Arquivo da categoria: Notícias

Intervozes lança abaixo-assinado pela CPI Abril-Telefônica

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a venda da empresa de TV por assinatura TVA pelo Grupo Abril à Telefônica, com expectativa de ser instalada essa semana – segundo a Agência Estado – ganhou mais um reforço. O Coletivo Intervozes lançou um abaixo- assinado pela abertura da CPI. A Comissão deverá investigar se a transação fere ou não lei que estabelece em 49% o limite de capital estrangeiro em uma empresa de TV a cabo. Qualquer internauta poderá apoiar a causa assinando pela internet o abaixo-assinado do Intervozes.

Como é comum acontecer com iniciativas que tentam jogar alguma luz sobre os negócios na área da comunicação, as empresas – neste caso, a Editora Abril – jogam pesado contra a CPI. Apesar de o requerimento contar com 182 assinaturas e aguardar apenas o despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, sua instalação nãoestá garantida. Usando a pressão direta e indireta (especialmente através da revista Veja), a Abril tenta fazer com que os parlamentares retirem seu apoio à CPI.

Como forma de pressionar no sentido contrário, o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação lança um abaixo-assinado online pela instalação e mesmo a ampliação do foco da CPI.

Para o Intervozes, o episódio de que trata o pedido de investigação “é revelador da dimensão do poder dos grandes grupos de mídia enquanto atores políticos e de como a lógica econômica predomina em detrimento do interesse público no campo das comunicações”.

Além disso, a entidade  lembra que também outras transações no setor de TV por assinatura, como a venda de ações da NET para a Embratel (controlada pela mexicana Telmex), poderiam ser objeto da CPI.

O Intervozes ressalta que apesar da denúncia surgir em meio aos escândalos envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a disputa entre ele e a própria Editora Abril, que tomou partido pela sua cassação, os fatos envolvendo a venda da TVA são graves e não podem ser obscurecidos por esta querela.

*

Veja abaixo o texto completo do abaixo-assinado.

Para assinar o manifesto, clique aqui.

Pela instalação da CPI TVA/Telefônica e investigação de todas as irregularidades do setor

Estamos diante de mais um caso de “faroeste” no campo das comunicações no Brasil. Agora, o Grupo Abril deflagrou uma campanha para desarticular a CPI que irá investigar a compra da TVA pela Telefônica. Utilizando seu principal veículo de informação, a revista Veja, a empresajoga pesado contra os parlamentares que assinaram o requerimento. Achando pouco, a Abril colocou lobistas e funcionários próprios para percorrer os gabinetes pressionando os deputados a retirar suas assinaturas.

Essa campanha só reforça a necessidade de instalação da CPI, alémdar mais motivos para enterrar o mito da imparcialidade no jornalismo brasileiro.

O que teme a Abril? Provavelmente, a empresa não quer que venham à tona as irregularidades da operação que, na prática, entregou o controle da ComercialCabo para uma empresa estrangeira, o que é proibido pela lei 8.977/95.

No momento em que uma empresa de mídia utiliza seu poder político para tentar proteger seus interesses, o Congresso brasileiro tem de afirmar sua independência e não pode se dobrar ao poder dessa grande corporação. É verdade que a denúncia das irregularidades feita por Renan Calheiros é uma retaliação à campanha da Abril pela sua cassação. O senador nada tem de inocente e reagiu à denúncia – aparentemente verdadeira – de que ele faz uso de laranjas para manter uma rádio em Alagoas. Mas é verdade também que isso não interfere nadanos fatos. O que interessa é saber se houve ou não irregularidades na operação de compra da TVA pela Telefônica. E há indícios de que houve irregularidades não consideradas pela Anatel ao aprovar a operação.

Pela legislação atual, o limite de capital estrangeiro em uma empresa de TV a cabo é 49%. Embora a venda da TVA respeite esse limite, ela estabelece uma cláusula no contrato apontando a necessidade de uma 'reunião prévia' dos acionistas preferenciais, que deve ter seu resultado seguido pela reunião de acionistas com direito a voto. Na prática, vincula as decisões da empresa às decisões da Telefônica, passando o controle à empresa espanhola.

