Arquivo da categoria: Notícias

Segunda edição do Campus Party no Brasil deve reunir 6 mil pessoas

Com o sucesso da estréia no país, no ano passado, a Campus Party Brasil chega à edição 2009 em versão ampliada. A previsão dos organizadores é de receber, nos sete dias de realização deste grande “acampamento cibernético” 6 mil “campuseiros” — como são chamados os internautas de comunidades virtuais inscritos para participar da festa. Considerado o maior evento de internet do mundo, o Campus Party acontece na próxima semana, entre 19 e 25 de janeiro, em São Paulo.

O número é quase o dobro dos 3.3 mil visitantes de 2008. Desta vez, a velocidade de conexão será de 10 Gbps, contra os 5 Gbps da primeira edição no Braisl e os 8 Gbps da última edição espanhola do evento.

Para abrigar tanta gente, os 25 mil m² ocupados no Pavilhão da Bienal foram trocados pelo espaço de 38 mil m² do Centro de Exposições Imigrantes – local onde deverá ocorrer pelo menos mais duas edições. Os organizadores esperam ainda ampliar o número de visitantes das áreas do evento abertas ao público em geral. Das 96 mil pessoas no ano passado, querem chegar a 300 mil. Outra indicação da ampliação da Campus Party são as cerca de 450 palestras, com temas como robótica, software livre, fotografia digital e modelagem de computadores, organizadas pelas comunidades da rede.

Marcelo Branco, diretor-geral da Campus Party Brasil, destaca que o evento é uma oportunidade para que os usuários de internet mais inovadores e mais criativos possam ver reconhecidos os projetos que estão desenvolvendo. Segundo ele, haverá uma rodada de encontros – o Campus Lab – com financiadores e empresas privadas para que os desenvolvedores apresentem seus projetos, com o apoio do Sebrae e da Agência Click.

Outro destaque, segundo Branco, será o 1º Encontro Nacional de Lan Houses, que irá reunir mais de 500 donos de lan houses em mesas redondas para discutir temas como inclusão digital, segurança de rede e dificuldades com a legislação. Haverá também encontros de telecentros, pontos de cultura e metarreciclagem (reutilização de lixo eletrônico). De acordo com Branco, ao final, todo os conteúdos produzidos nas discussões sobre os desafios da internet no Brasil farão parte de um documento público.

Convidados internacionais

O criador da WWW (World Wide Web), Timothy Berners-Lee, participará do evento com uma palestra sobre o futuro da internet e a web semântica (3.0). Já o fundador do Open Source International, Jon “Maddog” Hall, volta ao Campus Party para falar sobre como criar multimídia usando software livre. Ele irá desafiar os “campuseiros” a criar músicas e vídeos apenas com ferramentas livres.

Operadoras de celular pedem à Anatel toda a freqüência do MMDS

A disputa pela ocupação da frequência de 2,5 GHz (escolhida como um dos padrões mundiais para acolher a quarta geração da telefonia móvel) é que motivou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a retirar de pauta a retomada das licitações de TV paga por MMDS (via microondas) e restringir a concessão de novas licenças à TV a cabo.

E as celulares resolveram entrar na briga para valer. A Acel (entidade que representa as operadoras móveis) enviou, no ano passado, uma carta à Anatel formalizando o pleito para a destinação integral da faixa do MMDS para o Serviço Móvel Pessoal (SMP). Para as móveis, a proposta formulada pela área técnica da agência, de retirar 80 MHz do MMDS de um total de 190 MHz que elas possuem hoje, é pouco. “Com esses 80 MHz, quatro empresas de celular ficarão com 10 MHz cada, o que é muito pouco para a oferta da banda larga móvel”, argumenta um executivo. Hoje as celulares têm um total de 80 MHz cada, divididos em diferentes faixas de freqüência.

O interessante da posição da Acel é que ela também está falando em nome da Vivo, empresa que tem como sócia a Telefônica, que defende a manutenção da faixa de 2,5 GHz para o MMDS.

Os operadores de TV por assinatura, por sua vez, reagem até mesmo à proposta da área técnica da Anatel, de perderem um quinhão de sua freqüência. Argumentam que precisariam de todo o espectro para competir no mercado de vídeo e de dados.

Além da pressão do mercado, o próprio conselho diretor da Anatel está dividido quanto a esta questão. Há quem ache que a proposta da área técnica de destinar apenas 80 MHz para a LTE (quarta geração) é muito tímida e o ideal seria mesmo alocar maior parte desse espectro para os serviços móveis.

