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Procurador faz críticas ao comando da Anatel

Autor da representação que provocou o Tribunal de Contas da União (TCU) a investigar o contexto em que foi produzido os informes sobre multas altas aplicadas nas concessionárias, o procurador do Ministério Público Federal na Paraíba, Duciran Farena, voltou à carga contra a Anatel esta semana. Farena atacou o comando da agência reguladora e disse que a produção dos informes demonstra que a autarquia está "fora de controle".

Em suas palavras, impera hoje na Anatel "a regra do cada um por si e o mercado (isto é, os futuros empregos nas empresas reguladas) por todos". Duciran, que é coordenador do Grupo de Trabalho sobre Telefonia do Ministério Público Federal (MPF), contou com o apoio de outros três procuradores na contestação dos informes encaminhada ao TCU.

Retrocesso

As declarações foram feitas durante workshop organizado pelos órgãos de defesa do consumidor Indec e Proteste, nessa segunda-feira, 25, em São Paulo. Segundo Farena, a Anatel "retrocedeu cerca de dez anos em termos de acessibilidade e transparência, na presidência do embaixador Sardenberg" e reforçou que os funcionários responsáveis pela produção dos informes que sugerem a falta de razoabilidade das multas aplicadas pela própria agência podem ser processados por improbidade administrativa. Este noticiário solicitou à assessoria da Anatel o contraponto da agência às críticas, mas não teve resposta até o fechamento da edição.

O procurador chama o documento de "informe da vergonha", e afirma que a iniciativa comprometeu a legitimidade de todo o processo de aplicação das multas pelo órgão regulador.

A introdução de novos conceitos na regulamentação, como o de "backhaul", "bloqueio" e "ponto extra" também foi criticada pelo procurador por conta da imprecisão das definições dadas pela agência. "A Anatel não tem competência para mudar conceitos e institutos da lei civil e, no entanto, o faz com frequência quando, por exemplo, conceitua cooperativa em desacordo com o conceito previsto no Direito Civil".

Choque de gestão

Em entrevista a este noticiário, Farena reforçou as críticas à falta de transparência da agência citando como exemplo a dificuldade da autarquia em esclarecer os componentes do backhaul. "No caso do backhaul, acho que eles também não querem que ninguém saiba direito o que ele é. Porque pegam uma palavra em inglês e não esclarecem. Porque não dizer logo que o backhaul é tronco ou outra coisa? Isso resolveria inclusive a discussão sobre reversibilidade", analisou.

As críticas voltadas à gestão do atual presidente, embaixador Ronaldo Sardenberg, se explicam em parte pela dificuldade de diálogo que o MPF tem tido com o comandante da Anatel. "A regressão da Anatel é nítida. Antes, o Ministério Público tinha um diálogo com os presidentes da agência. Hoje, o presidente não nos atende; é tido como inacessível. Ele não aparenta ter disposição para dialogar", afirmou o procurador, lembrando que as reuniões que teve até agora na agência contaram apenas com a presença de técnicos.

Uma das preocupações mais fortes de Farena é a sensação de que há um "descontrole" na agência e que as áreas técnicas estão agindo por conta própria em vários momentos, sem um comando atuante. Para ele, uma saída para melhorar a atuação da autarquia seria a contratação de uma consultoria especializada para auditar o trabalho feito. "Eles gostam tanto de 'planos', não é? Fizeram até um plano de atualização da regulamentação recentemente. Acho que eles podiam aproveitar para fazer um plano de avaliação da eficácia da regulamentação atual. Isso seria muito bom para a agência." Este noticiário ainda aguarda uma manifestação da agência sobre as críticas do procurador.

Projeto quer reunir conteúdo de TVs da CPLP na Internet

A partir de 2010, deve começar a funcionar a Plataforma Lusófona de Intercâmbio de Conteúdo e TV CPLP Via Web. Trata-se de uma iniciativa do Instituto Cultural Brasil Plus que tem como objetivo digitalizar, gerenciar e disponibilizar na web conteúdo das TVs públicas de todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Segundo o presidente do instituto, Túlio Gontijo Rocha, as TVs públicas de cada país receberão uma estação para digitalizar seu conteúdo. Trata-se de um computador, com placa digitalizadora e licença de um software de gerenciamento de conteúdo. O upload de material é em qualidade de broadcast, embora a exibição na web seja em resolução menor. Além do upload, as emissoras poderão fazer o download, também em qualidade broadcast. Neste caso, explica Gontijo, a emissora dona do conteúdo terá que autorizar o donwload.

Estas emissoras serão treinadas através de um programa de capacitação de digitalização e catalogação do arquivo. O treinamento será à distância, através de uma rede de teleconferência do Banco Mundial. Segundo o presidente do Instituto Cultural Brasil Plus, esta rede será usada também para produzir 250 vídeos que passarão a fazer parte do acervo do site. "Podemos fazer, por exemplo, debates multiponto com participantes em cada um dos membros da CPLP", explica. Além destes 250 vídeos, faz parte a produção de oito documentários, por cada um dos membros da CPLP.

