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BNDES não será ‘sponsor’ do padrão brasileiro, mas apoiará exportações

O presidente do BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, disse que o banco possui linhas de financiamentos e está disposto a ajudar indústrias brasileiras exportarem equipamentos da área ou, até mesmo, montarem fábricas em países da América Latina, para incentivar o uso do padrão brasileiro SBTVD na região.

"Se for necessário, vamos aportar recursos para incentivar a venda de produtos brasileiros e a produção também. Mas não seremos patrocinadores do padrão nacional. Não é nosso escopo", disse. Segundo Coutinho, que participou da cerimônia de abertura do ABINEE TEC, na capital paulista, nesta segunda feira, 01/06, o Banco tem recursos e interesse em ajudar as empresas brasileiras interessadas em atuar na área de TV Digital.

A idéia é oferecer linhas de financiamento para fabricação e serviços. Com relação aos recursos disponíveis em caixa – pouco interesse da indústria em solicitar o financiamento – o executivo observou que a primeira onda de digitalização aconteceu com a importação dos equipamentos.

"Agora é o momento de começarmos o segundo ciclo e centrarmos na produção local e também no desembarque de empresas brasileiras em paises da região", completou. Coutinho descartou ainda qualquer possibilidade de a subsidiaria do BNDES, semelhante ao Eximbank, como quer o governo e o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, não integra a política de incentivo à indústria de TV Digital, apesar de quando formalizado irá também beneficiar empresas exportadoras.

Minicom editará portaria direcionando mudança no TVA

O projeto da Anatel de mudar o modelo de oferta do Serviço Especial de Televisão por Assinatura (TVA) continua avançando. A agência já tem uma minuta de novo regulamento praticamente pronta, mas resolveu se entender com o Ministério das Comunicações antes de sinalizar formalmente qualquer mudança no serviço. "Estamos fazendo uma atualização que acompanhe as tendências do mercado. No momento estamos conversando com o Ministério das Comunicações para saber qual é a política", afirmou o superintendente de Serviços de Comunicação de Massa, Ara Apkar Minassian. "Não podemos soltar um regulamento que depois se choque com a política do setor", explicou-se.

Mas esta espera por um posicionamento do Minicom pode não durar muito. Segundo o secretário de telecomunicações do ministério, Roberto Pinto Martins, é possível a edição de uma portaria com as diretrizes para a mudança no TVA em julho. "A idéia é a gente ter isso em um mês", calculou. Martins não detalhou o conteúdo do documento, mas declarou que são três os pontos fundamentais que estão sendo avaliados nas conversas com a Anatel: oferta portátil de canais pelas operadoras de TVA, possível permanência da transmissão parcial em rede aberta e a multiprogramação.

Conforme antecipou este noticiário em 31 de março, o plano da agência é liberar as TVAs para usarem seus canais na oferta de TV por assinatura para dispositivos móveis, como celulares. Na visão de Minassian, a reforma atualizará a prestação do serviço, o primeiro do ramo de TVs pagas, e poderá incluí-la definitivamente com uma modalidade de TV por assinatura. Hoje, as TVAs têm uma natureza híbrida, podendo transmitir 45% de sua programação em rede aberta. Esses canais funcionam em UHF.

Tecnologias recentes, como o DVB-H e o MediaFLO permitem a cisão de um canal de 6 MHz em até 13 canais portáteis, aspecto que tem atraído os detentores das licenças de TVA. Minassinan e Pinto Martins confirmaram a existência de empresas com planos para iniciar essa nova oferta em caráter experimental. Mas o superintendente da Anatel optou por aguardar uma definição mais concreta sobre a reforma antes de liberar os testes das empresas. A precaução é para que a oferta alternativa não vire um fato consumado. Um ponto pacífico sobre o novo regulamento é que ele não deverá ter indicações sobre a escolha tecnológica das TVAs. "Não estou entrando na tecnologia. A ideia da Anatel é deixar o regulamento mais leve e não engessá-lo", explicou o superintendente.

Dúvidas

A principal dúvida sobre a mudança está relacionada com o direito de transmissão parcial em rede aberta, garantido pela norma em vigor desde 1988. O ponto é sensível pois, uma definição sobre a manutenção do modelo atual com relação a este aspecto pode afetar drasticamente a opção pela multiprogramação, necessária para validar a cisão do canal em canais portáteis.

Por enquanto, o entendimento é que não existe problemas de as TVAs fazerem multiprogramação, já que elas são empresas de telecomunicações e não de radiodifusão. O limite a apenas um canal, que tem impedido o uso do recurso pelas emissoras comerciais de TV, estaria somente no âmbito das radiodifusoras. Acontece que a natureza híbrida do TVA pode colocar esta tese em xeque caso o governo decida manter a possibilidade de veiculação de metade da programação de forma aberta. Neste caso, a operação poderia ter características de radiodifusão e cair na limitação sobre o uso dos múltiplos canais.

