Arquivo da categoria: Notícias

Voyeurismo e espetáculo comprometem o jornalismo

Flagrado em seu gabinete pela câmera da Rede Globo, em gestos grosseiros enquanto assistia notícias sobre as investigações do acidente com o AirBus da TAM, o assessor especial da presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, além de alvo da grande mídia, na última semana, foi assunto também nos veículos especializados em comunicação. O fato mereceu considerações de toda ordem e justifica, da parte dos profissionais da área – especialmente os jornalistas, uma reflexão sobre a prática profissional.

Os gestos grosseiros de Marco Aurélio Garcia – flagrado pela reportagem da Rede Globo em seu gabinete, junto com um assessor de imprensa, enquanto assistia (supostamente) no telejornal da emissora uma reportagem que poderia desonerar em parte a responsabilidade do governo no desastre com a aeronave da TAM (motivo de sua “comemoração”, segundo a matéria) – foram fartamente criticados durante a última semana.

Houve manifestações favoráveis e contrárias ao assessor, ao governo e à TAM. Na prática do jornalismo, entretanto, onde se situa o fato? A matéria contribui para o entendimento das causas do acidente? Deixa a população mais bem informada sobre a questão da crise aérea? Reproduz o ponto de vista do governo sobre essa questão? A reportagem do e-Fórum entrevistou especialistas em ética e política na comunicação sobre o assunto.

A questão é paradoxal, segundo a análise de Maria Helena Weber, autora do livro Comunicação e Espetáculos da Política (Ed. UFRGS), professora do curso de Comunicação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “De qualquer ângulo que olharmos, haverá uma justificativa. Até para o uso do voyeurismo. Se a imprensa antes fazia a vigilância da democracia, parece que agora ela está ‘espiando’ o governo por qualquer janela”, observa.

A professora destaca a grande incidência do mercado e do espetáculo no jornalismo. “Vender a notícia a qualquer preço. E este caso foi um excelente produto de venda (como olhar pelo buraco da fechadura). A espetacularidade fornece indício para que todos os jornalistas, todo mundo, interpretem como quiser”, analisa.

Vazio repleto de significados

A Globo nos diz que o assessor da presidência assistia o Jornal Nacional. “Mas ao olhar a imagem, você não vê isso”, lembra Maria Helena, destacando que a dinâmica do espetacular se utiliza de uma coisa que é vazia, mas que promove. “Há uma denúncia semiótica, uma série de signos e uma resposta, digamos, do autor desses signos, mas não tem o fato completo: o que eles estavam conversando, o que assistiam, qual era o texto?”, questiona a professora. Ela observa que quando Marco Aurélio Garcia, sujeito da encenação, dá sua explicação sobre o fato, neste momento ele está ratificando que realmente assistia o Jornal Nacional, enquanto ele poderia ter plantado uma dúvida. “É uma cena vazia que tem dois gestos. É tão autônoma, que quem lhe deu sentido foi o próprio Marco Aurélio, que caiu na armadilha”, justifica Maria Helena.

O professor Francisco Karam, autor do livro Jornalismo, Ética e Liberdade (Ed. Summus), professor do departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, observa que o caso do Marco Aurélio Garcia ilustra uma tendência política que incide sobre o jornalismo, de maximização dos fatos. “Uma espécie de campanha sistemática, que ocorre não só no Brasil, mas também aqui na Argentina (Karam está residindo na Argentina, onde realiza seu pós-doutorado). É o que chamam de campanha suja, como também chamam na Itália, que é usar todos os fatos negativos e maximizar. É uma campanha de desprestígio do governo”, relata o professor.

O gesto do assessor presidencial, na interpretação de Maria Helena Weber, não representa uma posição do governo brasileiro. A construção da matéria pela emissora tampouco contribui com a investigação sobre as causas do acidente. Também não deixa a população mais informada sobre o comprometimento do governo no caso. “Não contribui com nada”, diz Maria Helena, lembrando que o poder da mídia está exatamente na capacidade de sincretizar: hora joga a seu favor, hora joga a favor do governo, hora pode jogar a favor da população. “Então fica difícil, exatamente por estas leituras, conseguirmos classificar a quem serve. Esta não serviu ao governo, com certeza”. Para Francisco Karam, não é legítimo usar um aspecto comportamental de alguém que está em um cargo público e transformar isso no emblema de todo um governo. “Está havendo uma mistura geral”, avalia.

