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TVA pede licenças de cabo no interior de SP e defende entrada das teles no mercado

A TVA entrou com pedido na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a obtenção de licença para operar TV por assinatura via cabo no interior do Estado de São Paulo. De acordo com a diretora-geral da TVA, Leila Loria, a idéia da empresa é aproveitar a rede da Telefônica, uma das sócias da companhia, para completar a cobertura no Estado.

"Pedimos autorização para mais de 20 localidades", afirmou Leila. A empresa já opera TV via cabo na cidade de São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Balneário Camboriú. No restante do País, o serviço é oferecido por onda de rádio, pela tecnologia MMDS.

Preço

O aumento da participação de empresas de telefonia no mercado de TV por assinatura, o que permite a oferta de pacotes de convergência, deve promover novas reduções no preço do serviço. Na avaliação de Leila, a queda porcentual no custo para o consumidor pode chegar, nos próximos dois anos, na casa dos dois dígitos (ou seja, a partir de 10%). Leila lembra que nos últimos dois anos a queda no custo para o consumidor já chegou a 20%.

Os pacotes de convergência têm sido a alternativa encontrada por operadores de telecomunicações para ganhar escala. A estratégia é tida por Leila, inclusive, como uma forma de conter clientes em época de crise. "Só o serviço de TV por assinatura fica mais vulnerável de ser cortado pelo cliente em época de crise. Mas os pacotes oferecem preços competitivos para o conjunto de serviços", destaca ela.

Vivo

A TVA anunciou hoje parceria com a Vivo para oferecer um pacote de serviços de telefonia e TV por assinatura. O pacote mais simples inclui 61 canais de TV, internet com 250 Mbps (megabytes por segundo) de banda larga, 120 minutos de telefonia móvel e 200 minutos para fixa a R$ 221,80. Nos três primeiros meses, a mensalidade sai a R$ 128,90. A empresa cobrará R$ 10 pelo modem.

Vivo e TVA lançam pacote conjunto em três capitais

A Vivo e a TVA lançaram nesta quinta-feira (11), um pacote conjunto de serviços que inclui TV por assinatura, telefonia celular pós-paga, banda larga 3G e um pacote de 200 minutos em ligações para telefones fixos a um preço próximo ao de telefonia fixa. A oferta está disponível em três capitais e suas respectivas regiões metropolitanas: Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. “Primeiro fizemos uma oferta conjunta com a Telefônica em São Paulo. E há muito tempo estávamos namorando a Vivo para uma parceria em outras cidades”, relatou a diretora geral da TVA, Leila Loria.

O consumidor poderá montar seu próprio pacote, escolhendo entre três opções da TVA, quatro de banda larga 3G e seis planos de telefonia celular. Além disso, a Vivo oferece o modem 3G por R$ 10 e um ano em ligações grátis de Vivo para Vivo nos finais de semana. Em comparação com a aquisição dos mesmos planos separadamente, o pacote gera descontos de até 40%, dependendo da combinação. As empresas fizeram também uma promoção para quem escolher o pacote mais simples, que inclui 61 canais da TVA, banda larga com limite de 250 Mb de tráfego e plano Vivo Escolha de 90 minutos: nos três primeiros meses essa oferta custa R$ 128,90/mês. Depois sobe para R$ 221,80, preço 10% menor que o usual se os serviços fossem comprados separadamente.

As duas companhias treinaram os funcionários de seus call centers para que a oferta seja feita de maneira unificada. Será feita também divulgação através de mala direta, email marketing e broadcast de SMS.

As faturas, contudo, continuarão sendo enviadas separadamente, mas virá discriminado que o serviço faz parte do referido pacote. "Será um cliente compartilhado", explica Leila.

Crise

Na opinião da executiva da TVA, a oferta de pacotes ajuda a fidelizar o cliente e reduz o risco de cancelamento do serviço. "Com o bundle ficamos menos vulneráveis. O cliente não vai abrir mão do pacote", respondeu, depois de questionada sobre o efeito da crise econômica sobre o setor de TV por assinatura. "Já passamos por outras crises. E de lá para cá a TV por assinatura tem se tornado cada vez mais importante para o consumidor. Se o assinante tem criança em casa, dificilmente corta o serviço", acrescentou.

