Arquivo da categoria: Notícias

Telefônica fecha com Globosat e TV Globo

A Telefônica e a Globo fecharam o acordo para a distribuição dos canais Globosat e também do sinal da TV Globo. Os termos do acordo são rigorosamente aqueles celebrados entre Globosat e Cade no Termo de Cessação de Conduta (TCC), no início deste ano. O TCC prevê que a Globosat vende seus canais para qualquer operador do mercado, mas seguindo regras de empacotamento e preço que não prejudicam os seus atuais (e tradicionais) clientes. Ou seja, a Telefônica não terá nenhuma ventagem de preço ou empacotamento em relação ao que é hoje oferecido para a Net ou para a Sky.

O acordo não prevê a distribuição dos canais nas plataformas em que a Telefônica não for controladora, ou seja, os 140 mil assinantes da DTHi (Você TV) e os assinantes das operações de cabo da TVA estão fora do contrato. O acordo vale apenas para a própria operação de DTH da Telefônica e para o MMDS da TVA (integralmente comprado pela tele espanhola), quando o processo estiver formalmente concluído. Há negociações entre Globosat e TVA em curso.

Os canais Globosat que estarão no DTH da Telefônica e no MMDS da TVA serão GNT, Multishow, Globonews, SporTV, Canais Premiére (incluindo o Premiére Futebol Clube, onde estão os jogos de futebol do Campeonato Brasileiro). Telecine, Universal e Canal Brasil estão fora da negociação. Ou seja, a Telefônica terá apenas os canais HBO, no primeiro momento, como opção premium de filmes. O motivo alegado para a exclusão dos canais Telecine é falta de capacidade satelital nesse estágio incial das operações.

O Canal Brasil, curiosamente, é de um genêro (canal dedicado integralmente ao cinema nacional) exigido pela Lei do Cabo aos operadores do serviço, mas ficará fora da oferta da tele, por enquanto.

O empacotamento exige que os canais Globosat estejam em todos os níveis. Ainda não está definido se a Telefônica usará ou não a opção sub-básica, empacotamento que inclui apenas os canais Globonews e Multishow.

Local-into-local

O sinal da TV Globo será distribuído pela Telefônica, mas respeitando dois princípios dos quais a Globo não abre mão: plena qualidade do sinal e, mais importante, cada assinante só pode receber o sinal da emissora de sua praça. Trata-se do conceito de local-into-local, ou seja, os assinantes de Brasília, por exemplo, só podem receber o sinal da Globo Brasília, os de Belo Horizonte só o sinal da Globo Belo Horizonte, os de São Paulo apenas a Globo São Paulo e assim por diante, como acontece hoje na Sky. Isso implica um grande aumento de custo para a operação, tanto é que a Sky tem o sinal da Globo apenas em algumas praças, por conta dos links e transponders. Hoje, o DTH da Telefônica está restrito ao Estado de São Paulo, onde a Globo tem várias afiliadas.

Os preços que a Telefônica praticará não estão definidos contratualmente, mas os valores que estão sendo praticados hoje, segundo um observador próximo, aparentemente têm uma gordura para os canais Globosat. Isso ainda precisará ser reformatado, entretanto. Segundo uma fonte qualificada que acompanhou as conversas, o dilema da Telefônica está entre oferecer o mesmo que suas principais concorrentes (Sky e Net), porque é isso que o contrato com a Globosat exige, ou bancar um produto diferenciado. Os canais Globosat fora do empacotamento padrão são muito mais caros, conforme termos do TCC.

Segundo outras fontes, o mais provável é que a opção de baixo custo da Telefônica, sem Globosat, seja a DTHi, com o Você TV, cujas vendas não estão, por enquanto, sendo estimuladas pela central de atendimento da tele.

