Arquivo da categoria: Notícias

Bittar defende votação do PL 29 na próxima semana

A Comissão Geral realizada nesta quarta-feira, 23, para debater o PL 29/2007 – que trata do mercado de TV por assinatura e da indústria do audiovisual – expôs a existência de setores ainda descontentes com a proposta costurada pelo deputado Jorge Bittar (PT/RJ), relator da matéria na Comissão de Ciência e Tecnologia. Mesmo com críticas vindas das empresas de TV por assinatura e ressalvas por parte dos radiodifusores, a intenção do relator continua sendo deliberar sobre o projeto na comissão o mais rápido possível.

A agenda divulgada hoje por Bittar prevê que a primeira tentativa de votação seja na próxima terça-feira, 29, em sessão marcada para o período da tarde.

Como na quinta-feira subseqüente será feriado – 1º de maio, Dia do Trabalho – há dúvidas se existirá quórum para realizar a votação. Além da falta de vários deputados por conta da proximidade do feriado, pesa contra a possibilidade de votação na próxima semana o fato de que a comissão quer ter um quórum alto para apreciar a matéria.

Bittar acredita que existe acordo em torno do projeto, mas concorda que só vale a pena colocar o texto em votação com um número representativo de deputados na comissão. "No fundamental, o projeto tem apoio. Estou tentando construir uma visão republicana", explicou o deputado. Com relação às críticas que ainda restam por parte de alguns setores, o relator argumenta que boa parte dos questionamentos está superada na versão mais recente do substitutivo.

Rebatendo a ABTA

Um exemplo seria a reclamação recorrente da ABTA contra a cota de canais nacionais nos pacotes comercializados que, segundo a associação, irá resultar em uma redução na oferta atual das TVs por assinatura e representa uma política anacrônica. Na opinião de Bittar, a implantação de um teto para a aplicação da cota (de 10 canais) tornou a argumentação improcedente. "Anacrônico é o discurso da ABTA, que reflete a opinião de quem não leu a nova proposta", protestou.

Ainda terminativo

Bittar insiste que o PL 29/2007 mantenha-se terminativo, o que significa que não há necessidade da proposta passar pela votação do Plenário da Câmara dos Deputados. A preocupação novamente é com o tempo de análise da proposta. "O grande problema é que, se chega no Plenário, a matéria vai ficar adormecida na pilha de projetos em análise. E aí não se sabe mais quando será votado", argumenta. O entendimento do relator é que a Comissão Geral realizada hoje serviu também como uma alternativa à apreciação do Plenário, na medida em que dá visibilidade ao debate da proposta.

Mantendo-se terminativo, o PL 29/2007 precisaria passar ainda pela Comissão de Constituição e Justiça após ser aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia. Sendo validado pelas duas comissões, o texto seguirá direto ao Senado Federal.

Hipótese do plenário

Ainda assim, nada impede que os deputados façam um requerimento para levar a proposta ao Plenário. Neste caso, é preciso a adesão de, ao menos, 10% dos parlamentares (52 deputados) para solicitar a votação. Apesar de Bittar defender a tese de que a proposta deve passar apenas pelas comissões, há quem discorde dessa análise.

O deputado Miro Teixeira (PDT/RJ) apóia publicamente que a proposta seja analisada no Plenário, dada sua relevância. Idealizador da Comissão Geral sobre o tema realizada hoje, Teixeira deu indícios em seu discurso durante a solenidade de que tentará recolher as assinaturas necessárias para retirar o caráter terminativo do projeto. "É temerário que uma lei como esta fique restrita à apreciação da comissão temática. O Plenário representa a diversidade. Esse (a realização da Comissão Geral) foi o primeiro movimento para trazer a matéria a Plenário", declarou.

Comissão Geral da Câmara expõe demandas para o PL 29

Representantes do mercado de telecomunicações, dos radiodifusores, dos produtores independentes, dos trabalhadores do setor de comunicação e entidades que defendem a democratização da comunicação participaram hoje da Comissão Geral realizada para discutir o Projeto de Lei 29, que regulamenta os Serviços de Acesso Condicionado (como a TV por assinatura). As mais de três horas de revezamento de oradores no Plenário da Câmara mostram que, ainda que tenham sido muitas as tentativas, o relatório apresentado pelo deputado Jorge Bittar (PT-RJ) ainda não equalizou as demandas diversas dos atores envolvidos.

