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Provedores são contra idéia de banda larga pública

A possibilidade de que a banda larga venha a ser um novo serviço público no País tem desagradado os provedores de internet. Em nota, a Rede Global Info. posiciono-se contrariamente à idéia em debate dentro da Anatel e do Ministério das Comunicações. A Associação Brasileira dos Pequenos Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrappit) também não tem nenhuma simpatia pela proposta. Em comum, as duas organizações não enxergam como a medida pode ser benéfica para o usuário, já que a transformação em serviço público trará aumento de custos no serviço e provavelmente reduzirá a concorrência.

Ricardo Sanches, presidente da Abrappit e membro do conselho consultivo da Anatel, classifica a idéia como um “devaneio”. Para Sanches, levar esse projeto a cabo verticalizará de uma vez o setor e pode abrir precedentes para reduzir ainda mais o poder de escolha dos consumidores. “É devaneio dizer que isso é de interesse público. O que é de interesse público é o acesso à informação. E isso as concessionárias não são responsáveis; são só pela infra-estrutura. Fazer isso é submeter todos os provedores ao poderio das concessionárias”, protesta.

Em entrevista a este noticiário, Jorge de La Rocque, presidente da Rede Global Info, explica que um dos pontos de contestação dos provedores, e que motivou a associação a posicionar-se contra a idéia, é o entendimento de que a banda larga não precisa ser serviço público para elevar seus níveis de qualidade. “Para isso, bastaria a Anatel fazer o seu papel de fiscalizar.” Dar novo status ao serviço elevará o preço final para o consumidor na medida em que serão impostas metas de universalização. Outro porém é que a rede atual está esgotada e este problema não será resolvido com a transformação da banda larga em serviço público.

O exemplo do Speedy

Para os provedores é inevitável falar desta proposta sem rememorar o recente problema na oferta de banda larga da Telefônica pelo serviço Speedy. O “caladão” do Speedy é tratado pela Abrappit como um exemplo de que concentrar a banda larga nas mãos das atuais concessionárias não é prova de que o serviço terá altos níveis de qualidade. O raciocínio de Sanches é baseado no fato de que, se a idéia sair do papel, será inevitável que as concessionárias do STFC também venham a ser as futuras concessionárias de banda larga.

La Rocque também usa a pane no Speedy como argumento contra a proposta. Na sua opinião, o problema com a Telefônica revelou a real situação das redes de provimento de internet no País, onde a capacidade está saturada há tempos e os níveis efetivos de prestação do serviço são muito abaixo do que o anunciado no mercado.

Definir banda larga

O ponto crucial para La Rocque é que a Anatel, antes de qualquer coisa, defina o que é a banda larga. Hoje ela é considerada um Serviço de Valor Adicionado (SVA) mesma categoria onde constam serviços de caixa postal e identificação de chamadas, por exemplo. Sem uma definição clara, o presidente da Global Info. entende que não há como travar uma discussão consistente sobre o assunto. “Colocaram o carro na frente dos bois”, resume.

Outras questões que deveriam anteceder essa discussão, segundo La Rocque, é o acesso igualitário e irrestrito às infra-estruturas que permitem a oferta do serviço à população. “Nem o uso dos postes de energia está resolvido”, reclama o presidente da entidade, rememorando a interminável discussão entre Aneel e Anatel sobre o compartilhamento das estruturas do setor elétrico.

Verticalização

A grande preocupação de Ricardo Sanches, da Abrappit, é o avanço de uma ótica no setor onde a concentração é entendida como algo positivo para a concorrência. Este discurso pró-verticalização da oferta de serviços é usado em vários momentos, inclusive nas discussões sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi. O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, tem repetido que a operação não aumenta a concentração, mas sim promove ganhos de escala para a companhia, o que seria positivo para o mercado.

No entendimento de Sanches, a crescente defesa dos “combos” como o melhor sistema de oferta de serviços é nociva para o consumidor. Para que a empresa ofereça um pacote com múltiplos serviços é preciso que ela esteja verticalizada. E transformar a banda larga em serviço público seria um passo definitivo na legalização dessa verticalização praticada hoje, na opinião de Sanches. “A verticalização dos serviços prestados em uma mesma infra-estrutura é banir o direito de escolha do consumidor. Se isso está certo, eu tenho que avisar as escolas de economia porque os grandes pensadores dessa área estavam todos errados quando falavam de concorrência.”

