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Pontos de Cultura divulgam ‘Carta de Re-Proclamação da República’

Leia a íntegra da “Carta de Re-Proclamação da República”, documento divulgado pelo Fórum Nacional dos Pontos de Cultura e pela Comissão Nacional dos Pontos de Cultura durante a Teia 2008:

“Brasília, 15 de Novembro de 2008.

Ao Exmo. Sr Ministro Juca Ferreira

O II Fórum Nacional dos Pontos de Cultura (FNPC) realizado de 12 a 14 de novembro, como parte da programação da TEIA Brasília 2008 foi a etapa nacional de um processo de mobilização e articulação política dos Pontos de Cultura em todo o país. Ao longo do ano, foram realizados 19 encontros e fóruns estaduais, mobilizando cerca de 6000 participantes nestas etapas preparatórias. Foram inscritos cerca de 600 delegados – um representante por Ponto de Cultura conveniado com o MinC – em um universo de 850 pontos, o que evidencia o interesse e a mobilização que o II FNPC provocou na rede.

O que começou como um programa governamental, extrapolou as fronteiras institucionais e hoje os Pontos de Cultura emergem com a força de um movimento social presente e organizado em todo o país. Nos últimos três anos este movimento se (re)conheceu, se encontrou e se fortaleceu. Os Pontos de Cultura apontam para o surgimento de novas formas de relação entre o Estado e a sociedade. Reconhecem a necessidade da mobilização organizada da sociedade para um profundo debate com os poderes executivo e legislativo sobre as políticas públicas para a cultura no Brasil para a criação de novos marcos legais em que o Estado, ao invés de impor, dispõe as condições e os meios para o exercício da autonomia, protagonismo e empoderamento social.

Esse encontro em Brasília é um marco histórico do atual processo cultural brasileiro, evidenciando que a riqueza da diversidade de nosso povo se instalou no centro das Políticas Públicas.

O II FNPC é a expressão legítima e organizada deste movimento, que apresentou para o conjunto da sociedade sua produção artística, pautas políticas, práticas pedagógicas, manifestações e expressões culturais. Sua realização evidenciou a autonomia e diversidade das formas de organização do movimento nacional dos Pontos de Cultura, elegendo uma nova Comissão Nacional, composta por representantes dos 24 Grupos de Trabalho e de todos os estados do país.

O Fórum reuniu 24 Grupos de Trabalho temáticos que discutiram temas transversais relacionados às diversas áreas de atuação dos Pontos de Cultura, como: legislação, culturas populares e patrimônio imaterial, matriz africana, cultura digital, juventude, artes cênicas, audiovisual, sustentabilidade, articulação em rede, entre outros. Estes grupos aprovaram um conjunto de 125 resoluções específicas de suas áreas de atuação e 90 resoluções gerais sobre políticas públicas para a cultura. Em síntese, estas resoluções apontam para as seguintes diretrizes gerais:

– Garantia da permanência dos Pontos de Cultura como política de Estado, com dotação orçamentária prevista em dispositivo legal, mecanismos públicos de controle e gestão compartilhada com a sociedade civil;

– Aprovação da PEC 236, que pretende acrescentar a cultura como direito social no Capítulo II, artigo 6˚ da Constitução Federal;

– Aprovação da PEC 150 que vincula 2% do Orçamento Federal, 1,5% do Orçamento Estadual, 1% do Orçamento dos Municípios para a Cultura;

– Garantia da Inclusão do Programa Cultura Viva no Plano Nacional de Cultura;

– Regulamentação e implantação do Sistema Nacional de Cultura em todos os níveis da federação com definição de suas atribuições, e ampla participação da sociedade;

– Revisão da legislação que rege os convênios entre a sociedade civil e o Estado, garantindo transparência, funcionalidade, e agilidade nos processos administrativos, regulamentando a transferência de recursos públicos para ações da sociedade civil com finalidades sociais e culturais;

– Reconhecimento pelo Estado brasileiro dos saberes e fazeres dos mestres e griôs de tradição oral e da cultura popular, com a criação de mecanismos permanentes de apoio e incentivo às redes de transmissão oral e seus vínculos com a educação formal, bem como suas práticas nos diversos grupos étnico-culturais que formam o povo brasileiro;

– Incentivo à participação da juventude nas políticas públicas de cultura, através do estímulo ao envolvimento da juventude em programas de formação, criação e atuação comunitária em atividades culturais, artísticas e de comunicação.

– Por fim, reconhecemos o avanço das Políticas Públicas Culturais desse país e confiamos na sinergia de propósitos entre as resoluções do Fórum Nacional dos Pontos de Cultura e as prioridades do MINC.