As participações expuseram que persiste uma divisão clara entre os grupos de interesse. De um lado, os representantes das teles demonstraram, em geral, apoio ao atual projeto. De outro, os grandes empresários do ramo da TV por assinatura seguiram criticando fortemente a criação de cotas para a produção nacional independente. Em uma terceira trincheira, estão os próprios produtores independentes e as organizações de defesa da democracia nas comunicações, defendendo as cotas de programas e canais.

Os radiodifusores dividiram-se. A intervenção do conselheiro da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Evandro Guimarães, foi discreta. Limitou-se a pedir que o PL-29 não interfira no modelo de negócios da TV aberta. A Abert tem como associada a Rede Globo, sócia da Net, dona de diversos canais por assinatura e, como tal, francamente contrária à política de cotas na televisão por assinatura.

Já presidente da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), João Carlos Saad, disse que as cotas de 10% da programação dos canais qualificados (aqueles que se dedicam a filmes, séries, documentários…) para a produção nacional são tímidas e que os deputados deveriam pensar em 50% da programação feita por brasileiros. Saad também é presidente do Grupo Bandeirantes, dono de canais como Band News e TerraViva.

Pelas cotas

Na trincheira da produção nacional independente, revezaram-se participações de representantes do setor de animação, do cinema e das produtoras. O presidente do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), Paulo Rufino, afirmou que o espaço para produção independente fortalece a regionalização e democratiza o espaço das telas de TV.

Já Fernando Dias, presidente da Associação Brasileira de Produtoras Independente (ABPI), afirmou que falta no Brasil uma regra que defenda a produção nacional e regional. Dias lembrou que apenas 31,5% do conteúdo da TV no País é brasileiro, enquanto em países europeus o índice de produção nacional é de 60%.

O representante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Bráulio Ribeiro, reforçou o apoio da entidade às cotas, mas pontuou retrocessos no projeto de Bittar no que diz respeito à proposta inicial das cotas. Segundo Ribeiro, o PL também retrocede em relação à regulação anterior das redes, não prevendo instrumentos de acesso igualitário à infra-estrutura de distribuição. Ele lamentou ainda que o Brasil tenha começado o processo de regulação da convergência tecnológica por uma questão pontual.

A professora Sayona Leal, do Laboratório de Políticas de Comunicação da UnB, também ressaltou o caráter pontual do projeto e, igualmente, saudou a proposição das cotas. Segundo Sayonara, é preciso considerar o PL-29 como um primeiro passo para revisar o marco legal das comunicações.

O representante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, José Luiz Sóter, afirmou que a discussão do PL 29/07 inaugura um momento propício para a discussão do marco regulatório e exortou a convocação da primeira Conferência Nacional de Comunicação.

Contra as cotas

Do lado das operadoras e programadoras de TV a cabo, os argumentos contrários às cotas foram os já usados durante a intensa campanha realizada nos últimos meses. O administrador executivo da Associação Brasileira de Programadores de televisão por Assinatura (ABPTA), Carlos Alkimin, que representa as grandes programadoras internacionais, disse que as medidas previstas no substitutivo de Jorge Bittar vão encarecer o preço dos serviços cobrados dos consumidores.

Para presidente da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (Abta), Alexandre Annenberg, a medida é retrógrada e ineficaz. “As reservas de mercado jamais foram capazes de garantir a qualidade dos produtos”, disse.

As pequenas operadoras também engrossaram o coro. A diretora executiva da Associação Neo TV, Neusa Risette, disse que o estabelecimento de cotas “pode criar uma reserva de mercado que contraria os princípios da livre concorrência”.

