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Anatel vai analisar denúncias feitas por pequenos provedores

O superintendente de Serviços Privados da Anatel, Jarbas Valente, admitiu esta tarde, em audiência pública na Comissão de Ciências, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, a existência de subsídios entre empresas de telecom e provedores de Internet que, por serem usuários das redes, não podem ser tratados de forma diferenciada. “Estamos tratando do assunto”, informou Jarbas, sem entrar em detalhes.

A denúncia dessa prática foi feita pelos provedores pequenos, que, em audiência anterior sobre o mesmo tema na Comissão, mês passado, reclamaram de estarem sem condições de competição com os provedores associados às concessionárias. Eles queixaram-se de estar com a sobrevivência sob risco e de terem inviabilizados seus negócios de atendimento às cidades de menor porte, onde os grandes provedores não têm interesse de chegar. Os pequenos provedores também acusaram, na ocasião, as concessionárias de práticas anticompetitivas, ao concederem descontos aos seus próprios provedores associados, por volume de tráfego ou prazo contratual.

Valente afirmou que o modelo de custos em implantação no setor de telecomunicações proíbe descontos por volume, prazo ou valor na exploração de linhas dedicadas. Para ele, o novo modelo de precificação dos serviços prestados pelas concessionárias é tão importante quanto a desagregação das suas redes, reclamada pelos pequenos provedores. A desagregação (unbundling) é uma velha aspiração dos defensores da competição nos serviços das concessionárias, pois permite o acesso indiscriminado às redes.

As concessionárias locais (Oi, Brasil Telecom, Telefônica e CTBC Telecom) foram convidadas para o debate, mas não enviaram seus presidentes, que alegaram compromissos prévios. Seus representantes, técnicos de segundo escalão, se limitaram a apresentar dados sobre o crescimento do acesso à Internet, tanto por meio de linha discada quanto por banda larga, e as conquistas de expansão do atendimento obtidas desde a privatização, 10 anos atrás.

Apenas a Embratel assumiu postura favorável aos pequenos, ao exigir a desagregação para desenvolver e difundir a banda larga no País. Para Ayrton Capella, a desagregação representa “a possibilidade de uso da rede existente das teles por diversos prestadores”, afirmação que provocou palmas da platéia, onde vários assistentes eram vinculados aos pequenos provedores.

O executivo afirmou que a dimensão e capilaridade das redes das concessionárias locais provocam concentração das portas de acesso, usadas pelos provedores para colocar o usuário no mundo internet. Esse fato, segundo ele, é incentivado ainda mais por produtos e iniciativas dessas empresas – “já que a condição para usufruir desses produtos é que o provedor esteja conectado à sua rede”.      

Ministério da Justiça publica novas regras para TVs

A partir desta quinta-feira, passam a valer as novas regras para a classificação indicativa para programas de televisão. São, de fato, novas regras, já que a portaria publicada nesta quarta (11 de julho) pelo Ministério da Justiça modifica substancialmente o conteúdo da regulamentação editada em fevereiro deste ano e que foi alvo de seguidos questionamentos pelas emissoras de TV.

A principal mudança está no modo como se instaura o processo de classificação, como já antecipado por representantes do MJ. A Portaria 1.220, ao contrário da sua predecessora (a de número 264), extingue a análise prévia do conteúdo. A partir de agora, as emissoras farão uma auto-classificação dos programas, definindo elas próprias a faixa etária a que estes são adequados. Somente após a exibição do programa, o MJ poderá fazer a classificação e verificar se a avaliação das emissoras foi adequada.

A análise prévia foi insistentemente questionada pelas emissoras nos últimos meses. A medida, que vale para outras obras audiovisuais (como filmes para cinema) e artísticas (como teatro), foi de forma constante confundida propositadamente com censura. Outro ponto questionado da mesma forma pelos radiodifusores foi a vinculação entre a classificação e o horário de exibição.

Na nova portaria, a vinculação é mantida, inclusive indicando que devem ser considerados os diferentes fusos horários vigentes no país. Porém, a expressão “terminantemente vedada a exibição”, presente nas regulamentações anteriores, foi substituída por “inadequada para exibição”.

O iretor do Departamento de Justiça do MJ, José Eduardo Romão, explica que se compreendeu que a expressão era um excesso dentro da regulamentação. Segundo Romão, não é necessário que a portaria estabeleça este limite, já que ele é dado por legislação superior, no caso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “O que o MJ não pode deixar de fazer é regulamentar a vinculação entre horário e classificação, o que é feito pela portaria”, diz.

