Arquivo da categoria: Notícias

Microsoft firma acordo com outra fornecedora de Linux

A Microsoft e a distribuidora da plataforma Linux Xandros firmaramum acordo de cooperação baseado em uma série de compromissos técnicos, empresariais, de marketing e propriedade intelectual com o objetivo oferecerem uma melhor interoperabilidade e soluções de gerenciamento para ambientes de sistemas mistos. Para a Xandros, o acordo significa um importante passo em sua estratégia de oferecer soluções para desktops e servidores Linux de ponta a ponta, além de gerenciamento de plataforma cruzada Windows e Linux.

'Os data centers de plataforma cruzada são uma realidade. A fim de atender às necessidades em constante evolução dos clientes, os fornecedores precisam reconhecer o valor de compartilhar a propriedade intelectual, desenvolver soluções mais interoperáveis e fornecer ferramentas de gerenciamento conhecidas e fáceis de usar', explicou Andreas Typaldos, CEO da Xandros.

Para a Microsoft, o acordo é o mais recente de uma série que vem firmando com fornecedores de Linux e softwares de código aberto, como o estabelecido com a Novell, JBoss, XenSource, Samsung Electronics e Zend Technologies. 'Estamos trabalhando com empresas de código aberto para oferecer mais valor aos nossos clientes em áreas como interoperabilidade, gerenciamento de sistemas e formatos de documentos. A Microsoft acredita em todos os modelos de desenvolvimento e licenciamento e estimula os usuários a respeitá-los', disse Bill Hilf, gerente-geral de Platform Strategy da Microsoft.

Nos próximos cinco anos, a Microsoft e a Xandros irão se concentrar em cinco iniciativas principais: interoperabilidade de gerenciamento de sistemas, interoperabilidade de servidor, compatibilidade de documentos, garantia de propriedade intelectual e suporte de vendas e marketing.

 Active Image publicação autorizada.

 

CCJ fará audiência pública antes de votar projeto sobre o assunto

Por meio de um acordo entre os integrantes da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, será realizada audiência pública para tratar de crimes na internet antes que volte à pauta de votações o substitutivo do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) a três projetos de lei que tratam do assunto. O requerimento para a realização da audiência, no entanto, ainda não foi apresentado por nenhum senador, e por isso ainda não há definição a respeito de data e dos convidados para o debate.

A proposição causou polêmica no ano passado porque determinava que o provedor de acesso identificasse os usuários dainternet, medida vista por alguns senadores como risco à liberdade de expressão. Eduardo Azeredo apresentou um novo substitutivo, que chegou a ser posto em votação na reunião da CCJ do último dia 30 de maio, mas a matéria recebeu pedido coletivo de vista e teve, assim, seu exame adiado. Agora, o substitutivo só voltará à pauta da comissão depois de a proposta ser debatida em audiência pública.

No novo substitutivo, o relator acatou emenda supressiva (número 1 na CCJ) apresentada pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). A alteração retira um dos pontos polêmicos do texto, o que trata do conceito de legítima defesa digital. O substitutivo refere-se a três projetos, que tramitam em conjunto e que receberam do relator parecer pela aprovação. Um dos projetos, de autoria do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), aumenta em até o triplo as penas previstas para os crimes contra a pessoa, o patrimônio, a propriedade imaterial ou intelectual, os costumes, a criança e o adolescente, caso tais crimes sejam cometidos com uso de tecnologia da informação ou telecomunicações.

O outro projeto, autoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), tipifica condutas praticadas com o uso dos computadores e lhes atribui penas. O terceiro projeto, autoria do deputado Luiz Piauhylino, altera o Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) e a lei que trata da inviolabilidade do sigilo nas comunicações interpessoais (Lei 9.296/96), a fim de também criar tipos penais para crimes cometidos com a utilização dos sistemas de computador.

Em síntese, explica Eduardo Azeredo em seu texto, o substitutivo altera o Código Penal tipificando o crime de dano por difusão de vírus eletrônico; define o delito de acesso indevido a dispositivo de comunicação; descreve a manipulação indevida de informação eletrônica; conceitua dispositivos de comunicação em sistemas informatizados, identificação de usuário e autenticação de usuário; define o crime de divulgação de informações depositadas em bancos de dados e o delito de 'não guardar dados de conexões e comunicações realizadas', além de tipificar a conduta de 'permitir acesso por usuário não identificado e não autenticado'.

