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Para juízes, operar rádios sem autorização não é crime

Brasília – O funcionamento de rádios comunitárias sem autorização não é crime, segundo entendimento de uma decisão da Turma Recursal dos Juizados Especiais Criminais, esta semana, em São Paulo. Por dois votos a um, os juízes decidiram que a operação da Rádio Comunitária Dimensão e da Rádio Heliópolis, “embora possa ser considerado ilícito administrativo, não configura crime”.

A pena máxima, em caso de crime, poderia chegar a dois anos de reclusão para o responsável pela rádio, além de apreensão do equipamento. Como ilícito administrativo, a rádio deve apenas pagar uma multa.

O Ministério Público Federal (MPF) acusava os responsáveis pela Rádio Dimensão, Daniel Almeida dos Santos Melo, e pela Rádio Heliópolis, João Miranda. Segundo o MPF, eles teriam infringido o Código de Telecomunicação, que considera crime a operação sem autorização do Estado. No entanto, os juízes entenderam que as rádios não se enquadram na lei. Isso porque, em 1995, a Emenda Constitucional nº 8 separou a radiodifusão da telefonia.

Com base na decisão, o Escritório Modelo da Pontifícia Universidade Católica (PUC), que defende a Rádio Dimensão, pretende entrar com novas ações. "Na nossa interpretação, com essa decisão, as operações envolvendo rádios não podem ser feita pela Polícia Federal, por não ser crime", avalia a advogada Ana Cláudia Vazzoler. A advogada também pretende pedir a liberação dos equipamentos da Rádio Heliópolis, retidos pela Polícia Federal.

O Escritório Modelo representa 70 rádios comunitárias em São Paulo. Segundo a advogada, essa foi a primeira decisão com esse tipo de entendimento na Justiça Federal.

A Agência Brasil procurou a Anatel e Ministério Público Federal. Não encontrou nenhum responsável que pudesse conceder entrevistas, até a publicação desta reportagem. O Ministério das Comunicações iria checar informações sobre a decisão judicial, antes de pronunciar-se.

*colaborou Aline Bravim.

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Abra defende veiculação de conteúdo nacional na TV paga

Johnny Saad, presidente do Grupo Bandeirantes e da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) defendeu nesta quinta-feira, 12, em mais uma audiência pública realizada no Senado, que metade do conteúdo veiculado na TV paga brasileira seja nacional e, de preferência, feito por brasileiros. Saad foi um dos seis debatedores convidados pela Comissão de Educação para apresentar sugestões ao projeto de lei 280/07, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que dispõe sobre a produção, programação e provimento de conteúdo brasileiro para a distribuição por meio eletrônico.

Saad apresentou números para comprovar que países da Europa, Ásia, Oceania e América do Norte adotaram mecanismos de proteção a seus respectivos conteúdos. Um dos exemplos citados foi dos Estados Unidos. Segundo os números da Abra, 80,5% do conteúdo veiculado nas TVs americanas é produzido dentro do próprio país e apenas 19,4% são produções internacionais.

No Canadá, a proporção é mais equilibrada: 58% de contéudo nacional, contra 42% de produções internacionais. Na avaliação de Saad, um percentual semelhante a esse deveria ser adotado na TV paga brasileira. "No mínimo 50% de conteúdo nacional, ou até mais do que isso", defendeu. Segundo ele, apenas 31,5% do conteúdo veiculado da TV por assinatura é nacional contra 65,5% de programas estrangeiros. "Essa distorção é muito acentuada na mídia paga, que está concentrada nas mãos de poucos grupos", afirmou.

Saad disse que seu grupo tem interesse específico no mercado da TV paga porque dispõe de três canais de distribuição de conteúdo – Bandews, Bandsports e a TV Terra Viva (este último é recebido também por parabólicas, de forma aberta). "E temos tido sérios problemas para distribuir nosso conteúdo. Essa é uma mídia (a TV paga) que vai crescer, porque o custo está baixando. E precisamos ter um modelo democrático que não permita a uma única empresa ter o controle do mercado", disse. A maior parte do mercado de TV paga está nas mãos da Net e da Sky/DirecTV, que têm a Globo como sócias. Os dois grupos de TV paga, naturalmente, têm exclusividade na veiculação do conteúdo produzido pela Globosat.

Também na audiência pública, Gustavo Dahl, ex-presidente da Ancine e atual presidente do conselho da Cinemateca Brasileira, criticou o projeto de Flexa Ribeiro. Na avaliação de Dahl, a proposta do senador parece querer manter o atual modelo da TV brasileira, verticalizado e pouco aberto às produções regionais e independentes. "É preciso que existam cotas que garantam a veiculação desses conteúdos", argumentou. Também participaram da audiência representantes da Abranet (associação dos provedores de internet), da TV Minas, do FNDC e da Acel (associação das operadoras celulares).

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Restrição à publicidade de bebidas só poderá ser feita por lei

Apenas um Projeto de Lei ou uma medida provisória poderão alterar o conceito de bebidas alcoólicas, restringindo, assim, as ações publicitárias desses produtos. Este é o entendimento da Advocacia Geral da União (AGU), com base num parecer técnico da Consultoria-Geral da União (CGU) para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As informações são do portal jurídico Última Instância.

 

O decreto que aprovava a Política Nacional sobre o Álcool foi publicado em 23 de maio deste ano e foi discutida por diversos segmentos do governo, como o Ministério da Saúde, e órgãos como a Anvisa e a Fundação Nacional do Índio (Funai). O objetivo da política era estabelecer estratégias para o enfrentamento dos problemas relacionados ao consumo do álcool, desenvolvendo ações para reduzir os danos à saúde e situações de violência e criminalidade associados ao uso de bebidas alcoólicas. 