Segundo Pinto Martins, a definição sobre a transmissão aberta é o ponto que ainda está sendo ajustado com a Anatel nas negociações. A partir de uma conclusão sobre este aspecto, o Minicom poderá avaliar se as empresas poderão de fato usar a multiprogramação para a oferta de canais portáteis. 

Costa condiciona recursos do Fistel para EBC a mais verba para fiscalização

O uso de parte dos recursos do Fistel (Fundo de Fiscalização de Telecomunicações) para o financiamento do TV pública tem o apoio do ministro das Comunicações, Hélio Costa, desde que sejam aumentados os recursos destinados para a sua finalidade principal. “Sempre defendi o uso dos recursos do fundo para aumentar a fiscalização, mas ainda não consegui isso”, lamentou.

O remanejamento de 10% do Fistel para a Contribuição da Radiodifusão Pública, previsto na lei que criou a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) está sendo contestado na justiça pelas operadoras de telefonia. O Sindetelbrasil entrou com ação no Tribunal Regional Federal contra o repasse, que deveria ter sido feito na sexta-feira passada, com pedido de liminar.

A juíza do caso, determinou na sexta-feira que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), órgão responsável pelo recolhimento dos recursos, explique esse repasse no prazo de 72 horas. Somente depois disso irá decidir sobre a concessão ou não de liminar para as operadoras. As operadoras recolheram os valores em juízo.

O presidente da Telefônica e da Telebrasil (Associação Brasileira de Telecomunicações), Antonio Carlos Valente e o presidente da Abrafix (Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado), José Pauletti, disseram hoje que não são contra a TV pública, mas taxam de ilegal o remanejamento de parte do fundo para financiar outra coisa que não seja a fiscalização do setor.

“Esta é a primeira vez que se pega diretamente dinheiro do Fistel para em outra finalidade”, disse Valente. Pauletti defende a redução das alíquotas do fundo ou que se crie uma superestrutura de fiscalização. Eles, entretanto, acham natural que o governo utilize o excedente do fundo para aumentar o superávit fiscal.

As contribuições das operadoras de telefonia para o Fistel chegam a mais de R$ 2 bilhões ao ano, enquanto os recursos destinados à Anatel não passam de R$ 300 milhões. As prestadoras móveis pagam a maior parte do valor total do fundo.

Costa quer faixa do espectro para banda larga em escolas rurais

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse nessa segunda-feira (1) que está preparando uma portaria para recomendar à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) a destinação da frequência de 450 MHz para a telefonia rural, por meio de tecnologia sem-fio. A licitação para levar o serviço de voz e banda larga ao meio rural deve ser realizada ainda este ano e, entre as propostas em estudo, está a definição de preços mais acessíveis das licenças, em troca da conexão de mais de 80 mil escolas rurais. “A idéia é fazer algo semelhante ao programa Banda Larga nas Escolas, que está conectando 55 mil escolas públicas urbanas, para a área rural”, enfatizou.

“Nós precisamos de políticas públicas para atendimento da área rural nesse setor e a freqüência de 450 MHz é adequada para áreas de baixa densidade demográfica”, disse o ministro. A faixa é uma banda de 20 MHz, mas que não está totalmente disponível hoje. A licitação deve ser destinada para operadoras móveis e fixas, com utilização de antenas com capacidade de cobertura de 50 km.

A intenção do Minicom é que o prazo para conexão das escolas rurais seja de cinco anos. “Mais ainda temos que levantar os volumes de financiamentos necessários para cobrir todo o país com essa frequência”, disse o secretário de Telecomunicações do ministério, Roberto Pinto Martins.

A medida irá beneficiar cerca de 20% da população brasileira que mora na zona rural. “Tudo o que está construído hoje é para atendimento das áreas urbanas. O 2,5 GHz e o 3,5 GHz são para atender as áreas urbanas, até a parte rural que é atendida hoje pelo celular, é ligando de uma cidade a outra, e área rural só pega a rebarba”, disse Martins.

A UIT (União Internacional de Telecomunicações) recomenda o uso da freqüência de 450 MHz para 3G. “Mas cada país pode usar como quiser”, defende Martins. Ele disse que a zona rural é atendida hoje por satélite, porém a conexão é cara e inacessível para a população de baixa renda e até para pequenos produtores agrícolas. "Com a licitação, esses moradores poderão ter até celular pré-pago", disse.

O ministro Hélio Costa está reunido agora com o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, para tratar desse assunto e da data da posse do novo conselheiro da agência, João Rezende.

Outorga de TV a sindicatos gera polêmica entre entidades

A concessão de uma emissora de TV educativa, no município de São Caetano, em São Paulo, destinada a Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho, entidade ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, dividiu opiniões nos mais diferentes espaços de debate da área e em meios de comunicação. A outorga, assinada pelo presidente Lula e pelo ministro das comunicações Hélio Costa, foi anunciada nas comemorações de 50 anos do sindicado, no último dia 12 de maio.

Junto a esta licença, a Fundação também foi contemplada com mais uma rádio, em Mogi das Cruzes, também em São Paulo. Para se tornarem efetivas, elas precisam ainda passar por aprovação do Congresso Nacional, como prevê o artigo 223 da Constituição Federal, para só depois serem legalizadas e entrarem no ar.

