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Organizações protestam contra decisão do STJ

Em tom de protesto e indignação, organizações de direitos humanos e defensores dos direitos da criança e do adolescente responderam, hoje, à suspensão da validade da portaria 264/07, do Ministério da Justiça, que estabelece a nova Classificação Indicativa para programas de TV. A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em favor da ação movida pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) foi qualificada como equivocada e decepcionante.

O despacho do ministro João Otávio de Noronha, concedendo a suspensão do efeito da portaria em caráter liminar, reconhece como válido o argumento da Abert de que a classificação seria restritiva e não indicativa. Segundo a associação, artigos da legislação vigente vinculam o horário de exibição de um programa à idade recomendada, o que equivaleria a uma proibição de exibição. O argumento aceito pelo ministro é de que isso caracterizaria uma intromissão do Estado na liberdade das emissoras de definir sua programação.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em nota oficial, afirma que a decisão “dá às empresas do setor, ainda que provisoriamente, o privilégio de estar acima das normas e princípios constitucionais que garantem a proteção da criança e do adolescente”.


Na mesma linha, a Campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, também em nota pública, afirma que a decisão dá “carta branca” para o “vale tudo” na televisão brasileira.


Para Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) e coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, a liminar representa um retrocesso para todo o processo de discussão sobre a classificação e, especialmente, na proteção dos direitos da criança e do adolescente.


Proteção, não censura


Em todas as manifestações, organizações e ativistas ressaltam que a classificação, em hipótese alguma, pode ser confundida com censura, como aponta implicitamente o argumento da Abert aceito pelo STJ. A Comissão da Câmara lembra que a portaria 264 “foi um processo que incluiu ampla consulta à sociedade civil e órgãos do poder público, estudos comparativos com outras legislações e aplicação de conhecimento científico multidisciplinar”.


Para o coordenador do MNDH, é importante ainda ressaltar que a regulamentação responde ao princípio constitucional da proteção integral aos direitos da criança e do adolescente. “O que significa protegê-los de conteúdos com violência, pornografia e outros temas inadequados para pessoas em condições específicas de desenvolvimento”, ressalta.


Questões judiciais

A liminar do STJ surge poucos dias antes da Portaria 264 entrar
em vigor. Publicada em fevereiro, a nova regulamentação previa o prazo de 90 dias para que as emissoras ajustassem sua programação às novas normas.


Porém, ainda antes de recorrer ao STJ, a Abert já movia uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a portaria que antecedia a 264. Durante as negociações para a nova regulamentação, o grupo de trabalho do Ministério da Justiça decidiu manter o princípio da restrição de horário como na legislação anterior, negociando com a Abert que a constitucionalidade da questão fosse decidida no processo do STF.

Por esta razão, tanto a comissão da Câmara como as organizações ligadas à campanha condenaram a manobra da Abert de entrar com um novo processo no STJ na espectativa de que este se manifestasse antes da entrada em vigor da nova portaria. O que, de fato, ocorreu.


O diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do MJ, José Eduardo Romão, também repudiou a manobra. “Estamos estudando qual a melhor forma de recorrer da decisão, se no STJ ou no STF, o que faremos nos próximos dias. Mas é certo que vamos vencer essa disputa na Justiça, porque o debate público provou que a sociedade é favorável à Classificação Indicativa. O debate no STF é aquele que consideramos central, pois dá a relevância necessária à questão.”

 

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Hélio Costa se compromete com gestão participativa

Em audiência realizada ontem (24), em Brasília, entidades que defendem a democratização dos meios de comunicação apresentaram uma pauta de reivindicações ao ministro das Comunicações, Hélio Costa. O principal pedido do grupo foi a abertura do Ministério a uma maior participação da sociedade civil. Constavam também da pauta questões como as concessões de radiodifusão, digitalização do rádio, televisão pública e inclusão digital.

As entidades também defenderam maior participação no processo de elaboração do anteprojeto de Lei Geral das Comunicações em curso no governo federal. Costa respondeu que há disposição do governo para isso, mas que os diversos ministérios envolvidos na construção da proposta ainda estão negociando para chegar a um texto consensual a ser submetido à sociedade.

O ministro enfatizou, no entanto, que o principal debate deverá ser feito no Congresso, principalmente pelo fato de já haver projetos de lei sobre o tema em discussão na Comissão de Ciência e Tecnologia. Em relação à realização de uma Conferência Nacional das Comunicações, as entidades ouviram do ministro Hélio Costa a informação de que já há um forte movimento no sentido da realização do evento, que inclusive já tem previsão de data (agosto deste ano).