No conjunto das medidas que deveriam ser adotadas está a regulamentação e fiscalização da publicidade de bebidas alcoólicas, com novas restrições de horários e a inserção de advertências mais incisivas na propaganda de bebidas com mais de 0,5º graus de álcool, como cervejas e cooleres. A frase “beba com moderação”, por exemplo, seria substituída por “o álcool em excesso causa inúmeras doenças como câncer de fígado e lesões cerebrais”.

 

Somente com a alteração proposta pela AGU a Anvisa conseguirá limitar a publicidade de bebidas alcoólicas. Atualmente, a Lei 9.294 considera bebida alcoólica aquela com graduação superior a 13º e estabelece que a propaganda desses produtos no rádio e na TV é permitida somente das 21h às 6h. A agência pretende alterar essa classificação, considerando bebidas alcoólicas aquelas com graduação superior a 0,5º.

 

De acordo com Ronaldo Jorge Araújo Vieira, consultor-geral da União que assina o parecer, a Anvisa consultou a AGU porque pretendia mudar por resolução esta forma de classificação, mas a CGU concluiu que este não seria o instrumento correto e, sim, uma medida provisória. Já o sindicato dos fabricantes de cerveja acredita que apenas uma lei federal poderia regulamentar essas restrições. 


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Operadoras querem mudanças no marco legal

As operadoras celulares defenderam nesta quarta-feira, 11, em audiência pública no Senado, que o novo marco legal da convergência tecnológica, em discussão no Congresso, assegure a liberdade para a produção, distribuição e consumo de conteúdo. A proposta das empresas é que seja regulado apenas o que for essencial para impedir abuso de posição dominante e proporcione condições favoráveis para que os atores privados desenvolvam modelos de negócios sustentáveis.

Por outro lado, as operadoras querem que a legislação não crie barreiras artificiais ao ingresso de novos atores em qualquer ponto da cadeia de valor e nem assimetrias regulatórias com base na origem do capital ou na tecnologia utilizada. "O marco legal deve estimular a complementariedade de serviços (entre telecomunicações e radiodifusão) e permitir que os atores do mercado encontrem seu modelo ideal de atuação", disse Ércio Zilli, diretor-executivo da Acel (Associação Nacional das Operadoras Celulares). O tema da audiência foi "Conteúdo Digital em tempos de convergência tecnológica" e teve como objetivo recolher subsídios para a votação do projeto apresentado, este ano, pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que tenta regular a transmissão de conteúdo.

Zilli apresentou aos senadores da Comissão de Ciência e Tecnologia nada menos do que 16 questões que precisam ser refletidas para a revisão do marco legal. Entre elas, qual será a caracterização de conteúdo nacional, a necessidade ou não de proteger esse conteúdo e a criação de formas eficientes de proteção. "É importante perguntar o que se quer regular. Qualquer conteúdo, independentemente do uso ou aplicação, ou apenas o conteúdo que será objeto de exploração comercial?", questionou.

Na opinião das celulares, há várias formas eficientes de se proteger o conteúdo nacional. Uma delas seria criar um ambiente favorável para quem disponha de capacidade técnica, talento e recursos financeiros fosse estimulado a investir em conteúdo nacional. Outra forma seria assegurar que quem produz conteúdo nacional disponha de alternativas de canais de distribuição. "Há o risco de se confundir proteção ao conteúdo com proteção ao produtor de conteúdo", afirmou Zilli.

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Senador do PSDB critica qualidade dos filmes nacionais

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) criticou nesta quarta-feira, 11, a qualidade dos filmes nacionais produzidos no país. Ele contou que dificilmente consegue assistir o Canal Brasil, disponível na TV paga. "Acho que tenho dado azar, mas, sempre que tento assistir, a programação é ruim", reclamou. Para ele, apenas recentemente a qualidade dos filmes nacionais melhorou. Azeredo reclamou ainda que os cineastas brasileiros têm preferência por mostrar a miséria brasileira. "O setor carece de maior qualidade sim. Há filmes recentes, como Olga e Dois Filhos de Francisco, que são bons. Mas os filmes americanos, por exemplo, não mostram apenas as mazelas do país, mostram também coisas bonitas e positivas", comentou.

Azeredo participou de audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, que discutiu o conteúdo nacional em tempos de convergência tecnológica. A opinião do senador foi rebatida por Assunção Hernandes, diretora para assuntos internacionais da Associação Brasileira das Empresas Produtoras de Cinema (ABPC). "Farei uma curadoria de filmes para o senhor, senador. Há muitos filmes de qualidade sendo produzidos já há algum tempo", comentou Assunção.

Durante sua apresentação aos senadores, a diretora da ABPC defendeu que o novo marco legal da convergência seja capaz de reduzir a verticalização da produção de conteúdo no país de forma a estimular a produção independente. Ela lembrou que grande parte dos países democráticos do mundo separa a função transmissão das funções criação e produção. "É constrangedora a posição do produtor independente brasileiro em negociações internacionais. Temos de confessar que, no Brasil, as televisões produzem seus próprios conteúdos e exibem um percentual insignificante da nossa produção. Na maioria das vezes, em horários proibitivos", comentou Assunção.

Para a ABPC, são bem-vindas novas plataformas de transmissão de conteúdos que aumentem a oportunidade de acesso à criação e produção e desconcentrem as parcerias, hoje centralizadas pelas próprias emissoras de TV. Mas Assunção frisou que também é preciso criar mecanismos de proteção ao conteúdo nacional.

 

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