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Mudança de regras é casuísmo para garantir fusão BrT-Oi

As informações reveladas pela Operação Satiagraha colocaram mais lenha na fogueira do processo que pode culminar na reorganização do setor de telecomunicações brasileiro com a criação de uma supertele nacional a partir da fusão entre Brasil Telecom e Oi. No entanto, para além dos questionamentos judiciais sobre a legalidade da negociação entre as duas empresas [veja aqui ], a legitimidade da operação e sua relação com a revisão do Plano Geral de Outorgas (PGO) ainda são alvos de duras críticas por parte de integrantes do setor.

Uma delas diz respeito ao procedimento de revisão de uma norma importante do arcabouço normativo da área de telecomunicações a partir de interesses específicos de grupos privados. Em outras palavras, a organização das regras relativas às concessionárias de telefonia fixa não poderia estar a serviço da criação da BrT-Oi. “O PGO estava funcionando bem. Surgiu um fato novo, a fusão, e aí o PGO é provocado para ser discutido”, pontua Israel Bayma, representante do Congresso Nacional no Conselho Consultivo da Anatel. Para o coordenador do Laboratório de Políticas de Comunicação da Unb, Murilo Ramos, isso caracteriza “casuísmo” na condução da revisão do PGO.

Dois fatos reforçam os questionamentos. O primeiro é o procedimento de revisão do plano. Já em janeiro deste ano, foi noticiada a negociação de valores da compra da Brasil Telecom pela Oi. Em 8 de fevereiro, a Associação Brasileira das Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix) enviou correspondência à Anatel solicitando mudanças no Plano Geral de Outorgas para que a legislação passasse a permitir que uma concessionária adquirisse outra.

Eficiência empresarial

Apenas três dias depois, em 11 de fevereiro, o presidente da Agência, Ronaldo Sardenberg, reencaminhou a solicitação ao Ministério das Comunicações sob a alegação de que a formulação da política seria papel do Poder Executivo. Em menos de 24 horas, no dia 12, o ministério respondeu à Anatel pedindo que esta conduzisse a alteração do plano, apontando as diretrizes de tal atualização: “remoção da restrição, presente na formulação original do PGO, que hoje impossibilita a integração de redes de STFC e a consolidação geográfica entre regiões”.

Na exposição de motivos do documento, o ministério argumentou que a desregulamentação é uma tendência mundial, devendo a revisão do PGO segui-la, de modo a viabilizar “a integração de redes multisserviços com ampla abrangência territorial, possibilitando melhores ofertas de serviços aos consumidores, com a incorporação das economias de escala e de escopo necessárias à manutenção da capacidade de investimento das empresas do setor”.

Em 25 de abril, a Oi anunciou a compra Brasil Telecom por R$ 5,8 bilhões. Como tal negócio era, e ainda é, ilegal segundo a redação atual do PGO, aumentou a pressão sobre o Conselho Diretor da Anatel pela definição das novas regras, evidenciando qual era a questão de fato da revisão normativa. Após dois meses de discussão, o Conselho Diretor divulgou a proposta de alteração, abrindo uma consulta pública de 30 dias, tempo considerado muito curto por uma horda de críticos [veja aqui ]. Após muita reclamação, o prazo foi estendido por mais 15 dias.

Entre o ofício da Abrafix e a definição das novas regras, serão quase seis meses, sendo 45 dias de discussão pública. “É uma política atrasada, porque ela só é construída a partir da demanda do próprio agente. Poder público não tem política, aí o mercado define e o poder concedente corre atrás", critica Israel Bayma. “É um processo que não passou por nenhuma visão estratégica, mas o poder público teve que responder à pressão brutal de um negócio”, dispara Murilo Ramos.