TCC

Os termos do TCC firmado entre Globosat e Cade no início do ano foram os seguintes:

1) A proposta aceita pelo Cade prevê a comercialização dos canais em bases não discriminatórias a partir de 2006 e até 2008, conforme o calendário esportivo. Pelo acordo, a Globosat se compromete a comercializar a todos os operadores do mercado os canais SporTV e SporTV2 nas mesmas condições em que são vendidos à Net e à Sky, o que inclui a venda integral do pacote (formado pelos demais canais Globosat: GNT, Multishow e Globonews).

2) Para os novos assinantes que ingressarem na base, a venda deve ser necessariamente no pacote básico. Para a venda dos canais Premiére (de pay-per-view), haverá dois modelos de negócios a serem escolhidos: o estabelecimento de um mínimo garantido de vendas em dois anos, que deve ser igual ao índice de penetração dos canais no sistema Net/Sky no último ano (11% da base); ou ainda um acréscimo de 10% para a Globosat na divisão das receitas com a venda, nesse caso sem um mínimo garantido.

3) A partir de 2009, a Globosat compromete-se a restringir a exclusividade no mercado brasileiro de somente dois dos cinco principais campeonatos de futebol elencados pelo Cade (Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Campeonato Paulista, Campeonato Carioca e Libertadores da América); ou ainda de três destes torneios, sendo que não será permitido, até 2011, que a programadora tenha em bases exclusivas simultaneamente o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.

4) Os operadores poderão comprar o pacote de canais Globosat com um período de carência de um ano (para o caso de contratos válidos por cinco anos) durante o qual o operador poderá pagar o preço mínimo, ou seja, durante esse período será considerado que a penetração dos canais Globosat na base do operador é máxima.

5) A Globosat também venderá aos operadores um pacote sub-básico, composto apenas dos canais Globonews e Multishow, nas mesmas condições que comercializa estes canais para as operadoras do sistema Net, ou seja, limitado a 20% da base de assinantes.

6) A Globosat aceitará comercializar seus canais ao operador inclusive no caso de assinantes não residenciais (bares, hotéis e flats).

Active Image

Funttel destina R$ 30 mi para desenvolvimento de acesso sem fio em banda larga

O conselho gestor do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações) decidiu destinar R$ 30 milhões para o projeto de desenvolvimento nacional de soluções de acesso sem fio em banda larga. Os recursos serão liberados ao longo de três anos e o objetivo é fomentar a produção local de sistemas e componentes, incluindo a indústria de semicondutores, pois o programa inclui até o desenvolvimento do chipset a ser usado pela solução. “A idéia é chegar a 2010 com uma solução que agregue valor e tecnologia à indústria nacional, com condições de competir globalmente”, explica o diretor do Departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações, Igor Vilas Boas de Freitas.

Os recursos devem contemplar um consórcio formado por um centro de pesquisas e indústrias. A contratação está a cargo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que normalmente não trabalha com chamamentos públicos. Assim, a encomenda deve ser dirigida para um consórcio a ser escolhido, que atenda às exigências técnicas do projeto, que incluem desde o desenvolvimento até a prototipagem da solução, que deve obrigatoriamente trabalhar em cima de protocolos globais de acesso em banda larga sem fio, sejam eles de WiMAX ou terceira geração.

A expectativa é de que a seleção do consórcio ocorra em setembro. O projeto começou em fevereiro com uma consulta pública do Ministério das Comunicações para receber sugestões que contribuíssem para a adaptação do WiMAX à realidade brasileira. A proposta se insere na política do Minicom de difusão do serviço de banda larga e é aderente aos objetivos do Funttel, de desenvolvimento tecnológico.

Freitas destaca que o projeto não é o primeiro a contar com recursos de fundos setoriais para fomentar o desenvolvimento local de soluções de acesso em banda larga. O Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) já conta com apoio para um programa semelhante, tendo o WiMAX como foco. A tecnologia também é alvo de duas outras pesquisas, encabeçadas pela PUC-RS e pela Unicamp, que estudam o WiMAX como canal de retorno para a TV digital.

