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Emissoras de TV acusam a Anatel de ‘guerrilha’ contra o setor

Incentivada pela Globo, a Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão) ameaça ir à Justiça contra a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). O motivo é a redistribuição de freqüências da radiodifusão para telefonia, comunicação multimídia e TV paga.

A Abert acusa a agência de prejudicar a radiodifusão em benefício das telecomunicações. ''É preciso que a Anatel cesse as condutas de guerrilha deliberadamente hostis à radiodifusão brasileira', diz nota divulgada pela internet.

O estopim da crise é a consulta pública número 833, proposta pela Anatel, que transfere para serviços de telecomunicações quatro canais de UHF hoje reservados para a repetição de sinais de TV para o interior.

A resposta da Abert surpreendeu pelo tom duro. Disse que a agência vem há dez anos prejudicando a radiodifusão e que tomará todas as medidas cabíveis, ''em todas as instâncias' para que ela cesse a ''guerrilha' contra o setor.

O presidente da entidade, Daniel Pimentel Slaviero, disse que, se for preciso, irá à Justiça para assegurar a manutenção dos canais.

Segundo a Abert, a Anatel foi estruturada, há dez anos, com foco na privatização do Sistema Telebrás, e seus funcionários, em grande parte, são oriundos das empresas de telefonia. ''Milhares de emissoras de rádio e centenas de emissoras de TV assistem à transferência crescente de canais dedicados ao serviço de radiodifusão abertos, livres e gratuitos para serviços de telecomunicações, pagos pelo consumidor', diz a nota da Abert.

A área técnica da Abert fez um levantamento dos canais de freqüência tirados da radiodifusão em decorrência da expansão da telefonia sem fio e de novos serviços de telecomunicações. O estudo fundamenta a manifestação da entidade na consulta pública, contra a redistribuição dos canais.

Em 1992, segundo o levantamento, a radiodifusão dispunha de 1.152 MGHz para enviar sua programação para as repetidoras no interior. Em 1997, tinha caído para 1.086 MGHz; em 2002, para 880 MGHz; em 2004, para 185 MGHz; e em 2006 baixou para 5 MGHz.

Segundo a Abert, a redução de canais afeta as atividades de apoio, como as transmissões das geradoras para as antenas de transmissão; o envio de sinais para as repetidoras, no interior, por via terrestre, e a transmissãode reportagens externas ao vivo, que usam uma freqüência especial. Segundo a Abert, nas grandes capitais, por causa do congestionamento das freqüências, as emissoras estão compartilhando o uso dos canais.

Pelo levantamento da Abert, os radiodifusores dispunham de 3.740 MGHz para enviar os sinais dos estúdios para as antenas de transmissão nas cidades. A Anatel fez cortes em 2002, 2004 e em 2006, e hoje há apenas 2.665 MGHz.

Outro lado

A Anatel não se manifestou, oficialmente, sobre as críticas da Abert, limitando-se a dizer que levará em consideração os argumentos que ela vier a apresentar na consulta pública.

Extra-oficialmente, porém, executivos da agência dizem que a migração de freqüências da radiodifusão para as telecomunicações seria inevitável para permitir a expansão das telecomunicações sem fio. As bandas A e B da telefonia celular, por exemplo, foram construídas com o uso de freqüências que, até os anos 1980, eram usados pela radiodifusão.

De acordo com dirigentes da Anatel, as emissoras de televisão contam com novas alternativas técnicas para a transmissão de reportagens ao vivo e enviar os sinais para as suas repetidoras, como as fibras óticas e os satélites.

PL 29 deve sofrer novas alterações para ser votado

O retorno à pauta da Comissão de Desenvolvimento Econômico do projeto de lei 29/2007 (que trata da criação de novas regras para os serviços de TV paga) promete trazer novas surpresas para a discussão sobre as regras de produção, programação e distribuição de conteúdos audiovisuais. Para solucionar o impasse em torno das últimas alterações feitas no texto, o deputado Wellington Fagundes (PR/MT) levará nessa terça-feira, 13, uma proposta diferente para a votação. Segundo informações do gabinete do parlamentar, apenas uma alteração no texto do substitutivo colocará fim às dúvidas em torno da viabilidade da emenda 30, assinada pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB/SP), que impede qualquer participação cruzada entre produtoras ou programadoras de conteúdo e as empresas de telecomunicações.

Já que a emenda foi acatada por Fagundes, a saída agora é fazer uma modificação em seu próprio relatório, provavelmente aceitando de forma parcial o texto da proposta. Fontes das empresas interessadas na aprovação da emenda afirmam que a restrição deveria ser apenas ao mercado nacional, excluindo-se assim as grandes teles – e seu controle estrangeiro – das limitações no mercado de conteúdo.

Em princípio, o PL 29/2007 será votado em reunião marcada para as 14h30 dessa terça-feira. Mas há chances de que a matéria seja adiada novamente. Isso porque, além do processo de conciliação sobre o texto da emenda ainda estar sendo tocado, a Comissão de Desenvolvimento Econômico deve receber a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para discutir o andamento dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Como o tema envolve diversas áreas importantes para a economia, é possível que a audiência pública se estenda, comprometendo a reunião prevista para ocorrer à tarde. A votação já foi adiada duas vezes – uma por conta de um pedido de vista coletiva e outra por decisão do próprio relator – para tentar conciliar a votação após a inclusão da emenda 30.

