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Programa de vendas na TV aberta em Curitiba é retirado do ar

O programa "TV+ Curitiba", exibido pelo Canal 21 da capital paranaense, teve de ser tirado do ar após a produtora, que era independente e tinha contrato de veiculação com a emissora, receber uma notificação do Ministério das Comunicações por conta de irregularidades em sua grade verificadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O motivo, segundo notícia do jornal “Gazeta do Povo”, foi que o canal aberto ultrapassou 25% de seu tempo de programação com a transmissão de publicidade comercial, o que é proibido de acordo com a Lei 4.117, referente ao setor de telecomunicações.

Suspenso desde a meia-noite do último sábado (1), o "TV+", dedicado à veiculação de anúncios de varejo, ocupava mais de 50% da grade de programação da emissora. "Não tem muito o que apelar, meu modelo agride essa determinação da Anatel", reconhece Carlos Carreiras, diretor-presidente da Rede TV+. "O que eu questiono é o fato desta lei, de 1962, não ser revista. Cerca de 75% dos nossos telespectadores consideram a programação boa ou ótima, mas a lei não quer saber do telespectador", afirma.

A notificação prevê multa, com possibilidade de defesa, mas a Rede TV+, produtora do programa, afirma que decidiu suspender a programação e não recorrerão da decisão. De acordo com reportagem da “Gazeta do Povo”, a TV Mercosul de Curitiba, responsável pela transmissão do Canal 21, optou por substituir a atração por um programa da Igreja Mundial, com quem a empresa já tinha contrato. "Há canais que exibem programas de igreja 22h por dia, em que os religiosos ficam pedindo doações o tempo todo. Por que vender produtos não pode, mas vender religião pode?", interrogou Carreiras.

Por ser uma franquia da rede criada na região do ABC Paulista e ser transmitido em sinal aberto – diferente das outras cidades -, apenas a programação de Curitiba está sob efeitos da decisão do Ministério. A Rede TV+ estuda, no entanto, veicular a atração em canal fechado, embora ainda não haja previsão de início das retransmissões. "Já estou negociando com operadoras de TV pagas", contou Carreiras. "Curitiba é um grande mercado para nós". O "TV+" era exibido de segunda a sábado, entre 18h e meio-dia do dia seguinte.

Conselho Consultivo ignora críticas e endossa novo PGO

Ao longo do rápido processo de revisõa do Plano Geral de Outorgas (PGO), o Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi o principal espaço de discussão crítica sobre o tema, sendo palco de questionamentos sobre suas motivações e sobre o mérito de suas propostas. O órgão promoveu vários debates com os mais diversos agentes interessados, das associações de operadoras de telecomunicações aos órgãos de defesa do consumidor.

Com a votação da proposta final do Conselho Diretor [saiba mais ], concluída há cerca de dez dias, coube ao Conselho Consultivo emitir sua opinião definitiva antes do envio do projeto ao Executivo Federal para elaboração da redação final a ser publicada na forma de Decreto Presidencial. Após mais de seis horas, os integrantes do órgão aprovaram nesta segunda-feira (3) o voto do relator Walter Faiad de Moura com algumas modificações.

Na versão que deixa a Anatel e parte para a apreciação do Ministério das Comunicações, prevaleceram os interesses das concessionárias de telefonia fixa em detrimento dos apelos críticos das entidades de defesa do consumidor ou mesmo das propostas de contrapartidas dos pequenos operadores. "Foi um resultado conservador, que não inova em relação ao que já havia sido aprovado e que incorpora pouco ou quase nada das críticas das entidades da sociedade civil", analisa o conselheiro José Zunga, que votou favoravelmente à versão de Faiad.

O texto aprovado pelo Conselho Consultivo mantém praticamente todos os artigos da versão do Conselho Diretor. As únicas duas inserções do relator foram a definição do serviço de telefonia fixa, que havia sido retirada na redação votada pela direção da agência, e o prazo para aprovação do Plano Geral de Metas de Competição em até um ano, ao invés dos dois anos estabelecidos no Plano de Atualização dos Regulamentos de Telecomunicações (PGR).

As críticas e pedidos de contrapartidas, por várias vezes apresentados nas audiências do colegiado, foram registrados no relatório mas não incorporados nem no texto do PGO, nem nas recomendações adicionais feitas no parecer. "Foi dito aqui por inúmeros segmentos da sociedade que havia motivação casuística, que todo este processo se movia para o atendimento de questão específica [a viabilização legal da fusão entre Brasil Telecom e Oi]. E este posicionamento que foi gritado não foi colocado neste voto. Por quê?", questionou Flávia Lefévre, ocupante da cadeira dos usuários que, junto com Ricardo Sanchez, representante dos pequenos provedores, apresentou voto em separado contrário ao relatório de Faiad.

