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MJ busca consenso em torno de projeto sobre cibercrimes

Para evitar uma briga institucional, o Ministério da Justiça (MJ) estuda a possibilidade de não apresentar um novo projeto sobre crimes de informática ao Congresso Nacional. O Congresso em Foco apurou que, se não houver consenso entre o autor do substitutivo ao Projeto de Lei 84/99, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), os relatores nas comissões afins e o Executivo, a pasta desistirá de protocolar o texto.

O projeto do MJ formalmemente ainda não existe. A pasta formulou uma minuta, divulgada pelo site, e tem fechados alguns pontos que gostaria de apresentar. Pela minuta do ministério, além de todos os dados de tráfego, os provedores seriam obrigados a registrar o nome completo, filiação e número de registro de pessoa física ou jurídica por três anos. O substitutivo prevê que os dados de entrada (log on) e saída (log off) da conexão deveriam ser armazenados.

Os responsáveis pelo assunto no ministério têm medo de que o projeto crie uma briga institucional. O site antecipou que, caso o MJ envie um novo texto, ele será analisado junto com o substitutivo, artigo por artigo. Aqueles que tivessem redação similar continuariam. Mas as discordâncias, pelo regimento da Câmara, fariam prevalecer o texto original, apresentado pelo deputado Luiz Piauhylino (PSDB-PE).

Baseado nas poucas informações que o ministério da Justiça repassou aos parlamentares, o Congresso se articula para fazer o substitutivo de Azeredo prevalecer. Na terça-feira (7), o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), relator do projeto na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) na Câmara, participou de uma reunião com Azeredo e o desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Fernando Botelho.

Eles discutiram ponto a ponto o substitutivo do senador mineiro. Concordaram, então, em manter boa parte do texto. Mas Semeghini convenceu Azeredo a retirar alguns artigos. O principal deles é o que obriga os provedores de formalizar denúncias de crimes que estejam ocorrendo durante a conexão dos usuários. "O projeto é do senador Azeredo. O que ficar em dúvida, vamos colocar em um novo texto", disse Semeghini ao Congresso em Foco.

Ao mesmo tempo que discutem dentro do Congresso, os parlamentares tentam receber mais informações no Ministério da Justiça. Azeredo e Semeghini devem se encontrar com o secretário de Assuntos Legislativos do ministério, Pedro Abramovay, na próxima segunda-feira (13). Paulo Teixeira (PT-SP), membro da CCTCI e interlocutor com o governo na discussão, também pretende encontrar Abramovay. Os parlamentares questionam a decisão da pasta de atender a comunidade de vigilância do governo, em especial a Polícia Federal, na elaboração do novo projeto. O ponto maior de discórdia é a nova redação ao artigo 22 do PL 84/99.

É ele que prevê, no substitutivo, que os provedores devem guardar os dados de conexão dos internautas. Na redação pretendida pelo ministério, ficariam armazenados todos os registros de navegação. Além disso, estende para os provedores de conteúdo a mesma obrigação já acordada pelos de acesso. O PL 84/99 muda cinco leis brasileiras: Código Penal, Código Penal Militar, Lei de Repressão Uniforme, Lei Afonso Arinos e Estatuto da Criança e do Adolescente. A intenção é tipificar condutas relacionadas ao uso de sistema eletrônico ou da internet, estabelecendo 13 novos tipos de crimes.

Se o projeto for aprovado, entram para o Código Penal manipulações de informações, difusão de vírus eletrônico, clonagem de senhas bancárias, falsificação de cartão de crédito, divulgação e informações contidas em bancos de dados, por exemplo. O Congresso em Foco buscou contato com o secretário Pedro Abramovay por diversas oportunidades, mas obteve entrevista. Pela assessoria de imprensa, disse que só se manifestará quando o projeto ficar pronto.

Anatel destrói ilegalmente 8 toneladas de equipamentos

Na última quarta-feira (8), o escritório regional da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) em São Paulo, com o suporte logístico e político da Prefeitura Municipal, destruiu cerca de oito toneladas de equipamentos apreendidos em operações de fiscalização de emissoras de rádio não autorizadas. Ao todo, 17 mil discos e CDs, 750 transmissores, 70 antenas e dezenas de computadores e aparelhos de som se transformaram em sucata no hangar da Vasp, no aeroporto de Congonhas.