Anatel decide futuro da faixa 2,5 GHz, disputada por teles, celulares e TV paga

A primeira reunião do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em 2009 promete não ser nada tediosa. O conjunto de processos sobre a nova destinação da faixa de 2,5 GHz, incluindo o SMP [telefonia celular] e o STFC [telefonia fixa] na lista de usuários dessas freqüências, está nas mãos dos conselheiros e pode ser votado no encontro do dia 28 de janeiro. Fazem parte desse pacote de documentos três peças: a consulta pública para a prorrogação das licenças das primeiras operadoras de MMDS [serviço de TV paga por microondas] em funcionamento; a análise sobre a homologação de equipamentos de WiMAX; e a proposta de alteração de destinação da faixa de 2,5 GHz.

O assunto tem sido discutido pela Anatel desde 2007, mas nem por isso as controvérsias sobre a mudança estão totalmente dirimidas. Há pontos discordantes especialmente sobre a prorrogação dos contratos e por quanto tempo as empresas de MMDS terão prioridade na faixa de 2,5 GHz. A entrada efetiva dos serviços de dados, por meio das licenças de MMDS, que já têm direito a parte das radiofreqüências nessa faixa, também é uma incógnita por conta da falta de uma indicação clara sobre a homologação dos equipamentos.

Apesar de todas essas ponderações, a agência deverá deliberar sobre a mudança do espectro e colocar o principal documento – a proposta de alteração do Regulamento sobre Condições de Uso de Radiofreqüências nas Faixas de 2.170 MHz a 2,182 MHz e de 2.500 MHz a 2.690 MHz – em consulta pública. Depois de ter colocado em consulta mudanças na faixa de 3,5 GHz, também associada à transmissão móvel de dados, a equipe técnica começou a correr com o 2,5 GHz.

Os textos encaminhados ao Conselho Diretor sugerem que as decisões fossem tomadas por meio de circuito deliberativo, ou seja, sem a necessidade de que os conselheiros se reunissem presencialmente. Se a sugestão tivesse sido aceita pelos conselheiros, a consulta sobre a alteração da faixa de 2,5 GHz poderia ter sido iniciada ainda em 2008. Mas nem toda a diretoria da agência concordou em deliberar sobre um documento tão polêmico fora de uma reunião formal da agência, segundo fontes da autarquia.

Técnicos da Anatel cobram decisão sobre equipamentos WiMax para faixa 2,5 GHz

Depois de oito meses seguindo uma ordem informal do Conselho Diretor, a área técnica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está cobrando agora um posicionamento oficial da autarquia sobre a suspensão da homologação de equipamentos que utilizam a faixa de 2,5 GHz para a tecnologia WiMAX. Desde maio de 2008, a equipe responsável pela área de radiofreqüência da agência reguladora não tem homologado nem certificado equipamentos que serão usados nesta faixa do espectro, na espera que de que o Conselho Diretor delibere sobre a nova destinação dessas freqüências para serviços que vão além do MMDS e do SCM.

Junto com o material sobre a alteração da destinação da faixa de 2,5 GHz, o grupo técnico da agência enviou ao Conselho Diretor processo sobre a suspensão da homologação e certificação de equipamentos. Segundo fontes da agência reguladora, o documento deveria ter sido encaminhado para o relator do processo de destinação, conselheiro Antonio Bedran. Mas por motivo desconhecido, acabou indo parar no gabinete da conselheira Emília Ribeiro, que deverá levar o material para a próxima reunião da autarquia, marcada para o dia 28 de janeiro. As outras peças da análise da faixa de 2,5 GHz também devem ser apresentadas neste encontro.

Ao contrário do que se possa imaginar, a área técnica não chegou a sugerir ao Conselho Diretor a retomada da homologação. Pelo menos, não de forma direta. O documento encaminhado, fruto de discussões do grupo técnico voltado para a área de certificação e fiscalização, pede somente que o comando da Anatel decida se a suspensão será mantida ou não. E caso seja mantida, que a ação seja formalizada, por meio de ato divulgado oficialmente aos interessados. Ou seja, a suspensão da homologação tem acontecido sem nenhuma ordem escrita dentro da agência.

Desconforto

A análise dos pedidos de certificação e homologação jamais foi suspensa de forma oficial. A decisão tomada pelo Conselho Diretor na verdade tem um aspecto de "orientação", conta a fonte. Mas como se trata de um indicativo do comando da agência, o escalão técnico seguiu o aviso à risca, o que tem gerado diversos desconfortos para a autarquia.