Limites à “ambevisação”

Um segundo elemento reforça a avaliação de “casuísmo”: a adequação da proposta da direção da Anatel à situação da BrT-Oi. Havia um receio de ocorrer na telefonia brasileira o que aconteceu no caso do setor de cerveja: permitiu-se a criação da Ambev para depois permitir sua desnacionalização através da fusão com a empresa belga Interbrew. Se é ou não uma resposta ao temor manifestado por vários atores em relação à desnacionalização, não deixa de ser curioso que a proposta permita a fusão entre concessionárias de duas áreas, mas proíba que estas se integrem a uma terceira operadora deste serviço. Na prática, o novo PGO legitimaria o negócio BrT-Oi já acertado, mas impediria a venda da nova supertele para uma terceira, como a espanhola Telefónica ou a mexicana Telmex.

No entanto, em reunião do Conselho Consultivo da Anatel no dia 3 de julho, o relator do processo no Conselho Diretor, Pedro Jaime Ziller, alegou não haver relação de uma com a outra. “Sobre o PGO, temos que separá-lo da fusão e tem que ficar claro que ele não é feito para a BrT-Oi, mas é um instrumento isonômico para todas as concessionárias”, afirmou. Mas deixou claro em várias respostas que a redação apresentada estava “em acordo com a política estabelecida pelo governo federal”.

Se, para vários conselheiros, o conjunto de episódios que estão reorganizando o setor – atualização das metas de universalização, revisão do PGO e PGR e alteração da legislação na TV paga com o PL-29 no Congresso Nacional – não respondem a uma política definida, uma lida atenta ao ofício do Ministério das Comunicações à Anatel evidencia pelo menos a indicação explícita de viabilizar a fusão. Em audiência realizada no dia 9 de julho na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, reforçou a defesa da fusão. “Ao receber um aceno dessas empresas, eu entendi que, de repente, quem sabe, esse é o caminho para se ter uma empresa nacional”, disse.

Concentração é positiva?

Empresa nacional, citando o ministro, já existem duas prestando o serviço de telefonia fixa. O que se pretende é criar uma supertele. O argumento é simples: concentrando o mercado seria possível ampliar a capacidade de oferta dos serviços, melhorando qualidade e baixando preços. “A fusão dessas duas empresas (justamente as duas mais penalizadas, porque a Telefônica está no Brasil rico, São Paulo, não no Tocantins, Amapá, interior da Bahia…) vai permitir a elas juntarem o que possuem do mercado rico – Paraná, Brasília, Rio de Janeiro, parte de Minas Gerais – e ficarem mais fortes para poder continuar prestando os serviços que precisam prestar também ao Brasil pobre”, argumenta o professor Marcos Dantas, da PUC do Rio de Janeiro.

Já para organizações de defesa do consumidor e as pequenas e médias empresas de telecomunicações, a fusão vai piorar o quadro de falta de competição no setor. “Esta possibilidade de concentração já seria preocupante se, atualmente, houvesse um nível razoável de concorrência no setor de telefonia fixa. Entretanto, é sabido que a competição entre diversas operadoras deste setor jamais se deu da forma como desejada inicialmente, com a privatização do setor, sendo raros os casos de empresas autorizatárias que conseguiram ‘fazer frente’ ao grande poder de mercado das concessionárias, o que se dá provavelmente pelo alto custo de entrada no mercado”, avaliou o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), em ofício enviado à Anatel sobre o tema.

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste) endossou o receio também em ofício enviado à presidência da Anatel: “Embora eficiências econômicas justifiquem, em certos mercados, altas concentrações, os consumidores não serão respeitados enquanto não tiverem ‘poder de barganha’ decorrente de um ‘poder de escolha’.”

Na avaliação do jornalista especializado Samuel Possebom, nem o governo nem a Anatel conseguiram apresentar argumentos mínimos sobre quais benefícios esta concentração traria. “Ainda aguardo uma explicação convincente de qual o interesse publico por detrás dessa empresa. Ate lá, sigo achando que é um bom negócio para os acionistas, e só”, diz o jornalista. A ausência de estudos técnicos e econômicos que respondam às dúvidas apresentadas por Possebom tem sido uma reclamação constante do Conselho Consultivo da Anatel .