Active Image Telecom Online

Brasil tem o menor índice de avanço da sociedade da informação na AL

O Brasil apresentou, mais uma vez, o menor Índice da Sociedade da Informação (ISI) na comparação com o México, Argentina, Colombia e Chile. O crescimento de 1,1% interanual foi inferior ao da média regional e o menor dos últimos 15 trimestres. Os dados referem-se ao primeiro trimestre deste ano do ISI, relatório elaborado pela everis, empresa de consultoria que oferece soluções de negócios e tecnologia da informação, e a IESE, escola espanhola de pós-graduação em administração de empresas.

O ISI analisa a penetração da sociedade da informação na Argentina, Chile, México e Colombia. Entre os itens medidos estão a quantidade de computadores e de celulares em funcionamento para cada mil habitantes, os gastos com TI em relação ao PIB, o desenvolvimento do comércio eletrônico e o acesso à internet. Avalia também o comportamento do ambiente externo nos cenários econômico, institucional e social.

No Brasil, o crescimento das tecnologias da informação e comunicações (TICs) perdeu força em relação ao mesmo período de 2006, ainda que tenha apresentado uma melhora significativa em algumas variáveis, como a existência de 2,2 unidades de servidores para cada mil pessoas, o que representa um aumento interanual de 9,3%, o mais alto em cinco anos.

Também foi registrado um crescimento no desenvolvimento das tecnologias da informação de 7,2% durante o primeiro trimestre, quando comparado com o ano anterior. Mas, entre os países analisados, o Brasil teveo menor número de celulares, contabilizando 538 terminais em funcionamento para cada mil habitantes, com um aumento interanual de 13,2%, o menos significativo nos últimos nove anos.

Segundo o ISI, o Brasil não deixará de apresentar o índice mais reduzido entre os países analisados nos próximos dois trimestres. As TICs, diz o relatório, podem prosperar, graças aos computadores e ao gasto com tecnologias da informação e comunicações. A previsão é de que o país tenha 163 computadores para cada mil habitantes, o que significaria um aumento interanual de 20,8%. Espera-se que o gasto total em TIC por habitante chegue a US$ 490, equivalente a uma alta de 27,3%. O estudo também aponta que haverá quedas na área econômica e institucional no terceiro trimestre, o que não seria neutralizado pelas melhoras nos setores sociais e de infra-estrutura.

No que se refere à América Latina, o ISI no primeiro trimestre de 4,42 pontos, o que representa uma valorização de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado, o menor registrado desde 2003. Nas TICs, o número de computadores atingiu 134 para cada mil habitantes, com aumento de 18,7%. Já oscelulares somam 595 terminais, com crescimento de 19,2%, enquanto a quantidade de pessoas com acesso à internet registrou 208 para cada mil habitantes (+29,6%).

O Chile foi novamente o país que apresentou o maior índice de desenvolvimento na sociedade da informação, alcançando 5,76 pontos, um aumento interanual de 3,3%. Em segundo lugar ficou a Argentina com 4,75 pontos e, em terceiro, o México, com 4,58 pontos.

As projeções da everis e o IESE para os próximos dois trimestres indicam que o ISI continuará em desaceleração, podendo atingir 4,45 pontos. Entretanto, as estimativas são de que as TICs manterão um crescimento significativo na pontuação média, de acordo com o número de computadores e de usuários de internet, estimado em 146 e 240, respectivamente, chegando a 2,99 pontos no terceiro trimestre.

 Active Image

 

Entidades reagem a restrição da CVM a jornalistas

A decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de colocar em audiência pública mudanças na regulamentação da atividade dos analistas de mercado e dos jornalistas que cobrem finanças motivou críticas das entidades de classe do jornalismo. Embora não tenham avaliado o edital, dirigentes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) avisam que haverá resistência caso haja 'cerceamento' de conteúdo jornalístico.

'Se houver, de fato, cerceamento e restrições sobre o conteúdo jornalístico, haverá uma oposição aguerridada Fenaj e dos sindicatos', afirma Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, por sua vez, publicou nota repudiando o edital da CVM.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) informou que submeteu o edital a seu comitê jurídico. Já o presidente da ABI, Maurício Azêdo, diz que a proposta é inconstitucional. 'Tenho uma posição que independe de detalhamento (do edital). A CVM não tem poder para legislar, editar sobre o conteúdo jornalístico. Isso seria uma demasia, uma exorbitância.'

