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CADE apresenta relatório sobre convergência em novembro

O relatório resultante do ciclo de palestras realizado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) para debater a convergência será apresentado ao conselho diretor do órgão em novembro. Segundo o conselheiro Luiz Carlos Delorme Prado, idealizador do projeto, caberão aos demais conselheiros manifestar-se favorável ou não ao texto, que depois de aprovado será encaminhado ao Congresso Nacional, Anatel, Ministério das Comunicações e Casa Civil, entre outros órgãos.

Ele apresentou as linhas preliminares do relatório nesta segunda-feira, 23, no 12º Encontro Telesíntese, da Momento Editorial, cujo tema é a separação de redes e serviços no contexto da convergência. Para o conselheiro, a essência da discussão da convergência é a banda larga e é sobre esse serviço que se dá a briga de mercado entre as concessionárias de telecom e as operadoras de TV a cabo.

No relatório, ele destaca que as análises concorrenciais deverão olhar os mercados geográficos, dando importância à oferta local de serviço. O texto ainda enfatizará a necessidade de se garantir o uso pleno da infra-estrutura. “Não dá para ter infra-estrutura ociosa ou infra-estrutura concorrente num país carente de recursos de investimentos”, disse Prado, destacando que é preciso criar mecanismos para se evitar a duplicação de infra-estruturas.

FGV prefere unbundling à separação estrutural

Num país como o Brasil, onde a penetração do acesso em banda larga ainda é baixa, apenas 3% da população, seria interessante ampliar a competição e fazer a desagregação de redes via o unbundling, ao invés de adotar um modelo mais radical, de separar tudo (redes e serviços), a exemplo do que está sendo feito na Inglaterra e em outros países. Esse modelo foi defendido pelo professor da FGV, Arthur Barrionuevo, no 12º Seminário Tele.Síntese, realizado pela Momento Editorial. No entendimento do economista, a separação total não é a medida mais adequada para expandir a rede e existem outras formas, “menos radicais”, para aumentar a competição e que preservem o investimento. “O modelo de competição de plataformas é o mais eficaz para ampliar a oferta de banda larga no Brasil”, apontou.

Barrionuevo acredita que a separação de redes poderia impactar negativamente o nível de investimento e a expansão das redes. Em sua avaliação, do ponto de vista concorrencial, o importante não é a forma de separação, mas a garantia de que quem controla a rede não vai discriminar o seu uso. Por outro lado, destacou que a evolução das tecnologias digitais impulsiona, cada vez mais, os movimentos de convergência e que, comprovadamente, as TICs (Tecnologias de Informação e Comunicações) contribuem para aumentar o PIB. Citou estudo com 135 países, que apontou aumento de 0,3% no PIB dos países que fizeram uso de TICs, com impacto no desenvolvimento e na eficiência.

Concentração

Ao mesmo tempo em que tem baixa penetração, o mercado de banda larga no Brasil é dos mais concentrados. Barrionuevo citou um estudo da Frost & Sullivam, de janeiro deste ano, mostrando que, no Brasil, o market share da banda larga é dominado pelas telcos, que têm 80% do mercado, enquanto o acesso por rede de TV a cabo responde por 18% e outras tecnologias por apenas 2%. No Chile, as telcos têm 48%, cabo 41% e outras tecnologias respondem por 11%; nos Estados Unidos, o cabo predomina com 51%, as telcos têm 41% e as clecs (espelhos) têm 8%.

Modelo britânico

Para Moacir Giansante, consultor de tecnologias do CPqD, o modelo adotado na Inglaterra pode ser uma referência para outros países, inclusive o Brasil, desde que se entenda que lá, somente a infra-estrutura foi transferida para outra empresa – a Openreach –, permanecendo sob a administração da British Telecom os demais equipamentos eletrônicos que auxiliam na prestação do serviço. Para gerenciar esses equipamentos foi criada uma nova unidade – conhecida como Wholesale – responsável pela prestação do serviço. Na sua visão, desta maneira a operadora britânica consegue minimizar os riscos de desinvestimento, já que a parte mais avançada tecnologicamente continua sob a direção da incumbent. Mas, para ele, no Brasil, a implementação de qualquer alternativa de separação de redes e serviços tem que ser analisada com cautela. “A sua eficácia deve ser analisada em função das metas de universalização”, concluiu.

