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Conselho Consultivo da Anatel debaterá reversibilidade de bens de telecomunicações

O Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve iniciar, entre fevereiro e março, um ciclo de debates sobre a reversibilidade dos bens à União. A proposta é do conselheiro José Zunga, que pretende marcar as datas dos debates na próxima reunião do conselho, dia 13 de fevereiro.

Segundo Zunga, o debate se faz necessário devido à grande polêmica instalada sobre a reversibilidade do backhaul que as operadoras fixas estão implantando em todo o país, resultante da troca de metas de universalização. "O conceito de reversibilidade não está claro e permite uma série de interpretações", disse. A expectativa do conselheiro é contribuir para a revisão do Regulamento dos Bens Reversíveis da Anatel, que data de 2006.

Polêmica

Desde novembro de 2008, a Justiça Federal de Brasília concedeu liminar à Associação Brasileira de Defesa do Consumidor – Pro Teste, suspendendo os efeitos do decreto do novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU), que permitiu a troca dos Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs) pela implantação de backhaul (infraestrutura de internet), pelas operadoras de telefonia fixa.

Depois da terceira derrota na justiça federal, em Brasília, a Anatel resolveu acatar a recomendação dos juízes e propor novo termo aditivo ao contrato, reincluindo a cláusula explicitando a reversibilidade do backhaul, mas encontra resistência da Oi e da Telefônica.

Zunga lembra que essa polêmica teve início no Conselho Consultivo, com os questionamentos da conselheira Flávia Lefèvre, que é advogada da Pro Teste, que contesta não só a reversibilidade do backhaul, mas também da legalidade da troca de metas.

Teles e empresas de mídia negociam sobre novas outorgas; Anatel decide só em março

As empresas interessadas em entrar na área de TV a cabo terão que esperar mais um pouco para saber como ficou o novo planejamento do serviço e quais serão as regras dos futuros editais. Como este noticiário já havia antecipado, o tema foi retirado de pauta na reunião [do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)] desta quinta (29). A conselheira Emília Ribeiro, que tinha suspendido a deliberação no ano passado com um pedido de vistas, solicitou 40 dias para a análise do tema.

A conselheira pretende conversar com o Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a questão da precificação das outorgas e com os interessados para fazer ajustes na modelagem da licitação. O pedido dos radiodifusores, que querem regras que garantam a retransmissão dos sinais locais, mesmo que das retransmissoras, nas novas outorgas que estejam em regiões sem geradoras, deve ser contemplado.

Mas além desta questão, existe uma preocupação entre grandes grupos de comunicação sobre as condições em que empresas de telecomunicações entrarão no mercado de TV paga. Segundo apurou este noticiário, empresas de mídia e teles já estão se falando, no alto nível, para pacificar os pontos de atrito antes que a Anatel abra os chamamentos públicos para novas outorgas.

Anatel avisa empresas de MMDS que poderá mexer no espectro

Teve início nesta quinta-feira (29) a consulta pública para a prorrogação por mais 15 anos das primeiras autorizações emitidas para empresas de MMDS [serviço de TV a cabo por microondas]. Em linhas gerais, o texto publicado no Diário Oficial não traz grandes revelações sobre os planos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o serviço. A não ser por um ponto: a agência reguladora, pela primeira vez, resolveu deixar claro nos contratos de MMDS o seu direito de alterar a destinação das faixas e radiofreqüências "a qualquer tempo". É uma atribuição legal da agência, mas que não estava explícita no instrumento de outorga.

O texto sugerido para a cláusula 8ª nitidamente resguarda a Anatel para as mudanças que a agência pretende fazer na faixa de 2,5 GHz, usada hoje pelo MMDS e, em parte, pelo SCM [internet]. Na proposta, a autarquia lembra que poderá alterar "potências e outras características técnicas, desde que o interesse público ou o cumprimento de convenções ou tratados internacionais assim o determine".

No futuro, a Anatel pode se valer da citação a "convenções ou tratados internacionais" para modificar, como planejado, a faixa de 2,5 GHz. Isso porque a União Internacional de Telecomunicações (UIT) sugere que este espaço do espectro seja utilizado para a ampliação da terceira geração e evolução para tecnologias pós-3G. Note-se que a UIT apenas tem indicado este caminho, já que o órgão internacional pode propor destinações, mas não obrigar os países a seguirem sua sugestão já que a organização do espectro e sua exploração são direitos soberanos de cada país.

O plano da Anatel para o 2,5 GHz, até o momento, é incluir o Serviço Móvel Pessoal (SMP) nesta faixa, dando-lhe prioridade no uso das radiofrequências a partir de 2012. O debate sobre a mudança da destinação está suspenso desde que, na última terça-feira (27), o relator da matéria, conselheiro Antônio Bedran, resolveu retirá-la da pauta do Conselho Diretor.