Sanches faz uma analogia para justificar seu entendimento de que o setor está errado ao promover essa verticalização em cima das concessionárias do STFC usando como argumento o monopólio natural da infra-estrutura. Para ele, seria o mesmo que permitir que uma concessionária de rodovia criasse empresas de transporte de passageiros, de transporte de carga, postos de combustíveis e quantas outras facilidades associadas com o objeto da concessão, a estrada, e concentrasse a oferta desses serviços ao consumidor.

O exemplo é irreal porque, apesar de terem relação com a estrada, o setor de transportes não entende que esses serviços são essenciais apenas pelo fato de usar a mesma infra-estrutura. Mas, para Sanches, o exemplo encaixa-se no setor de telecom na medida em que é permitido que a concessionária, mesmo que por meio de subsidiárias, também ofereça serviços de telefonia móvel, TV por assinatura e banda larga, por exemplo, sob a égide de que todos são serviços convergentes. Para o presidente da Abrappit, a agência deveria estimular a competição e não a concentração dos serviços na mão de poucas empresas. “As questões relacionadas com o consumidor têm sempre muito apelo, então acho que a agência deveria priorizar o aumento do poder de escolha e não reduzi-lo”, conclui.

Grupo do MTE marca audiências para discutir profissão de jornalista

O grupo de estudos criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para discutir a regulamentação da profissão de jornalistas se reuniu pela primeira vez nesta terça-feira (26/08). Apenas o representante da Associação Brasileira de Rádio e TV (Abert) não participou do encontro, que definiu a realização de seis audiências públicas pelo País.

A primeira está marcada para o dia 8/9, na superintendência do MTE em São Paulo, seguida por Recife (15/9), Belém (22/9), Porto Alegre (29/9), Brasília (6/10) e Rio de Janeiro (13/10). Além dos componentes do grupo de estudo, cada uma delas contará com a presença de um especialista jurídico, um profissional e um proprietário de veículo de comunicação.

Obrigatoriedade do diploma não será discutida

O diretor de relações governamentais da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Paulo Tonet, afirmou que a posição da entidade no grupo de estudos é de discutir novos problemas e “não perder tempo” com questões já resolvidas, como a obrigatoriedade do diploma.

“Uma coisa eu já coloquei: se for para fazer audiência para discutir obviedades, é melhor não fazer. Temos que discutir coisas novas, como a internet. Não olhar pelo retrovisor”, diz.

Esse também é o desejo da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). A questão do diploma será decidida pelo Supremo Tribunal Federal e deve ficar fora da pauta de discussões. Segundo o presidente da ANJ, Sérgio Murillo, a intenção é atualizar a lei de 1969, incluindo questões como a função do assessor de imprensa.

Audiências darão transparência ao processo

A realização de audiências públicas foi bem recebida por Murillo. Segundo ele, isso dará “transparência ao processo”. “A mídia bloqueia esse debate e quando o faz é pelo viés deles. Vamos mostrar para o cidadão brasileiro a importância da profissão de jornalista.”

Para o representantes do MTE Max Monjardim a reunião serviu para a apresentação dos participantes e definição do que será discutido.

“Como o prazo é de apenas 90 dias, é importante definir o que a gente vai discutir logo no primeiro dia para a gente não ficar andando em círculo”, afirma Monjardim.

Campanha pede convocação de conferência de comunicação

As comissões de Direitos Humanos e Minorias; de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Legislação Participativa, além de 30 organizações da sociedade, lançaram uma campanha em todo o País pela convocação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação. A idéia é colher o maior número de assinaturas para um documento que será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo a convocação da conferência. O evento inédito é uma reivindicação de diversos setores que atuam pela ampliação do debate em torno da democratização da comunicação no Brasil.

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) é uma das idealizadoras da conferência. Ela presidiu uma subcomissão na Câmara que elaborou, no ano passado, sugestões de alteração na legislação dos meios de comunicação. A proposta da subcomissão previu também a realização da conferência.