Para o deputado Ivan Valente, os benefícios de uma “supertele nacional” são uma “balela”. “Não acredito isso. Se o governo quisesse isso, recriaria uma estatal para estabelecer preços de mercado, para reativar o CPqD e teria utilizado sua malha de fibra ótica”, propõe.

Murilo Ramos problematiza também o argumento de que, juntas, Brasil Telecom e Oi poderiam disputar mercados estrangeiros. “Esta tele vai buscar mercado aonde? Mercado latino-americano é arriscado. Entrar nos mercados como segundos e terceiros players dá muito trabalho. Na África? O poder aquisitivo dos africanos é menor do que os brasileiros”, questiona.

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– Entidades criticam processo que define regras de telefonia
– Separação de telefonia e banda larga divide opiniões
– Caso Dantas lança dúvidas sobre compra da BrT pela Oi
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Consulta do Minicom sobre políticas públicas tem mais de 2,6 mil contribuições

Em dois meses e meio no ar, a consulta do Ministério das Comunicações destinada a definir politicas públicas para o setor de telecomunicações obteve 2.612 contribuições, enviadas pelo público no período de 24 de abril a 9 de julho e que já representam um calhamaço de mais de 260 laudas. Fonte do ministério afirmou que a equipe do ministro Hélio Costa avalia os próximos passos da consulta, a partir da compilação dos dados obtidos na primeira fase de coleta de contribuições, encerrada semana passada.

Entre as próximas etapas sob análise para a consulta pública, o Ministério pretende abrir novo prazo para envio de contribuições, permitindo que o autor de uma proposta comente as sugestões alheias. Também examina a realização de algumas audiências públicas para manifestação ao vivo dos interessados em diferentes cidades. Uma análise das contribuições na página do Minicom na Internet mostra grande participação de pessoas físicas no processo de consulta que, preocupadas com o custo dos serviços, propõem até a criação da internet grátis para todos.

Há contribuições de órgãos de defesa do consumidor, como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), que faz crítica à falta de informações sobre o tema que o ministério pretende discutir – políticas públicas – e ao desconhecimento do assunto pela população. Para o Idec, isso impede o processo de produzir um resultado de bom nível. “O texto apresentado carece de explicações e informações adicionais, para que o brasileiro possa compreender o contexto das políticas públicas”, considera o Idec.

Alguns assuntos também são recorrentes na preocupação dos participantes, como a necessidade de que se amplie a competição no mercado de telefonia e se elimine o monopólio de alguns serviços, como a banda larga. A desoneração tributária e redução da carga de impostos em toda a cadeia produtiva de serviços, para baratear os preços – do computador, ao acesso às redes, incluindo o provedor de conteúdo -, também constitui em preocupação permanente dos comentários.

Outra sugestão que se repete é da transformação do acesso em alta velocidade – hoje um serviço cuja oferta é em regime de mercado -, em um serviço de regime público, sujeito a controle de preços e cumprimento de metas. Essa proposta visa a permitir que a banda larga tenha seu próprio plano obrigatório de universalização e utilize recursos do Fust (Fundo para Universalização dos Serviços de Telecomunicações) para sua popularização.

Programa facilita compra de laptops por professores

Comprar laptops ficará mais fácil para cerca de 3,4 milhões de professores do ensino básico ao universitário. O estímulo vem do Programa Computador Portátil para Professores, lançado no último dia 4, em Brasília, pelo presidente Lula, acompanhado dos ministros da Educação, Fernando Haddad, das Comunicações, Hélio Costa, e da chefe da Casa Civil da Presidência da República, ministra Dilma Rousseff.

A novidade, concretizada pelo Decreto nº 6.504, permitirá aos professores a aquisição de computadores portáteis, em condições facilitadas, com preço à vista de até R$ 1 mil e frete e seguros incluídos. O Ministério da Educação (MEC) estima que os equipamentos sairão em torno de 35% mais baratos que os disponíveis no mercado atualmente.