A consulta pública dos novos termos para o MMDS vai até o dia 8 de fevereiro. O período curto de exposição do texto á sociedade (apenas 10 dias) se deve ao iminente vencimento das autorizações que estão sendo prorrogadas. Os termos em vigor, expedidos em 1994, valem até 16 de fevereiro e serão renovados até 2024.

Esta é a primeira e única prorrogação possível das 11 autorizações pioneiras na oferta de MMDS. No entanto, ainda existem dezenas de licenças em vigor que ainda poderão ser prorrogadas por mais 15 anos. As licenças que estão prestes a vencer são detidas pelas empresas: Net Serviços (Curitiba, Porto Alegre e Recife), Telefônica Sistema de Televisão (Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo), TV Filme/ITSA (Belém, Brasília e Goiânia) e TV Show Brasil (Fortaleza).

Brasileiros inspiram articulação internacional de mídias livres

O Fórum de Mídia livre nasceu em 2008 como uma reunião de pessoas e coletivos envolvidos nas mais diversas formas de produção e circulação de informação e cultura, visando articular e potencializar estas experiências. Em junho do ano passado, um primeiro encontro realizado no Rio de Janeiro selou o compromisso de centenas de midialivristas de trabalharem juntos para fortalecer esta modalidade de expressão. Agora, o desafio é expandir esta iniciativa para além das fronteiras nacionais.

Esta foi a principal conclusão do 1o Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML), evento preparatório ao Fórum Social Mundial que terminou nesta terça-feira (27) em Belém. Segundo as resoluções do encontro, o Fórum de Mídia Livre Brasil deve assumir "como responsabilidade o esforço por trabalhar pela articulação internacional de mídias livres". Uma vez que o FMML foi uma primeira tentativa e não reuniu um contingente de midialivristas considerado suficiente para a criação de uma organização semelhante ao FML brasileiro, optou-se por buscar, a partir deste, um diálogo que avance nesta direção no plano internacional.

Assim como aconteceu no Brasil, a idéia é colocar frente a frente as várias iniciativas de mídia livre e alternativa em âmbito mundial (de veículos consolidados como o jornal Le Monde Diplomatique e a agência IPS às centenas de milhares de pessoas que utilizam as novas tecnologias digitais, como o YouTube ou o Orkut) para que encontrem uma identidade comum e se articulem de modo a promover a sua visibilidade, o seu fortalecimento e a expansão deste tipo de prática.

Altamiro Borges, editor do Portal Vermelho e um dos integrantes do Grupo de Trabalho Executivo do FML brasileiro, considerou o compromisso assumido "fundamental" e defendeu que ele deve mirar, em um primeiro momento, abarcar as experiências latino-americanas, aproveitando o florescimento e fortalecimento delas no atual contexto de existência de diversos governos de esquerda. "Há meios públicos sendo criados e ampliados e iniciativas comunitárias e livre sendo apoiadas por estes governos. Precisamos conversar com todos estes veículos", propôs.

Na avaliação de João Brant, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, aos problemas cada vez mais globais da área das comunicações são necessárias reações no mesmo patamar. "Ficou claro que o enfrentamento ao pensamento hegemônico e aos grandes grupos de mídia depende da articulação internacional entre veículos, produtores de mídia livre e organizações que lutam pela democratização da comunicação. É preciso, de um lado, fortalecer as iniciativas desse campo e, por outro, lutar por politicas publicas de comunicação que fomentem a pluralidade e a diversidade, inclusive por meio do apoio a meios de comunicação democráticos", disse.

Renato Rovai, editor da Revista Fórum e também integrante do GTE do FML, considerou o evento foi "bem sucedido". "Tivemos algumas dificuldades estruturais e de mobilização, mas frente a elas acho que o resultado foi bem positivo", concluiu.

Impulsionar as ações locais

Pela grande presença de brasileiros no evento, a plenária final do 1o Fórum Mundial de Mídia Livre incluiu também uma discussão sobre os próximos passos do FML Brasil. Uma das prioridades será a organização do campo para participar da 1a Conferência Nacional de Comunicação, que irá acontecer este ano. "Entramos em um outro patamar agora, e teremos de suar muito a camisa para mobilizar os midialivristas e aqueles preocupados com a democratização da comunicação para que nossa voz seja ouvida", disse Altamiro Borges.

Outro tema que demandará atenção do FML neste ano será o concurso dos Pontos de Mídia Livre, ação do Ministério da Cultura no interior do programa Cultura Viva. A criação de espaços de produção de mídia livre apoiadas por recursos públicos foi um dos principais pleitos da carta do encontro do Rio de Janeiro e agora se concretizou em um edital publicado esta semana no Diário Oficial da União.

A iniciativa foi saudada como uma conquista por alguns participantes, mas olhada com receio por outros: "Ainda não sabemos qual será o teor deste edital. Precisamos ter acesso a ele para formarmos uma idéia melhor a respeito e localizar se devemos apresentar críticas ou sugestões", disse Rita Freire, do portal colaborativo Ciranda.Net. Esta discussão deverá ocorrer em atividade do Ministério da Cultura no Fórum Social Mundial sobre o tema, que acontece no dia 29.