Porém, o procurador Sérgio Suiama, do Ministério Público Federal em São Paulo, acredita que o novo texto “não resolve a questão do cumprimento das indicações de horários”. “O programa vai ao ar em qualquer horário e o MJ leva dias para se pronunciar e, depois, a Justiça leva meses para se pronunciar”, justifica Suiama. “Mesmo o fuso horário fica sem sentido, porque o horário não é mais mandatório.”

Adequação

O mesmo problema vale para a própria classificação, aponta o procurador, lembrando que em muitos casos os programas são veiculados em períodos curtos, ou seja, não estão sujeitos a adequações. O pior, entretanto, para Suiama é o fato de o Estado deixar “para a emissora fazer a classificação, como se a emissora fosse a instituição mais adequada para decidir sobre isso”.

O questionamento se sustenta também no fato de que não há critérios detalhados e públicos aos quais as emissoras estão obrigadas a responder na sua auto-classificação. Hoje, a legislação estabelece como limites o “excesso de violência e sexo”. Porém, não há regulamentação sobre o que seria excessivo e o que não seria.

Já os avaliadores ligados ao Ministério da Justiça trabalham a partir de um manual, onde são estabelecidos indicadores para medir os excessos. Este manual, que já é usado para a classificação de filmes para cinema, games e teatro, seguirá sendo a base da classificação, mas esta só será feita após a exibição do programa. Havendo discrepância entre a classificação do MJ e a auto-avaliação da emissora, a questão será enviada ao Ministério Público, a quem caberá propor ou não um Termo de Ajuste de Conduta ou uma Ação Civil Pública contra a emissora.

Para o diretor do Dejus, “o medo das emissoras está neste envio ao Ministério Público”. Ao mesmo tempo, Romão declara que a portaria “limpa o campo” em termos jurídicos e evita “que as emissoras mobilizem ou dirijam a sua pressão para negociações dentro do MJ”.

Em relação aos critérios usados pelas emissoras para auto-avaliarem seus programas, tanto Romão como o coordenador de relações acadêmicas da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), Guilherme Canela, acreditam que eles serão estabelecidos e publicizados com o tempo. Ambos compartilham a avaliação de que a pressão da sanção pelo Judiciário e a pressão pública trabalharão a favor da explicitação dos critérios das emissoras.

De acordo com Romão, “antes, a análise prévia afastava a responsabilidade da avaliação pelas emissoras do seu próprio produto”.

Canela apontou como problemática a extinção da categoria “Especialmente Recomendado para Crianças e Adolescentes”, prevista na portaria anterior. Este selo era visto como um incentivo à qualificação da programação voltada para este público.

Outra mudança estabelecida pela Portaria 1220 é a extensão do prazo para que as emissoras ajustem o horário da programação nos estados com o fuso horário diverso ao de Brasília para seis meses. A nova regulamentação ainda esclarece que os programas veiculados em TV a Cabo estão sujeitos à classificação indicativa, mas não há vinculação aos horários de exibição. Isso porque, nesta modalidade, os pais podem recorrer a dispositivos técnicos para evitar que as crianças assistam aos programas inadequados para sua faixa etária.

Saldo do debate

Ainda que a nova regulamentação tenha sido feita sob a influência de uma forte pressão das emissoras de TV e, por esta razão, reflita de forma mais explícita este lobby, para os envolvidos no longo debate sobre a classificação indicativa o saldo tende a ser positivo.

Para Guilherme Canela, da Andi, a participação de atores de diversos segmentos – dos direitos da infância, dos direitos humanos e da área da comunicação – é um indicador do avanço do tema comunicação na sociedade. “E também precisamos reconhecer que nunca antes houve um debate sobre a regulação da própria mídia que tenha sido tão longo e tenha aparecido na grande mídia – com campanhas institucionais, com entrevistadores dedicando-se à tarefa de falar do tema, com anúncios pagos em jornais”, avalia Canela.

O espaço a que Canela se refere, entretanto, foi usado majoritariamente para enfraquecer a proposta da classificação indicativa. Pela televisão, apenas um debate foi realizado contando com a participação de ambos os lados da contenda. Na sua programação regular, as emissoras (especialmente, as comerciais) abusaram do recurso da entrevista com opositores da medida. Na terça-feira, véspera da edição da nova portaria, anúncio de página inteira foi veiculado nos grandes jornais do país, assinado por um grupo de artistas e ONGs. Não há indicação de quem pagou este anúncio.

Mesmo considerando esta desigualdade, para Romão o debate foi “fartamente democrático”. Um indicador para isto seria o tempo de gestação da regulamentação e a revisão a que se propôs o Ministério da Justiça. Entretanto, o diretor do Dejus não afasta a possibilidade de que as emissoras venham a questionar a nova portaria na Justiça.