A iniciativa faz parte da política de informatização das escolas brasileiras, em que também se insere o acordo celebrado em abril pelo Ministério das Comunicações e as concessionárias de telecomunicações, pelo qual as últimas se comprometem a levar internet às mais de 55 mil escolas brasileiras até 2010. Com o novo programa, a aposta é que, além de poderem pagar mais facilmente pelas máquinas, os educadores incorporem cada vez mais as novas tecnologias ao ensino e às suas metodologias.

"A idéia é proporcionar ao professor, através deste equipamento, desenvolver conteúdos pedagógicos a partir da interação com a tecnologia da informação", informou ao Guia das Cidades Digitais Nelson Fujimoto, responsável por estruturar o programa na equipe do assessor especial da Presidência para inclusão digital, César Alvarez.

O ministro da Educação partilha da mesma opinião. "O acesso à rede mundial de computadores vai permitir a atualização de práticas pedagógicas que se valem da tecnologia da informação, e o professor é o mais interessado em se habilitar para ensinar melhor”, afirmou Haddad, durante o lançamento do programa, na última sexta-feira.

As condições

Poderão se beneficiar do programa educadores das redes pública e privada, dos vários níveis de ensino: básico, fundamental, médio e universitário. Professores de cursinhos pré-vestibulares, de escolas de música e de idiomas e de academias de ginástica ficam de fora do programa.

O pagamento poderá ser parcelado em até dois anos, nos bancos credenciados, com taxas de juros que irão variar de 1,4% e 1,8% ao mês. No caso do pagamento à vista, o professor deverá ir a uma agência dos Correios, que será responsável pela logística do programa, ou a uma agência bancária credenciada e escolher entre as configurações de computadores disponíveis. Cada pessoa poderá comprar apenas um computador. O controle será feito pelo CPF de cada professor.

As vendas começam em setembro, nas capitais. A previsão é de que haja 12 mil pontos de venda em todo o país, já que os computadores serão adquiridos nas agências dos Correios. Segundo anunciou César Alvarez na cerimônia de lançamento do programa, será possível também a aquisição pela internet.

Para realizar o financiamento, o professor deverá apresentar os documentos necessários (por exemplo, carteira de identificação de professor) em uma agência dos Correios ou no banco. Será possível descontar o valor da parcela diretamente na folha de pagamento. Após a liberação do financiamento, o computador será entregue em casa em cerca de 20 dias.

Além dos Correios, o programa conta também com a adesão de empresas fabricantes de computadores, de bancos públicos e privados e de criação de linha de empréstimo para aquisição dos equipamentos.

Opiniões

Para Justina de Araújo Silva, presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a idéia é boa. Porém, ela prefere esperar a regulamentação do programa, a ser feita pelo MEC, para dar uma opinião mais embasada. "Em princípio, parece positivo. A expectativa é boa, mas preferimos aguardar a regulamentação para opinar por completo", diz.

Em entrevista à Agência Brasil, a secretária-executiva do Conselho de Secretários Estaduais de Educação (Consed), Wanessa Sechim, lembrou que fala-se muito em inclusão digital de alunos e que, com o programa, será possível incrementar a inclusão digital dos professores. "Acreditamos que vai favorecer diretamente a metodologia de ensino e o planejamento educacional”, disse ela à agência.

Para Fujimoto, da Presidência da República, o programa é complementar aos projetos de Cidades Digitais. "Podemos dizer que o Computador Portátil para Professores e os projetos de Cidades Digitais são políticas que visam difundir as tecnologia de informação e comunicação (TICs), com o objetivo de inclusão digital. No caso do projeto de cidades digitais, a idéia é dotar as respectivas cidades com infra-estrutura de redes e acesso à internet com banda larga. Portanto, facilitará em muito para que os professores possam, a partir do computador portátil, obter o acesso a rede mundial da internet", avalia.