Novas regras das TVs por assinatura devem ficar para o próximo ano

A aprovação de novas regras para as TVs por assinatura devem ficar para o ano que vem. O substitutivo ao Projeto de Lei 29/07, que cria cotas de programação e permite a entrada das empresas de telefonia e telecomunicações no setor, ainda está em discussão na Comissão de Defesa do Consumidor.

De autoria do deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), o projeto sofreu várias alterações nas comissões em que foi analisado – Desenvolvimento Econômico; Ciência e Tecnologia e Comunicação; e Defesa do Consumidor.

Uma das principais alterações é a criação de cotas de programação brasileira, regional e independente nos canais da TV por assinatura.

Novo substitutivo

Na comissão do Consumidor, o relator Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) já anunciou que também pretende apresentar um novo substitutivo à proposta, o que deverá acontecer somente na semana que vem.

No entanto, o relator na Comissão de Ciência e Tecnologia, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), continua tentando levar o texto para votação no Plenário da Câmara na próxima semana, antes do recesso de fim de ano.

Discussão madura

Jorge Bittar destacou que a proposta está sendo discutida há bastante tempo com todos os interessados no tema. "Neste momento, estou dialogando com todos, inclusive com o relator na Comissão de Defesa do Consumidor, e me esforçando para levar essa matéria diretamente ao Plenário da casa, porque ela está bastante madura", entende o deputado.

"Para mim, o ideal seria que, através de um requerimento de urgência, nós levássemos, na próxima semana, essa matéria ao Plenário e votássemos, com as contribuições de todas as comissões", acrescentou Bittar. O parlamentar está conversando com os líderes para que o projeto seja incluído na pauta.

Questão em aberto

Na avaliação do presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), não dá mais para votar o assunto ainda em 2008. "Lamentavelmente, a gente vai encerrando o ano e essa é uma das questões que o Legislativo vai deixando em aberto", comenta o parlamentar.

Pinheiro considera o projeto "de suma importância", pois entende que ele permitirá a universalização do acesso. "A gente perdeu essa oportunidade e eu, particularmente, não acredito mais que isso entre na pauta do Legislativo até a última sessão deste ano. Mas vamos continuar o esforço para que esta questão possa voltar à baila em 2009."

Projeto incentiva séries na TV pública

Foi ao som de "Pa’Bailar", do grupo Bajofondo, música de abertura da trama global das oito "A Favorita", que representantes do Ministério da Cultura, da TV Brasil, das associações de emissoras públicas e de produtores independentes e da Cinemateca Brasileira divulgaram na noite de terça-feira, em São Paulo, o edital de seleção de projetos de desenvolvimento e produção de seriados para TVs públicas para jovens de classes C, D e E entre 15 e 29 anos, cujo objetivo é não só gerar conteúdo educativo para TVs públicas de todo o País como também inovar a linguagem na TV. O lançamento será na próxima segunda-feira, dia 15.

Esta é uma das 16 ações de conteúdo para TV que integram o projeto FICTV/Mais Cultura Audiovisual, do Ministério da Cultura, da qual fazem parte, por exemplo, o DocTV, com documentários exibidos pela TV Cultura.

Nesta ação específica, produtoras independentes ou produtores associados a essas produtoras devem enviar projetos que se remetam à juventude e para a população carente que forma as classes C, D e E. O processo de seleção será feito em duas fases.

Na primeira, oito projetos serão selecionados por uma comissão julgadora e receberão R$ 250 mil cada um para executar um projeto-piloto, que irão ao ar em TVs públicas e serão julgados não só pelo conteúdo como também por uma detalhada análise da audiência. Na segunda fase, dois pilotos (ou três, se o MinC arrecadar mais recursos) serão selecionados e cada um receberá R$ 2,6 milhões para produzir uma minissérie de 13 episódios.

O formato seriado é apenas uma das linguagens sugeridas durante o seminário Teledramaturgia e Juventude, que aconteceu em outubro na Cinemateca Brasileira em São Paulo, para atingir jovens de baixa renda, que constitui um quarto da população brasileira. Devem ser produzidos ainda editais para programas de TV, sites e revistas culturais eletrônicas, segundo Silvana Meireles, secretária de articulação institucional e coordenadora executiva do programa Mais Cultura.