Esta não é a primeira outorga dada à Fundação, que já é concessionária de outros dois veículos, nas cidades de Mogi das Cruzes e São Vicente. A entidade foi criada em 1991 e é dirigida por um conselho composto por 40 membros, todos voluntários, que representam diversas categorias de sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), como os Metalúrgicos e Químicos do ABC, Bancários de São Paulo e do ABC, Petroleiros, Professores e Jornalistas de São Paulo, organizações de trabalhadores dentre as mais estruturadas do país.

Exemplo é o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, uma das maiores organizações sindicais do país. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, atualmente ele têm uma base de 98 mil trabalhadores em quatro das sete cidades do ABC (São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), com mais de 75% dos trabalhadores sindicalizados.

Ampliação da pluralidade

Para Antônio Biondi, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, a concessão de veículos de radiodifusão às representações de trabalhadores é uma importante iniciativa e merece ser ampliada.

“Garantir o acesso de entidades da sociedade, e dos trabalhadores em específico, é algo que deve ser saudado, por fortalecer a diversidade e a pluralidade na mídia. No Brasil, o acesso desses grupos aos meios de comunicação enfrenta diversas resistências e dificuldades, e sabemos que idéias bastante difundidas em outros países, como o direito de antena, têm pouquíssimo espaço para acontecer no Brasil.”

Biondi completa ainda que a medida vem ao encontro do acúmulo histórico que o sindicato tem em relação à comunicação. “Os Metalúrgicos do ABC utilizam, há muitos anos, a comunicação como um meio e fim para fortalecer suas lutas por uma sociedade melhor, por uma vida melhor para seus associados”, conclui.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e presidente interino da Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho, Rafael Marques, a iniciativa implantar uma emissora de TV por trabalhadores está ligada a um projeto que visa democratizar a opinião expressa pela mídia. “Como atualmente a opinião pública é um processo de dominação dos grandes conglomerados de mídia. Então diversificar o controle dos processos de produção intelectual de mídia é fundamental e nosso interesse é dar voz aos trabalhadores”, explica.

Marques diz ainda que a programação da emissora colocará o trabalho como centro do modo de vida de uma sociedade. Seja em local de trabalho, na comunidade, na escola ou na vida familiar. Ele diz que uma das prioridades da Fundação será “cobrir as lutas dos trabalhadores brasileiros e uma produção cultural de raiz com a descoberta e/ou redescoberta de talentos para a comunicação”.

O sindicalista adiante ainda que “além de produção própria, a Fundação deverá também trabalhar com produtoras independentes”. Com outros veículos que não dependem de concessão pública, como jornais, o dirigente adianta que a relação será “de parceria e pautada pelos interesses editoriais comprometidos com a construção de um modelo democrático e participativo de comunicação”.

Críticas

O fato de o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista ter sido o berço político do presidente Lula, deu espaço a rumores de que haveria algum tipo privilégio por parte do presidente. O jornalista Alberto Dines, em comentário para o programa radiofônico do Observatório da Imprensa colocou o fato no mesmo patamar das concessões para políticos e igreja das concessões. Para Dines, “apesar do concessionário ser um sindicato de trabalhadores, o ato não se diferencia das centenas de licenças para emissoras de rádio e TV outorgadas ou renovadas periodicamente em benefício de deputados, senadores ou de seus laranjas e apaniguados”.

O sistema é o mesmo, completa o jornalista, “equivocado e irregular”. “Ignora a isonomia, o pluralismo, ignora principalmente a necessidade de estabelecer uma política capaz de regular definitivamente as concessões de radiodifusão. Dá no mesmo oferecer uma TV educativa a um sindicato ou ao dono de um curral eleitoral no interior. Ambos constituem privilégios”, sublinha.

Projetos opostos

Antônio Biondi, por sua vez, diz que para a medida não ser questionada como favorecimento ou algo assim – e por ser o mais interessante e correto a se fazer mesmo – a iniciativa deve se ampliar, a fim de não ficar restrita a este ou àquele grupo. “Este, a meu ver, é um dos caminhos que podem contribuir na batalha pela democratização da comunicação no Brasil e pela efetivação do direito à comunicação em nosso país.”

Questionado sobre as críticas que foram feitas à concessão outorgada pelo presidente Lula, Rafael Marques, diz que isso expressa o modelo concentrador da mídia e especialmente a luta de classes. Marques acredita também que a maioria das criticas partiu da Folha de São Paulo. “Eles foram implacáveis desde o conhecimento da concessão”, denuncia o presidente da Fundação.

“Para eles os trabalhadores através de suas entidades são ameaçadas ao projeto que representa, ou seja – do estado mínimo, das privatizações, do preconceito de classe, da submissão internacional (Área de Livre Comércio da Américas)”, conclui. Ainda segundo informações do sindicalista, a emissora vai funcionar com direção de um Conselho composto por representantes de diversas entidades, como requer a gestão das emissoras educativas.