Entre outras modificações, o substitutivo também altera o Código Penal para definir o crime de difusão maliciosa de código; equipararo cartão de crédito ou débito a qualquer dispositivo portátil de armazenamento ou processamento de informações e definir o crime de falsificação de telefone celular ou meio de acesso a sistema eletrônico.

O relator informa ainda que o substitutivo determina que os crimes contra a honra terão a pena aumentada em dois terços se forem cometidos por intermédio de dispositivo de comunicação ou sistema informatizado.

 Active Image publicação autorizada.

 

Governo que rever contratos da Embratel para uso de satélite

O ministro das Comunicações, Hélio Costa afirmou hoje, que vai pedir que a Embratel cumpra o compromisso assumido durante a venda da ex-estatal, para que a banda X, do satélite B1 continue sendo usado pelas Forças Armadas brasileiras sem custo. Costa disse que tão logo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra Dilma Rousseff regressem da viagem ao exterior, o pedido será formalizado.

A proposta foi citada pelo ministro, porque a vida útil do satélite está terminando e ele será substituído pelo C1 e, nessa troca, a empresa quer passar a cobrar pelo uso da banda. Costa salientou que vai discutir com a Embratel a questão do golden share (ação especial com direito a veto) e acrescentou que na próxima semana vai propor ao presidente Lula a criação de uma comissão composta pelo Minicom, Anatel e Ministério da Defesa. “Isso é um compromisso de venda que deve ser discutido e devemos chegar a um bom acordo de utilização do novo satélite”, enfatizou.

O Ministério da Defesa informou que o novo contrato foi assinado com a Embratel, no valor de R$ 12 milhões ao ano para utilização do C1 a partir de julho de 2007 e o C2 a partir de janeiro de 2008. Ao saber da informação, Costa disse que os contratos deverão ser revistos.

 Active Image publicação autorizada.

 

Minicom e teles acertam acordo para banda larga em escolas

O Ministério das Comunicações e as concessionárias de telefonia local acertaram nesta terça, 5, as linhas gerais do acordo que permitirá às teles deixarem de investir nos Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs, que são postos previstos nos contratos de concessão para atendimento da população) e, em seu lugar, levarem banda larga a todas as escolas públicas de todos os municípios brasileiros em um prazo de cinco anos.

O acerto entre governo e teles prevê que elas investirão inicialmente R$ 200 milhões na instalação da infra-estrutura de acesso banda larga a escolas públicas (o total de investimentos com PSTs previsto pelas teles é de R$ 550 milhões, que devem ser revertidos para este novo projeto). Estes recursos serão, depois, complementados com recursos do Fust e dotação orçamentária, de modo que o projeto totalizará R$ 1,4 bilhão. Até os três primeiros anos, todos os municípios estarão cobertos, e 89% dos alunos atendidos com redes banda larga (em velocidades mínimas de 256 kbps). Nos dois anos seguintes, serão atendidas as escolas em regiões de mais difícil acesso e onde há deficiência de infra-estrutura, como estradas e luz. Os custos com esta infra-estrutura básica estão incluídos no projeto, que só não cobre a instalação de computadores. Segundo Costa, serão atendidas 180 mil escolas ao final do projeto.

O ministro explica que os recursos do Fust serão investidos na universalização das redes de transporte (backbones), o que independe de mudanças na lei. Ele diz que proporá ao presidente Lula e à área econômica que se não for possível usar os recursos já acumulados do Fust, que pelo menos o que vier a ser acumulado não seja contingenciado para que possa ser aplicado no projeto.

O que as teles ganham

Da parte das empresas, elas deixam de gastar e manter os PSTs, considerados onerosos e complicados. Isso significará que será necessária uma alteração no contrato de concessão das teles, assim como no Plano Geral de Metas de Universalização, já que os PSTs são um dos itens previstos. Segundo Hélio Costa, esta alteração está sendo acertada com a Anatel e acontecerá apenas nesse ponto. Ou seja, outros aspectos dos contratos não serão alterados.

Deve ser editado esta semana um decreto dando às empresas mais prazo para a instalação dos PSTs, possivelmente alongando até o final do ano as datas limite, justamente para que sejam tomadas as providências necessárias para a implantação do projeto de banda larga nas escolas nesse ínterim.