Freqüências da TV digital geram divergências entre Brasil e EUA

O governo brasileiro anunciou que pretende aproveitar a conferência que ocorre nesta semana, em Genebra, promovida pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), para bloquear a iniciativa americana definir as freqüências da TV digital no mundo – a idéia dos americanos é permitir que uma banda seja definida rapidamente para que a freqüência usada pela TV analógica possa ser liberada para outros fins, como celulares e internet sem fio, mas o Brasil é contrário a essa posição. 'Enquanto os americanos pegam todas as freqüências existentes para a telefonia, nós precisamos ainda de espaços para outras finalidades. Só a TV pública, por exemplo, precisará de quatro canais', afirmou o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

Pelos cálculos americanos, a definição das freqüências abriria um espaço de US$ 15 bilhões para o uso comercial das freqüências que seriam liberadas, mas o Brasil afirma que deve aproveitar o prazo que tem – até 2016 – para migrar para a TV Digital.

Outra briga do Brasil está relacionado à tentativa dos europeus de definir a banda C como de uso exclusivo de celulares. 'No Brasil, 18 milhões de pessoas assistem TV por antenas parabólicas que usam essa freqüência', disse Costa.

Senadores criticam imediatismo na criação da TV Pública

Em sessão realizada e transmitida pela TV Senado na última segunda-feira (22), o senador Papaléo Paes (PSDB/AP), durante seu pronunciamento, voltou a criticar a urgência com que foi criada a TV Pública, prevista para estrear oficialmente no País em 2 de dezembro deste ano.

A emissora, criada por meio de uma Medida Provisória instituída pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, pode funcionar, segundo Paes, como uma "ferramenta de poder" nas mãos de um "comunicador por excelência", referindo-se a Lula. "Não podemos tolerar a ingerência do Executivo sobre nosso trabalho", afirma Paes, defendendo a necessidade de um debate mais profundo sobre os rumos que deve tomar a TV Pública e sobre a escolha de seus membros gestores.

Em comentário ao pronunciamento de Paes, o senador Pedro Simon (PMSB/RS) afirma que a criação de um veículo como a TV Pública deveria ser melhor discutida e jamais efetivada por meio de uma Medida Provisória. "O governo está cometendo um grande equívoco", destaca ao explicar que um meio de comunicação com o alcance que tem a televisão é fundamental para o acesso à educação e à cultura em um país continental como o Brasil.

Ainda em crítica à decisão do governo, o senador Mão Santa (PMBD/PI ressalta que medidas de urgência seriam aceitas em casos de investimentos em saúde e educação e combate à violência, mas considera desnecessária a decisão de antecipar a criação da TV Pública sem um longo debate prévio. "Isso não é urgência, é palhaçada", afirma. E completa: "Isso é um desrespeito ao Congresso".

Cade apresenta em novembro relatório sobre convergência

O conselheiro do Cade Luiz Carlos Thadeu Delorme Prado disse nesta terça-feira, 23, que apresentará em novembro ao conselho diretor da autarquia o relatório sobre convergência, resultado de uma série de audiências públicas realizadas sobre o assunto. Uma vez aprovado o relatório, o Cade encaminhará o documento à Anatel, ao Congresso Nacional, ao Ministério das Comunicações e a outros órgãos a quem interessa saber a posição dele sobre o assunto.

O conselheiro listou algumas conclusões prévias do relatório. Entre elas, destaca-se a necessidade de, ao invés de se promover uma mudança ampla na regulamentação, se realizar reformas pontuais, que permitam ao governo agir mais rapidamente perante às mudanças tecnológicas. "Além disso, se reduz a chance de errar. É isso que estamos recomendando ao Congresso", diz ele.

O conselheiro defende uma reforma que leve em consideração a realidade sócio-econômica do Brasil, e não que simplesmente se copie um modelo que deu certo lá fora. Para ele, em primeiro lugar, deve-se garantir o amplo acesso à banda larga, para só depois se falar em convergência. "Sem a rápida expansão da banda larga, o debate sobre convergência perde importância", afirma.

Mercado relevante

Diante do cenário da convergência uma dificuldade para o órgão de defesa da concorrência é identificar em cada ato de concentração qual é o mercado em questão. Se aquele formado pelo conjunto dos serviços ou cada serviço separadamente. "O Cade olha para as duas dimensões: a realidade atual e as implicações em um futuro mercado convergente", afirma o conselheiro.

VU-M

O conselheiro afirmou que a VU-M "não é tão absurda", porque é o que permite às operadoras móveis manterem o serviço pré-pago, cujo pagamento mensal gira em torno de R$ 5. Ele não quis revelar, entretanto, sua posição com relação ao pleito da GVT de redução da tarifa. "Estou falando em termos conceituais. Ainda não conheço esse processo. Só posso emitir uma opinião (sobre o valor da tarifa) depois de apresentadas as manifestações", disse ele.

O conselheiro participou do Seminário Separação de Redes e Serviços no Contexto da Convergência, realizado pelo Tele.Síntese em São Paulo.