Já o secretário para assuntos educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino (Contee), José Thadeu de Almeida, defende enfaticamente ações que vão além de simplesmente dar a possibilidade de comprar a máquina a preços reduzidos. "Não há dúvida de que o programa é importante, para buscarmos a inclusão digital dos professores", reconhece.

"Mas não podem faltar outros dois elementos fundamentais: primeiro, a formação dos professores. Não só a continuada, para aqueles que já lecionam, mas a inclusão do computador como ferramenta de construção de conhecimento no currículo das faculdades. Segundo, é importante ter acoplado a isso um processo de acesso a banda larga", completa. Para Almeida, é preciso esse entendimento completo do processo, para que o laptop não seja apenas instrumento de auto-informação dos professores, "mas uma ferramenta didático-pedagógica", conclui.

As condições de compra

Poderão se beneficiar do programa educadores das redes pública e privada, dos vários níveis de ensino: básico, fundamental, médio e universitário. Professores de cursinhos pré-vestibulares, de escolas de música e de idiomas e de academias de ginástica ficam de fora do programa.

O pagamento poderá ser parcelado em até dois anos, nos bancos credenciados, com taxas de juros que irão variar de 1,4% e 1,8% ao mês. No caso do pagamento à vista, o professor deverá ir a uma agência dos Correios, que será responsável pela logística do programa, ou a uma agência bancária credenciada e escolher entre as configurações de computadores disponíveis. Cada pessoa poderá comprar apenas um computador. O controle será feito pelo CPF de cada professor.

As vendas começam em setembro, nas capitais. A previsão é de que haja 12 mil pontos de venda em todo o país, já que os computadores serão adquiridos nas agências dos Correios. Segundo anunciou César Alvarez na cerimônia de lançamento do programa, será possível também a aquisição pela internet.

Para realizar o financiamento, o professor deverá apresentar os documentos necessários (por exemplo, carteira de identificação de professor) em uma agência dos Correios ou no banco. Será possível descontar o valor da parcela diretamente na folha de pagamento. Após a liberação do financiamento, o computador será entregue em casa em cerca de 20 dias.

Além dos Correios, o programa conta também com a adesão de empresas fabricantes de computadores, de bancos públicos e privados e de criação de linha de empréstimo para aquisição dos equipamentos.

Confederação Nacional dos Municípios aposta na conectividade

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM), entidade que representa prefeituras de todo o País, considera que o uso das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) é uma tendência irreversível. Há oito anos, a CNM desenvolve projetos para estimular o uso das TICs nas administrações municipais e tornar as cidades brasileiras mais modernas e capazes de oferecer melhores serviços ao cidadão.

“Faz tempo que reconhecemos a importância do uso da internet e suas ferramentas na administração pública”, afirma o presidente da confederação, Paulo Ziulkoski. “Hoje, o aumento do uso da tecnologia da informação em todas as esferas administrativas é inevitável e por isso estamos investindo em vários programas”, acrescenta.

“Nossa preocupação não é apenas com a capacitação de prefeitos e funcionários para utilizar a internet e programas de computador. Estamos atentos ao uso das TICs em vários níveis, até mesmo para que todos cumpram a legislação referente aos municípios, como a obrigatoriedade de prestação de contas via internet e a realização de leilões virtuais. Além disso, buscamos a diminuição de custos a partir de novidades, entre elas a telefonia VoIP”, complementa Samuel Porto, chefe do departamento de Relações Institucionais da CNM.

Iniciativas em andamento

Uma das iniciativas da entidade é o Programa de Modernização da Gestão Pública Municipal. Seu objetivo é desenvolver ações que tornem a administração mais eficiente e transparente. O programa envolve oficinas de treinamento para o uso de diversos softwares utilizados no cotidiano do funcionalismo público e a oferta de serviços. Entre eles, a construção de páginas para as prefeituras e suas secretarias e a padronização de e-mails. A CNM também oferece a instalação de antenas para conexão à internet via satélite, o que já foi feito em 400 municípios.

