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Projeto estabelece que difundir vírus na internet é crime

Está em trâmite na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o projeto de lei que dispõe sobre os cibercrimes, ou seja, as infrações cometidas por meio “eletrônico ou digital ou similares”. O parecer com substitutivo aos projetos de lei do Senado 76/2000 e 137/2000 e ao projeto delei da Câmara 89/2003 já se encontra em sua oitava versão. O relator e autor do substitutivo é o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

O projeto propõe alterar, entre outros atos normativos, artigos do Código Penal, do Código Penal Militar, do Código Processual Penal e do Código doConsumidor e pretende tipificar atividades criminosas envolvendo não só a Internet, mas também cartões de crédito e telefones celulares.

Os crimes

Dentre as inserções no Código Penal propostas, estão a tipificação dos crimes de “dano por difusão de vírus eletrônico”, “acesso indevido a dispositivo de comunicação”, manipulação indevida de informação eletrônica”, “divulgação de informações depositadas em bancos de dados”, “não guardar dados de conexões e comunicações realizadas”, “permitir o acesso por usuário não identificado e não cadastrado” e “falsificação de telefone celular ou meio de acesso a sistema eletrônico”.

O advogado Omar Kaminski, diretor de Internet do Instituto Brasileiro de Política e Direito da Informática (IBDI) e membro suplente do Comitê Gestor da Internet no Brasil levanta algumas questões sobre a atual versão do substitutivo.

Para o advogado, ao dispor que “não há crime quando a ação do agente é a título de defesa digital”, o projeto propõe a “oficialização do olho por olho na internet”. A “defesa digital”, segundo a lei poderia se dar quando da manipulação de “código malicioso” – o que poderia ser um vírus – a título de “teste de vulnerabilidade” ou “de resposta a ataque”, entre outras possibilidades. “Até quando vai a defesa e começa o contra-ataque?”, questiona Kaminski.

Os provedores

Ainda consta, no artigo 21 da proposta, a lista de obrigações às quais estarão submetidos os provedores de acesso à internet, dentre as quais, a de manter “dados de conexões realizadas por seus equipamentos, aptos à identificação do usuário e dos endereços eletrônicos de origem, da data, do horário de início e término e referência GMT, das conexões, pelo prazo de três anos, para prover os elementos probatórios essenciais de identificação da autoria das conexões na rede de computadores”. Torna também obrigatório o fornecimento de tais dados às autoridades competentes para fins de investigação.

Quanto ao aceso às informações, o relatório do substitutivo explica: “Cumpre lembrar aqui a confusão (ou desinformação) que se estabelece acerca da relação entre liberdade de expressão e anonimato, ambos possíveis na internet (o anonimato representado pela não-identificação ea não autenticação do usuário)”.

“Importante frisar que a própria Constituição Federal determina, no art. 5, inciso IV, que ‘é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato’” lembra o relatório de Azeredo.

A discussão

O relatório menciona diversos pareceres internacionais tomados como parâmetro, dentre eles, a Convenção sobre o Cibercrime, realizada em Budapeste em 23 de novembro de 2001 pelo Conselho da Europa, e ratificada pelo Senado dos EUA. O senador ressalta a “harmonia brasileira com os termos da convenção, entre o que ela recomenda e aquilo que está sendo proposto nos projetos de lei ao qual oferecemos este presente Substitutivo”.

Kaminski atenta, porém, para a maneira velada como as discussões sobre a proposta estão sendo conduzidas atualmente. Ele ressaltou a tentativa de obstrução do acesso dosinteressados à versão mais recente do substitutivo. “Embora louvável a realização de audiências públicas no ano passado, tanto na Câmara quanto no Senado, a proposta acabou virando um ‘frankenstein jurídico’. As discussões interessam a todos os usuários e devem prosseguir de forma maistransparente”, defende.

Segundo a página do Senado os projetos estão prontos para a pauta na CCJ desde 19 de abril, com a apresentação de “relatório reformulado” pelo senador Azeredo.  

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Minicom prepara proposta para impulsionar banda larga nas escolas

O Ministério das Comunicações está preparando uma proposta para tentar convencer o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão que reúne os secretários da Fazenda estaduais, de que os Estados podem desonerar o ICMS, sem perder receita, e ajudar a acelerar a implantação de conexões em banda larga nas escolas públicas estaduais. A informação foi dada nesta quarta-feira, 9, pelo secretário de telecomunicações da pasta, Roberto Pinto Martins, durante a apresentação da quinta edição do Barômetro Cisco de Banda Larga, em São Paulo.

A proposta, segundo o secretário, visa atrair os Estados a participar da nova etapa do programa Gesac (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão), que vai ampliar os atuais 3,3 mil pontos de acesso espalhados por todo o Brasil para 20 mil pontos de conexão nos próximos quatro anos. Desse montante, metade será destinada à conexão à internet banda larga de 10 mil escolas públicas de ensino médio e profissionalizante.

A idéia, de acordo com Martins, é usar um mecanismo parecido com o do programa de inclusão digital "Computador Para Todos", no qual a redução da arrecadação teve como contrapartida o crescimento da produção de PCs. O secretário informou que ainda não há percentuais definidos para a possível redução de impostos, mas a intenção é que o novo mecanismo seja adotado daqui para frente. A medida visa impulsionar a penetração da banda larga no País, principalmente nas escolas públicas.

O secretário diz que, hoje, os computadores estão presentes em cerca de 20% dos domicílios brasileiros, algo como 10 milhões de residências. Desses, 2,5 milhões não estão conectados à internet e outros 2,5 milhões têm conexão discada. O ministério, segundo Martins, já acertou com as concessionárias de telefonia a oferta de dez horas de conexão por mês, em períodos sem modulação horária, por R$ 7,50. Isso foi feito por meio da substituição de algumas obrigações, como o cumprimento da densidade de telefones de uso público, os chamados orelhões, e da instalação de postos de serviço de telecomunicações (PSTs), pela redução do preço da conexão discada.