Karam destaca a delicada a posição das pessoas que ocupam cargos públicos, que precisam ter cuidado redobrado com suas atitudes. “É um problema muito sério, em algum momento acaba sendo explorado”, analisa.

Notícia ou espetáculo?

Mas aquela cena era ou não uma notícia? Maria Helena garante: “Claro que era uma notícia!" Mas, ao “cavar” a matéria, a partir de uma câmera distante, apontada para um ambiente reservado, a reportagem prestava serviço relevante? Maria Helena lembra que a mesma Globo, algumas semanas antes, denunciava a questão das notas frias no caso do Renan Calheiros. "Ela fez uma denúncia, deu visibilidade e conseguiu reverter, de alguma maneira, o que estava mal. Esse é um dos poderes da mídia”, aponta a professora, destacando, porém, que às vezes ela é construtiva, outras vezes é destrutiva, dependendo da relação que estabelece com os governos. "Não é verdade que o governo está se lixando para o povo brasileiro. Mas este foi o tom da imprensa no caso do Marco Aurélio”, afirma.

Um recorte como o que foi feito nesta reportagem pode ser utilizado para quase tudo. A gestualidade serve para tudo. Do ponto de vista da informação, da contribuição social, porém, o fato em questão não serve para nada, na opinião de Maria Helena. Para Karam, talvez a Globo esteja muito preocupada com a perda da audiência. “Acho que pode ser uma válvula de escape para a sobrevivência, por causa competitividade com outras redes. Mas ela (Globo) não vai poder manter essa hegemonia até o fim dos tempos, porque estão surgindo coisas novas e ela não pode dar conta disso”, projeta o professor.

Karam acredita, entretanto, que o jornalismo como a atividade que trabalha o mundo social, que permite que os acontecimentos do dia-a-dia tenham suas versões entendidas e acessadas pelo conjunto da cidadania, é o que ainda prevalece e deverá prevalecer. “O jornalismo com compromisso, com a legitimidade social dada pelo Século XX, baseada na credibilidade, na veracidade vai continuar existindo”, atesta.

Active Image publicação autorizada, desde que citada a fonte original (FNDC).

Entidades criticam modelo de gestão com ‘conselho de notáveis’

Uma reunião entre representantes da sociedade civil e do governo debateu, na última semana, dia 26, o desenho da futura TV pública. A principal discordância é em relação ao Conselho Gestor. Para Celso Schröder, coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o relato de Delcimar Pires, assessor de Franklin Martins, chefe da Secretaria de Comunicação Social, aponta uma composição de um conselho de notáveis, quando se previa uma composição por entidades, como acontece no Conselho Nacional de Saúde, por exemplo.

Além do FNDC, as entidades presentes na reunião, Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc-Brasil), Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes) e Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert), se mostraram contrárias a esse tipo de representação. “A idéia de representação por indivíduos é uma concepção antiga, um tanto quanto elitista. Na tradição de conselhos já existentes no Brasil, impera a idéia de representação por entidades”, argumenta Schröder. “Deixamos claro para a assessoria do ministro que não concordamos neste ponto e vamos reivindicar mudanças no critério de representação até o final".

A construção de um espaço onde a sociedade civil possa participar efetivamente na construção da TV pública é outra reivindicação do FNDC, acolhida com ressalvas no encontro. Até o momento, o que se vê majoritariamente é a participação das corporações de radiodifusão educativa, universitária e parlamentar.

Ficou sinalizada uma próxima reunião com o governo, para a qual as entidades propuseram fazer uma avaliação dos conselhos existentes e formatar mais apropriadamente um documento onde se desenhe o que deve ser um conselho gestor. Esse espaço foi reivindicado principalmente por João Brant, representante do Intervozes, que defendeu a reconstrução do Fórum Permanente de TV Pública.

Gestão democrática

Para o coordenador do FNDC, entretanto, deve-se formular um documento mais detalhado sobre a gestão ideal e avançar em relação ao financiamento. Há uma tendência de se atribuir ao presidente da República a escolha do presidente-executivo da TV, o que seria um equívoco na visão do FNDC. A entidade defende radicalizar a idéia de uma democracia participativa por conselhos com controle público, como existe em outros locais, e que o presidente seja indicado pelo Conselho.

"Começa a ficar claro que precisamos de uma TV pública com um conselho gestor efetivamente representativo, isto é, formatado nos moldes de instâncias que nós conhecemos, como a da Saúde”, ob serva Schröder.  “A nosso ver, a indicação do presidente do Conselho e membros da direção executiva é uma atribuição do próprio Conselho”, enfatiza o jornalista.