Segundo Rosane Bertotti, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e presente na audiência, a realização de uma conferência é fundamental, mas o evento deve zelar pelo processo, com etapas estaduais e regionais preparatórias à nacional. Já Edison Lima, da Fittel (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações), é importante que o ministro tenha se comprometido publicamente com a realização da Conferência. “Precisamos divulgar amplamente esta informação para que a sociedade possa cobrar mais adiante”, diz.

Em relação à discussão sobre a digitalização do rádio, as entidades defenderam a ampliação das vagas no conselho consultivo criado para debater o tema para organizações não-ligadas ao governo e ao mercado. A proposta recebeu aceno positivo por parte do ministro. Foi defendida também a criação de um Sistema Brasileiro de Rádio Digital, a exemplo do procedimento adotado na televisão digital. Hélio Costa admitiu que o rádio foi tratado como uma mídia menor, mas não se manifestou em relação à proposta, destacando que a adoção da tecnologia digital pelo rádio já está em processo avançado e não pode esperar mais do que dois anos.

Na avaliação de Gustavo Gindre, do Coletivo Intervozes e também presente na reunião, a pressa é uma forma de consumar a definição pelo padrão norte-americano IBOC (In Band on Channel ) a partir dos testes que já estão em andamento em 19 rádios espalhadas pelo país. “Novamente não há razões concretas para a pressa em definir a configuração do Rádio Digital, ainda mais quando o IBOC vem apresentando riscos sérios pelos altos custos e pela possível concentração na ocupação do espectro”, diz. A avaliação de Gindre foi confirmada pelo fato de o ministro ter informado que já teria sugerido aos responsáveis pelo padrão a assinatura de um termo de compromisso semelhante ao feito com os japoneses meses antes de sacramentar a adoção de sua tecnologia para a TV Digital.

Também consta da pauta de reivindicações entregue ao ministro a expansão vigorosa da política de conectividade do governo, inclusive com a utilização dos recursos do Fundo de Universalização de Serviços de Telecomunicações (FUST) sob a gestão de um conselho participativo nos moldes de outros fundos. Assessores de Costa presentes ao encontro afirmaram que o Ministério está discutindo com o governo projetos de utilização da verba do fundo e disseram que seria possível atender à reivindicação, sem, no entanto, se comprometer com a inclusão da proposta.

Compromissos assumidos

Entre os compromissos assumidos pelo ministro Hélio Costa estão a reserva de vagas para entidades da sociedade civil no Conselho Consultivo que será criado para discutir o marco regulatório do setor; a realização da Conferência Nacional das Comunicações; a participação das entidades presentes à audiência no Conselho Consultivo de Rádio Digital; a não cobrança de royalty pela empresa que poderá vir a licenciar o uso da tecnologia de rádio digital no Brasil; e a garantia de que um dos canais de TV digital a ser utilizado pelo poder público será designado a entidades comunitárias em cada cidade brasileira.

Ao final, o ministro e os representantes das entidades assumiram o compromisso de agendar novos encontros para debater de maneira mais aprofundada os assuntos da pauta bem como novos temas que surgirem. Estiveram presentes à audiência representantes do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social; do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC); da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço); da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc); da Campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania e da Fittel/CUT. Além destas, também assinam o documento com a pauta de reivindicações a Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital e a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos).

Clique aqui e confira a pauta de reivindicações da sociedade civil entregue ao ministro Hélio Costa.


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autorizada a reprodução, desde que citada a fonte. 

Aneel discute regular web por rede elétrica

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) promoverá debates com especialistas no assunto em Brasília, nos dias 3 e 4 de maio. Participarão do evento pesquisadores brasileiros e estrangeiros para falar de suas experiências com a tecnologia chamada de Power Line Communications (PLC).

A PLC baseia-se na instalação de um cabo de fibra ótica que leve a conexão de internet até uma subestação de energia. A partir daí, a distribuição do sinal ocorre usando o cabeamento elétrico. O sinal web trafega em média tensão pela rede elétrica e amplificadores instalados a cada 500 metros garantem a manutenção da qualidade do sinal ao longo da rede.

A principal vantagem da tecnologia é permitir a criação de redes de internet usando a infra-estrutura já existente das redes elétricas. De acordo com a Aneel, a PLC poderia ampliar fortemente os projetos de inclusão digital no interior do Brasil.

Embora ainda não seja explorada comercialmente, a PLC é testada por empresas de energia no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.

Este mês, o Ministério das Comunicações anunciou uma experiência piloto que vai distribuir sinal de internet em 150 pontos de acesso na cidade de Barreirinhas, no Maranhão. A distribuição será por PLC e será custeada pela Eletrobrás.

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Inscrições para o I Fórum de TVs Públicas abertas até o dia 2 de maio

Estão abertas as inscrições para o I Fórum Nacional de TVs Públicas, que acontecerá de 8 a 11 de maio, em Brasília. Serão três modalidades de participação: convidados, participantes inscritos e participantes remotos. As inscrições vão até o dia 2 de maio.