Segundo a Anatel, todos os equipamentos encontravam-se sem homologação pelas autoridades responsáveis e provocavam interferências no controle de tráfego aéreo e nas transmissões de emissoras comerciais. Eles teriam sido apreendidos em cinco anos de operações da Agência no estado e correspondiam a dois mil processos concluídos pela Justiça, que teria autorizado sua destruição.

Este é um ato simbólico do combate à ilegalidade em São Paulo. Aqui tem lei e ela será respeitada”, disse o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que fez questão de subir no rolo-compressor e posar para os flashes da grande imprensa comercial, que prestigiou em massa o acontecimento. “É fundamental que o material seja destruído, para mostrar que não teremos tolerância com quem faz isso. Nosso objetivo é fechar todas as rádios piratas e ilegais, que trazem riscos à vida das pessoas. Se é clandestina, tem que ser eliminada”, sentenciou Kassab.

Além do prefeito e dos veículos comerciais tradicionais, o ato de destruição contou com a presença de policiais federais, militares, civis, de diversos secretários do governo municipal e da cúpula do escritório regional da Anatel em São Paulo. Para Everaldo Gomes Ferreira, gerente regional da agência, “uma rádio clandestina é um caminhão na contramão” do espectro.

Estas emissoras, acrescentou, aparentam ter um “fascínio pela ilegalidade”. “Temos que respeitar a lei e a lei não se respeita. Todas essas rádios nunca buscaram a legalização. Até onde sei – porque sou da Anatel e não do Ministério das Comunicações –, o Ministério faz exigências, tenta localizar os responsáveis, manda correspondência para mandar documentação e essas pessoas não são localizadas”, alegou.

Um relatório da subcomissão criada para avaliar os processos de outorga de concessões de rádio e TV da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados revelou, no entanto, que os processos para obtenção da autorização de operação para uma rádio comunitária podem levar até 3,6 anos. O governo federal já reconheceu o problema ao ter instalado dois grupos de trabalho, um em 2003 e outro em 2005, para tentar resolver o acúmulo de processos. Apesar de ambos terem produzido recomendações e relatórios finais, as medidas sugeridas nunca foram implantadas pelo Ministério das Comunicações e por outros órgãos do Executivo Federal.

Ilegalidade na destruição

A Anatel justificou a destruição dos equipamentos dizendo se tratarem de provas materiais de crimes. “É igual a uma arma”, disse Everaldo Ferreira. Garantiu que a agência tem como uma de suas prerrogativas a destruição de equipamentos e alegou que não faria sentido doar as 8 toneladas que ali estavam porque “hoje o custo de aquisição de materiais como estes é cada vez mais barato, sem contar que são de origem duvidosa”.

No entanto, segundo o juiz federal aposentado Paulo Fernando Silveira, consultado pelo Observatório do Direito à Comunicação, a absoluta maioria dos equipamentos apresentados na operação da Anatel e da Prefeitura de São Paulo não poderia ser inutilizada. Ao contrário da apreensão de drogas, por exemplo, os transmissores, antenas, computadores, mesas de som e CDs não são produtos proibidos pela lei, não sendo, portanto, passíveis de destruição. Ao serem adquiridos no mercado interno de forma lícita, são propriedade permanente daqueles que o compraram, mesmo que sejam considerados pela Justiça provas materiais de um crime.

“Mesmo um revólver, se estiver registrado no nome de alguém, deve ser devolvido pela Justiça após o término de um processo, independentemente se a pessoa foi condenada ou não, porque o bem não é ilícito. Se o processo terminou e ninguém requereu os bens, a União não se torna proprietária automaticamente. Teria que devolvê-los. Portanto, se a Anatel destruiu esses equipamentos, o fez ilegalmente e terá que indenizar essas pessoas. Mesmo se havia ordem judicial para isso, ela era abusiva e ilegal. Todos os proprietários devem entrar com ação de perdas e danos, porque o juiz mandou destruir algo que é seu, de sua propriedade”, afirma Silveira.

