2007 e janeiro de 2008. Além disso, declarou que "ao contrário do que quer fazer crer Luis Nassif, o jornalismo praticado pela revista Veja jamais esteve mancomunado com os interesses alheios à postura adequada de órgão informativo ético".

A editora Abril não tomará nenhuma atitude jurídica em relação às afirmações de Nassif, que vai contratar um advogado e acha que os jornalistas estão sendo precipitados em iniciar o processo tão cedo. "Eles deveriam esperar o fim da série para me processar, porque eu vou apresentar um conjunto de elementos e provar minhas teses".

"Eu dei a cara pra bater, alguém tinha que fazer isso. Eu sei que é um adversário imenso. Mas alguém tem que falar. Essa disputa jurídica vai ser importante para uma discussão mais ampla. Em toda a minha carreira, eu nunca vi alguém fazer um jornalismo como o que a Veja está fazendo", disse Nassif.

Procurado pelo Portal IMPRENSA, até o momento o jornalista Lauro Jardim não se pronunciou sobre o fato.

Grupo de comunicação catarinense troca SBT pela Record

A família Petrelli inicia o ano de 2008 com grandes mudanças em seus veículos no Estado de Santa Catarina. Na última sexta-feira (1/2), a Rede Santa Catarina de Comunicação (Rede SC) passou a se chamar Rede Independência de Comunicação (RIC), o mesmo nome que o grupo da família utiliza no Paraná há 20 anos.

Com a união das duas redes em uma mesma marca, a RIC tornou-se um dos maiores grupos de comunicação regional do País, com dez emissoras de TV, três de rádio, cinco portais de internet e dois jornais diários.

Ainda assim, a programação dos canais do grupo também mudou: o SBT deu lugar à Record e, segundo os dirigentes, as alterações foram motivadas pelo desejo constante de o grupo se manter entre os líderes de audiência.

Segundo o Ibope, em 2007, a Record atingiu o segundo lugar na média nacional de audiência, posto que um dia já foi do SBT, e a família Petrelli quis seguir a tendência de liderança. "Queremos ser a maior audiência regional da Record de todo o País", afirma Marcello Petrelli, vice-presidente executivo da RIC Santa Catarina.

Já no Paraná, o grupo de comunicação da família retransmite a Record há 12 anos sob o nome de RIC. "Aproveitamos o desejo de mudar de canal para unir o grupo da família em uma só marca e assim fortalecer a representatividade dos nossos veículos", declara Marcello.

Com a passagem do SBT para a Record, a empresa ampliou sua área de cobertura no Estado, pois ganhou outras duas emissoras: uma em Xanxerê, que reforçará a cobertura do canal nas cidades de Joaçaba e Caçador, e uma em Florianópolis, que será utilizada para retransmitir a Record News, primeiro canal dedicado a notícias na televisão aberta do Brasil para Santa Catarina.

"Quando a Record nos procurou para que transmitíssemos o seu sinal também em Santa Catarina nos mostrou os benefícios de se mudar de geradora. A Record está em segundo lugar na audiência e quer estar em primeiro. O mesmo acontece agora com a RIC em Santa Catarina", afirma Mário Petrelli, presidente da empresa. 

O investimento total para o negócio gira em torno de R$ 5,5 milhões. A empresa passa a possuir cerca de 950 funcionários, com 550 em Santa Catarina e 400 no Paraná. Até o final do ano, a RIC pretende crescer 35%. A estimativa é dobrar os lucros até o fim de 2010.

Rádio on-line une favelas dominadas por facções rivais no Rio de Janeiro

Uma rádio comunitária transmitida pela internet está criando uma ponte entre duas favelas dominadas por facções criminosas rivais. A AfroReggaeDigital, criada por um grupo cultural da favela de Vigário Geral, com sede na comunidade vizinha – e 'alemã' (inimiga) – Parada de Lucas, ambas na zona norte da cidade.

Formada em parceria com a BBC de Londres e pelo AfroReggae, a rádio está no ar desde setembro e, além de emissora, atua também como escola de multimídia.

As aulas na AfroReggaeDigital são em um amplo estúdio que conta com equipamentos modernos. Lá, a jornalista inglesa Helen Clegg, 37, que deixou a BBC de Londres para montar a AfroReggaeDigital, dá aulas de locução, produção e redação jornalística em rádio. Helen também responde pelo conteúdo dos programas, escolhendo os temas que vão ser abordados e pesquisados.

A rádio web produz diariamente um programa apresentado pelos alunos dos cursos promovidos pelo projeto, chamado de 'Vozes da Favela'. Também há programas semanais que são apresentados por voluntários e artistas locais e internacionais.

De acordo com os responsáveis pela rádio, não há interferência do tráfico na programação musical nem no conteúdo veiculados pela rádio AfroReggaeDigital.

'Inicialmente iríamos montar uma rádio convencional, para atingir um número maior de ouvintes', conta um dos criadores do projeto, o inglês Damian Platt. 'Mas, para evitar algum tipo de interferência externa [do tráfico], optamos pelo sistema digital, que perde em audiência, porém ganha em qualidade de som, em programação independente e no alcance, já que pode ser ouvida em todo o mundo.'

Por meio da integração das duas comunidades, a rádio busca a paz entre comandos opostos. O Grupo Cultural AfroReggae é sediado na favela vizinha, Vigário Geral, controlada pelo CV (Comando Vermelho), facção criminosa inimiga do TCP (Terceiro Comando Puro), de Parada de Lucas. Ela pode ser acessada pelo endereço www.afroreggaedigital.com .