Martins, contudo, fez questão de ressaltar que, para ser bem-sucedida, a proposta precisa obter a aprovação dos secretários de Fazenda e a concordância das operadoras de telefonia.

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Mandatos de Bedran e de Sardenberg serão de 5 anos, afirma Costa

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou que o mandato do conselheiro Antonio Domingos Bedran, cujo decreto de nomeação foi publicado hoje, será de cinco anos. Ele disse também que o decreto com a nomeação do embaixador Ronaldo Sardenberg deverá ser publicado em duas semanas, e que também terá o prazode cinco anos.

Havia interpretações de que os dois novos conselheiros iriam ter mandatos menores – de três anos e meio e de quatro anos e meio – porque estariam ocupando as vagas remanescentes dos ex-conselheiros Elifas do Amaral Gurgel, que deixou a agência em novembro de 2005, e Luiz Alberto, que saiu da Anatel em novembro de 2006. Mas, segundo o ministro, há um parecer da Casa Civil da Presidência da República que estabelece que os dirigentes da Anatel assumem a integralidade do mandato estabelecido em lei. Costa afirmou ainda que Sardenberg será nomeado apenas como conselheiroda agência, e não como presidente, já que o mandato do atual presidente, Plinio de Aguiar, só termina em 30 de junho.

Embora circulem informações de que Sardenberg é o preferido do presidente Lula para assumir a presidência da Anatel, Hélio Costa afirmou que ainda não há uma decisão sobre o assunto. A posse de Bedran está marcada para a próxima segunda-feira, em Brasília.

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Reportagem sobre Octavio Frias causa demissão de editor do Meio & Mensagem

SÃO PAULO – O jornalista Costábile Nicoletta, editor-chefe do jornal Meio&Mensagem, especializado em mídia e propaganda, foi demitido nesta segunda-feira (7) após a publicação de uma reportagem sobre a história do publisher da Folha de S. Paulo, Octavio Frias de Oliveira, morto no último dia 29.

O texto, assinado pelo jornalista free-lancer Edgar Olimpio de Souza, relata acusações conhecidas de que Frias colaborou com a Ditadura Militar, seja cedendo à pressão do regime e demitindo jornalistas, seja fornecendo veículos para a Operação Bandeirantes (Oban) – o que o jornal nega até hoje, como informa a própria reportagem.

Em solidariedade a Nicoletta, a redação do M&M divulgou nota pública em que considera “arbitrária e repugnante” a demissão, e decidiu fazer uma greve de 24 horas nesta terça-feira (8). “Nicoletta cometeu o erro de fazer jornalismo”, diz a nota. O temor dos jornalistas é que tenha havido pressão da direção da Folha pela demissão de Nicoletta. O jornal da família Frias é, ao lado do Estadão e do jornal O Globo, um dos anunciantes do M&M, além de manter uma parceria para a realização do Prêmio Folha.

Segundo Nicoletta, a diretora de redação do M&M, Regina Augusta, alegou que o material “não era apropriado para um veículo trade, segmentado”, e o demitiu. “Eu tentei argumentar que o fato de ser veículo do trade não queria dizer que nós devêssemos só publicar matérias favoráveis ao trade, muito menos aos anunciantes. Não era isso o que ela achava”, disse o jornalista. Carta Maior tentou ouvir Regina Augusta, mas o pedido de entrevista não foi atendido.

“Não tenho elementos que comprovem que houve uma pressão da Folha e prefiro acreditar que não tenha ocorrido, porque seria tão ridículo quanto a minha demissão”, disse Nicoletta. A Carta Maior solicitou entrevista à direção da Folha de S. Paulo, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. Nesta quarta (9), haverá uma reunião entre os jornalistas do M&M e a direção do jornal para tentar solucionar o impasse.

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Produção independente ainda tem pouco espaço na TV

Brasília – O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Independentes de Televisão (ABPI-TV), Fernando Dias, avalia que atualmente as produções alternativas ainda possuem pouco espaço a TV pública. Segundo ele, um dos problemas é que as  emissoras públicas, assim como as comerciais, atuam como produtoras e não apenas como difusoras de conteúdo.

“Infelizmente no Brasil, quando a TV pública surgiu, ela surgiu querendo ser uma TV comercial, então ela imitou o sistema da TV comercial de programação”. Outra crítica feita pelo presidente da ABPI-TV é que as TVs públicas disputam verbas públicas com as produtoras independentes. “As TVs públicas também fazem a captação, só que elas vendem mídia, então é lógico que elas saem com um caminhão de vantagens na frente”.

Segundo ele, a parceria com as produtoras independentes também poderá representar economia de recursos para as TVs públicas brasileiras. “Você vai pegar hoje uma televisão que gasta R$ 1 milhão por mês para desenvolver conteúdos, com a produção independente, esse dinheiro pode virar R$ 5 milhões porque o produtor independente pode buscar parceiros para alavancar mais recursos para aquele projeto”, afirmou, em entrevista coletiva no final da manhã.

Sobre a proposta apresentada ontem (8) durante a abertura do fórum pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, de que os produtores independentes fiquem responsáveis por quatro ou cinco horas diárias de programação na rede de TVs públicas, ele disse que “já é o começo”.

“Se a gente conseguir quatro, cinco horas de programação no início de uma televisão a gente já vai ter um sucesso tremendo, a gente está saindo de zero para cinco”, afirmou. Ele acrescentou que a produção independente vai agregar qualidade à televisão, “porque os modelos que existam no resto do mundo possibilitam que a televisão independente consiga inclusive recursos”.

 

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