Cordialmente,

Fórum Nacional dos Pontos de Cultura
Comissão Nacional dos Pontos de Cultura”

ONG Artigo 19 expressa solidariedade à família de Luiz Carlos Barbon

A organização independente de direitos humanos Artigo 19 – que trabalha na promoção e proteção do direito à liberdade de expressão – divulgou um comunicado na última segunda-feira (17) expressando solidariedade à família do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, assassinado em 5 de maio de 2007, na cidade de Porto Ferreira (SP).

A entidade pede também que os investigadores garantam que todos os responsáveis pelo crime sejam levados à Justiça e que suas motivações sejam reveladas. Na época do crime, Barbon – que trabalhava para a rádio Porto FM, Jornal do Porto e JC Regional – investigava um esquema de roubo de cargas na região de Porto Ferreira que envolvia autoridades locais.

Segundo a Artigo 19, a família do jornalista vem sofrendo ameaças e acredita que a pressão que sofre na cidade esteja relacionada a sua atuação nas investigações. Logo depois do crime, a casa de Barbon foi atacada e sua esposa, Kátia Rosa Camargo, recebeu diversas ligações silenciosas. Em fevereiro de 2008, depois de dar entrevista a uma emissora de TV nacional, Kátia recebeu uma ligação em que lhe disseram para que se calasse ou teria o mesmo destino do marido.

No dia 12 de novembro, ela foi demitida de seu emprego de secretária na Rádio Primavera. No mesmo dia, o jornalista João dos Reis, responsável pela cobertura do caso de Barbon na rádio Porto FM, onde trabalhava como repórter, também foi demitido. Kátia e o advogado da família, Ricardo Ramos, acreditam que a demissão esteja relacionada a sua atuação nas investigações sobre o assassinato de seu marido.

Para a entidade, "a impunidade em casos de violência contra jornalistas leva ao medo e à auto-censura e, a menos que tais crimes sejam rapidamente investigados e julgados, a liberdade de expressão permanece sob ameaça".

Projeto sobre crimes cibernéticos é criticado na Câmara e em encontro de agentes culturais

O Projeto de Lei 84/99, que tipifica crimes na internet, tramita na Câmara dos Deputados em regime de urgência. No dia 13 de novembro, a matéria foi debatida em audiência pública de duas comissões da Câmara. Especialistas, ativistas e parlamentares criticam o texto do substitutivo já aprovado no Senado, que poderá prejudicar os usuários. O projeto foi repudiado pela Comissão Nacional dos Pontos de Cultura em Carta Aberta.

Como já foi aprovado no Senado, o texto em tramitação na Câmara não pode ser modificado. Os deputados só poderão aprová-lo ou rejeitá-lo. O projeto tramita nas comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania, Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Mas devido ao regime de urgência, pode ser votado em plenário a qualquer momento.

Além de um abaixo-assinado que circula na internet e já obteve milhares de adesões e de manifestações que estão ocorrendo em diversos pontos do país, o movimento contra o projeto recebeu, na semana passada, a adesão da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, que expressando a posição dos participantes da Teia 2008, realizada de 12 a 16 de novembro, em Brasília, repudiou o texto por considerar que ele fere os direitos fundamentais de liberdade e privacidade garantidos no artigo 5º da Constituição.

Na audiência pública promovida pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado no dia 13 prevaleceu o tom crítico ao PL 84/99 e as mudanças propostas pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) no substitutivo aprovado no Senado. Entre as críticas destacam-se a possibilidade de restrições à liberdade dos usuários da internet, a margem para interpretações que poderão criminalizar práticas comuns de cópias de conteúdos para uso pessoal e para estudos e a insegurança que ele pode gerar, prejudicando inclusive projetos de inclusão digital.

Parlamentares e especialistas defendem um debate mais amplo com a sociedade e mudanças na redação que especifiquem os crimes. Caso contrário, ao invés de penalizar os criminosos cibernéticos, o projeto prejudicará os usuários.

Veja, a seguir, o documento aprovado na Teia 2008.

“Carta Aberta dos Pontos de Cultura em repúdio ao PL 84/99

A Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, que representa mais de 800 Pontos de Cultura de todo o país, reunida na Teia 2008, em Brasília, manifesta seu repúdio ao Projeto de Lei 84/99 (ex-PLC 89/03), por este ferir os direitos fundamentais de liberdade e privacidade garantidos no artigo 5º da Constituição. Tal projeto trata "dos crimes contra a segurança dos sistemas informatizados" e encontra-se em fase de tramitação na Câmara e no Senado Federal, tendo sido aprovada no Senado no dia 9 de julho.