O relator não deu maiores justificativas e limitou-se a dizer que optou por um voto "enxuto e seco". "
O plano não pode se tornar um depositório dos reclames, pois estes entrariam em outros instrumentos de regulação", argumentou. Esta foi a justificativa dada por integrantes do Conselho Diretor para derrubar a proposta de separação empresarial apresentada pelo relator do processo naquele órgão, Pedro Jaime Ziller. No entanto, Walter Faiad apresentou algumas recomendações surpreendentemente externas ao escopo do PGO.

Críticas aos provedores de Internet

A mais polêmica foi que as operadoras de telefonia fixa sejam proibidas de explorar os serviços de autenticação e autorização de acesso à internet ou, em outras palavras, que uma detentora da rede de STFC pudesse também manter um provedor de internet próprio. A intenção era incentivar a atuação de pequenos e médios provedores em cima das redes das concessionárias.

O tema ensejou discussões ásperas já desde antes da apresentação formal do relatório de Faiad. Recém-nomeado integrante do Conselho Consultivo, ocupando uma das cadeiras do Ministério das Comunicações, Átila Souto criticou fortemente a figura dos provedores dizendo que, na banda larga, tecnologicamente não há mais a necessidade de pagar para que um ente fizesse a autenticação do acesso à internet.

Ricardo Sanchez respondeu também em tom duro. "O que não faz sentido não é o provedor, mas a concentração de mercado e verticalização da oferta de serviços e acabar com direito de escolha do consumidor", afirmou, citando os problemas não resolvidos do setor.

No fim do processo de discussão, esta única "novidade" incluída no texto por Faiad foi derrubada a pedido dos representantes do Ministério das Comunicações. Segundo o consultor jurídico da pasta, Marcelo Bechara, não seria correto incluir uma recomendação que tratasse de um tema ainda pouco amadurecido no Conselho Consultivo.

Acréscimos

O pleno do Conselho Consultivo também incluiu algumas recomendações apresentadas por José Zunga. A primeira foi que a Anatel proponha às concessionárias um termo para resolver problemas e debilidades dos terminais telefônicos públicos. Zunga, ex-presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações (Fittel), também conseguiu votos favoráveis à sugestão de que as empresas concessionárias de STFC atendam os usuários com mão-de-obra diretamente contratada. O objetivo é combater a prática de terceirização, cada vez mais comum entre as empresas. 

Comissão Interamericana de DH apóia princípios de regulação

Em audiência pública na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a Associação Mundial de Rádios Comunitárias na América Latina e Caribe (Amarc-ALC) apresentou, no último dia 28 de outubro, a declaração “Princípios para um Marco Regulatório Democrático sobre Rádio e TV Comunitária”. O documento teve boa receptividade por parte da CIDH e deve servir de base para uma série de iniciativas no âmbito da radiodifusão.

Participaram da reunião o presidente da CIDH, Paolo Carozza, a Relatora Especial para Liberdade de Expressão Catalina Botero e representantes da Amarc-ALC.

Entre as propostas apresentadas pela Amarc-ALC e acolhidas pela CIDH está a realização de um estudo sobre a compatibilidade das regulamentações estatais em relação à radiodifusão em relação aos princípios elencados no documento da associação de rádios. A pesquisa deve ser encaminhada pela Comissão a partir de 2010.

Outro compromisso assumido pela CIDH foi colaborar com a elaboração de padrões de interpretação que sirvam de guia para os governos e também para a radiodifusão comunitária, sempre utilizando os “Príncípios” como referência.

O documento reúne 14 princípios que servem de guia para a elaboração, aprovação e implementação de regulamentos sobre radiodifusão comunitária que sejam compatíveis com os padrões internacionais de direitos humanos. O texto é resultado da pesquisa “Melhores Práticas sobre Marcos Regulatórios em Radiodifusão Comunitária”, que comparou os marcos regulatórios sobre radiodifusão de 30 países dos cinco continentes.

Para consultar o documento nas suas versões em português, espanhol, inglês e francês, clique aqui.

Mais de 70 jornalistas morreram em todo o mundo em 2008

De janeiro até outubro deste ano, 74 jornalistas morreram em todo o planeta vítimas de assassinatos, mísseis, minas, carros-bomba e outros acidentes. O país no topo do ranking é o Iraque, registrando a morte de 15 jornalistas. Na Índia, seis profissionais faleceram, enquanto Paquistão e Geórgia registram cinco mortes. O Brasil acumula desde 1996 índices superiores aos de países em guerra. Em 2008, o país tem um caso sob análise: o assassinato de Walter Lessa de Oliveira, operador de câmera da TV Assembléia de Alagoas, baleado em um ponto de ônibus em Maceió, no dia 05 de janeiro. Ex-diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas, Lessa havia participado de reportagens sobre o tráfico de drogas local.