O cronograma de investimentos previstos é de R$ 840 milhões no primeiro ano, R$ 320 milhões no segundo ano e R$ 270 milhões no terceiro.
Durante os primeiros cinco anos, as teles cuidarão da manutenção e supervisão dos acessos, sem cobrar do governo nenhuma forma de pagamento por eles. Depois disso, diz Hélio Costa, será encontrada uma outra solução, que pode ser articulada com a própria comunidade. Mas em 2010, vale lembrar, os contratos das teles serão novamente revistos, o que pode abrir espaços para ajustes em relação a esta remuneração.

Comunidade

Os PSTs visavam atender as comunidades como um todo. Os acessos em banda larga só serão universalizados para escolas. Como resolver o problema? Segundo Hélio Costa, a idéia é que esses acessos sejam compartilhados também com postos de saúde, delegacias e bibliotecas, e serão buscadas soluções para isso. Uma delas, ele reconhece, pode ser o WiMax. Ele acredita que será possível chegar a um entendimento com a Anatel para que as teles possam oferecer serviços de WiMax para atender a este projeto. Para Hélio Costa, o edital das bandas de 3,5 GHz e 10,5 GHz terá que ser refeito e reiniciado.

Active Image publicação autorizada.

Transmissões começam sem oferta de recursos interativos

Apresentada por membros do governo federal e pesquisadores como uma das características fundamentais da TV digital brasileira, a interatividade não deve sair do papel, pelo menos nos próximos anos. Isso porque as normas enviadas pelo Fórum de TV Digital (órgão empresarial responsável por assessorar o governo) ao Comitê de Desenvolvimento (conselho de ministérios responsável pelas especificações técnicas do novo sistema) não obrigarão os fabricantes a dotar os conversores de elementos capazes de processar a interatividade. A decisão ainda não é definitiva, mas este Observatório apurou que a proposta dos empresários deve ser aceita pelo governo. 

Na prática, os conversores mais simples não devem ter um canal de interatividade (que possa dotar a TV digital de conexão com um serviço de banda-larga) e um middleware, responsável por “rodar” os serviços interativos, tornando-os meros seletores de canais. Além disso, o Brasil deixará de usar o único desenvolvimento realmente nacional passível de utilização após a definição pelo emprego do padrão japonês de modulação (ISDB), o middleware Ginga, sistema operacional desenvolvido pela Universidade Federal da Paraíba e pela PUC do Rio de Janeiro.  

Inclusão, por enquanto não
Durante três anos, pesquisadores brasileiros desenvolveram diversos aplicativos capazes de tornar a TV digital um instrumento de inclusão social, com acesso a serviços governamentais (Previdência e INSS, por exemplo), serviços bancários, de saúde, educação, e-mail, entre outros. Mas, com a iminente decisão do governo, não é só o potencial democratizante do principal meio de comunicação que deixará de ser aproveitado com a transição para a televisão digital: o sonho de torná-la um instrumento de inclusão social também será desperdiçado.  

A conclusão tem uma justificativa simples: os conversores incapazes de processar a interatividade devem ser comprados pelos mais pobres, justamente os que mais precisam do oferecimento dos serviços interativos, por não terem acesso à Internet. “A interatividade era o diferencial, já que a melhoria da qualidade de imagem é inexorável à nova tecnologia. A imagem pode ter uma plástica melhor, mas será a mesma televisão. No fundo, o que teremos é uma reprodução da TV analógica”, afirma Israel Bayma, pesquisador no Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). 

Se concretizada a ausência da interatividade na TV digital, os radiodifusores vencem mais uma batalha, tornando a TV digital a mais parecida possível com a televisão analógica e evitando que, com o processo de convergência, eles passem a sofrer a concorrência de outros serviços que também disponibilizam programação audiovisual. Por isso, reforçam a importância da alta definição, mas desqualificam a multiprogramação e postergam a interatividade. “É uma confirmação da total indisponibilidade do setor em fazer inclusão digital”, completa Bayma. 

Agora,  governo diz que interatividade deve ser opcional
Segundo o governo, não há como obrigar os fabricantes a dotarem os conversores de capacidade interativa. “Nós não podemos obrigar os fabricantes a incluir o processador de interatividade. Uma pessoa pode não querer a interatividade. É uma opção”, afirma André Barbosa Filho, assessor da Casa Civil que acompanha o processo de implantação da TV digital no Brasil. 

Barbosa assume que a tão falada interatividade não estará disponível no início das transmissões. “Tenho pouca esperança de que em um curto espaço de tempo já tenhamos conversores com middleware”. Além disso, Barbosa não garante soluções para o fato de que a parcela mais pobre da população, num segundo momento, caso queira utilizar os recursos interativos disponíveis, terá que comprar um novo conversor. “Estamos trabalhando para que a população não precise pagar duas vezes pela caixinha. Tudo isso está sendo estudado, embora saibamos que a indústria vai querer vender duas vezes”, afirma o assessor da Casa Civil.  