Considerando que vários dispositivos contidos no projeto podem criminalizar ações e usos absolutamente triviais na rede sem que exista uma legislação que trate de direitos na internet, apontamos o projeto como uma afronta a nossa Constituição.

O Projeto de lei em questão não impede as ações criminais na internet, mas sim abre espaço para violar direitos civis básicos e ainda reduz as possibilidades da inclusão digital. Em síntese, o projeto coloca em risco a política de ampliação das redes abertas comunitárias de banda larga, o direito ao anonimato e à privacidade, bem como as liberdades de compartilhamento, de expressão, de criação e de acesso.

Este projeto de lei inviabiliza diversas iniciativas que vêm sendo implementadas pelo Governo Federal, como Ação Cultura Digital, do Ministério da Cultura; Projeto Casa Brasil, da Casa Civil; Programa GESAC, do Ministério das Comunicações; entre outros, que fomentam o uso da internet com foco na educação, inclusão social, geração de renda e cidadania.

Defendemos que o projeto seja retirado da pauta, porque sua aprovação vai retroceder o avanço da cultura livre e a diversidade cultural.”

Record nega fim de programas da Universal

Racha na cúpula da Record. Presidente da emissora, Alexandre Raposo negou ontem que os programas da Igreja Universal do Reino de Deus deixarão as madrugadas da rede a partir de 2010, como vem anunciando o vice-presidente comercial, Walter Zagari.

"Não discutimos esse assunto", afirmou Raposo à Folha. "[A programação da igreja] Não vai sair. Não tem porquê sair. É um horário em que a emissora fatura e que não atrapalha em nada [na média do Ibope], porque a audiência que conta é a das 7h à 0h", sustenta.

Na semana passada, a versão on-line da revista "Meio & Mensagem", baseada em informações de Zagari, publicou que a saída dos programas da Universal são uma "estratégia formulada" pelo bispo Edir Macedo para "desvincular totalmente a igreja da emissora de TV".

Zagari teria dado as declarações após ser provocado em um evento por um interlocutor que lembrou das relações da Record com a Igreja Universal.

A Universal paga cerca de R$ 300 milhões por ano pelas quase seis horas que ocupa na Record. Com um ponto no Ibope, é a madrugada mais cara da TV.

A presença da Universal na grade da Record constrange profissionais não-evangélicos da TV, que torcem para que a emissora sobreviva apenas de anunciantes comuns. Procurado por telefone, Walter Zagari não falou sobre o assunto até a conclusão desta edição.

MTE ameaça discutir regulamentação do jornalismo sem ANJ

Luiz Antonio de Medeiros, secretário de relações do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), disse nesta terça-feira (19) que o ministério elaborará uma proposta sobre a regulamentação da profissão de jornalista, mesmo sem a participação das entidades patronais. “Se os empresários não tiverem uma proposta, nós teremos”, afirmou.

Medeiros disse que encaminhará, nesta segunda, uma carta à Associação Nacional de Jornais (ANJ) para que a entidade participe do debate. “A ausência deles é muito ruim”, disse. O representante do Ministério do Trabalho não comentou se iria refazer o convite para a participação de outras entidades patronais, na pessoa de Luiz Carlos Amorim Robortella, da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), e Ary Florêncio Cauduro dos Santos, da Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão (Fenaert), que também participam do grupo de trabalho.

O secretário das Relações do Trabalho afirmou que a proposta do ministério se baseará nas atividades em que o jornalista trabalha, como internet, assessoria de imprensa, jornalismo impresso, e sobre a formação do jornalista nas faculdades.

As opiniões dos representantes da categoria, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), serão apresentadas em nova reunião da entidade com o Ministério do Trabalho nesta quinta-feira, às 15h, no ministério, em Brasília.

A ANJ e outras entidades patronais saíram da discussão em 8 de outubro, segundo sua assessoria, porque o grupo de trabalho que discutia a regulamentação não estava cumprindo seu objetivo. “As audiência públicas estavam girando em torno da exigência do diploma, que já está sub judice no Supremo [Tribunal Federal]”, argumentou a assessoria.

Medeiros informou que mais duas audiências públicas sobre a regulamentação acontecerão em São Paulo e no Rio, sobre a regulamentação, mas não precisou quando. Disse ainda que entregará, em 26 de novembro, um relatório ao ministro Carlos Luppi, sobre o consenso retirado no grupo de trabalho sobre a regulamentação da profissão. “Entregaremos alguma coisa, mas isso não é o mais importante. Sonhamos com um consenso entre a categoria e as entidades patronais”, disse Medeiros.