No Brasil, por enquanto, o projeto tem acordo com a TV Brasil, embora esteja em conversa com outras educativas para cessão de conteúdo. Além de ceder o conteúdo, a TV Brasil será responsável pela grade de programação do canal online, com uma equipe dedicada a isto. Além da exibição de uma grade linear, o site do projeto contará ainda com oferta de conteúdo sob demanda.

O projeto foi autorizado pelo Ministério da Cultura a captar recursos incentivados. O custo total é de R$ 5,4 milhões. "Sou otimista, acho que podemos começar a trabalhar na implantação da rede em um mês, e ter o site na Internet no início de 2010", diz Gontijo. A idéia é que no futuro o projeto cresça. "Queremos ter um canal por satélite para todos os países da CPLP", diz.

Túlio Gontijo Rocha participa do Encontro das TVs de Língua Portuguesa, que acontece no dia 5 de junho, no âmbito do 10º Forum Brasil – Mercado Internacional de Televisão. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site www.forumbrasiltv.com.br.

Redução de orçamento compromete realização

Dos R$ 8,2 milhões previstos para a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), estão assegurados apenas R$ 1,6 milhão. A drástica redução, registrada no Diário Oficial da União (DOU) do último dia 12 de maio, é resultado de um amplo remanejamento promovido pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. A medida, segundo integrantes da Comissão Nacional Pró-Conferência, compromete a realização da Confecom, com etapa nacional marcada para dezembro deste ano.

A decisão está expressa em decreto presidencial publicado no dia 11 de maio que prevê crédito suplementar no valor de pouco mais de R$ 688 milhões para diversos órgãos do Poder Executivo. O decreto determina que os recursos necessários à abertura do crédito suplementar decorrerão da anulação parcial de dotações orçamentárias.

Entre as rubricas atingidas está aquela referente ao apóio à realização de Conferências Estaduais e Nacional de Comunicação Social, reduzida em R$ 6,5 milhões. O decreto, contudo, não indica o destino das verbas remanejadas. De acordo com o consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, a equipe da pasta já reivindicou junto ao Ministério do Planejamento a recomposição das dotações inicialmente definidas, obtendo sinalização positiva da Secretaria de Orçamento Federal neste sentido.

“Não acredito que este corte vá se manter. É uma decisão do presidente Lula realizar a Conferência, que só ocorrerá se assegurado o montante suficiente de recursos por parte do governo federal”, afirma Bechara. Contudo, não há, até agora, garantia de se tal revisão do corte será feita e nem quando ela ocorrerá. 

Risco de inviabilização

Para a Deputada Federal Luiza Erundina (PSB-SP), o corte é um sinal de resistência ao êxito da Confecom. “Há uma enorme má vontade e uma indisposição para a realização da Conferência. O atraso na convocação e a falta de esforços para agilizar o processo nos estados já é um fator muito negativo, agora esse corte pode comprometer as expectativas da sociedade civil, que é a grande responsável pela convocação dessa Conferência”, analisa.

Erundina lembra ainda que o valor definido na Lei Orçamentária de 2009 já era resultado de uma redução em relação à emenda proposta pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara (CCTCI). “Inicialmente eram R$ 10 milhões. Nas discussões, reduziram para os R$ 8,2 milhões, com uma verba complementar aí de R$ 300 mil, totalizando R$ 8,5 milhões”, lembra.

Para a deputada, o corte surpreende por ter sido o mais considerável dentre os realizados pelo Ministério do Planejamento. “Isso pode implicar a redução no número de delegados, é um atentado ao caráter mais amplo e democrático que poderia ter a Confecom”, alerta. 

Ainda mais pessimista é a avaliação de Carolina Ribeiro, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, entidade que faz parte da Comissão Nacional Pró-Conferência (CNPC). Carolina diz que a redução é absurda e que essa verba é insuficiente para realizar uma conferência nacional. “Sabe-se que isso inviabiliza a Confecom. A Conferência Nacional de Direitos Humanos, que teve um orçamento muito enxuto, contou com R$ 3 milhões. Com menos do que isso é impossível fazer uma conferência democrática e participativa”, reclama.

Ainda de acordo com Luiza Erundina, as entidades que compõem a Comissão Nacional Pró-Conferência precisam se mobilizar urgentemente para fazer pressão junto ao governo federal e a parlamentares que defendem a Conferência para reivindicar mudanças. “A sociedade civil não pode se calar. Tem que fazer pressão para conseguir reverter esse quadro. Essa é uma decisão política e, portanto, deve-se tentar mudar o quanto antes”, defende.

* Colaborou Jonas Valente

Anatel destrói mais equipamentos de comunicação

A Agência Nacional de Telecomunicações voltou a destruir ontem (27) equipamentos de comunicação. Dessa vez a Anatel destruiu em Minas Gerais 1,5 tonelada de material apreendido em 132 emissoras de rádio que funcionavam, segundo a agência, sem autorização. A mesma operação aconteceu em São Paulo, no mês de abriu, e destruiu oito toneladas de equipamentos.