Outra ação é o programa Município Transparente, que visa a estimular governantes a terem uma administração em que todos conheçam as atividades da prefeitura e quanto está sendo gasto nelas. Isso se dá por meio da construção de sites, nos quais as informações são disponibilizadas aos cidadãos.

Outro foco do programa é dar consultoria a prefeitos que desejam tornar a cidade digital, mas não sabem como. “Um exemplo foi um governante que queria disponibilizar acesso Wi-Fi, via satélite, a toda cidade a 200 Kbps. É muito pouco. Seria jogar dinheiro fora. Mostramos que, com algum recurso a mais, ele poderia oferecer uma velocidade bem maior, evitando assim desperdício do dinheiro público”, lembra Samuel Porto.

Os benefícios dos investimentos, garante o diretor de Relações Institucionais, são facilmente vistos, por exemplo, nas contas municipais. Segundo ele, a economia média na compra de insumos gira em torno de 20 a 30%. “Em alguns casos, ela chega a 80%”, garante Porto.

Resistência ao uso de TICs está menor

A CNM realiza projetos voltados para o uso de TICs desde 2000. De lá para cá, dizem seus representantes, muita coisa melhorou, mas alguns obstáculos persistem. “Temos gargalos, que vão desde a aquisição de equipamentos até o uso de computadores por parte de servidores. Além disso, há locais em que a compra de máquinas é vista como custo extra e não como investimento. São barreiras que ainda temos que superar e com as quais lidamos diariamente”, lamenta Ziulkoski. “Mas vencer esses desafios é um processo no qual estamos inscritos.”

Porto acredita que a resistência ao uso de novidades tecnológicas está cada vez menor. “Praticamente todos estão convencidos de que computador e internet hoje em dia são necessidades da administração pública. As prefeituras de Sud Menucci (PR) e Piraí (RJ), que foram pioneiras nessa área e há um tempo vistas como honrosas exceções, atualmente fazem parte de um grupo muito maior de cidades digitais.”

Para ajudar a disseminar a melhor maneira de utilizar essas novas tecnologias, , a CNM está investindo em cursos e seminários sobre o tema, que são divulgados de acordo com sua realização. “Afinal, o uso da internet hoje não é só uma ferramenta para o poder público. É uma demanda da população e por isso ela deve ser posta em prática”, encerra o diretor de Relações Institucionais da entidade.


Caso Dantas lança dúvidas sobre compra da BrT pela Oi

As recentes revelações da Operação Satiagraha levantaram suspeitas sobre intervenção do banqueiro e ex-sócio da Brasil Telecom Daniel Dantas na fusão da companhia telefônica com a Oi. Segundo relatórios da Polícia Federal, Dantas teria usado o advogado petista Luiz Eduardo Greenhalgh para fazer lobby pela aprovação do negócio junto à cúpula do governo federal. Os indícios reforçam as críticas em relação à benevolência do Palácio do Planalto para com o banqueiro, que saiu da transação sem as ações judiciais até então mantidas contra ele por fundos de pensão e pelo grupo Oportunity por gestão temerária de recursos, além de US$ 985 milhões nos bolsos com a venda de sua parte na Brasil Telecom.

Para especialistas entrevistados pelo Observatório do Direito à Comunicação, o caso coloca sob suspeição o processo de compra da Brasil Telecom, o que não pode ser ignoradas nos debates sobre a revisão do Plano Geral de Outorgas (PGO) de telefonia fixa. A alteração normativa é condição para que a fusão se concretize, uma vez que pela legislação atual, uma concessionária deste serviço não pode adquirir outra. Assim, além da análise sobre a validade política, técnica e econômica da mudança, o caso Dantas colocaria uma nova polêmica sobre a licitude da operação entre BrT e Oi que, afinal, motivou o debate sobre o PGO.