A prática não é nova nem exclusiva do Grupo Abril. A primeira empresa a usar brechas legais para vender sua operadora de cabo para o capital estrangeiro foi a Globo, que vendeu a quase totalidade das ações preferenciais (sem direito a voto) e cerca de 38% das ações ordinárias (com direito a voto) da NET Serviços para a Embratel (leia-se Telmex). Mas a Globo usou uma empresa chamada GB (que era usada anteriormente pela Globo e o Bradesco – daí o nome) e lhe ''entregou'' 51% das ações da NET Serviços. O problema é que o capital da GB agora está dividido em 49% para a Telmex e 51% para a Globo. Assim, na prática, a Telmex é a acionista majoritária da NET Serviços, a despeito da proibição da Lei da TV a cabo (8.977/95). A transação da Globo foi aprovada pela Anatel.A Abril fez a mesma coisa, mas foi menos sutil; mesmo assim, também teve sua operação aprovada.

No caso da Telefônica, há ainda um outro problema. Em São Paulo, além da proibição prevista na Lei do Cabo, existe outra, que está na Lei Geral de Telecomunicações (LGT) e quediz que uma empresa concessionária de telefonia fixa não pode estar no bloco de controle de uma operadora de TV a cabo, o que se configura com a posse de 20% das ações ordinárias. Então, especificamente no estado de São Paulo, a Telefônica só pode ter 19,99% das ações ordinárias da TVA.

A resolução 101 da Anatel, que baliza a análise sobre esse tipo de operação, tem elementos para que se impeça esse tipo de transação. Com todos esses indícios, a investigação sobre essas operações se torna inadiável. Mesmo frente a esse quadro, a soberba do Grupo Abril étamanha que eles alegam que a CPI ameaça a liberdade de imprensa. Ora, uma empresa de mídia não pode ser investigada? Em nome dessa “liberdade de imprensa” (na realidade, liberdade de empresa) deve-se abafar todos os indícios de irregularidades em meios de comunicação? Só a reação da Abril já justifica a instalação da CPI. Quem teme, provavelmente deve.

O episódio é revelador da dimensão do poder dos grandes grupos de mídia enquanto atores políticos e de como a lógica econômica predomina em detrimento do interesse público no campo das comunicações. Evidencia também a leniência do poder público para lidar com as burlas legais encontradas pelas grandes empresas. Resta saber se o Congresso brasileiro se dobrará diante dessa chantagem. Os abaixo assinados esperam que não.

Fundação Padre Anchieta anuncia demissão de 68 funcionários

Em nota divulgada à imprensa, nesta terça-feira (18), a Fundação Padre Anchieta anunciou ter encerrado, na última segunda-feira (17), o contrato de trabalho de 68 funcionários, entre eles 16 da equipe de jornalismo.

Segundo informou a assessoria de imprensa da TV Cultura, as dispensas fazem parte do projeto de reestruturação da Instituição – as demissões devem reduzir em R$ 600 mil reais mensais o custo da Fundação com pessoal, o que equivale a R$ 7,2 milhões ao ano.

Em carta enviada aos funcionários, o diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, afirma não estar sendo fácil enfrentar esse processo, 'especialmente no caso desta presidência que completa três meses de mandato'. Para Markun, apesar de 'duras e amargas', estas medidas podem ser melhor compreendidas sob a perspectiva de que a direção pretende 'assegurar um futuro sólido paraa instituição que completa 40 anos e tem, como seus acionistas, 41 milhões de paulistas que pagam impostos e contribuem com metade dos recursos utilizados em nosso custeio'.

Segundo apurou o Portal Imprensa, a reestruturação não deverá interferir na programação da TV Cultura,da TV Rá Tim Bum e das Rádios FM e AM.

Confira abaixo a íntegra da carta enviada aos funcionários por Paulo Markun

A todos os funcionários.

 

Nesta data, estamos desligando do nosso quadro funcional um número expressivo de profissionais, alguns deles com décadas de trabalho e dedicação à Fundação Padre Anchieta.

Nunca é fácil enfrentar tal circunstância, especialmente no caso desta presidência que completa três meses de mandato. Tempo aplicado na realização de um primeiro diagnóstico administrativo, bem como em mudanças no organograma e modelo de gestão.

Nosso objetivo é assegurar um futuro sólido para a instituição que completa 40 anos e tem, como seus acionistas, 41 milhões de paulistas que pagam impostos e contribuem com metade dos recursos utilizados em nosso custeio.

Acreditamos que estas medidas, duras e amargas, poderão ser melhor compreendidas e assimiladas nessa perspectiva.