Erundina explica que tradicionalmente é o presidente da República que convoca conferências dessa natureza. “Já foram convocadas várias conferências de outros setores do governo como saúde, educação, assistência social, e até hoje nunca se realizou uma conferência para discutir a política de comunicação social no Brasil. Esse é um momento estratégico em que questões importantes estão na agenda do País e é preciso que se crie um espaço democrático, amplo, para que a sociedade civil também seja ouvida”, afirma, ressaltando os temas da inovação tecnológica, da incorporação do sistema digital e da renovação das outorgas que estão vencidas das principais redes de TV e rádio do País.

Reuniões preparatórias

Erundina lembra ainda que a Câmara já garantiu recursos no Orçamento da União para a organização da conferência, que ela espera seja convocada pelo presidente no ano que vem, para que haja tempo de realizar as reuniões preparatórias nos estados. A Bahia já realizou sua primeira conferência estadual sobre o tema, neste mês. O Rio Grande do Sul prepara a sua para novembro e, no Pará, a previsão é a de que o evento ocorra em dezembro.

Para assinar o documento que será entregue ao presidente Lula, pedindo a Conferência Nacional de Comunicação, basta acessar a página na internet www.proconferencia.com.br.

Canais 5 e 6 devem transmitir rádio após transição para a TV digital

Os canais de radiofreqüência 5 (Globo em São Paulo, a maior audiência do país) e 6 deverão ser utilizados para rádio digital após o fim das transmissões da TV analógica no Brasil, previsto oficialmente para 2016.

De acordo com o Superintendente de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Ara Apkar Minassian, os canais de 2 a 4 serão desativados, pois não servirão mais para transmissão audiovisual.

Conforme o decreto que estabeleceu a TV digital brasileira em 2006, após a transição para o novo sistema as emissoras devem devolver suas faixas de freqüência à União, que decidirá o que fazer com elas. Hoje, o telespectador que precisa sintonizar um canal digital pode usar o próprio número do analógico, pois os conversores o "traduzem" automaticamente.

“As grandes redes estão nos canais de 2 a 13 do VHF porque o sinal vai muito longe. Mas ele também degrada facilmente. Daqui a dez anos, os canais de 2 a 6 não servem mais para TV. Eles são afetados pelo que chamamos de ruído impulsivo. É aquela interferência na imagem, o chuvisco que aparece na tela quando você liga seu liquidificador”, explicou Minassian.

Segundo ele, a Anatel deve usar apenas o 5 e o 6 para a radiofreqüência sonora, anulando os que estão atrás no VHF.

O superintendente da Anatel diz que a agência também estuda “salvar” os canais de 7 a 13. “Estamos avaliando usar o 13 apenas para a portabilidade na TV digital. Ele poderá ser dividido em várias programações para recepção em aparelhos móveis, mas essa possibilidade ainda está em estudo. O certo é que teremos mudanças de paradigmas.”

As mudanças adiantadas pela Anatel, no entanto, podem demorar mais do que o prazo determinado pelo governo para o fim das transmissões analógicas (2016). Em junho deste ano, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, admitiu que o prazo oficial para o “switch off” pode ser estendido por conta dos problemas enfrentados na implementação da TV digital no país.

“Se amanhã chegarmos à conclusão de que a grande maioria da população brasileira ainda não recebe a TV digital, claro que a gente pode [adiar o desligamento do sinal analógico]”, afirmou.

* O jornalista viajou a convite da IETV (Instituto de Estudos de Televisão)

Relator cria plano B para aprovar lei de TV paga

O mercado de TV por assinatura deve ter suas regras definidas até a primeira quinzena de setembro, quando o relator do projeto, deputado Jorge Bittar (PT/RJ) espera chegar a um acordo com a Globosat e o grupo formado por Record, Band, Abril e SBT sobre a questão de que um mesmo produtor de conteúdo ter no máximo 25% dos canais da cota nacional. Caso não saia, Bittar já tem um plano B, que é aprovar o projeto e deixar esse ponto em destaque para ser resolvido com análises do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a concentração de mercado.