A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) questiona a existência de decisão judicial para a destruição dos equipamentos. “Se há um processo judicial, quem provocou a Justiça a se pronunciar sobre isso? Talvez nem processo exista”, analisa Jerry Oliveira, diretor da associação em Campinas.

Para Paulo Silveira, o direito à comunicação está garantido na Constituição Federal como um direito individual e coletivo, e o Estado não pode, portanto, aboli-lo. “Sua função é apenas de gestor do espectro; é uma função administrativa. O dono do espectro é o povo, de modo que o exercício de um direito individual não pode ser considerado crime”, acredita o juiz federal. “A lei que criminaliza a radiodifusão não autorizada é que é inconstitucional – e não a conduta que é criminosa”, completa.

Descriminalização na pauta do Congresso

Neste momento, estão em tramitação no Congresso Nacional dois projetos de lei que descriminalizam o exercício não autorizado da radiodifusão comunitária. Ou seja, em vez de abordar a prática a partir de uma perspectiva penal, propõem fazê-lo mediante infrações administrativas.

“Se aprovarmos a lei da descriminalização e a anistia dos processados, esses atos judiciais se tornarão sem efeito. Como é então que as rádios vão ter acesso a esses equipamentos, que foram destruídos?”, questiona José Sóter, coordenador-geral da Abraço. “No mínimo, foi uma prevaricação da Anatel, que deveria ter ouvido todos os lados da questão antes de destruir os equipamentos”, afirma.

Ação orquestrada

Por pressão dos grandes radiodifusores, o projeto de lei que anistia as rádios comunitárias (que já havia sido aprovado na CCTCI e estava sob avaliação da Comissão de Constituição e Justiça) foi remetido pelo deputado Raul Julgmann (PPS-PE) à Comissão de Combate ao Crime Organizado. A manobra se coaduna com a operação da Anatel realizada esta semana, em São Paulo, que tratou a destruição dos equipamentos como uma ação de combate ao crime.

Como eles mesmo disseram, foi um ato simbólico, orquestrado pelos setores que são contrários à descriminalização das emissoras comunitárias, para reforçar a idéia dos radiodifusores comerciais de que rádio comunitária derruba avião. Por outro lado, vivemos o processo de convocação da Conferência Nacional de Comunicação. Ao sinalizar que está defendendo o interesse dos meios comerciais, a Anatel atende à necessidade da grande mídia de ganhar a opinião pública para as teses que ela defende, e que serão tema da Conferência. Ou seja, uma atividade midiática e pirotécnica como essa responde a dois objetivos dos meios comerciais”, avalia Sóter.  

Na tarde dessa quinta-feira (9), o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação divulgou nota pública condenando o vandalismo da Anatel em relação a um patrimônio coletivo e de inestimável valor social para as comunidades. Para o FNDC, a destruição de equipamentos de rádios comunitárias constitui um ato de prepotência, representa uma atitude deliberada contra a democratização da comunicação e deixas às claras os temores de setores empresariais frente à Conferência Nacional de Comunicação.

“A destruição dos equipamentos também representa uma cabal demonstração de ignorância sobre o papel fundamental da comunicação para a consolidação da democracia, o fortalecimento da sua pluralidade e dos laços culturais da nação brasileira”, diz a nota, que conclui cobrando da Anatel explicações ao povo brasileiro. Do contrário, entidades que lutam pela democratização da comunicação poderão fazê-lo através de uma ação judicial, que já está sendo avaliada nacionalmente.

* Colaborou Lucas Krauss

Empresas vão pedir desoneração fiscal da banda larga móvel

A Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) apresentará até maio ao governo federal uma proposta de desoneração tributária da internet de banda larga móvel. Segundo o presidente da entidade, Antônio Carlos Valente, a medida "não pode ser considerada renúncia de receita porque, em função da pouca penetração do serviço, tal receita ainda não existe significativamente".