Conforme a Carta de Brasília, documento final do Fórum de TVs Públicas (leia matéria relacionada), o Brasil precisa, no seu trilhar em busca da democracia com igualdade e justiça social, de TVs Públicas independentes, democráticas e apartidárias. Nesse sentido, quanto mais horizontal for a estrutura de gestão dessa TV e menor for a interferência do governo federal, menos risco se corre de ela tornar-se estatal.

Para que a TV pública seja ágil e dinâmica, é preciso que o conselho seja razoavelmente representativo da sociedade: nem enorme, nem um conselho exíguo, porque ele não é um conselho executivo, mas um conselho político. Vários conselhos têm em torno do 20 membros. Abaixo dele, uma direção executiva profissional que aja com autonomia em relação ao Conselho, que não deve atuar na programação, no cotidiano de uma televisão. “Isso deve ser feito pela direção executiva, que periodicamente se remeteria ao conselho, que incidiria sobre ela nas grandes questões, nas políticas macros”, sinaliza o coordenador do FNDC.

Um conselho de programação faria a negociação entre as várias televisões, as várias redes que formariam essa rede pública que, neste momento incipiente é apenas uma televisão. Radiobras, TVE do Rio e outras TVs educativas tenderão a formar inicialmente essa televisão. “Isso depois deve se estender no formato de uma rede que transcende a idéia de televisão, uma rede pública e única que é outra reivindicação da qual não abrimos mão”, conclui.

Active Image publicação autorizada, desde que citada a fonte (Redação FNDC).

Inclusão digital tem licitações milionárias

O Ministério das Comunicações (Minicom) trabalha nos últimos detalhes de seu projeto para instalar unidades de acesso público à internet nos 5.664 municípios do país. Entre os dias 8 e 10 de agosto, o Minicom realiza um pregão eletrônico para definir os fornecedores dos milhares de kits de informática que serão usados na montagem dos chamados 'telecentros', locais onde a população pode navegar na web e usar computadores gratuitamente.

O projeto não é nada modesto. A proposta do Minicom é entregar para cada município um 'kit telecentro', pacote composto de dez computadores de mesa, um servidor, uma impressora laser, um equipamento de data show, uma TV de 29 polegadas, um aparelho de DVD e uma câmera de vídeo para monitorar o local, além dos móveis onde será instalada a parafernália. Isso significa que, apenas no que se refere a PCs, o governo federal irá comprar mais de 55 mil computadores.

No mercado, os fornecedores de equipamentos aguardam ansiosos a realização do pregão. Não por acaso. Em janeiro passado, o Minicom chegou a realizar uma licitação para escolher os fornecedores desse projeto. Na ocasião, a Diebold Procompvenceua concorrência, cujo valor atingia R$ 109,8 milhões para fornecimento dos computadores, servidores, impressoras, roteadores e estabilizadores. A Philco, que hoje pertence à Gradiente, venceu a disputa dos televisores, enquanto a Metrocomm instalaria os projetores multimídia e os aparelhos de DVD.

Uma série de percalços, porém, atrapalhou o processo. A Diebold acabou perdendo o contrato por não atender certas especificações técnicas. Procurada ontem, a companhia não retornou, até o fechamento desta edição, ao pedido de entrevista feito pelo Valor. O Minicom, por outro lado, reconhece que a sua licitação tinha 'determinadas falhas', diz Heliomar Medeiros de Lima, diretor do departamento de inclusão digital do Ministério. 'Não havia qualquer problema de lisura, apenas lapsos administrativos.'

O imbróglio culminou no cancelamento geral do edital. No mês passado, o Minicom realizou uma audiência pública com os potenciais fornecedores para discutir detalhes do novo pregão. A expectativa é que o contrato ultrapasse facilmente os R$ 100 milhões.

Renovado, o projeto agora tem data para começar e terminar, diz o coordenador geral de acompanhamento de projetos especiais do Ministério das Comunicações, Carlos Paiva. 'A contratação dos fornecedores deverá ocorrer ainda em agosto. A conclusão está marcada para fevereiro do ano que vem.'

No ano passado, o governo federal começou a receber o cadastro dos municípios interessados no kit telecentro. Como a primeira licitação foi cancelada, o prazo de cadastramento foi estendido para este ano. Até agora 4.035 cidades já se cadastraram, segundo o Minicom. 'Mas ainda é possível fazer se registrar', diz Paiva. Para receber o pacote de informática, cada prefeitura precisa indicar um local de acesso fácil e livre à população, com medida mínima de 48 metros quadrados. O projeto estabelece que a infra-estrutura inclua oferta de água potável, iluminação, sanitários e adaptações para portadores de necessidades especiais.

