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Anatel adia por mais 30 dias decisão sobre cobrança do ponto extra

O consumidor do serviço de TV por assinatura ainda terá que esperar um pouco mais para saber se ele será obrigado ou não a pagar pelo ponto extra. A proposta estava pautada para ser votada na reunião do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) desta quinta-feira (30), mas foi retirada da deliberação com pedido de vistas da conselheira Emília Ribeiro.

Como o prazo da prorrogação de 30 dias vence nesta sexta-feira (31), automaticamente a agência foi obrigada a prorrogar por mais 30 dias a suspensão dos artigos que tratam da cobrança dentro do regulamento da TV paga. Enquanto isso permanece facultativo as operadoras cobrarem ou não pelo serviço na casa do cliente.

A conselheira disse que pediu vistas da matéria para estudar melhor o assunto. "Ainda não tenho uma opinião formada a respeito da proposta, por isso antes de proferir o meu voto quero levar em conta todas as questões, inclusive avaliando a tsunami econômica que atingiu a economia recentemente", destacou.

Emília Ribeiro, inclusive, é a favor de que a agência deveria ter uma gerência de impacto econômico-financeiro para avaliar essas questões, pois o assunto é delicado. "Na minha proposta de reestruturação da Anatel sou a favor desta gerência", defendeu.

Quando a Anatel for votar a proposta, o conselheiro-relator Pedro Jaime Ziller não estará mais no Conselho Diretor da Agência, já que o mandato dele expira no próximo dia 4 de novembro. No entanto, Emília Ribeiro informou que o conselheiro deixará registrado em ata o seu "voto consignado". O voto de Ziller é pela não cobrança do ponto extra.

Mulheres realizam seminário para debater imagem na mídia

Em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), acontece em São Paulo, entre os dias 27 e 30 de novembro, o seminário nacional “O Controle Social da Imagem da Mulher na Mídia”. Organizado por dezenas de entidades do movimento feminista, reunidas em torno da Articulação Mulher & Mídia, o evento reunirá 150 lideranças do movimento de mulheres e tem como objetivo principal construir uma rede de controle social, enraizada em todos os estado da federação. As inscrições para o seminário estão abertas até o dia 7 através do e-mail: seminariomulheremidia@uol.com.br.

O seminário responde a uma demanda de formulação de políticas públicas relativas ao Capítulo 8 do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres: “Cultura, Comunicação e Mídia igualitárias, democráticas e não discriminatórias”. Aprovado na 2a Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, ocorrida em agosto de 2007, o novo eixo foi resultado da luta pela democratização do acesso à mídia, pela definição de critérios transparentes para outorga ou renovação de concessões e pelo controle social da imagem da mulher veiculada nos meios de comunicação.

Desde então, têm sido inúmeras as iniciativas do movimento feminista em favor do desenvolvimento de ações no campo do controle social. Em vários estados, as mulheres têm promovido atividades de formação e debate sobre o tema. No Distrito Federal, a Sapataria – Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais do DF e o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social realizaram, em agosto, a oficina “Mulher e mídia: participação e controle social”. Muito foi discutido acerca das propagandas de cerveja e da participação das mulheres na campanha que pede democracia e transparência nas concessões de rádio e TV.

No Recife, o seminário “Democratizar a Comunicação para democratizar a vida social”, realizado pela entidade SOS Corpo, construiu propostas que apontam para a necessidade das mulheres ocuparem ainda mais espaços de produção de conteúdo e de tomada de decisão política no setor das comunicações. Em Porto Alegre, aconteceu o Seminário Estadual “Controle Social da Imagem da Mulher na Mídia”. Foram debatidos o sucesso da ação civil pública movido contra o grupo Furacão 2000 pela letra da música “Um tapinha não dói” e o papel da mulher jovem na sociedade de consumo, entre outros temas.

Ações contra o machismo na mídia

Nas últimas semanas, diversas e diferentes manifestações do machismo nos meios de comunicação reforçaram, na avaliação do movimento de mulheres, a importância da prática do controle social. Às vésperas do segundo turno das eleições municipais, o portal Estadão publicou uma enquete nada engraçada perguntando aos leitores que reivindicações femininas fariam ao prefeito(a) eleito(a) no domingo. Na capital paulista, o segundo turno tinha Marta Suplicy como candidata.