Teles e TVs se acertam sobre propriedade cruzada

Existe uma intensa negociação de bastidor entre empresas de comunicação e de telecomunicações para sugerir ao deputado Wellington Fagundes (PR/MT) propostas consensuais sobre o substitutivo ao PL 29/2007, que cria novas regras para o setor de distribuição de TV por assinatura e para a produção, programação e empacotamento de conteúdos. Segundo apurou este noticiário, um dos pontos mais complexos na negociação entre grupos de mídia e empresas de telecom foi a questão da propriedade cruzada. Ou seja, quem poderá entrar na seara de quem. Os pontos que aparentemente são consensuais e que devem entrar no substitutivo de Fagundes, segundo fontes próximas ao deputado, são as seguintes:

* As empresas de conteúdo brasileiro (e isso incluiria as TVs) não poderiam deter o controle de empresas de comunicação audiovisual eletrônica por assinatura (nova modalidade de TV paga criada pelo projeto de lei). Com isso, a Globo, por exemplo, precisaria sair do controle da Net Serviços, o que, ao que tudo indica, a empresa tem disposição de fazer. Não fica clara a situação da Sky, que é controlada por um grupo que pode ser considerado produtor de conteúdo (Liberty Media).

* As teles poderiam participar de empresas de conteúdo, mas seria aplicada a regra constitucional que vale para as TVs abertas, ou seja, pelo menos 70% do capital da empresa de conteúdo deve pertencer "a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos". As atividades de gestão e seleção dos conteúdos também devem ficar sob o controle de brasileiros. As teles, contudo, não poderiam comprar conteúdos como eventos esportivos e nem contratar artistas ou direitos sobre obras brasileiras.

Segundo apurou este noticiário, o substitutivo de Fagundes deve deixar de fora a imposição de cotas de conteúdo, ficando a discussão para a Comissão de Ciência e Tecnologia ou para regulamentação posterior.

AL quer criar sua própria entidade para as políticas de internet

Entidades latino-americanas do terceiro setor, que participam do Internet Governance Forum (IGF Brazil 2007), no Rio, reuniram-se ontem, 11, antes da abertura oficial do evento, para discutir a criação de uma entidade autônoma, capaz de encaminhar as demandas que consideram relevantes para a internet na região. Entre elas, a redução dos custos de conexão à internet, principalmente pelo uso das redes internacionais. A idéia é ter uma IGF América Latina, a exemplo da IGF do Reino Unido, que já foi constituída e reúne sociedade civil, empresas e governo. No caso latino-americano, contudo, a iniciativa envolve, até o momento, apenas organizações não-governamentais, e pretende integrar os diferentes países para fortalecer as ações na direção da defesa da redução dos custos de rede, do combate ao recrudescimento dos direitos de propriedade sobre conteúdos digitais, entre outros itens.

O diretor da Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits), Carlos A. Afonso, que participou do encontro latino-americano, destaca que Estados Unidos, Europa e Austrália negociam os custos internacionais de rede numa câmera multilateral, segundo ele, como acontece há anos na telefonia. Os demais países, no entanto, especialmente os mais pobres (como os da África e da América Latina), excluídos desse mecanismo, pagariam então os preços mais caros. A futura IGF América Latina quer organizar as posições latino-americanas a serem levadas aos fóruns internacionais e pressionar internamente os países para a implementação de políticas.

No Brasil, uma das ações buscaria velocidade na política nacional de banda larga. Ou seja, mais uma instância política, e independente do Comitê Gestor da Internet, onde, apesar da representatividade da sociedade civil, ainda há forte influência governamental. A reunião teve a presença de Raimundo Beca, do Chile, membro do Icann, escolhido pelo comitê de nomeação, Sebastian Bella Gamba, da coordenação regional latino-americana da Isoc, Fernando Barrio, da AlfaRede, Pablo Acosto, do Uruguai, e Valeria Bettacourt, do Equador. Além dos representante s do Itamaraty e da Cepal, pouco entusiastas da proposta. Novo encontro deve ocorrer na quarta-feira, durante o Grulac-Grupo de América Latina e Caribe, no IGF Brazil, no Rio.

Brasil propõe gestão mundial da internet ligada às Nações Unidas

Começou nesta segunda-feira (12/11), no Rio de Janeiro, o Internet Governance Forum 2007 (IGF), evento organizado pela Organização das Nações Unidas para debater os rumos da rede mundial de computadores. Na primeira edição do evento, realizada em Atenas em 2006, foram estabelecidos quatro temas a serem aprofundados na edição sediada pelo Brasil: acessibilidade, abertura, segurança e diversidade.

