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Anatel prevê leilão de licenças para a 3G ainda este ano

O leilão de licenças para a terceira geração da telefonia móvel (3G) está na agenda da Anatel neste ano e, pela primeira vez em disputas desse gênero no país, deverá conceder incentivos às empresas que se comprometerem a oferecer uma cobertura mais abrangente.

Em vez de reverter para a União os milhões de reais que desembolsarem na aquisição das freqüências (como geralmente ocorre nos processos de leilões e licitações no Brasil), as operadoras vitoriosas poderão abater os valores à medida que fizerem investimentos para expandir a rede 3G para áreas remotas. O objetivo da agência é fazer com que não apenas as regiões mais nobres tenham acesso à tecnologia. O mecanismo é chamado de 'sanção premial'.

De acordo com o conselheiro da Anatel José Leite Pereira Filho, o leilão de 3G é uma prioridade para a agência neste ano. 'A terceira geração é uma necessidade e já existem estudos aprofundados de como ela deve ser.'

Sob o mecanismo da 'sanção premial', as empresas participantes farão suas propostas financeiras. No lugar de pagar no ato, quem vencer apresentará uma espécie de caução bancária, que só serádescontada se a operadora não implementar determinados projetos. 'Quanto mais ela investir na cobertura da rede, menor será o desconto dessa garantia', explicou. A medida visa proporcionar um atrativo para que as operadoras de celular disseminem a tecnologia de terceira geração, que proporcionaserviços de voz e de banda larga móvel.

Hoje, 42% dos municípios brasileiros não têm cobertura de celular. Nessas localidades vivem 10% da população do país. As operadoras aumentaram significativamente suas redes nos últimos anos, mas alegam ser inviável investir em cidadesmuito pequenas, pois o retorno financeiro não compensa.

Na legislação do setor de telecomunicações, a telefonia móvel é considerada um serviço privado. As operadoras não têm de cumprir metas de universalização, diferentemente das concessionárias de telefonia fixa, consideradas prestadoras de serviço público.

Para as empresas de celular, a 'sanção premial' também pode ser vantajosa na racionalização dos investimentos. No início da década, operadoras européias desembolsaram bilhões de euros para adquirir freqüências para a 3G. A expectativade que haveria uma demanda explosiva levou às alturas os valores das autorizações, mas o interesse dos assinantes não foi tão grande assim. As companhias enfrentaram dificuldades financeiras e viram-se sem caixa para fazer gastos maciços em infra-estrutura. Somente nos últimos três anos a implementação das redes intensificou-se no continente.

Além da 'sanção premial', a Anatel estuda adotar uma rede única para todas as operadoras explorarem a 3G em cidades pequenas. 'É uma idéia ainda embrionária', disse Leite, em um seminário, na semana passada. Para o conselheiro, é pouco factível a proposta de uma única rede compartilhada nacionalmente pelas teles, como tem defendido o presidente da Vivo, Roberto Lima.

Ministro diz querer saber se TV Gospel cumpre papel educativo

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse que está sendo examinado o pedido da Fundação Evangélica Trindade, da Igreja Renascer em Cristo, para renovação da concessão da TV Gospel, canal 53, de São Paulo. Por se tratar de uma concessão de TV educativa, ele diz que quer saber se a emissora cumpre o papel educativo determinado pela legislação. ''Minha preocupação não está no vínculo da fundação com a igreja, mas no fato de se tratar de uma emissora educativa', afirmou.

A concessão, por 15 anos, renováveis, foi dada à fundação em 1988, no governo José Sarney (1985-1989). Segundo o ministro, a entidade pediu a renovação com a concessão vencida, o que tem de ser levado em consideração pelo ministério. Costa disse que tem recebido denúncias sobre a existência de empresas que compraram concessões para revendê-las no mercado, fazendo as licitações públicas de balcão de negócios.

Para burlar a legislação, que proíbe a venda das emissoras antes de concluir cinco anos de seu funcionamento, a venda é feita por contratos de gaveta. ''O mais difícil é descobrir quem está por trás das empresas', afirmou Hélio Costa. ''Quando constatamos uma transferência ilegal, a tramitação do processo de concessão é suspensa. Mas falta pessoal para examinar os contratos', diz. Segundo Costa, há uma comissão interna examinando os casos suspeitos, mas ela precisaria de mais funcionários para se debruçar sobre os processos. Ele disse que até 2002 o ministério tinha escritórios nos Estados que faziam avaliação preliminar dos contratos antes de encaminhá-los para Brasília.

Afirmou que há 40 mil processos de transferência de cotas de emissoras para serem examinados na pasta, e alguns estão lá há mais de dez anos. Questionado sobre o fato de continuar em tramitação processos de concessão de outorgas aprovados há mais de dois anos pelo Congresso, quando os editais de licitação estipulavam prazo máximo de dois meses, Costa disse que a legislação de radiodifusão não estabelece prazo fixo parao ministro. Na avaliação dele, o edital não poderia extrapolar a lei.

Uma capital digital sem fio

 

O certificado que a estudante Natascha Costa mostra é um dos primeiros resultados do projeto que vai cobrir Porto Alegre com redes sem fio de acesso à Internet. Até o final do ano, a prefeitura vai interligar todas as escolas municipais por redes wireless (sem fio), capazes de fornecer acesso em alta velocidade à Internet, realizar chamadas telefônicas e teleconferências.