Em matéria publicada neste Observatório [veja aqui] , por ocasião da destruição dos equipamentos em São Paulo, foi denunciada a morosidade nos processos de legalização das rádios comunitárias que chegam a durar 3,6 anos, segundo dados do relatório da subcomissão criada para avaliar os processos de outorga de concessões de rádio e TV da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados.

Ainda na matéria, foi publicada a posição do o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) que divulgou nota pública considerando o ato como vandalismo da Anatel em relação a um patrimônio coletivo e de inestimável valor social para as comunidades. “Para o FNDC, a destruição de equipamentos de rádios comunitárias constitui um ato de prepotência, representa uma atitude deliberada contra a democratização da comunicação e deixa às claras os temores de setores empresariais frente à Conferência Nacional de Comunicação”, relatou a matéria.

Para Bia Barbosa, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, é inadmissível que a agência responsável pela regulação e fiscalização das comunicações continue atuando apenas de forma repressiva com relação à radiodifusão comunitária. “A destruição dos equipamentos, que pelo que parece está virando uma prática nacional, é apenas mais um exemplo de como a Anatel e o Estado brasileiro enxergam a prática da comunicação comunitária”. Bia completa ainda que “A ação da Anatel é uma violação do direito à comunicação dessas comunidades. O mínimo que poderia ser feito era destinar esses equipamentos a escolas ou rádios comunitárias que já possuem autorização para funcionamento, contribuindo para a democratização da comunicação”, acrescenta.

Deputado defende ampliação do operador de rede

No segundo dia de debates do II Fórum Nacional das TVs Públicas, as emissoras públicas não ligadas à União ouviram a promessa que serão incluídas no escopo do operador de rede do sistema público de TV digital. O deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP) se comprometeu a negociar a ampliação de um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados para que estas empresas não fiquem fora dos benefícios da operação integrada. O projeto em questão é o PL 277/2007, de autoria do deputado Inocêncio Oliveira (PR/PE), que já está em análise na última comissão da câmara. O relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Este projeto coloca em uma lei específica as regras para a outorga de canais digitais e consolida formalmente a existência do operador de rede. A iniciativa, que foi relatada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) pelo deputado Jorge Bittar (PT/RJ) em 2008, é fruto de um acordo firmado no contexto da criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

"Esse conceito de construir um operador único é o melhor caminho que a gente tem. Isso já está sendo feito com a área pública que é da União e pode vir a ser feito também com a parte pública que não é da União", afirmou Semeghini. "Eu me comprometo com vocês que falarei com o relator para fechar um acordo que amplie a proposta para que as emissoras públicas que não são da União também sejam contempladas no projeto". O deputado acredita que será simples fazer essa ampliação e, mesmo que ela não ocorra na CCJ, é possível mudar o texto no Plenário. "O importante é resolvermos isso logo na Câmara", avaliou.

O diretor de serviços da EBC, José Roberto Garcez, também defendeu a existência do operador e demonstrou o interesse da estatal em fazer parcerias com as emissoras estaduais na troca de conteúdos. Na visão de Garcez, a criação do operador é "um primeiro passo" de um projeto mais de integração das TVs públicas. "Produzimos um excelente conteúdos nas TVs públicas, mas ainda há uma fragmentação", afirmou o diretor, ressaltando a necessidade de consolidar esse intercâmbio de programas.

Multiprogramação

O debate também serviu para a defesa da validação do uso da multiprogramação na TV digital. Júlio Semeghini fez uma forte defesa da liberação do recurso e disse que o assunto pode virar em breve objeto de um projeto de lei para apaziguar as diferentes interpretações das regras vigentes. "A nossa preocupação é que a gente não aproveite da melhor maneira o espectro digital", declarou o deputado. "Nós não saímos na frente (na escolha do padrão digital) para depois não utilizar o que está ai; para usar só um pedaço dos recursos."

A esta reportagem, Semeghini disse que ainda não é claro entre os deputados se, de fato, a legislação em vigor impede a multiprogramação para as emissoras que não são da União. O problema maior estaria no decreto da TV digital, mas mesmo assim não é certo que a revogação deste documento solucionaria o impasse. Assim, o mais provável é que a Câmara providencie a criação de um projeto de lei para pôr fim às dúvidas, com a edição de um novo marco legal.

Semeghini disse que pretende organizar os pontos sobre o assunto e preparar o projeto. Se a proposta for de sua autoria, provavelmente o texto permitirá que as emissoras comerciais e educativas façam uso do recurso, pois ele próprio questionou a diferenciação nos direitos entre as TVs públicas e as demais em sua apresentação no fórum. "Por que a pública vai ter o direito à multiprogramação e quem não é pública não vai ter? Não pode ser assim. Nós temos que corrigir isso", afirmou.