O primeiro dia do IGF, entretanto, evidenciou que parte substancial dos debates deverá se concentrar nos rumos da Icann (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), organização responsável pela designação dos domínios e números IPs da internet. Diversos países, entre eles o Brasil, são favoráveis a uma redução da relação política que a Icann atualmente possui com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Antecipando-se às críticas, a Icann divulgou logo na abertura do evento um “comunicado à imprensa” no qual afirma que a organização “não controla a internet”, prestando-se apenas a uma função técnica limitada, e que o órgão não pode controlar ou tirar do ar conteúdos de determinados países. Em referência direta ao envolvimento do órgão com o Departamento de Comércio dos EUA, a Icann afirma não receber ordens do órgão estadunidense, nem priorizar questões que possam interessar à economia norte-americana.

Divergência central

O texto distribuído pela Icann não deve alterar em nada opinião de diversos países – como Brasil, Argentina, Índia e África do Sul – cuja posição foi explicitada pelo ministro da Cultura brasileiro, Gilberto Gil, durante o debate de abertura do IGF. Em sua palestra, Gil defendeu que a ONU passe a fazer o gerenciamento mundial da internet.

Último a discursar em uma sessão que reuniu 16 representantes de diversos governos e executivos de grupos empresariais, Gil comparou a necessidade de uma nova governança da internet com um ecossistema ecológico para exemplificar a riqueza proveniente da diversidade de manifestações culturais.

“A internet é transnacional. Precisamos de uma ecologia para a rede da mesma maneira que precisamos de uma ecologia para o planeta”, afirmou o ministro, propondo ainda o desenvolvimento de um novo modelo com múltiplas participações no gerenciamento da internet que chamou de “pós-multistakeholder”.;
 

O encontro vai até quinta-feira (15) e reúne representantes dos governos, do setor privado e de organizações não-governamentais.

Segundo Augusto César Gadelha Vieira, secretário do Ministério de Ciência e Tecnologia e coordenador do Comitê Gestor de Internet, órgão regulador da internet brasileira, nos próximos dias o IGF deverá debater a melhor estrutura para um órgão que tem que gerenciar todos os recursos da rede da maneira mais ampla e popular possível, preocupação que explica o nome do evento.

“A ONU reconhece que ela [a Icann] não é o órgão adequado para fazer isto. O governo dos Estados Unidos está ciente desta solicitação, mas afirmou que apenas fará desde que tenha garantia de estabilidade na rede”, afirmou Gadelha ao Portal IDG Now!, que explica que tais mudanças poderiam ajudar a conferir estabilidade suficiente na rede para que o acordo com os EUA fosse rompido.

Durante os próximos quatro dias, também serão debatidos temas ligados à segurança online, com destaque para as possíveis medidas para combater a pedofilia. Além disso, serão discutidos temas relativos à diversidade cultural, à necessidade de adoção de padrões aberto e às especificações que facilitem o acesso à internet por usuários com necessidades especiais.

Evento paralelo

O Ministério da Cultura promoverá um evento paralelo ao IGF no Circo Voador, nos dias 12, 13 e 14 de novembro. A intenção é repercutir e ampliar as discussões do Fórum com a população, particularmente com os Pontos de Cultura no Brasil todo. Para isso, serão projetados no telão do Circo os debates oficiais. Em seguida, haverá debates com o público.

A programação do evento paralelo está disponível em

http://governanca.cgi.br/noticias/programacao-igf-circo-voador

* Com informações do IDG Now! e da Agência Brasil.

 

Backbone da Petrobras pode ser usado para rede de banda larga

O presidente Lula convocou para hoje reunião ministerial quer irá definir o modelo de infra-estrutura de banda larga a ser implantada no país. O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, afirmou, durante o Fórum da Governança da Internet, aberto hoje no Rio de Janeiro, que a opção do governo é pela criação de uma nova rede nacional, que conte com a infra-estrutura da Eletronet e da Petrobras, capazes de oferecer o acesso banda larga às 140 mil escolas brasileiras até 2010. "O governo não quer que essa rede seja de exclusividade das atuais empresas de telecomunicações, que são, em sua maioria, controladas pelo capital estrangeiro", afirmou Rezende. 

Segundo o ministro, o primeiro passo para construção dessa rede foi dado, na semana passada, quando a Anatel anunciou o novo Plano de Metas de Universalização para as concessionárias de telefonia fixa. Este novo plano, que está sob consulta pública, propõe a troca dos postos de serviços telefônicos (PSTs) pela construção dos backhauls (estradas estaduais de banda larga). "O primeiro passo já foi dado. Agora, queremos definir o modelo dessa nova rede nacional", afirmou Rezende.

Esta será a terceira reunião ministerial para tratar do assunto e participam dela os ministros da Ciência e Tecnologia, das Comunicações, da Casa Civil e do Planejamento. Conforme Rezende, na reunião de hoje o governo deverá bater o martelo sobre o modelo que irá perseguir, pois, no seu entender, as posições estão convergindo. Ele lembrou que o governo, através da RNP, que está construindo as redes metropolitanas em 20 cidades interligando todas as universidades brasileiras, demonstrou que tem capacidade para também construir uma rede própria para interligar as escolas públicas. "Com 140 mil escolas, será mais fácil", afirmou ele.