“Do ponto de vista político, o processo se tornou mais complexo e delicado, tanto no âmbito do Poder Executivo quanto no âmbito da Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações]”, avalia o coordendor do Laboratório de Políticas de Comunicação da UnB, Murilo Ramos. Para Gustavo Gindre, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e do Comitê Gestor da Internet no Brasil, o governo não pode levar a cabo um processo onde sua atuação está sendo questionada. “Com Dantas na cadeia e seu advogado dizendo que vai revelar denúncias sobre o PT, é no mínimo complicado que o governo autorize um negócio que o beneficia em mais de US$ 1 bilhão. Uma operação financeira desta envergadura não pode passar a impressão de que o governo está sendo chantageado e, em troca, paga um cala-boca deste valor”, diz.

Por diversas vezes, desde setembro de 2007, Daniel Dantas criticou a fusão. Em janeiro deste ano, seus advogados apresentaram como parte da defesa no litígio entre o banqueiro e o Citigroup documento contendo acusações de corrupção entre a Oi e integrantes do governo. “Dantas acusava o PT de um esquema com a Andrade Gutierrez, envolvendo o filho do Presidente da República e os fundos de pensão para formar a BrT-Oi. Seis meses depois, Dantas sai com quase US$ 1 bilhão dessa negociação. O que aconteceu no meio?”, indaga Samuel Possebom, jornalista especializado na área de comunicação.

Para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), tanto a transação entre as duas concessionárias, como a revisão do PGO estão sob suspeita e podem ser questionadas judicialmente. Antes mesmo da prisão e posterior soltura de Dantas, a negociação já havia sido objeto de uma representação do jornalista Paulo Henrique Amorim ao Ministério Público de São Paulo, datada de 12 de junho deste ano. O documento não só critica as benesses obtidas por Daniel Dantas, como ataca o negócio como um todo, afirmando ter sido uma operação financiada com dinheiro público – por meio do aporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – para beneficiar empresários, no caso, os controladores da Oi Sérgio Andrade e Carlos Jereisatti.

Nada de errado

Apesar do conjunto de acusações e suspeições, o governo federal e a Anatel têm dito que o caso não trará conseqüências à revisão do PGO. Em entrevista à revista especializada Teletime, o ministro das comunicações, Hélio Costa, afirmou que o resultado da Operação Satiagraha “não interfere em nada” relativo à fusão. E reforçou: “a fusão não tem absolutamente nada a ver com isso [a prisão e soltura do banqueiro]”. Pela sua assessoria, a Anatel também afirmou que não há qualquer mudança na condução da revisão do PGO por conta da operação da Polícia Federal.

A traqüilidade do governo pode, curiosamente, ser abalada pelo próprio governo. Segundo o blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, o comandante da operação, delegado Protógenes Queiróz, prometeu ao juiz Fausto De Sanctis novos relatórios que trariam evidências de irregularidades envolvendo Dantas desde a privatização do setor de telecomunicações à negociação entre Brasil Telecom e Oi.

“Essa cadeia societária formada e estrategicamente planejada, participou do processo de privatização de empresas estatais e arrematou no leilão de telefonia fixa a Tele Centro-Sul (atual Brasil Telecom), na telefonia móvel a Tele Norte Celular (hoje Amazônia Celular) e Telemig Celular. Todo esse cenário criado foi praça de inúmeros fatos, envolvendo notícias de corrupção de autoridades públicas e espionagem industrial, manipulação da mídia, ações judiciais entre outros fatos”, aponta trecho da investigação da PF reproduzido no blog de Amorim.

Em artigo no último número da revista Carta Capital, seu editor, Mino Carta, cita uma conversa em off com uma “altíssima” autoridade do governo segundo a qual a abertura do disco rígido do grupo Opportunity “acabaria a República”. Especulações a parte, não se sabe o que está por vir. Mas se as conseqüências podem não chegar a confirmar o temor da fonte do editor de Carta Capital, é possível que a prisão de Dantas e as revelações posteriores tenham na fusão da BrT-Oi uma de suas primeiras vítimas.

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