Ao todo, 250 pessoas foram convidadas pela organização do evento. Nesse grupo estão as pessoas e organizações que participaram das etapas anteriores do fórum (diagnóstico e grupo de trabalho), representantes das entidades do campo público de televisão, autoridades dos três poderes da República e organizações da sociedade civil cuja contribuição para a comunicação e cultura é notória.

Os participantes inscritos também somarão 250 pessoas. Estes terão acesso ao segundo salão do fórum, em Brasília, e estarão conectadas à plenária principal por meio de vídeo conferência. As vagas serão preenchidas até o dia 2/5 por meio de inscrição direta pela internet [clique aqui para se inscrever]. As vagas são limitadas e critérios de seleção serão utilizados em caso de necessidade. As associações das TVs do Campo Público (Abepec, Astral, Abtu e AbcCom) estão fazendo o pré-cadastro de 20 participantes por entidade.

A “participação remota” também está prevista e vai possibilitar aos que não estiverem em Brasília no período também possam acompanhar o fórum. Quem tiver interesse em montar um grupo de acompanhamento remoto em sua instituição ou participar de um em sua cidade deve conseguir um televisor, uma parabólica e um computador: a parabólica, para receber o sinal gratuito de satélite, que será operado pela Radiobrás [clique aqui para ver as especificações técnicas para sintonizar o sinal], a televisão para transmitir os debates e o computador para que você possa se manifestar no ambiente interativo que o Fórum está criando.

O evento também terá um ambiente interativo na internet, com transmissão ao vivo dos debates e mecanismos para que o cidadão possa se integrar às discussões.

Maiores informações no endereço http://www.cultura.gov.br/forumtvspublicas/ .

 

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BNDES assina primeiro financiamento do Programa de Apoio à Cadeia Audiovisual

O BNDES e a Quanta assinaram nesta terça, 24, contrato de financiamento no valor de R$ 7 milhões. O valor será usado para que a empresa termine a construção de um complexo cinematográfico na Vila Leopoldina, em São Paulo. Trata-se do primeiro projeto de investimento do Programa de Apoio à Cadeia Audiovisual – Procult, que conta com orçamento de R$ 175 milhões para investimento em produção, distribuição e comercialização, exibição e serviços de infra-estrutura, até o final de 2008.

Os recursos investidos pelo banco no projeto equivalem a 43% do valor total do projeto, que está sendo construído em uma área de 13 mil metros quadrados e terá 9 mil metros quadrados de área construída, quando acabado. 

Procult 

No evento da Quanta, o BNDES fez ainda várias explanações sobre a linha voltada ao audiovisual. O evento contou com a presença do assessor da presidência do banco para assuntos de cultura, Sérgio Sá Leitão; a chefe do departamento de economia da cultura, Luciane Gorgulho; e o gerente para investimentos no setor cultural, Luis André As D'Oliveira. Participaram ainda o secretário do audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, além de Manoel Rangel e Leopoldo Nunes, presidente e diretor da Ancine, respectivamente.


Uma nova apresentação da linha crédito ao audiovisual será feita pela equipe do BNDES no 8º Forum Brasil – Mercado Internacional de Televisão, que acontece nos dias 30 e 31 de maio, em São Paulo. Além desta linha, o BNDES apresentará ainda o ProTVD, voltado ao financiamento para a digitalização da televisão, contando com linhas voltadas para a infra-estrutura e para o conteúdo.

 

Academia de Filmes


No evento, produzido em um dos estúdios do complexo em construção, Paulo Schmidt, da Academia de Filmes, aproveitou para formalizar o pedido de um financiamento semelhante, e entregar a documentação pedida pelo BNDES para análise da proposta. A Academia de Filmes comprou um terreno de 12 mil metros quadrados, também na Vila Leopoldina, com uma antiga fábrica. A próxima etapa é a adequação das construções para que possam receber a sede da produtora e os estúdios.

Trata-se de um projeto de R$ 30 milhões, contou Paulo Schmidt a este noticiário, e que deve levar cinco anos para estar concretizado. "Em seis meses, queremos concentrar as operações de todas as empresas do Grupo Academia na nova sede, com os escritórios e a infra-estrutura de pós-produção. Os estúdios devem começar a funcionar em um ano", explica. O projeto engloba ainda os equipamentos de produção e pós-produção, que será todas em alta-definição. Segundo Schmidt, a Academia está pedindo ao BNDES financiamento de "pelo menos R$ 15 milhões". 

Nova empresa 

Outra novidade do grupo é que este deve anunciar, nos próximos 30 dias, uma nova empresa, voltada à produção para novas mídias. A Academia de Filmes já tem, há um ano e meio, uma unidade voltada para esta área, que deve ser transformada em empresa.

 

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