A decisão foi tomada nesta quarta-feira durante o lançamento de um estudo sobre o desempenho do setor de telecomunicações no Brasil, em Brasília.Para o presidente da Associação Brasileira dos Usuários de Acesso Rápido, Horácio Belforte, o argumento do presidente da Telebrasil, de que a proposta de desoneração não provocará redução na arrecadação do governo, é questionável porque não leva em consideração a possibilidade de migração de serviços.

"É claro que haverá perda de receita para o governo porque haverá migração dos usuários da banda larga fixa, que pagam tributos, para a banda larga móvel", disse à Agência Brasil o presidente da Abusar, Horácio Belforte. Em 2008, as empresas de telecomunicações arrecadaram R$ 41,1 bilhões em tributos.

Crise

No final de 2008 os serviços de telecomunicações –que envolve telefonia fixa e móvel, além de TVs por assinaturas e de internet banda larga– registravam 208,3 milhões de assinantes, número 20,1% maior do que os 173,3 milhões em 2007. Segundo o estudo, do resultado de 2008, 41,3 milhões são relativos a serviço telefônico fixo comutado, 150,6 milhões a celulares, 6,3 milhões a TV por assinatura e 10 milhões à internet de banda larga.

"Não estamos com medo da crise, porque sabemos que vamos crescer. Para o nosso setor a crise é uma grande oportunidade", disse Valente, da Telebrasil.

Globo anuncia programas e aponta estratégia para 2009

A Globo recebeu a imprensa nesta quarta (8) para apresentar sua nova grade de programação. Além dos novos programas e das mudanças nos programas já existentes, a emissora abriu um pouco sua estratégia para a crise e algumas apostas para o futuro próximo.

Em vídeo, pois acompanhava um encontro das áreas comerciais da TV Globo e suas afiliadas e Salvador, o diretor de comercialização da emissora, Willy Haas Filho, fez um breve prognóstico do setor de mídia para 2009. Segundo ele, o setor apresentou bom crescimento no primeiro trimestre, "mas o segundo trimestre deve ser mais difícil", diz. Mesmo assim, o executivo aposta que a TV aberta consiga sair em vantagem na disputa pelo bolo publicitário.

"Em 2008, Globo cresceu 13% em relação a 2007. Para este ano, que o mercado publicitário deve crescer de 7% a 8%, nossas receitas devem ficar em torno de 8% de crescimento", completou diretor geral da Globo, Octávio Florisbal. No entanto, esse crescimento deve ser nominal. Para ele, as despesas devem crescer acima de 8%. A batalha seria para manter esse custo.

Incentivo fiscal

Durante o evento, foram apresentados os novos programas, entre eles, a série de produção independente "Som & Fúria", da O2 Filmes, com direção de Fernando Meirelles. Com a chegada de mecanismos como o artigo 3°A, a parceria com produtoras independentes deve se tornar mais frequente, segundo o diretor geral da Globo, Octávio Florisbal. "Estamos estudando seriamente para ver se podemos ter acesso a esse recurso para produzir. É um estímulo novo, que pode reforçar a coprodução e a produção independente da nossa grade".

Novas mídias

A emissora apresentou projetos relacionados à televisão fora do lar, a grande aposta da Globo, segundo o diretor geral, Octávio Florisbal. Um desses projetos é o de oferecer os telejornais da emissora de forma customizada para o celular. O modelo, cujos protótipos foram rapidamente apresentados na coletiva, não será baseado na distribuição pela TV digital aberta, mas sim via operadora de telefonia, e também não será ao vivo.

Além desse, a Globo falou um pouco sobre o projeto de ter a sua programação nas telas distribuídas dentro de ônibus, táxis e outros pontos públicos da cidade de São Paulo. Embora o projeto ainda seja embrionário, na fase de pré-testes, é possível perceber que se trata de uma cooperação com as empresas de mídia indoor existentes hoje. "Estamos conversando com empresas que já prestam esse tipo de serviço para definir modelos", diz Florisbal.

Segundo o diretor de engenharia, Fernando Bittencourt, o sinal digital da Globo deve cobrir 50% da população até o início da Copa do Mundo, em 2010. Trata-se, segundo ele, de um poderoso alavancador de venda de receptores em alta definição. Também apostando nisso, declarou que ao final deste ano todos os jogos de futebol serão transmitidos em HD.