Teles satisfeitas

Já os representantes do setor de telecomunicações declararam, discurso após discurso, sua satisfação com o projeto, que permite a entrada das teles no mercado de TV por assinatura. O representante da Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), João de Deus, falou em números, que mostram a disposição do setor em relação ao novo mercado. Segundo ele, o plano de desenvolvimento da TV por assinatura previa mais de 16 milhões de usuários e eles não chegam a 4 milhões. O setor de telefonia fixa, no entanto, segundo ele, universalizou seus serviços e pode ajudar na expansão da oferta de TV por assinatura.

As reclamações de alguns dos representantes das teles concentraram-se na criação de uma taxa de fomento à produção audiovisual independente, inclusive para as TVs comunitárias e universitárias. A taxa seria compensada com uma redução no Fistel, que é uma taxa de fiscalização cobradas das operadoras de telefonia, TV por assinatura e radiodifusoras.

A Comissão Geral é uma sessão ampliada, realizada no Plenário e convocada por um dos órgãos da Casa. Neste caso, a convocação foi feita pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), a partir de solicitação do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). O PL-29 deverá ser avaliado na CCTCI nas próximas semanas. O projeto tramita em caráter terminativo, ou seja, se aprovado nas comissões não precisará ir a Plenário.

Apesar das claras divergências expostas na  Comissão Geral, inclusive por alguns membros da CCTCI que defenderam o envio do projeto à apreciação em Plenário, o relator Jorge Bittar diz preferir que o relatório vá à votação na comissão logo, de preferência na próxima semana. 

Anatel vai regulamentar publicidade nas TVs comunitárias

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve, nas próximas semanas, apresentar uma nova definição para as formas de patrocínio permitidas nos canais comunitários que hoje são veiculados através do serviço de TV a cabo. A medida é fruto de acordo selado entre a Anatel e a Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCom) em reunião realizada em março. Ainda este mês, outra reunião dará os primeiros passos na definição do conteúdo desta nova definição, que deverá chegar às operadoras de TV a cabo através de uma Circular Oficial da Anatel.

O acordo prevê que a agência estabeleça um padrão para o anúncio dos patrocínios semelhante ao que se tem hoje na publicidade institucional existente nas TVs educativas. Até agora, a regra válida para os canais comunitários – e também os demais criados pela Lei da TV a Cabo em 1995 – é a Norma 13/97 da Anatel. Apesar de a lei 8.977/95 não mencionar a restrição à propaganda, a norma proíbe a publicidade comercial e permite o patrocínio das programações. A descrição do que seria este patrocínio, no entanto, não existe em nenhuma normatização da agência.

A imprecisão das regras cria conflitos entre as TVs comunitárias, as operadoras e a própria Anatel. A reunião realizada em março entre a agência e a ABCCom foi, por exemplo, motivada por uma investigação realizada pelo órgão oficial sobre o Canal Comunitário de São Paulo. De acordo com a ABCCom, o processo foi aberto a partir de uma denúncia anônima sobre a veiculação de publicidade e a Anatel já teria indicado que puniria a TV por descumprimento da Norma 13.

“A questão principal é que a Norma 13 não diz o que é o tal patrocínio e, para efeitos da fiscalização, a Anatel estava usando um critério que vem da radiodifusão comunitária, onde se permite que se diga só ‘apoio da padaria do seu José’”, explica Fernando Mauro Trezza, representante da ABCCom em São Paulo. Isso significaria, segundo Trezza, que na TV o patrocínio gerasse apenas inserções do tipo “Este programa é patrocinado pela Pizzaria do João”, sem outras informações como o endereço ou telefone.

Trezza indica duas incongruências neste critério: primeiro que, diferente de uma rádio comunitária, tanto a audiência como os anunciantes das TVs estão dispersos geograficamente, não pertencem a uma mesma comunidade; segundo, o modelo de publicidade na TV exige, minimamente, o uso de imagens.

“Deixamos claro que hoje já é difícil conseguir o aporte de recursos da iniciativa privada e que restringir o patrocínio à mera exposição do logotipo ou nome do patrocinador só pioraria o problema e que quase todos os canais comunitários do país fechariam suas portas”, relatou Trezza sobre a primeira reunião com a Anatel.