Um terceiro tema que não surge na conjuntura, mas foi muito lembrado na plenária final é a luta pela democratização das verbas de comunicação estatal. Foi criado um grupo de trabalho entre os participantes que irá desenvolver estratégias de pressão junto aos governos federal e estaduais para criar regras mais democráticas e que incluam políticas de destinação destas verbas aos veículos alternativos e livres.

Por fim, foi reafirmado um próximo encontro do FML este ano, a ser realizado na cidade de Vitória (ES), ainda sem data definida.

Estratégias de ampliação do midialivrismo provocam polêmica

Como ampliar o acesso a meios e tecnologias que viabilizam a produção própria de conhecimentos dentro de um quadro de comunicação altamente concentrado? Esta foi a pergunta que inaugurou os debates do Fórum Mundial de Mídia Livre, realizado em Belém nesta segunda e terça-feira como evento preparatório ao Fórum Social Mundial 2009. Nas discussões, foi reafirmada a necessidade de ampliar a prática do midialivrismo, reconhecendo-a como modalidade de expressão que ultrapassa os limites do corporativismo de quem é apontado pela Academia como produtor de conteúdo. Mas se foi perceptível a receptividade das diversas pessoas, coletivos e entidades presentes a este conceito-prática, os caminhos apresentados para sua ampliação foram vários e, muitas vezes, antagônicos.

Para parte dos presentes ao evento, a ampliação das vozes pretendida pelo midialivrismo deve estar relacionada à busca por uma inserção na arena midiática contemporânea. Para o integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Jonas Valente, é importante que as iniciativas de mídia livre articulem-se para fortalecer uma alternativa ao avanço dos meios comerciais que difundem um discurso conservador e interditam o “debate sobre uma comunicação mais democrática”.

Dentro do conceito de comunicação contra-hegemônica, o representante da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), José Sóter, defendeu a importância da comunicação comunitária como forma de mídia livre. “Isso estimula a promoção da identidade (de uma comunidade). Promove o crescimento da consciência crítica”, disse. Altamiro Borges, editor do Portal Vermelho, advogou que se evitasse uma “ética da pequenês e da distorção”, que relegasse a mídia livre apenas a existência dispersa de iniciativas individuais de produção de conteúdos.

Multiplicação

Por outro lado, houve também vozes que apontaram o caminho da promoção das experiências sem a obrigação necessária de integrá-las. Para a diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ivana Bentes, é preciso que se pare com “o discurso da catástrofe” sobre o poderio dos grandes conglomerados comerciais de mídia. Para ela, o movimento de midialivristas tem que demandar políticas públicas, mas, acima de tudo, tem que formar os seus próprios mercados baseados nos princípios da solidariedade e do compartilhamento horizontal, bem como na formação de novas linguagens que contemplem toda a criatividade possível dentro do que é livre. “A gente tem que pensar no movimento para além da fragmentação destas linguagens. Como fazer redes tao poderosas quanto ao dos grandes conglomerados?”, questionou.

Para Sérgio Amadeu, professor da faculdade Cásper Líbero, o movimento de mídia livre deve centrar suas atenções nas possibilidades da internet e lutar contra as tentativas de limitação de liberdade dentro da rede digital através da criminalização de internautas. “Sou defensor da comunicação anônima na internet. Não é porque não é um nome verdadeiro [que assina uma produção para a rede] que a informação não tenha qualidade. Não devemos nos curvar diante da sociedade do controle”, disse.

Outro ponto que merece atenção é a busca por audiência no novo ambiente digital. “No velho paradigma, a briga era para falar. Na rede, o difícil é ser ouvido. No digital, vai haver um grande confronto entre estes ativistas e os grandes conglomerados”, sentenciou Amadeu.

Desafios

Diante da diversidade de opiniões, emergiu como desafio encontrar um fio condutor que ligue todas as perspectivas apresentadas: da garantia do acesso às novas tecnologias e da construção de redes horizontais à articulação de experiências de porte com condições de competir na arena midiática. Neste quadro, o acesso às novas tecnologias ainda é um problema que aumenta de proporção quando o assunto esbarra com o tema propriedade intelectual e a criminalização de midialivristas.

Para a representante do portal Overmundo, Oona Castro, haverá sempre a tentativa de se controlar a ação dos que promovem mídia livre. “É necessário que todos tenham a possibilidade de participar, sem intermediações”, enfatizou.

Financiamento surgiu como outra questão que merece a atenção do movimento. A necessidade da auto-sustentação é um consenso, mas também há o debate sobre o papel do Estado na garantia de uma mídia pública e livre, seja na liberação de verba publicitária estatal para meios livres, seja na promoção de políticas públicas que levem a uma maior democratização da comunicação brasileira. “Para sermos livre, precisamos da intervenção do Estado, pois ele media os conflitos da sociedade”, argumentou Sóter, da Abraço.