Atenciosamente,

 

Paulo Markun
Diretor-presidente
Fundação Padre Anchieta

Record News estréia na TV aberta na próxima semana

Na manhã desta terça-feira (18/09), a Rede Record anunciou, em entrevista coletiva, o lançamento da Record News – canal 24 horas de notícias de notícias, veiculado em canal aberto, a estrear no próximo dia 27/09, às 20h, pelo sinal da antiga Rede Mulher. A data não foi escolhida ao acaso. Será o mesmo dia e horário em que, há 54 anos, nascia a TV Record.

O evento contou com a participação de todo o casting do novo canal, entre eles, Celso Freitas, Lorena Calábria, Adriana Araújo, Paulo Henrique Amorim, Janine Borba, Eduardo Ribeiro, Maurício Torres, Rodrigo Vianna, Eliakin Araújo entre outros, além de produtores e redatores, e teve direito à entrada ao vivo no programa 'Tudo a Ver'.

Durante a apresentação do novo empreendimento, Alexandre Raposo (Presidente da TV Record), Douglas Tavolaro (Diretor de Jornalismo da TV Record e Record News) e WalterZagari (Diretor Comercial) mostravam otimismo. 'Só no primeiro ano, nossa expectativa é que o Record News fature R$ 100 milhões só em seu primeiro ano', disse Zagari.

Para viabilizar a nova emissora, segundo Alexandre Raposo, foi feito um investimento de US$ 7 milhões em infraestrutura e equipamentos. Foram trazidos para o Brasil, equipamentos usados por empresas com NHK, do Japão, e BBC, de Londres. 'No Brasil não há emissora com tamanha tecnologia para edição. Toda a edição de matéria será digital, sem uso de fitas', completa Tavolaro.

Cerca de 150 jornalistas estão empregados exclusivamente no canal, além de outros 100 profissionais de produção e técnica. No entanto, todos os mil jornalistas da TV Record, espalhados pelo Brasil, também contribuirão com a produção jornalística.

A emissora contará com dois estúdios: um newsroom, que abrigará as transmissões ao vivo, e um outro para os programas gravados. Toda a infraestrutura (1000 m² de área dedicada ao jornalismo) está montada na sede da Record, na Barra Funda, em São Paulo (SP).

Contra a o jornalismo apático

A intenção da Record News, segundo o Diretor de Jornalismo, é de que ele seja um canal de notícias diferente do que é apresentado atualmente pelas emissoras similares. 'Consideramos os canais de jornalismo atuais muito apáticos. A grade do novo canal foi criada para que ele fosse ágil, vibrante e cheio de vida', disse.

Talvez para não ser chamado de 'clone', assim como aconteceu quando foi lançado o 'Jornal da Record', 'ineditismo' foi uma palavra muito usada na coletiva de lançamento. 'Temos muitas novidades. Serão programas que contam com jornalismo plural, independente, ágil, com formatos inéditos.Teremos jornais que serão gerados regionalmente para o Brasil, além de um outro, chamado 'Tempo News', totalmente voltado para notícias meteorológicas'.

A idéia é de que o canal traga um misto de jornalismo hardnews com programa de variedades. O canal contará com 19h de programação inédita, e outras cinco de reprises de programas do dia. 'Serão poucas as reprises da TV Record na Record News', afirma Alexandre Raposo.

Como um outro exemplo de ineditismo, foi citado o programa 'Mundo Meio-dia'. Apresentado por Marcos Hummel, trata-se de um jornal de informações exclusivamente internacionais, com a participação da equipe de correspondentes da Record.

O principal telejornal da nova emissora, no entanto, é o 'Record News Brasil', ancorado por Eduardo Ribeiro. O programa terá uma hora de duração, contará com reportagens e entrevistas exclusivas, além das principais notícias do dia.

Na internet

Durante a coletiva, também foi anunciado pelo jornalista Ricardo Frota, responsável pela área de Comunicação Institucional da TV Record e Record News que, através do site www.recnews.com.br , o internauta terá acesso atodas as matérias exibidas, em ambos os canais, até uma hora depois de elas terem ido ao ar.

A Record News será sintonizada em, São Paulo, pelo canal 42 UHF, 93 Net Digital e 20 TVA.

Franklin Martins diz que MP que cria emissora sai ainda este mês

A secretaria de comunicações do governo reiterou que pretende encaminhar ao Congresso Nacional ainda neste mês uma Medida Provisória (MP) de criação da TV pública, por enquanto batizada de TV Brasil. O cronograma foi confirmado nesta segunda-feira, 17, pelo ministro-chefe Franklin Martins, após a abertura da Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, na Câmara dos Deputados. O texto do MP está pronto e passa, no momento, apenas por revisões jurídicas para evitar problemas de interpretação.