Financiamento

Desde a promulgação da Lei da TV a cabo, em 95, a criação de medidas para garantir o financiamento dos canais comunitários faz parte da pauta de reivindicações das associações e movimentos que sustentam as programações. “Vivemos esta realidade esdrúxula: o Brasil é o único lugar do mundo que tem TV comunitária e não tem financiamento público”, comenta Cláudia Abreu, diretora da TV Comunitária do Rio de Janeiro. Para Paulo Miranda, diretor da TV Comunitária de Brasília, os números são eloqüentes: “Temos 213 empresas de TV a cabo e, no máximo, 80 canais funcionando”.

A preocupação parece justa quando se volta os olhos para o esforço que tem sido feito para manter os canais em funcionamento. Em muitos casos, os canais não têm centros de produção, ficando a cargo das entidades gravar e editar seus programas. Uma parte, como é o caso dos canais do Rio e de Brasília, opta por uma cotização entre as entidades que fazem parte das associações responsáveis por gerenciar o canal e a programação. Outra saída costuma ser o estabelecimento de parcerias, por exemplo, com centros culturais, que viabilizem os programas.

A publicidade institucional acaba sendo uma das formas de financiamento que os canais tem de somar no fim do mês para tentar fechar as contas. “Muita gente acredita que a propaganda pode financiar, mas é preciso lembrar que o patrocínio para uma emissora de pequeno porte vai ser de pequeno porte”, diz Cláudia. “Além disso, o esforço para captar publicidade é desgastante.”

Paulo Miranda diz que há experiências em várias partes do mundo que poderiam ser replicadas no Brasil. Ele cita o Canadá, onde cada residência “paga o equivalente a um cafezinho por ano” para o financiamento dos canais comunitários. “Termos R$ 0,50 na conta de cada assinante já seria um financiamento e tanto.”

Uma tentativa de garantir financiamento para os canais comunitários e também para as TVs universitárias está no relatório do deputado Jorge Bittar (PT-RJ) sobre o Projeto de Lei 29, que estipula novas regras para os serviços de TV por assinatura. A proposta é transformar uma parte do que é pago pelas operadoras como taxa de fiscalização (o Fistel) em um fundo de apoio aos canais. O relatório ainda será apreciado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, mas já há declarações de parlamentares contrárias à medida.

TV Globo deve indenizar juiz por matéria sobre acesso à Justiça

A TV Globo terá que pagar 500 salários mínimos de indenização ao juiz Airton Pinheiro de Castro, informou o Consultor Jurídico. O juiz se sentiu ofendido por reportagem sobre as dificuldades de acesso à Justiça para camadas menos favorecidas. O nome do juiz foi citado devido a um caso em que inocentou um acusado de tráfico de drogas defendido por um advogado bem pago. Como contraponto, a repórter citava o caso de uma mulher presa por furtar um frasco de shampoo.

O juiz perdeu a ação em primeira instância. No entendimento da juíza Ana Liarte, "o ocupante do cargo público, e integra do Poder Judiciário, está sujeito a críticas".

O entendimento da 8ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, porém, teve outra interpretação e julgou o caso favorável ao juiz. No recurso, Castro alegou que a matéria fora veiculada de forma distorcida.

Ao analisar o pedido de recurso, o desembargador Joaquim Garcia, entendeu que a Globo extrapolou os limites de seu direito de informação. Para ele, a notícia foi tendenciosa porque atingiu uma pessoa especificamente e não a instituição Justiça.

Artistas locais terão 10% da programação das emissoras de rádio do Amazonas

Manaus – As emissoras de rádio do Amazonas têm 30 dias para se adequarem à Lei 3.247, que obriga a destinação de 10% da programação ao trabalho de artistas amazonenses. A fiscalização do cumprimento da lei ficará sob responsabilidade do Ministério Público e dos próprios ouvintes e artistas.

De acordo com o deputado estadual Wallace Souza (PP), autor do projeto de lei, a lei garantirá espaço aos artistas locais.

Até então já existia uma lei municipal em vigor desde 2001, a qual prevê a imposição de 30% da programação das emissoras de rádio a artistas locais, mas não há fiscalização sobre o cumprimento.