Ele também aponta o engajamento de vários setores da sociedade civil como um fato a ser festejado. “Mais do que isso, acredito que ficou claro que um debate acerca da regulamentação das comunicações só pode ser feito com um processo fartamente democrático e este é o link necessário que tem de ser feito com as demandas dos movimentos pela democratização da comunicação. Em especial, a necessidade de participação nos processos regulatórios aponta para a demanda dos movimentos pela realização da Conferência Nacional das Comunicações”, conclui.

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Ancine e Minc investiram R$ 200 milhões em audiovisual em 2006

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) e o Ministério da Cultura (Minc), investiram no ano de 2006, R$ 200 milhões em produção nacional de cinema e televisão, em todas as regiões do país. A informação foi divulgada hoje pelo diretor da Ancine, Leopoldo Nunes, ao participar da audiência pública do Senado, para debater o conteúdo audiovisual em tempos de convergência tecnológica.  

Nunes ressaltou que o mercado audiovisual brasileiro tem potencial para acomodar os atuais grandes players e os produtores independentes. Mas segundo o diretor, o mercado ainda precisa corrigir algumas distorções, pois a realidade brasileira deste segmento é predominantemente gerida por distribuidoras norte-americanas, as TV's produzem quase a integralidade dos conteúdos que veiculam e a produção e a distribuição independente são praticamente excluídas.

Na visão dele, o cenário convergente poderia ou não incrementar a demanda pelo conteúdo nacional, dependendo das políticas públicas a serem adotadas. Nunes acredita que os desafios da regulação do audiovisual no Brasil dentro deste cenário deveria focar entre outras coisas, o incentivo de competição na televisão aberta, promovendo pluralidade de programação regional e de produção independente; além de capacitar o país para lidar com a questão da digitalização. “Em vários países a demanda pelo conteúdo nacional é garantida pela regulação”, citou.

 

Active Image publicação autorizada.

Andi entrega prêmio ‘Jornalista Amigo da Criança’ a 20 profissionais

A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) realiza, na próxima quinta-feira (12/07), cerimônia para entrega do diploma 'Jornalistas Amigos da Criança' aos 20 jornalistas premiados este ano. O evento, que será realizado na sede da instituição, ocorre na véspera do aniversário de 17anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Segundo a assessoria da Agência, o prêmio, criado há 10 anos, é uma forma de reconhecimento ao trabalho de jornalistas comprometidos com os temas da área social, principalmente aqueles relacionados à infância e adolescência.A escolha dos profissionais, ainda de acordo com a assessoria, não se baseou em uma reportagem, mas na produção contínua de matérias que contribuem para a discussão de políticas públicas dirigidas à população infanto-juvenil.

Na ocasião, também ocorre palestra sobre a responsabilidade do profissional da imprensa na cobertura de temas sociais, a ser ministrada pelo jornalista Rui Nogueira, chefe de redação da sucursal de Brasília do jornal O Estado de S.Paulo. No período da tarde, está prevista a oficina 'Orçamento Público de Políticas Públicas para a Infância e Adolescência', que será conduzida pelo economista Gil Castelo Branco.

Em dez anos de existência, o projeto 'Jornalista Amigo da Criança' já premiou 326 profissionais de imprensa, atuantes em redações de jornais, revistas, sites, emissoras de rádio e tevê, além de ONGs e outras organizações do Terceiro Setor. Entre os premiados figuram nomes como Clóvis Rossi, Gilberto Dimenstein e Zuenir Ventura.

Confira abaixo a lista dos homenageados:

Adalberto Marcondes – diretor de Redação da Revista Digital Envolverde (São Paulo)
Edisvânio Nascimento – radialista da Rádio Santa Luz FM, na região sisaleira da Bahia
Jefson Dourado – gerente de jornalismo da TV Acre
Érika Klingl – repórter especial do jornal Correio Braziliense (Distrito Federal)
Aline Nunes – repórter especial do jornal A Tribuna (Espírito Santo)
Cláudia Feliz – repórter do jornal A Gazeta (Espírito Santo)
Jacqueline Lopes – repórter do jornal O Estado do Mato Grosso do Sul
Fátima Sousa – pauteira do jornal O Norte (Paraíba)
Bianka Carvalho – repórter da Rede Globo Nordeste (Pernambuco)
José Carlos Fernandes – repórter da Gazeta do Povo (Paraná)
Maria Eudiene Martins – apresentadora da Rádio Tropical FM 94,1 (Roraima)
Luciano Abreu – repórter da TV Roraima
Waleska Borges – repórter do jornal O Globo (Rio de Janeiro)
Sheyla Azevedo – repórter do jornal Diário de Natal (Rio Grande do Norte)
Rosina Duarte – jornalista da Alice – Agência Livre para a Infância, Cidadania e Educação (Rio Grande do Sul)
Marta Gleich – diretora de Jornalismo On Line dos jornais do Grupo RBS (Rio Grande do Sul)
Renata Cafardo – repórter do jornal O Estado de S. Paulo (São Paulo)
Alceu Luis Castilho – editor da Agência Repórter Social (São Paulo)
SérgioGomes – diretor da agência Oboré – Projetos Especiais em Comunicação e Artes (São Paulo)