Constarão na medida, segundo o ministro, o detalhamento do modelo de instalação, as regras de funcionamento e a definição do conselho que comandará as decisões da nova TV pública, formada a partir da fusão da Radiobrás e da Cerpe. Os nomes serão divulgados depois de aprovada a MP.

O uso de uma medida provisória para criar a TV pública foi para evitar instabilidades, segundo explicou Martins. Como a nova entidade será criada a partir da fusão de duas empresas públicas existentes, esse processo não pode ficar meses aguardando a tramitação de um projeto de lei sob pena de fragilizar a nova estrutura.

Active Image

Recomendação dos EUA apressa fim da neutralidade de rede

A decisão do Departamento de Justiça norte-americano, no dia 6 de setembro, foi uma ducha de água fria nos movimentos de direitos civis nos Estados Unidos que vêm pressionando o governo por medidas que garantam a neutralidade de acesso à Internet. Ou seja, que os pacotes de todos os usuários sejam tratados da mesma forma, como tem sido desde a criação da rede. Na contramão dessas reivindicações, o documento encaminhado à Federal Communication Comission (FCC), a qual caberá a palavra final, sugere que não se adote medidas regulatórias para garantir a neutralidade da rede, sob argumento de que essas medidas podem reduzir investimentos no desenvolvimento da própria rede, inibir a inovação, reduzir o poder de escolha do consumidor e até provocar o aumento de preços.

Resumindo, a posição do Departamento de Justiça, encarregado de impedir as práticas anticompetitivas, é no sentido de que as operadoras de telecomunicações e cabo podem, sim, cobrar tarifas diferenciadas para diferentes tráfegos na rede. A tese tem como líderes a AT&T e a Verizon, responsáveis pela proposta de cobrança diferenciada para provedores de conteúdo, pois estes, segundo elas, sobrecarregariam a rede demandando mais investimentos por parte das operadoras. Ou seja, os usuários que pagarem essas tarifas especiais terão um tratamento diferenciado para seus pacotes.

A decisão do Departamento de Justiça já provocou protestos por parte de várias entidades, mas também recebeu muitos apoios. A questão da neutralidade de rede é tema de grande polêmica na sociedade norte-americana. E tem repercussões no mundo todo, pelo fato de grande parte do roteamento do tráfego internet ser feito nos EUA.

Efeito em cascata

Se a posição defendida pelo Departamento de Justiça for referendada pelo FCC ao final dessa consulta pública, os princípios que orientaram a criação da internet – entre a quais a liberdade de acesso e o compartilhamento – serão duramente afetados. “Trata-se de uma decisão com repercussões muito sérias”, opina Sérgio Amadeu da Silveira, professor de Cidadania Digital no curso de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero. Em sua avaliação, dependendo de como essas regras discriminatórias forem implementadas, elas não só afetarão os usuários que acessam sites que não fizerem acordos para tratamentos especial de tráfego com as operadoras, como poderão ter impacto sobre aplicações peer to peer (entre dois usuários) que usam protocolos tipo bit torrent, que permitem o compartilhamento, em alta velocidade, de arquivos pesados. Aplicações essas que hoje não pagam nada para transitar na rede, e que, numa situação de tráfego privilegiado por taxas especiais, podem ser seriamente comprometidas.

Na avaliação de Demi Getschko, integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil, essa discussão tem que ser acompanhada atentamente. Mas ele recomenda cautela: “É evidente que, se existe qualidade de serviço diferente e largura de banda diferente, pode ter custo diferente”. Mas, se ele admite o que chama de corte vertical em relação à cobrança de tráfego na internet, é totalmente contra o que chama de corte horizontal. Ou seja, pacotes em iguais condições têm que ser tratados da mesma forma. “Não se pode privilegiar pacotes de um determinado site, porque pertencem a um determinado grupo econômico, da mesma forma que não se pode impedir o tráfego de streaming de áudio, que na verdade é voz sobre IP, porque a VoIP prejudica os interesses do operador”, exemplifica.

Getschko reconhece, no entanto, que a questão é muito delicada pois há freqüentes denúncias, inclusive no Brasil, de tratamento discriminatório de determinados dados. A própria Anatel já foi acionada, segundo relato de dirigente do órgão regulador. A palavra-de-ordem entre os ativistas pela democracia na rede é estado de alerta. “Temos que ficar vigilantes sobre como esse movimento pode influenciar a legislação brasileira”, diz Gustavo Gindre, do Coletivo Intervozes e também integrante do CGI.br.

Active Image