De acordo com Antônio Achilis, presidente da Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais, 140 milhões de habitantes estão ao alcance do sinal das emissoras estaduais em todo o Brasil. “Nossa idéia, ao apoiar este projeto, é que talentos de produtores de todo o Brasil sejam mostrados na TV”, afirmou. Silvana destacou quais serão os critérios de avaliação dos projetos: criatividade, potencial de provocação de debates públicos e de formação de audiência.

O valor de R$ 250 mil por episódio foi fruto de um estudo da Associação Brasileira de Produtores Independentes. De acordo com o presidente, Fernando Dias, com estes recursos os produtores terão dinheiro para apresentar projetos com a mesma qualidade de outras emissoras. “A esperança é que possamos olhar para a TV brasileira daqui a um ou dois anos e ver que é de grande qualidade. Vale lembrar que em todo o mundo as melhores TVs são públicas”, pontuou.

“É possível fazer coisas diferentes na TV e não só o que nos obrigam ver há tantos anos”, completou Dora Mourão, presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca.

Quando a coletiva terminou, "Pa’Bailar" voltou ao som ambiente.

SAIBA MAIS:
As inscrições devem ser feitas entre dia 15 de dezembro e 15 de março pelo site fictv.cultura.gov.br .

Rede digital única fortalece oferta de TVs públicas

O Brasil tem um sistema de televisão marcado historicamente pela hegemonia do modelo comercial. Os veículos de rádio e TV com finalidade lucrativa hoje compõem 80% dos canais, 95% do faturamento do setor e 95% da audiência. Assinado recentemente, o protocolo para a construção de uma infra-estrutura comum de transmissão no sinal digital que abrigará seis canais do chamado campo público configura-se como uma iniciativa capaz de alterar este quadro, de início em relação à oferta e, potencialmente, nos índices de audiência.

A rede digital servirá para transmitir os sinais da TV Brasil, da TV Câmara, da TV Senado e da TV Justiça, mais um canal de responsabilidade do Ministério da Educação e um do Ministério das Comunicações. Estes dois últimos ainda não estão em funcionamento, mas estão previstos no decreto que instituiu o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (5820/2006) sob as denominações de Canal da Educação e Canal da Cidadania.

O plano de parte das emissoras ou órgãos responsáveis é veicular mais de uma programação em seus canais, modelo conhecido por multiprogramação. A TV Brasil pretende carregar as educativas estaduais. O Ministério da Educação quer veicular a TV escola (hoje distribuída por satélite), um canal para os professores, outro com conteúdos das TVs universitárias e um quarto ainda em definição. Já a TV Câmara deve utilizar o seu espaço para viabilizar a criação de uma rede legislativa com os canais de Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores.

Segundo a responsável pelo projeto na TV Câmara e vice-presidente da Associação Brasileira de TVs Legislativas (Astral), Evelin Maciel, há um grande interesse das assembléias e câmaras na viabilização de seus canais no sinal digital. De qualquer forma, a composição do uso do canal destinado à TV Câmara em cada cidade será resultado da articulação entre a Câmara dos Deputados com os legislativos estaduais. As Assembléias, por sua vez, irão organizar a participação das Câmaras de Vereadores.

Já a TV Brasil não tem planos para criar uma outra programação para além do carregamento do sinal das educativas estaduais. A TV Senado e o Canal da Cidadania, cuja criação está até agora sob responsabilidade do Minicom, são outros que também não sinalizaram o lançamento de outras programações.

No caso deste último, ainda há esta possibilidade, uma vez que não há uma definição clara de como funcionará este canal. “Os atuais comunitários, que são veiculados pela TV a cabo, serão partícipes como produtores de conteúdo, mas não vamos apenas fazer a migração deles para o sinal aberto. O canal será uma outorga da União, mas com gestão realizada por meio de um conselho com a participação de vários segmentos”, explica Marcelo Bechara, consultor jurídico do ministério.