Apesar disso, o foco é no acordo, que está muito próximo, segundo o relator. Tanto que, depois de reuniões, as empresas revelaram interesse em chegar a um consenso sobre o principal ponto crítico do Projeto de Lei 29 (PL-29).

“Estamos buscando um consenso para essa proposta, caso contrário ela será votada em destaque. Continuamos conversando e acredito que até semana que vem tenhamos esse acordo firmado. Para o projeto ser aprovado só falta esse acordo e uma reunião da comissão para a votação ocorrer”, afirmou Bittar ao DCI. Ele prevê que a lei seja instaurada ainda neste ano, e que, depois da aprovação na Comissão de Ciência e Tecnologia, prevista para a primeira quinzena de setembro, o processo seja rapidamente concluído. “Se houver o acordo, após a aprovação na comissão, o PL-29 deve tramitar rápido na Câmara e no Senado, porque não terá confronto frontal de nenhum grupo.”

Engrossando o caldo para debater o setor, o SBT se juntou ao grupo formado por Band, Record, Abril e produtores independentes nas discussões sobre o PL-29. O grupo exige que cada empresa ocupe, no máximo, 25% da cota de 12 canais de conteúdo nacional. A Globosat, que com a medida poderia ter três canais ao todo, inicialmente não quer um limite. Para resolver esses impasses, Bittar iniciou na semana passada uma força-tarefa e fez reuniões com Globosat e com Band, Abril, Record e SBT para tentar chegar a um consenso.

A intenção de Bittar é de que ambos os lados cedam e assim a proposta chegue a um meio-termo entre as pedidas. A outra solução é deixar a questão em destaque e aprovar o projeto sem essa medida, que seria votada depois de análises do Cade. “O acordo avançou bastante. A Globo voltou à mesa de negociações e topou fazer um acordo, enquanto Band, Record e Abril acenaram que não serão irredutíveis e aceitaram flexibilizar a proposta”, afirmou fonte próxima às negociações.

Segundo uma fonte das empresas próxima às negociações, os pontos mais complicados já foram superados e este é o último passo. “Está muito próximo do acordo, o ambiente leva para uma solução.” Outra fonte aponta que se a Globosat estiver disposta a negociar e aceitar um mercado mais amplo “não há motivo para não sair o acordo, e aceitamos considerar mudanças”.

A tendência é de que a forma de consenso seja definida na próxima semana. O foco do acordo é buscar uma determinação para os percentuais, no entanto Bittar acena com mudanças diferentes, desde que sejam aceitas pelas empresas. “Podemos optar também por alterar o artigo e adotar uma proposta alternativa, menos normativa e mais textual, com ou sem o percentual”, revelou Bittar.

Com os parlamentares, o acordo já está praticamente selado e a proposta será votada com alguns destaques. “Houve uma reunião e está tudo correndo muito bem. Os destaques já foram apresentados e o projeto será aprovado, com os destaques sendo votados à parte”, disse fonte do parlamento.

Apoio

O PL-29 já tem o apoio das operadoras de telefonia fixa, como Telefônica, Oi e Brasil Telecom que, apesar de não concordarem com alguns pontos previstos no texto, apoiaram a proposta para que sua aprovação ocorra o quanto antes, autorizando-as a atuar com TV paga a cabo.

Sobre as obrigações impostas como necessidade de cotas de conteúdo nacional, José Pauletti, presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Telefonia Fixa (Abrafix), que representa as teles, apontou de que a obrigação é ruim, mas “aceitável'. Ele entende que o assunto tem de ser julgado pelo governo, que definirá a necessidade de incentivar a produção de conteúdo nacional. “O projeto tem de ser votado logo. Apoiamos o texto como está. Para nós basta a revogação da Lei do Cabo”, atestou Pauletti.

Outro grupo que apóia a proposta é a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). “O texto, no conceitual, está bom. Faltam apenas alguns pequenos ajustes de redação, mas estamos apoiando”, afirmou Daniel Slaviero, representante da Abert. Quem também já garantiu apoio ao PL 29 é a Associação Brasileira das Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV). “Ninguém conseguirá 100% dos seus interesses. Acreditamos que a proposta está boa e que deve ser votada”, resumiu Fernando Dias, presidente da ABPITV.