Com o projeto Porto Alegre Digital, a Capital será a primeira grande cidade brasileira a ter redes sem fio alcançando todo o território, para conectar a administração do município. Na Restinga, bairro de Natascha, a tecnologia está sendo implantada desde o final do ano passado – a Internet sem fio chega a 23 pontos, dando acesso rápido a escolas, postos de saúde, órgãos administrativos e pontos de uso público como o espaço Cibernarium, onde a menina fez um curso de informática básica. – Aprendi a salvar arquivos nas pastas, usar o editor de texto, o Excel – conta Natascha, de 15 anos.

A razão pela qual ela não cita a Internet – é um dos conteúdos previstos no curso gratuito oferecido no espaço – é que a web está na rotina de Natascha. No colégio, os professores pedem pesquisas, e nas lan houses a adolescência exige uma olhadinha diária na sua página do Orkut. – É bom para fazer amigos, já tenho 95 no meu perfil – conta ela. É por isso que, apesar da Internet sem fio no Cibernarium ser rápida, o instrutor Luciano Rodrigues tem de desligá-la durante as etapas do curso que ensinam a mexer no Windows, no editor de textos e nas planilhas eletrônicas.

Com acesso livre à web, os alunos só pensam em navegar. Concentrado na tarefa durante a aula de Word, Makaliston Freitag, 14 anos, diz ter feito várias pesquisas para as aulas de História e Geografia no ano passado, usando inclusive o Google Earth – programa que mostra imagens de satélite do mundo. – Esses cursos servem para a gente se aprimorar – conta. Além do Cibernarium e das escolas, postos de saúde da Restinga também tiveram instalada Internet sem fio. A idéia é permitir algumas aplicações de telemedicina – um médico do posto pode acessar pelo computador um exame feito na Santa Casa, a cerca de 25 quilômetros dali, eliminando a necessidade de o paciente ir novamente ao centro da cidade buscar o resultado.

Para a comunidade, o acesso à tecnologia é cada vez mais fundamental, conta Evandro Guimarães, monitor do telecentro instalado na associação do bairro. Durante o ano letivo, os computadores com acesso grátis à Internet ficam cheios, principalmente com jovens. A estrutura, porém, precisa melhorar: na semana passada, havia duas máquinas estragadas, e as outras têm vários anos de uso, segundo Guimarães. – Os jovens usam para ocolégio e para conversar pelo MSN, olhar o e-mail. Os adultos agora estão aproveitando o sistema para serviços como matrículas de supletivo e cadastro no INSS – conta o monitor.

Sardenberg é indicado para o Conselho Diretor da Anatel

O Diário Oficial da União desta sexta-feira, 9, publicou a indicação para apreciação do Senado Federal do nome do embaixador Ronaldo Sardenberg para fazer parte do Conselho Diretor da Anatel. A mensagem da Presidência da República tem a data de ontem.

O embaixador foi uma indicação pessoal do presidente Lula. De acordo com informações de fontes próximas ao ministro das Comunicações, falta a indicação de Domingos Bedran, atual procurador da Anatel, para completar o conselho da agência. Os indicados devem ter seus nomes aprovados pela comissão de infra-estrutura do Senado e também pelo plenário da Casa.

Tecnologia é aposta para ‘democratizar’ a televisão

 

No segundo governo Lula, o PT quer acelerar seus planos para uma ampla reforma da comunicação de massa, exposta na resolução aprovada pelo Diretório Nacional sábado. A idéia é aproveitar a revolução tecnológica, especialmente a TV digital, para introduzir concorrência no que considera monopólio privado, conservador e prejudicial ao País. O debate ganhou força após a crise do mensalão, na qual o partido se considerou alvo de uma campanha injusta da mídia para desmoralizá-lo e derrotar Lula na eleição.

“A TV digital seria uma forma de quebrar o poder do monopólio, sem medidas administrativas”, disse um articulador petista. Segundo ele, o tema une o PT desde o Campo Majoritário, moderado, até a “extrema canhota”. Para o deputado Jilmar Tatto (SP), terceiro vice-presidente do partido e do moderado PT de Lutas e de Massas, “a TV digital permite um debate com outra configuração.”

Nas prioridades, destaca-se a idéia de criar uma rede pública de TV no modelo da BBC britânica, caracterizada pela gestão pública, mas com independência editorial em relação a governos. A comissão política do PT já discutiu o assunto com Lula. A proposta integra o pacote de um “plano nacional de comunicação”, ainda em preparação.

A resolução petista esboça um programa para o setor. “A democratização do País supõe a democratização da comunicação. Estruturas públicas democráticas de comunicação são fundamentais para superar o monopólio privado.” O texto pede uma “conferência nacional de comunicação”, com todos os setores envolvidos, e inclui “a construção de um sistema público de rádio e TV” entre as propostas de curto e médio prazo.

“Uma TV pública precisa ter espaço para movimentos sociais e manifestações culturais. Ninguém quer fazer proselitismo”, disseo deputado estadual gaúcho Raul Pont, da tendência de esquerda Democracia Socialista. “Não queremos que essa TV dê notícia a favor do governo nem faça propaganda do PT, mas achamos que atualmente a cobertura é muito parcial e unilateral. O País precisa ter canais de comunicação de massaque sejam públicos.”

Tatto foi irônico. “Em vez de pôr ‘Paquitas’ na programação, vamos discutir a cultura brasileira. Isso não é debate ideológico.”