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Acel quer estar presente no comitê de defesa do usuário

A consulta pública com proposta de revisão do regimento interno do Comitê de Defesa dos Usuários de Serviços de Telecomunicações da Anatel recebeu a maioria das contribuições da Acel (Associação Nacional das Operadoras Celulares), das operadoras e dos provedores de internet. Encerrada nesta segunda-feira, 26, a consulta recebeu 30 contribuições que estão disponíveis na página da agência.

A Acel sugere a alteração na finalidade do comitê, propondo supressão de vários artigos do regulamento . Para a Acel, avaliação de grau de atendimento, indicadores, e controle e prevenção de infrações aos direitos dos usuários devem ser estabelecidos por regulamentos do conselho diretor da Anatel, e não pelo comitê.

Outro ponto defendido pela Acel e que teve o apoio da Claro e da OI refere-se  à composição dos membros efetivos do comitê. Para elas, os representantes de entidades de classe de prestadoras de serviços de telecomunicações devem constar do comitê. Elas alegaram que deve haver a participação equânime de representantes de usuários e dos prestadores de serviços de telecomunicações, possibilitando assim, maior profundidade às deliberações.

Os provedores de internet propõem a inclusão de um representante do setor e de um usuário no comitê. Segundo eles, a Anatel não pode deixar de lado os provedores de acesso a internet. Já a Brasil Telecom defendeu a liberação de informações sobre procedimentos  de apuração por descumprimento de obrigações (Pado's) aos membros do comitê após seu encerramento.  

Medida Provisória da TV Brasil ‘estaciona’ por conta da CPMF

As intempéries do governo para tentar aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Senado Federal devem retardar a aprovação da Medida Provisória (MP) da TV pública na Câmara dos Deputados. Em meio a uma difícil negociação com os parlamentares, o governo não está disposto a colocar a perder qualquer medida, remetendo-a ao Senado no momento. Entre elas, está a da TV pública, que passou oficialmente a trancar a pauta de votações no Plenário nessa segunda-feira, 27.

O atraso deliberado em votar a matéria tem alguns efeitos positivos, como a garantia de que haverá tempo para que alguma discussão seja feita em torno do assunto. Esta foi a exigência do deputado Walter Pinheiro (PT/BA) para assumir a relatoria da MP 389/2007. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), garantiu a Pinheiro um tempo mínimo para ouvir os setores interessados e negociar eventuais ajustes no texto encaminhado pelo Executivo. O relator pretende apresentar seu parecer até o dia 4 de dezembro, como parte do acordo com a presidência.

A data acertada com Chinaglia é duas semanas antes do início oficial do recesso parlamentar, que começa no dia 22 de dezembro. Na prática, essas semanas significam sete dias de real expediente dos parlamentares no Plenário, encurtando a possibilidade de que a MP seja votada de qualquer forma. Mas o maior indício de atraso da análise é a negociação paralela no Senado, onde o governo tem evitado encaminhar qualquer questão polêmica que possa virar moeda de barganha na Casa vizinha.

"O governo está com medo de tudo no Senado", explica o deputado Walter Pinheiro. Porém, o parlamentar não acredita que haja uma estratégia voltada especificamente para segurar a TV pública, certamente a com maior calibre político das cinco medidas que estão trancando a pauta da Câmara desde hoje. "Se a Câmara for segurar a MP da TV pública é porque seguraria qualquer outra", complementa.

Blindagem

A tática de blindar a saída de matérias da Câmara foi oficializada na tarde desta terça-feira. O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT/RS), anunciou que a base governista entrará em processo de obstrução para que nenhuma MP seja encaminhada ao Senado. Quando um partido ou conjunto de partidos declara estar em obstrução, a presença dos parlamentares não é válida para gerar quórum de votação no Plenário, evitando assim as deliberações.