Sistema misto

Em uma projeção, os seis canais públicos poderão veicular cerca de 12 programações. Se considerarmos que os radiodifusores comerciais ocupam cerca de 10 canais na maioria das grandes e médias cidades hoje, entre as seis redes mais conhecidas e novas emissoras em UHF, poderemos ter em alguns anos quantidade semelhante ou até superior de programação de mídias públicas na televisão aberta brasileira.

A esta previsão, acrescenta-se o fato de os operadores comerciais terem perspectiva muito reduzida de optar pela multiprogramação. Até agora, tem demonstrado resistência por considerarem que esta traz impactos negativos a seus modelos de negócio em razão da pulverização de audiência que ela gera. Portanto, o número de canais desta modalidade de mídia deve se manter praticamente o mesmo no cenário digital.

Para o professor da Universidade de Brasília (UnB) e autor de livro sobre TV Digital César Bolaño, caso haja a concretização deste operador de rede com este conjunto de programações, cria-se no Brasil um antes impensável sistema dual, comercial e público de televisão. “Com uma política estruturada de garantia de condições para transmissão de cinco ou mais canais públicos em multiprogramação, poderemos ter em pouco tempo um sistema misto de radiodifusão, pelo menos na oferta de programações”, afirmou.

A ressalva justifica-se porque a existência do mesmo número de canais não significará, pelo menos no curto e médio prazo, uma divisão da audiência como ocorre na Europa, onde os canais públicos foram os precursores e operaram sob a forma de monopólio durante décadas. Mas, acrescenta Bolaño, abre-se um cenário radicalmente diferente e que pode gerar alterações estruturais na televisão brasileira.

Na avaliação de Evelin Maciel, a rede única digital dos canais públicos federais será um “divisor de águas”. “O principal diferencial será na diversidade de conteúdo. Hoje, a gente tem seis canais abertos e vamos multiplicar, tornando a oferta muito grande”, analisa. Para a representante da TV Câmara, a complementaridade entre os sistemas público, estatal e privado, prevista no Artigo 223 da Constituição Federal, finalmente “pode sair do papel”.

Redução de custos e PPP

Segundo o coordenador da área de migração para a TV Digital da TV Brasil, Delorgel Kaiser, a opção por este tipo de infra-estrutura compartilhada foi motivada pela redução de custos que ela proporciona. “Se cada uma fosse operar a sua estrutura, a sua torre, gerador de energia etc., o custo para a União seria muito caro, porque estaríamos multiplicando despesas. Optamos então por este modelo para poupar recursos, otimizar investimentos e para podermos implantar de forma mais rápida o sinal digital das emissoras públicas”, explica.

A construção da rede e a sua operação será feita mediante uma parceria público-privada (PPP) com uma empresa que será escolhida em licitação prevista para o início do próximo ano. Segundo Kaiser, a escolha do instrumento da PPP se deveu ao fato de as licitações comuns não poderem contemplar contratos de longo prazo, mas de apenas cinco anos. “Este é um projeto que deverá estender-se por 20 ou 25 anos, uma vez que estamos buscando atender a maior parte da população. Ele irá demorar em função dos investimentos”, diz.

O contrato deve prever a cobertura de todas as capitais e de 230 cidades com mais de 100 mil habitantes. Ao final do longo período, a infra-estrutura construída retornará como patrimônio à Empresa Brasil de Comunicação. A estimativa de custos é de R$ 10 milhões por ano para cada um dos seis órgãos federais que encabeçam a iniciativa.

No entanto, embora o projeto contemple a presença de todos os entes elencados anteriormente, ele será implantado em módulos, com arranjos diferenciados para cada cidade a partir da disposição dos órgãos e dos limites de recursos de cada um deles. “Se algum dos parceiros não quiser ter programação, ele vai poder modular isso. Poderá contratar os serviços e com parte dos recursos para entrar só nas capitais, ou em cidades X ou Y”, diz o dirigente da TV Brasil.

A construção das estruturas de transmissão seguirá o cronograma definido pelo Ministério das Comunicações de migração ao sinal digital. “Em primeiro lugar, implantaremos nas capitais e em seguida vamos para as cidades”, conta Kaiser. Hoje, já há transmissões em sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre e Salvador), além da cidade de Campinas. A expectativa é que em dois anos o operador de rede público já esteja na maioria das capitais brasileiras.