Concorrência

Pouco foi falado sobre a concorrência com outras redes comerciais abertas durante a coletiva, em contraposição ao ano passado, quando a Globo fez questão de apresentar dados que mostravam a sua audiência superior às outras em quase todos os horários. Este ano, Florisbal mencionou que a emissora continua na luta para ter os direitos de transmissão das Olimpíadas 2016, mesmo tendo perdido a batalha pelos direitos dos jogos de 2012.

Sobre a audiência, ele disse que a meta é chegar ao patamar atingido de 1997 a 2007, quando a Globo manteve uma média de audiência de 22 pontos. "Em 2008, nossa média caiu para 19 pontos. Nossa proposta é voltar aos 22. Acredito que este ano vamos evoluir para 20 ou 21 pontos", diz o diretor geral.

Menos de 2% dos pobres no Brasil têm acesso à internet

Com 52,2% das residências mais ricas conectadas à rede mundial de computadores, o Brasil é país da América Latina onde os ricos mais têm acesso à internet em casa, segundo pesquisa da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

No entanto, somente 1,7% das casas mais pobres do Brasil contam com esta forma de comunicação. Em relação à distância entre os que têm maior poder aquisitivo e os mais carentes, com disponibilidade de internet em casa, o Brasil está dentro da média regional, detectada pela pesquisa. Em segundo lugar na lista da Cepal, aparece o Chile, com 42% das residências mais ricas com acesso à internet e em seguida vem Uruguai com 38% e México com 36,8%.

Segundo a Cepal, em onze dos 14 países analisados, o acesso à internet na casa dos mais ricos é cerca de 30 vezes maior do que nos lares menos beneficiados da América Latina. Apesar desta desigualdade tecnológica, o Brasil também aparece entre os países nos quais os mais carentes, mesmo com o baixo índice, mais têm acesso a esta rede.

De acordo com a pesquisa, Chile, México e Brasil (nessa ordem) são os países onde os mais pobres mais têm acesso a esta rede. No Chile e no México, esta média é de 3%, mas em países como Bolívia e Paraguai a pesquisa mostra que as casas mais carentes não têm internet. E nos dois casos são poucos os que contam com este serviço em suas residências – 12% na Bolívia e 9% no Paraguai.

Acesso nas cidades

O levantamento, realizado em 2007 e divulgado agora, foi possível, como destacou o organismo num comunicado, graças ao novo Sistema de Informação Estatístico regional, criado pelo Observatório para a Sociedade da Informação da América Latina e Caribe (OSILAC), da Cepal. Este sistema permite processar, como informou a Cepal, dados sobre o uso e acesso às chamadas "Tecnologias da Informação e as Comunicações" (TIC) da região.

De acordo com assessores da Cepal, o levantamento regional sobre o acesso das residências à internet foi feito por institutos oficiais de pesquisas de cada país. A mesma pergunta foi feita em todos os países: se o habitante tem ou não internet em casa. "O (novo) sistema permite constatar brechas no acesso e uso de tecnologias, segundo fatores sócio-econômicos", diz a Cepal.

Além da pesquisa que revelou a distância do acesso à internet entre as casas dos que têm maior e menor poder aquistivo, a Cepal realizou levantamento sobre a disponibilidade de computador nas residências das áreas urbanas e rurais. Nesse caso, a brecha entre o acesso nas casas da região urbana e da região rural é, em média, de 17%.

No Brasil, 30,4% das casas nas áreas urbanas têm acesso à internet e apenas 4,9% têm esta disponibilidade nas áreas rurais. Os resultados destes levantamentos, segundo a Cepal, são "poderosas ferramentas" para a elaboração e avaliação de políticas públicas e estratégias ligadas ao TIC na região. De acordo com a Cepal, com o novo sistema será possível definir "variáveis sócio-econômicas" no próprio país e na região. Os itens, além do acesso ao computador desde casa, podem ser ainda sobre o acesso ao sistema bancário eletrônico, entre outros.