A pergunta feita pelo site era “Se todos os problemas estruturais da cidade já estivessem resolvidos (Educação, Saúde, Transporte, Segurança …) que reivindicações femininas você faria?”. E as opções apresentadas foram as seguintes:
“- Banheiros públicos femininos cheirosos e com secador de cabelo
– Vai e vem para o shopping, sobretudo na época das compras de Natal
– Programa “mãe paulistana em forma”. Junto com o enxoval vem a “bolsa malhação”
– Kit maquiagem em casa, distribuído no dia de seu aniversário
– Vale-chapinha para usar em emergências, como os compromissos de última hora
– Bilhete múltiplo aceito em todas as clínicas de estética
– Manicures poupa-tempo em pontos estratégicos: dentro do ônibus, na fila do banco…”

Duzentas pessoas responderam à enquete, cujo resultado foi divulgado no “Jornal da Tarde”, que pertence ao mesmo grupo. O “Estadão” não divulgou, no entanto, os diversos e-mails com críticas que recebeu à brincadeira de péssimo gosto. Para Alessandra Terribili, integrante da Secretaria de Mulheres do PT, a enquete foi uma lástima. Em carta enviada aos editores do portal, ela afirmou que a iniciativa rotulou as mulheres como fúteis, vazias, com preocupação exclusiva com sua aparência, e lembrou que a demanda por políticas públicas é altíssima entre esta parcela da população.

“As mulheres ganham menos que os homens por mesmo trabalho, mesmo tendo mais tempo de escolaridade. Muitas mulheres ainda sofrem violência doméstica e sexual todos os dias na nossa cidade. As mulheres ainda cumprem dupla jornada, sendo responsabilizadas pelo trabalho doméstico e de cuidados, sem ganhar nada por isso, como se fosse sua pura e simples obrigação”, escreveu. “As mulheres querem creches, querem políticas efetivas de combate à violência, de construção da autonomia, de inserção qualificada no mercado de trabalho. As mulheres querem saúde, inclusive quando não são mães. As mulheres querem acesso a educação de qualidade, a transporte público, a cultura e lazer. Enfim. As mulheres querem ser tratadas de igual pra igual. Sem preconceitos de nenhuma ordem”, concluiu.

Violência banalizada em revista e na TV

Na mesma semana, mais de cem entidades haviam enviado um pedido de direito de resposta à redação da revista TRIP, diante da coluna publicada pelo cineasta Henrique Goldman, em que ele “pede desculpas públicas à empregada da família com quem transou, contra a vontade dela, quando tinha 14 anos”. Para as entidades signatárias, ao legitimar a violência contra a mulher, a coluna viola os princípios da normativa nacional e internacional de direitos humanos e qualquer parâmetro ético na comunicação.

“Revistas como a TRIP e quaisquer outros meios de comunicação não podem seguir se furtando às suas responsabilidades sociais com o teor do que veiculam, pois são conhecedoras do poder que têm, da polêmica que geram e, com isso, do quanto mais vendem e ganham às custas da humilhação da dignidade alheia, diga-se, em especial, das mulheres. Isso beiraria à leviandade e má-fé”, afirma o texto. Para o movimento de mulheres, a coluna de Goldman evidencia a banalidade da violência contra a mulher: “ 'Transar contra a vontade dela' nada mais é do que um eufemismo para o conhecido verbo 'estuprar' (…). Ademais, esperar que 'Luisa' possa 'rir do que aconteceu' mostra o quanto essas práticas violentas ainda são tratadas como piadas no Brasil – apesar da conquista da Lei Maria da Penha”, afirmam.

Por fim, as mulheres estudam agora uma resposta à cobertura feita pela imprensa do caso do seqüestro em Santo André, que resultou na morte da adolescente Eloá Cristina Pimentel da Silva. O assassinato de uma adolescente de 15 anos por um ex-namorado inconformado com o fim do relacionamento não foi, na avaliação do movimento, tratado pela mídia como deveria ser: o resultado de uma visão que ainda prevalece na cultura brasileira da dominação do homem sobre a mulher. Trata-se, na opinião do movimento, de um caso de feminicídio, um crime de ódio e de poder, realizado sempre com crueldade, que inclui várias formas de violência, como as que sofreu Eloá.