Desde 1996, o Instituto Internacional para a Segurança da Imprensa (International News Safety Institute – INSI) organização não-governamental em defesa dos profissionais de imprensa, contabiliza incidentes contra jornalistas em parceria com a Universidade de Cardiff, no Reino Unido. Em dez anos, os estudos registram mais de 1.000 mortes, a maior parte delas no Iraque – só após a invasão norte-americana, em 2003, foram 252. O Brasil ocupa a décima primeira posição entre os países com mais incidentes, 27 casos, na frente de países como Sri Lanka, em guerra civil há 15 anos e com 16 mortes, ou Afeganistão, com 13 mortes.

"Barômetro de liberdade de imprensa"

Curiosamente, a maior parte dos registros de mortes de jornalistas é verificada em tempos de paz, em países sem situação de conflito armado decretada. Foram 731 mortes de 1996 até 2006 em nações em paz. Países com situações de conflito internacional registram 167 mortes e com conflitos nacionais contabilizam 102 casos. As maiores vítimas são profissionais locais, em sua maioria envolvidos com a cobertura jornalística de casos de corrupção em governos ou tráfico de drogas, como o caso do brasileiro Walter Lessa.

A organização não-governamental internacional Repórteres Sem Fronteiras apresenta dados menores para mortes de jornalistas, pois contabiliza apenas casos de vítimas no exercício da profissão. Em 2008, até o mês de outubro, foram 34 mortes de jornalistas. A organização conta ainda, em seu "Barômetro para a liberdade de imprensa", que atualmente há 127 jornalistas e 70 "cyber-dissidentes" presos no mundo.

Cobertura de guerra

Correspondentes de guerra respondem por cerca de 10% dos casos de mortes. Para o jornalista João Paulo Charleaux, da editoria Internacional do jornal “O Estado de S. Paulo”, por sete anos responsável pela comunicação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, uma das principais razões para a morte de jornalistas é a falta de organização e planejamento. "Tem repórter que vai para a guerra e não sabe usar rádio, não sabe usar nada." Charleaux acredita que muitas vezes falta preparo, tanto por parte dos jornalistas quanto por parte das empresas: muitos colegas não se preocupam com segurança, em obter informações ou buscar fontes interessantes em um país em guerra. "Eles não se preparam e vão pensando na carreira", condena.

O repórter especial do “Estadão” Lourival Sant´Anna defende que planejamento é fundamental. O jornalista, que já realizou coberturas de guerra no Líbano, Iraque, Afeganistão e, mais recentemente, na Geórgia, busca sempre um guia ou intérprete para conhecer a cultura, as pessoas e os riscos do país onde acaba de chegar. "Cobrir guerra é questão de logística. Tudo é mais difícil. Você precisa conseguir boas fontes, combustível, carro, comida." Para Lourival, o mais importante é não tentar modificar o ambiente. Na cobertura de guerra, o primeiro erro pode ser o último.

Empresas de internet assinam código de conduta

Novas regras que buscam limitar quais informações as empresas de internet devem compartilhar com autoridades em todo o mundo e quando isto deve ser feito foram divulgadas pelo Google, Yahoo! e Microsoft na semana passada. A iniciativa em conjunto, chamada Global Network Initiative, busca reduzir os pedidos governamentais que possam estar em conflito com a liberdade de expressão.

As empresas que assinaram o código de conduta devem pedir que as requisições oficiais sejam feitas por escrito, junto com os nomes e cargos do órgão solicitante. As regras foram elaboradas em parceria com organizações de defesa dos direitos humanos, investidores e acadêmicos, após as empresas de internet terem sido criticadas por auxiliar governos, como o da China, a censurar conteúdo na rede.

Leslie Harris, executivo-chefe do Centro de Democracia e Tecnologia, um dos principais grupos por trás do novo código, elogiou o fato de as empresas concordarem em avaliar as questões envolvendo direitos humanos antes de decidirem em quais países operar e quais serviços oferecer.

Primeiro passo

O código ainda precisará ser aperfeiçoado, já que, a princípio, não deixa claro quais práticas serão alteradas e permite que muitos pontos-chave fiquem abertos à interpretação. "O que nos desaponta é a quantidade de esforço para não ser produzido algo mais substancial", afirma Morton Sklar, diretor-executivo da World Organization for Human Rights USA, que processou o Yahoo! por ter fornecido ao governo chinês informações que levaram à prisão de dois jornalistas. A ação foi encerrada após um acordo, sob quantia não revelada. Ainda assim, Sklar elogiou as empresas por reconhecerem "que há um grande problema que deve ser considerado".

O código levou 18 meses para ser elaborado e pede que uma organização seja criada para revisar regularmente as práticas das empresas. Outras companhias de internet são bem vindas para se juntar à Global Network Initiative. "Desde o começo, o Google promoveu a liberdade de expressão e a proteção da privacidade dos usuários", afirma Bob Boorstin, diretor de políticas de comunicação da gigante de buscas. "Vemos isto como mais um passo crucial. É mais fácil que a parceria entre diversas empresas e grupos traga mudanças nas políticas governamentais, em vez de uma empresa trabalhando sozinha nisto".

Com informações da Associated Press.