Juiz vê ‘assédio judicial’ em ações de fiéis da Universal

O juiz Edinaldo Muniz dos Santos, 36, titular da comarca de Epitaciolândia, no Acre, extinguiu processo em que um reclamante, Edson Duarte Silva, pretendia obter indenização da Folha e da repórter Elvira Lobato por alegada ofensa com a reportagem sobre a Igreja Universal do Reino de Deus, intitulada 'Universal chega aos 30 anos com império empresarial' , publicada em dezembro.

O juiz entende que há um 'assédio judicial', ou seja, 'uma atuação judicial massificada e difusa da Igreja Universal contra o jornal'. O reclamante pode recorrer da decisão. Com petições de parágrafos idênticos, foram ajuizadas 47 ações de indenização por danos morais em Juizados Especiais de vários Estados.

No Juizado Especial, ao contrário da Justiça comum, é muito mais fácil obter a condenação à revelia, segundo Santos. O juiz Alessandro Leite Pereira, de Bataguaçu (MS), condenou outro reclamante, Carlos Alberto Lima, por litigância de má-fé.

FOLHA – Por que o sr. extinguiu imediatamente o processo?
EDINALDO MUNIZ DOS SANTOS – Lendo a reportagem, vi de cara que o requerente, um simples fiel da igreja, era manifestamente ilegítimo, não poderia se aproveitar da matéria para pedir da Folha uma indenização. Legalmente só a própria Igreja Universal poderia, ao menos em tese.

FOLHA – Por que o sr. diz que está havendo um assédio judicial patrocinado pela Igreja Universal?
SANTOS – O Judiciário está sendo usado apenas para impor à parte requerida um prejuízo processual, isto comcentenas de deslocamentos para audiências, passagens aéreas, advogados etc. O processo judicial, que é meio de punição e reparação, passa ser a própria punição.

FOLHA – Quais são os riscos quando os juízes, sem compreender a gravidade do caso, mandam citar os réus?
SANTOS – Se o requerido for citado e não comparecer, corre o risco de ser condenado à revelia. Depois, para desfazer isso leva tempo e dinheiro. O caminho da simples importunação judicial não é tão complicado. O 'piloto automático' do Juizado Especial pode sim gerar injustiças que para serem desfeitas leva tempo e dinheiro.

FOLHA – Outro magistrado entendeu que houve litigância de má-fé. A extinção do processo é mais adequada para inibir essas tentativas?
SANTOS – A condenação dos fiéis da igreja por má-fé processual é cabível, sem nenhuma dúvida, se houver a citação. Não havendo, tenho minhas dúvidas, ainda mais considerando a complacente (infelizmente) jurisprudência dos tribunais sobre o assunto. O que há é a indevida atuação judicial massificada da igreja contra o jornal, com vários processos, quando o legalmente correto seria um processo só. Acho que a questão se encaixa melhor na figura do abuso de direito do artigo 187 do Novo Código Civil.

FOLHA – Esse 'cerco', com pedidos nos vários rincões, é uma tentativa de intimidação ao livre exercício do jornalismo, como qualificou a Associação Nacional dos Jornais?
SANTOS – Concordo, pois o transtorno causado pelos processos é inegável. É preciso não esquecer que sempre há o risco de condenação à revelia, ainda mais no Juizado Especial, onde a presença do requerido nas audiências é obrigatória, sob pena de revelia e confissão.

Governo reabre investigação contra Globo no futebol

O governo federal reabriu no ano passado investigações para apurar indícios de práticas anticoncorrenciais por parte da Globo na compra do Campeonato Brasileiro de Futebol.

As investigações tiveram origem em 1997 e estavam paralisadas desde 2004. A Folha apurou que dois fatores impulsionaram a retomada do processo administrativo, aberto na Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça: o descontentamento do presidente Lula com a cobertura da Globo da campanha eleitoral de 2006 e pressão de parlamentares ligados à Igreja Universal, cujo líder, Edir Macedo, é dono da Record, hoje maior rival da Globo na disputa por direitos esportivos.

Em ofício de 9 de outubro, a SDE pediu à Globo cópias de contratos, valores pagos e recebidos de 2002 a 2007 pelo Campeonato Brasileiro em cada plataforma (TV aberta, paga e pay-per-view), custo dos comerciais, lista dos dez programas mais vistos em cada ano e audiência detalhada dos dez maiores eventos esportivos.

A Globo respondeu parcialmente em 29 de outubro, em caráter sigiloso e "sob protesto", apontando "irregularidades" no processo. A principal é que as investigações, segundo determinação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), deveriam se limitar a 1997, 1998 e 1999. Assim, a SDE estaria extrapolando "o escopo da investigação".

No ofício, os advogados da Globo manifestam estranheza com a retomada das investigações, "após três anos sem nenhuma movimentação instrutória" e "sem esclarecer o motivo e a razão". Outro ponto levantado pela Globo foi o fato de as investigações terem sido retomadas justamente com um ofício à Record, no qual perguntava à concorrente sobre seu interesse pelo Brasileirão.

A Globo omitiu dados sobre valores pagos e receitas e não forneceu contratos. Foi advertida de que poderá ser multada. Procurada pela Folha, a Globo não se manifestou. A Secretaria de Direito Econômico fez o mesmo, argumentando que não pode falar sobre processos em andamento.