Comissão de Defesa do Consumidor define audiências públicas sobre projeto


Durante o mês de novembro, a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara vai realizar quatro audiências públicas para discutir a normatização do mercado de TVs por assinatura. O pedido foi encaminhado pelo relator do Projeto de Lei 29/2007, Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), e aprovado em reunião nesta quarta-feira (29).

“A intenção deste relator é promover, no decorrer das próximas semanas, um debate com os principais representantes das quatro atividades da ‘cadeia de valor’ desta indústria: distribuição, empacotamento, produção e programação de conteúdo”, afirma Vital Filho no requerimento.

As discussões serão realizadas às quintas-feiras e contarão com representantes de entidades e empresas interessadas no projeto, além dos órgãos de defesa do consumidor.

O PL-29 foi apresentado pelo deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC). Ele já foi apreciado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio e estava em análise na Comissão de Ciência e Tecnologia, Ciência e Informática até ser encaminhado para a CDC.

O calendário das audiências públicas

A primeira audiência acontece no dia 6/11, e contará com a presença de representantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), da Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), da Associação Nacional das Operadoras de Celulares (Acel), da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) e de órgão de defesa do consumidor.

A segunda será realizada no dia 13/11 e contará com a presença do presidente da Anatel; do diretor geral da Net Brasil, Fernando Ramos; da diretora-executiva da Associação Neo TV, Neusa Risette; e de representante de órgão de defesa do consumidor.

A terceira será no dia 20/11, com a participação de representante da Agência Nacional do Cinema (Ancine); do presidente da Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV, Fernando Dias; do presidente do Congresso Brasileiro de Cinema, Paulo Rufino; do presidente da Associação Brasileira de Radiodifusores, Amilcare Dallevo; e de representante de órgão de defesa do consumidor.

A última audiência será em 27/11, com representante da Ancine; com o diretor geral da Globosat, Alberto Pecegueiro; representante do grupo Bandeirantes de Comunicação; dos Canais Abril de Televisão; do diretor geral da ABPTA, Carlos Alckmin; do presidente da Abert, Daniel Slaviero; e de órgão de defesa do consumidor.

Sem polêmicas, parecer sobre PGO é elogiado no Conselho Consultivo da Anatel

O ponto mais polêmico da discussão realizada nesta sexta (31) no Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre a proposta do novo PGO não foi sobre concentração de mercado, sobre separação STFC/SCM (telefonia fixa/banda larga) ou mesmo sobre o conceito do serviço de telefonia fixa.

O item que mais chamou a atenção dos conselheiros foi a recomendação feita pelo conselheiro Walter Faiad, relator da matéria, para que as teles sejam proibidas de prestar o serviço de autenticação no acesso à Internet. "Esse item deve ser objeto de muita discussão. Isso (a função dos provedores), no ambiente da banda larga, é um golpe no consumidor. Quem autentica os acessos, em muitos casos, é a operadora. Não faz sentido o usuário pagar R$ 15 por isso", disse Átila Souto, diretor de serviços de telecomunicações do Ministério das Comunicações e representante do Executivo no Conselho Consultivo (empossado, aliás, nesta sexta).

Para Luiz Fernando Fauth, outro novo membro do conselho consultivo, este representando o Senado, esta questão do provimento de acesso é controvertida e existem discussões na Justiça sobre o tema, inclusive com decisões opostas à sugerida pelo relator.

Também Luiz Francisco Perrone, vice-presidente da Brasil Telecom e recém-empossado representante das prestadoras de serviços de telecomunicações no conselho, criticou a sugestão de Faiad para que se crie impedimentos às concessionárias de atuarem no setor de internet. Para Perrone, hoje as concessionárias são as únicas que precisam colocar um provedor para fazer a autenticação, o que cria um desequilíbrio competitivo com empresas de TV paga ou SCM. "Esse é um assunto que precisa ser discutido, mas fora do âmbito do PGO."

Perrone lembrou que existe uma tendência de que todas as questões polêmicas sejam trazidas para dentro do debate do Plano Geral de Outorgas. "Mas o PGO tem que ser o mais simples possível, porque ele diz respeito. Felizmente existe o PGR, que agora pode tratar de todas estas polêmicas." Para Perrone, o PGO tem que recepcionar, de maneira neutra, qualquer situação que decorra da nova redação. "Ele tem que tratar qualquer fusão que possa vir a acontecer de maneira equivalente."