Detentas fazem programas sobre sua rotina em rádio no presídio

Diante do espelho, a apresentadora Viviane Rodrigues, de 32 anos, retoca o batom, repassa o lápis em torno dos olhos azuis, ajeita os cabelos compridos e, em seguida, assume o microfone à frente do entrevistado, d. Eduardo Bentes Rodrigues, arcebispo de Sorocaba, no interior paulista. O estúdio, com mesa de gravação e computador, fica numa cela da Cadeia Feminina de Votorantim, a 100 quilômetros de São Paulo, na região de Sorocaba.

A entrevista com o bispo, realizada há três semanas, marcou a estréia da Rádio Povo Marcado, a primeira rádio comunitária a funcionar, pelo menos legalmente, no interior de uma prisão. O promotor de Votorantim, Wellington Veloso, foi o entrevistado no dia 3. O projeto foi elaborado pela Secretaria de Cultura da cidade, com o apoio da Polícia Civil.

Segundo a delegada Sueli Morales da Silva, diretora da cadeia, a rádio motiva as presas e ajuda a reduzir as agruras de uma prisão superlotada. O prédio tem capacidade para 48 detentas, mas abriga atualmente mais que o triplo disso: 172 mulheres. “É uma forma também de contato com a sociedade, o que deve ajudar na ressocialização quando saírem”, diz Sueli.

É o caso da apresentadora Viviane. Condenada por tráfico de drogas, está cumprindo pena e espera vaga no sistema prisional para ser transferida. “Enquanto não acontece, tento ser útil e ajudar as outras presas”, afirma a presa.

Viviane, que tem uma filha de 7 anos, quase terminou o segundo grau. Era auxiliar de faturamento e tinha uma vida comum, mas foi levada ao tráfico pelo marido. Presa há um ano, relutou em se expor, com medo “do que vão pensar lá fora”. Por fim, aceitou o convite. “Vi que a rádio era uma forma de levar para as pessoas a situação real aqui dentro.”

A presa Valdirene Gomes, de 25 anos, compôs a trilha sonora do programa de entrevistas. A música fala do drama das presas e do sonho de liberdade. Também foi presa por tráfico, assim como Raquel Aparecida da Costa, de 20 anos, responsável pelas reportagens e entrevistas com outras detentas.

O programa, de uma hora, é retransmitido pela FM Tropical, emissora local, e por duas rádios comunitárias da região. Também está disponível em um blog na internet.

LÁGRIMAS

As presas, que assistem às atrações da rádio no pátio da cadeia, são convidadas a participar. Pelo menos três fizeram perguntas ao arcebispo de Sorocaba. Uma delas, Angélica, chegou a chorar ao perguntar o que poderia ser feito para evitar, lá fora, a discriminação contra as presas.

“Seria bom se a sociedade visitasse os presídios”, disse d. Eduardo. A apresentadora reclamou que padres e freiras não visitam os presos. O bispo prometeu que a diocese dará mais atenção às detentas. No fim do programa, todos rezaram.

O secretário de Cultura de Votorantim, Werinton Kermes, tem planos maiores. Está gravando um programa com as detentas para ser veiculado num canal educativo regional de TV a cabo. Ele acredita que a comunicação pode ser uma “ponte” entre as presas e a sociedade.

SEM REBELIÕES

As seis detentas que tocam o dia-a-dia da rádio são orientadas pela jornalista Luciana Lopez e pela doutora em comunicação Miriam Cris Carlos. Outras detentas estão sendo treinadas. Algumas lêem livros sobre comunicação. Por causa do excesso de lotação, a cadeia feminina tem um grande histórico de rebeliões, tentativas de fuga e protestos.

Este ano, não houve fugas nem rebelião desde que, além da rádio, as presas ganharam biblioteca e cursos de bordado e fotografia.