Azêdo relata que a CVM já tentou impedir a publicação de uma coluna sobre mercado de capitais no jornal Monitor Mercantil, do Rio. O diretor de redação do periódico, Marcos de Oliveira, lembra que em agosto de 2006 recebeu um ofício da CVM solicitando a não publicação da coluna do jornalista Rogério Marques. Caso aintimação não fosse acatada, a multa diária seria de R$ 2 mil. 'Foi um atentado à liberdade de expressão', diz Oliveira. 'A CVM não é a entidade adequada para dizer o que o jornalista deve fazer, ou o que o jornal deve publicar.'

A superintendente de Desenvolvimento de Mercado da CVM, Aline de Menezes Santos, diz que o objetivo da revisão da instrução 388 é coibir conflitos de interesses entre analistas e jornalistas. 'Acho muito injusto (as críticas). Temos outro patamar de mercado e os emissores de ações aumentaram a qualidade.' As novas regras em consulta prevêem que a empresa jornalística deve ter uma norma interna de conduta profissional para que o jornalista consulte fontes fidedignas.

A CVM não resolveu o principal problema dos analistas de mercado atualmente, na visão de profissionais consultados pelo Estado. As novas regras exigem, entre outros itens, uma prova para que o analista ganhe um registro. Ela pode ser aplicada por qualquer entidade de direito privado de âmbito nacional, sem fins lucrativos. Como participou dos trabalhos da primeira edição, a Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) acabou se candidatando e tornando-se a única certificadora.

Os profissionais preferiram não se identificar, mas avaliam que a medida não passa de um 'band-aid'. 'A minuta ajuda um pouco, mas não acaba com o principal foco de nossas críticas, que é a realização dessas provas', afirmou um analista.

A proposta da CVM é também criar três níveis de analistas: juniores, plenos e seniores, diferenciando os profissionais cujas recomendações são divulgadas publicamente dos que produzem conteúdo para divulgação.

O presidente da Apimec, Álvaro Bandeira, diz que pediu a todas as regionais da Apimec pareceres sobre a instrução para elaborar uma posição conjunta, o que deve acontecer nos próximos 15 dias.

Active Image O Estado de São Paulo.

Brasil e Japão farão viagem conjunta para divulgar padrão

Brasil e Japão sairão juntos, no próximo ano, em uma peregrinação pelos países latino-americanos na tentativa de convencê-los a implantar o padrão nipo-brasileiro de TV digital. Os detalhes da viagem conjunta foram alinhavados em uma reunião realizada nesta quinta-feira, 16, com o ministro dos Negócios Internos e das Comunicações do Japão, Yoshihide Suga, e o ministro Hélio Costa. O anúncio da empreitada foi feito em almoço de confraternização da comitiva japonesa e dos técnicos do ministério brasileiro.

"O nosso objetivo é divulgar esse modelo brasileiro/japonês de TV digital para os países vizinhos, como a Argentina e o Chile. Acreditamos que será possível espalhar o sistema nipo-brasileiro pela América do Sul", afirmou o ministro Suga. A comitiva japonesa – com 40 representantes de governo e da iniciativa privada – começará uma excursão prévia pelos países vizinhos quando deixarem o Brasil. Neste ano, técnicos do Minicom e da Casa Civil fizeram a mesma viagem tentando criar um ambiente favorável a padronização da transmissão digital de televisão na América Latina.

O ministro Hélio Costa contou que esse primeiro movimento já trouxe bons sinais em direção a um alinhamento na escolha do padrão. Segundo Costa, o Chile e a Argentina suspenderam o anúncio da implantação do sistema americano para avaliar o ISDB com as implementações utilizadas no Brasil. "No momento em que o Brasil começar a transição e um outro país adotar o sistema, nós, automaticamente, levamos a América do Sul toda", aposta o ministro.