Faiad explicou que a inclusão da recomendação se deve às conclusões das apresentações feitas pelos diferentes setores ao Conselho Consultivo, e que até segunda (3/11), quando será votado seu relatório, os argumentos em favor desta idéia.

Objeto

A questão do objeto da outorga de STFC, se não foi polêmica, foi levantada pelas empresas: para Francisco Perrone, o objeto da concessão não deve incorporar a banda larga e não deve misturar o provimento de acesso à internet com telefonia fixa. "Por isso, apóio a idéia do relator de inserir a definição existente no PGO atual", disse o conselheiro. Já o conselheiro Átila Souto pediu para que o Conselho Consultivo, ao encaminhar a questão, não seja específico sobre o que estará nas definições do STFC, deixando esse trabalho para os técnicos do Ministério das Comunicações. O conselheiro Marcelo Bechara, consultor jurídico do Minicom, também pediu para que o Conselho Consultivo encaminhe suas contribuições de maneira apenas descritiva, sem a apresentação de um substitutivo.

Os conselheiros José Zunga e Israel Bayma fizeram ponderações gerais sobre as recomendações que poderiam ser encaminhadas. Zunga sugere mais rigor nos Procedimentos de Apuração de Descumprimento de Obrigações (PADOs) da Anatel, que hoje, segundo ele, são "um presente da Anatel para as operadoras", já que é mais barato para a concessionária arcar com o procedimento administrativo do que cumprir com suas obrigações. Zunga também chama a atenção para o risco de que as empresas de telecomunicações sejam vendidas, depois da fusão, para grupos estrangeiros, e para o risco de perda de empregos qualificados na eventualidade de uma fusão.

Para Israel Bayma, as recomendações do conselheiro Walter Faiad são fundamentais em um ambiente em que existe uma fusão entre concessionárias sendo colocada. O conselheiro chamou a atenção para o que chama de desenvolvimento soberano, a necessidade de garantir a possibilidade de competição no mercado brasileiro e a necessidade de fortalecer a Anatel como órgão regulador.

Mudança

O único conselheiro a propor uma mudança efetiva no texto do PGO aprovado pelo Conselho Diretor foi Luiz Fernando Fauth. Ele acredita que a Anatel não deva exigir das concessionárias a atuação fora de suas regiões como autorizadas. "Não me parece que haja base legal para uma imposição como essas", disse o conselheiro, ao propor a exclusão do inciso I do parágrafo 1º do artigo 6 do novo PGO.

Pelo teor dos comentários (e elogios) feitos ao parecer de Faiad, tudo indica que o parecer sobre o PGO proposto será aprovado sem grandes problemas na votação de segunda (3/11). Os dois únicos conselheiros ausentes na reunião desta sexta, foram Flávia Lefèvre e Ricardo Sanchez, que foram os mais críticos ao PGO proposto pelo Conselho Diretor.

Deputados da CCTCI montam nova versão e buscam alternativas para acelerar tramitação

O Projeto de Lei 29/2007, que trata do mercado de TV por assinatura e do audiovisual, não está mais sob a responsabilidade da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), mas os deputados dessa comissão estão mais envolvidos do que nunca na construção da proposta. Durante todo o recesso branco – período de recesso que foi estendido com as eleições municipais -, os parlamentares da CCTCI se reuniram na tentativa de alinhavar os pontos polêmicos do texto. O resultado é uma "versão paralela" do PL-29 que está sendo analisada neste momento pelos deputados e a que este noticiário teve acesso. (O texto "informal" está disponível aqui ou na homepage do site TeleTime.)

Por ora, o PL-29 está oficialmente sob análise da Comissão de Defesa do Consumidor (CDC). Assim, a versão paralela do projeto tecnicamente não está disponível para esta comissão. O texto remontado é um projeto futuro de substitutivo a ser apresentado pelo deputado Jorge Bittar (PT-RJ) na CCTCI e, portanto, está restrito ao círculo de deputados dessa comissão. A tentativa de fechar um acordo sobre a proposta na comissão de comunicação está relacionada com uma nova estratégia dos parlamentares, que antes pretendiam levar o texto diretamente ao Plenário para encurtar a tramitação da polêmica proposta.