O governo também justifica a decisão com o argumento de que, com middleware, memória, disco rígido e saída para canal de retorno, o conversor ficaria muito caro. Apesar de verdadeira, a justificativa esconde o fato de que tais questões poderiam ser minimizadas com uma política industrial que buscasse soluções para o problema. “Realmente o terminal de acesso ficará mais caro, porque o uso do middleware (que, no caso do Ginga, é software de código fonte aberto) implica canal de retorno, mais memória e até, se possível, um HD. É justamente para isso que deveria servir a política industrial brasileira, usando de mecanismos como isenção de impostos, acordos internacionais que prevejam transferência de tecnologias e o não pagamento de royalties e até a subvenção para a população de baixa renda” afirma Gustavo Gindre, coordenador do Intervozes e membro do já extinto Conselho Consultivo da TV Digital. “Se o governo não for capaz de produzir uma política deste tipo então deveria anunciar sua incompetência, mas não prejudicar o usuário de baixa renda”, diz. 

Desenvolvimento de softwares
Se os conversores não forem dotados de middleware, o Brasil também deixará de estimular uma indústria de aplicativos (softwares) que rodariam "em cima" do middleware. A grande vantagem da adoção de um middleware nacional (Ginga) seria justamente fortalecer a indústria de softwares. “Com a massificação da interatividade, a indústria nacional de softwares teria escala para produzir aplicativos de qualidade”, afirma Gindre.  

Como o middleware brasileiro é intercambiável com os demais middlewares internacionais (graças a um conjunto de especificações chamado GEM), e a partir da escala interna, a indústria brasileira de softwares poderia inclusive exportar seu conteúdo. “Agora, se não tiver uma base interna sólida, como essa indústria poderá ambicionar o mercado externo?”, questiona o pesquisador. 

A preocupação é partilhada pela ABES (Associação Brasileira de Softwares). O presidente da associação, José Curcelli, afirma que as empresas de software estão trabalhando para desenvolver os aplicativos para serem embarcados nos conversores. “Se o Ginga não for obrigatório, isso certamente vai impactar no desenvolvimento dos softwares. As empresas estão se preparando com base no que foi dito, que haveria middleware e saída pro canal de retorno”, diz. 

Curcelli afirma não ser possível calcular o prejuízo da indústria de softwares com a não adoção imediata do Ginga, “mas o retorno do investimento certamente será mais longo, o que acaba desestimulando novos desenvolvimentos”. Segundo ele, caso concretizada a não obrigatoriedade do middleware, esta será uma contradição com a própria política do governo. “É ambíguo incentivar a indústria de softwares, como tem sido feito, e não obrigar que os set top boxes venham com aquilo que o software precisa para rodar”, afirma. 

Interatividade, nem na TV pública
Durante o I  Fórum de TVs Públicas, realizado no mês de maio em Brasília, representantes do governo, das emissoras públicas, estatais, universitárias e comunitárias reforçaram a necessidade da garantia da interatividade para o cumprimento integral das finalidades do campo público de televisão. Segundo o próprio assessor da Casa Civil, “nós temos outra preocupação, que é usar a TV digital para oferecer serviços públicos, de educação, de saúde, de transporte, por exemplo. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, inclusive, estão se preparando para oferecer serviços parecidos com os da internet. Se for necessário, vamos usar as estatais para lançar a interatividade na TV pública”. O CPqD (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações) desenvolveu o T-banking, uma solução que permite a realização de transações financeiras, como consulta a saldos e extratos, transferências de valores, aplicações, entre outras, por meio da TV digital.  

Mas, por enquanto, o que foi dito durante os últimos quatro anos não se tornará realidade e a interatividade não fará parte da TV digital brasileira. Se tais recursos estarão disponíveis num futuro próximo, é impossível dizer. A evidente solução para não construir uma situação irreversível é criar uma política que garanta que a população mais pobre tenha acesso aos conversores capazes de processar a interatividade, mesmo que isso “atrase” a estréia da TV digital por alguns meses. Mas, como a garantia do interesse público não acompanhou as decisões do governo nas decisões acerca da TV digital, é difícil acreditar que isso aconteça.

 

Active Image permitida a replicação, desde que citada a fonte original.