Membros do Congresso Nacional, como o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), por mais de uma vez questionaram a inércia do órgão regulador em certificar e homologar os equipamentos que usam tecnologia WiMAX na faixa de 2,5 GHz. Além disso, empresas diretamente interessadas no caso têm reclamado da situação, inclusive em cartas direcionadas à Anatel. A Telefônica é a mais incomodada com a demora da agência.

Investimentos

Em carta encaminhada à Anatel no dia 26 de novembro de 2008, obtida com exclusividade por este noticiário, a concessionária deixa clara a sua insatisfação com a escolha feita pela Anatel de retardar as homologações. A empresa informa que, desde que conseguiu autorização da agência para operar MMDS, em julho de 2007, investiu mais de R$ 100 milhões na digitalização dos serviços, programas de expansão comercial e outras ações técnicas voltadas para o aumento do número de assinantes e melhoria na qualidade do serviço.

No entanto, a situação criada pela Anatel tem impossibilitado a Telefônica de oferecer produtos agregados a seus clientes de TV por assinatura, especialmente serviços de banda larga, segundo a reclamação da empresa. "Até o momento, em razão de não existirem equipamentos homologados para a prestação do serviço através da tecnologia WiMAX, continuamos sem a possibilidade de ofertar novos produtos, o que acaba restringindo a competição nos mercados onde atuamos", protesta a operadora.

SCM

Com a iminente aprovação do processo de revisão da destinação da faixa de 2,5 GHz, há uma expectativa de que, agora, a Anatel permita certificações e homologações destes equipamentos. Vale destacar que apenas a homologação é um ato exclusivo da Anatel, feito após a obtenção dos certificados de conformidade nos laboratórios de análise autorizados pela agência. Assim, a maior pendência é no âmbito da homologação, embora existam informações de que alguns pedidos de certificação continuam parados dentro da autarquia pelo mesmo motivo já citado.

Outro destaque que se faz necessário é que já existe destinação para o SCM da faixa de 2,5 GHz desde 2006, daí a existência de pedidos de homologação e certificação de equipamentos que usam a tecnologia WiMAX, voltados especificamente para a oferta de serviços em banda larga. Boa parte das operadoras de MMDS possui também licenças de SCM e, por isso, podem fazer essa oferta dupla de serviços usando a mesma faixa de radiofreqüência.

TCU muda de posição e aceita software livre em pregão do Minicom

A 1ª Secretaria de Controle Externo (Secex) do Tribunal de Contas da União (TCU) aceitou os argumentos do Ministério das Comunicações com relação ao uso de plataforma de software livre no pregão para contratação de empresa especializada em cursos de capacitação para telecentros. Porém, manteve a restrição ao que considera "imprecisão na definição do conteúdo programático dos cursos a serem ministrados".

Dessa forma, a decisão, embora comemorada por técnicos do Minicom, não foi suficiente para liberar a continuação do pregão, suspenso em 17 de dezembro passado por cautelar do ministro Raimundo Carreiro. A definição final será mesmo tomada pelo plenário do TCU, que volta a se reunir no próximo dia 21.

Para os técnicos do Minicom, a decisão do TCU em suspender o pregão, baseada principalmente na exigência do uso da plataforma livre para o software de gestão dos cursos, é no mínimo estranha. Isto porque o próprio tribunal já havia recomendado o uso dessa plataforma nas compras do governo.

Os técnicos também consideram equivocada a restrição ao edital no que se refere ao detalhamento programático dos cursos. "É um excesso de zelo que não se justifica porque o objetivo é comprar cursos já prontos e não o desenvolvimento deles", disse uma fonte do ministério.

A principal queixa dos técnicos é de que o TCU aceitou a representação de uma empresa que sequer quis participar do pregão, por não querer abrir mão do uso do software proprietário. A cautelar do ministro Raimundo Carreiro resultou de representação da WebAula, empresa mineira de capacitação via internet. Outra empresa mineira, a Estudar Consultoria e Empreendimentos, ofereceu o menor lance no pregão, de R$ 11,82 por acesso.

Pelo edital do pregão, a empresa vencedora será responsável pela infraestrutura tecnológica necessária para as capacitações dos usuários dos telecentros comunitários espalhados por todo o Brasil, incluindo a conexão à internet. Serão ofertados cursos de até 40 horas para a iniciação profissional de 130 mil pessoas, de auxiliar de escritório, operador de telemarketing e secretariado. Os cursos também englobam as áreas de empreendedorismo; informática; software livre; TV digital; comunicação e tecnologia; agricultura e pecuária; e meio ambiente.