A aquisição dos equipamentos de informática se desdobrará em uma segunda licitação de porte ainda maior: a contratação de serviços de comunicação via satélite ou terrestre, que serão usados para prover acesso à internet banda larga em pequenas cidades do país. 'Os equipamentos chegarão a todos os municípios, sem distinção. Mas aqueles que ainda não têm acesso a cabo, também receberão os sistemas de transmissão via satélite', comenta Paiva. O pregão eletrônico para contratação dos serviços de conexão em alta velocidade deverá ocorrer em setembro. A expectativa é que o contrato para prestação dos serviços atinja cerca de R$ 200 milhões por ano.

Atualmente o Minicom já utiliza os serviços de conexão via satélite prestados pela British Telecom, rede que interliga 3,4 mil pontos de presença espalhados em escolas, postos de saúde edemais órgãos públicos. O novo contrato foi preparado para atender 20 mil pontos de conexão banda larga. 'O importante é que o Ministério [das Comunicações] já tem recursos reservados para o projeto. Estamos falando de coisas concretas, com prazos para serem cumpridos', afirma o coordenador de projetos do Minicom.

Uma segunda rodada de telecentros está prevista para o ano que vem, quando o governo federal pretende cruzar dados de densidade demográfica e exclusão digital para estabelecer onde novos telecentros serão instalados.

Uma pesquisa realizada pelo Minicom apontou que, atualmente, 3,3 mil cidades do país tem ao menos um telecentro disponível para a população. Até fevereiro, diz Heliomar Medeiros de Lima, do Minicom, o país contará com cerca de 9 mil unidades de acesso público a computadores. A meta é ampliar esse número para 20 mil pontos até o fim de 2008.

Active Image Copyright Valor Econômico

Teles fixas e aparelhos telefônicos lideram ranking de reclamações

A telefonia fixa liderou o ranking de reclamações do Procon-SP no primeiro semestre, respondendo por 21,6% do total das queixas. Balanço divulgado nesta quinta-feira, 26, mostra que o segundo assunto que mais gerou queixas foram os aparelhos de telefone. A telefonia celular aparece em quinta posição na lista.

No primeiro semestre de 2007, o Procon-SP recebeu 15.994 reclamações, com crescimento de 28,32% em relação ao mesmo período do ano passado. Do total, 3.437 registros referiam-se a problemas com a telefonia fixa, enquanto os aparelhos de telefone geraram 1.758 reclamações, ou 10,9% do total. O órgão não distingue celulares de outros modelos de aparelhos. A telefonia celular ficou com 735 reclamações no consolidado dos primeiros seis meses do ano.

O levantamento é feito com base em todas as reclamações abertas no órgão, independente de sua condição (em andamento, atendida, não atendida ou encerrada), informa o Procon. Os dados são diferentes dos utilizados para o cadastro de reclamações fundamentadas, a chamada lista negra do Procon, divulgado sempre no dia 15 de março, em que são computados apenas os processos que foram concluídos no ano em questão e que se enquadram como fundamentadas (atendidas ou não atendidas) de acordo com o Código de Defesa do Consumidor.

Active Image

Após derrota, emissoras agora querem apenas previsão de DRM

Mesmo após a negativa do governo para a adoção de tecnologia de proteção contra cópias, que permitiria aos radiodifusores controlar a possibilidade de gravação e reprodução não-autorizada do conteúdo da TV digital, o tema continua preocupando as emissoras de TV. Alegam que os detentores de conteúdos internacionais, inclusive a FIFA, exigem tal mecanismo de proteção. Na visão de vários ministérios, o controle de cópias daria aos radiodifusores um poder que caberia apenas ao Estado.

Os radiodifusores brigam agora para que o governo permita apenas a inclusão da possibilidade do dispositivo de proteção na norma técnica do padrão de TV digital, mesmo que depois, por decreto, o seu uso fique limitado.

Isso seria suficiente para acalmar os ânimos dos distribuidores internacionais. A situação ficaria semelhante ao que acontece com os direitos da Copa do Mundo atualmente. Pelo contrato, o radiodifusor não pode transmitir os jogos no satélite de forma aberta, mas um decreto presidencial "obriga" a transmissão aberta no satélite, alegando interesse nacional.

Active Image publicação autorizada.