Plano B

Agora o plano é outro. Caso se firme um consenso sobre a nova versão, os deputados da Comissão de Comunicação devem levar uma proposta para o Colégio de Líderes Partidários – lideranças de cada partido, com poder para fechar acordos sobre a natureza da tramitação das propostas e encaminhá-las para votação. A sugestão que será apresentada aos líderes é colocar o PL-29 em regime de urgência, conforme já havia antecipado o deputado Jorge Bittar a este noticiário. Esse tipo de tramitação permite que todas as comissões analisem ao mesmo tempo o texto do projeto.

Caso o plano seja levado a cabo e ganhe a simpatia dos líderes, a CCTCI não precisaria aguardar mais a votação na Comissão de Defesa do Consumidor para retomar a análise do PL-29. Na prática, o projeto seria redistribuído para as três comissões que ainda não votaram o projeto de lei: CDC, CCTI e Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O resultado é uma tramitação mais curta, com a análise concomitante pelas três comissões. Mas para levar a proposta ao Colégio de Líderes, o aval à versão paralela por parte dos deputados da CCTCI é fundamental. A expectativa é que na próxima semana os parlamentares decidam se concordam ou não com o novo texto construído nos encontros durante o recesso branco.

Grupo

Basicamente, sete deputados participaram das reuniões que resultaram no novo texto: Júlio Semeghini (PSDB/SP), Paulo Bornhausen (DEM/SC), Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE), Bilac Pinto (PR/MG), Paulo Roberto (PTB/RS) e Beto Mansur (PP/SP), além de Jorge Bittar. Considerados representantes dos partidos na CCTCI, esse conjunto de deputados teria capacidade de intermediar o pedido de urgência no Colégio de Líderes, na opinião de pessoas ligadas à negociação.

Ao contrário da primeira vez em que Bittar apresentou um relatório paralelo enquanto o projeto tramitava na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (Cdeic), este novo texto não teria sido uma iniciativa isolada do deputado e contaria com a participação ativa dos representantes partidários na comissão, segundo informações de fontes da Câmara. O relator do projeto na CDC, deputado Vital do Rêgo Filho (PMDB/PB), estaria ciente da iniciativa, segundo a mesma fonte.

Nova versão

A proposta paralela mexe com pontos polêmicos da proposta, como o sistema de cotas, o must carry e a veiculação de publicidade pelas TVs pagas. Segundo informações extra-oficiais, os deputados teriam negociado as alterações com mais intensidade com a Rede Globo, o Grupo Bandeirantes, a Rede Record e o Grupo Abril. Veja abaixo as alterações feitas na proposta – a base é o último substitutivo apresentado por Bittar:

– Sai a regra de que nenhuma programadora pode programar mais de 25% dos canais nacionais, direta ou indiretamente;

– Estipula limite de 50% de propriedade cruzada entre teles e radiodifusoras (era 30%), exceto quando a empresa de telecomunicações presta serviços exclusivamente à radiodifusora. Para a propriedade cruzada entre radiodifusoras e programadoras, o limite continua sendo de 30%;

– Eleva os limites de publicidade permitidos de 10% para 25% no total da programação e de 15% para 30% de cada hora;

– Nos canais obrigatórios, deixa de exigir a reserva e carregamento individual dos canais da educação e da cultura, passando os dois a figurarem juntos, como um único canal. A mesma junção é feita entre os canais da cidadania e comunitário, que antes tinha reservas individuais;

– Retirada dos dois parágrafos (17 e 18 do artigo 31) que tratavam do carregamento das retransmissoras. Nesta primeira versão, não há nenhum texto substituindo as regras extirpadas, deixando assim este item sem regulamentação;

– Incluída ressalva sobre a transmissão de conteúdos pela internet: quando houver cobrança e garantia de qualidade nos contratos para estas transmissões, a oferta passa a seguir as regras do ambiente controlado;

– Permissão para cobrança do segundo canal jornalístico a preços "justos e razoáveis";

– Inclusão de parágrafo que impede, a partir da edição da nova lei, as transferências de outorgas de cabo (TVC) para as concessionárias de STFC que prestem telefonia local na mesma localidade; e

– Insere prazo de 15 anos para vigência das licenças do Serviço Especial de TV por Assinatura (TVA) que estiverem em vigor quando a nova lei for editada, sem possibilidade de renovação. No entanto, para os licenciados de TVA, não vale a ressalva legal de que a adaptação das licenças é sem ônus para a prestadora, abrindo a possibilidade de cobrança nesses casos.