As MPs com prazo vencido – como no caso da MP 398/2007 – aprovadas na Câmara já chegam ao Senado trancando a pauta de votações, o que comprometeria ainda mais a deliberação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga a vigência da CPMF e da Desvinculação de Recursos da União (DRU) até 2011. Mas a estratégia de impedir que as MPs vencidas sigam para o Senado não pode se estender por muito tempo, sob pena de comprometer a vigência das medidas.

Calendário apertado

No caso da TV pública, o calendário dá uma falsa impressão de que há tempo de sobra para avaliar a medida. Apresentada pelo Executivo no dia 11 de outubro, a MP 398/2007 – criando a Empresa Brasil de Comunicações (EBC) e a TV Brasil – tem validade até o dia 6 de dezembro, quando acaba seu período de vigência (60 dias) previsto em lei.

Mas o governo deverá prorrogar por mais 60 dias o prazo da MP, o que fará com que a proposta só caduque no dia 4 de fevereiro de 2008. Um forte indício de que a prorrogação será necessária é a data acordada entre Pinheiro e Chinaglia para a entrega do relatório (4 de dezembro), apenas dois dias antes de a MP perder a validade.

Lula vai ao aniversário da Abert e Hélio Costa volta a comparar teles e TVs

Com a presença do presidente Lula (que preferiu não discursar), a Associação Brasileira de Emissoras de Radiodifusão (Abert) celebrou 45 anos nesta terça, 27, em Brasília. Lula ficou em uma mesa com o presidente da entidade, Daniel Slaviero, e representantes da Globo, SBT, Record, RBS e Rede Vida, além dos ministros Hélio Costa (Comunicações) e Franklin Martins (Comunicação Social).

Quem falou pelo presidente foi Hélio Costa, que voltou a comparar os tamanhos dos mercados de telecomunicações e radiodifusão, justificando assim a necessidade de proteger o mercado de televisão. Costa também mencionou a possibilidade de que os aparelhos de TV digital tenham o mesmo tipo de incentivo fiscal que o computador popular tem como forma de acelerar a introdução da TV digital. A Abert voltou a falar em proteção do conteúdo, como forma de proteger a "alma" da comunicação.

TV digital

A tônica do evento foi o início das primeiras transmissões de TV digital, dia 2, em São Paulo, em solenidade que também contará com a presença de Lula e dos ministros da área.

Nos bastidores, radiodifusores duvidavam da possibilidade de que incentivos fiscais venham a ajudar a acelerar a adoção da TV digital. "Acho que o mercado vai fazer os preços caírem mais rápido do que o governo pensa", apostava um radiodifusor. Mesmo assim, eles acham que o governo precisa fazer a sua parte se quiser equipamentos baratos. E a carga tributária é uma das partes.

Conflito com a Anatel

Outro tema de bastidor orbitou sobre a possibilidade de que espaços tradicionalmente reservados à radiodifusão no espectro radioelétrico venham a ser destinados para empresas de telecomunicações. Ainda repercutia entre os radiodifusores o duro tom da conversa realizada no final da semana passada entre Anatel e Abert, em que a associação de radiodifusores pediu o fim da consulta pública 833, em que a agência abre a possibilidade de ceder pedaços do UHF para serviços de telecomunicações em pequenas cidades (porque nas médias e grandes não há espaço), até como forma de estimular a interatividade. O recado que ficou para os radiodifusores é: a Anatel não vai voltar atrás na consulta, mas será sensível às pressões do setor.

TV pública

Um terceiro tema que permeeou os bastidores do encontro foi a TV pública, que começa a funcionar no dia 2 de dezembro mas ainda depende da aprovação da sua medida provisória. De maneira política, mas direta, os radiodifusores tentaram mostrar a Tereza Cruvinel (presidente da TV Brasil, também presente ao encontro) que não gostam da possibilidade de a TV Brasil drenar recursos do setor publicitário com a publicidade institucional. Preferem que as verbas de mercado para a TV pública venham de leis de incentivo e apoio cultural, ou de repartes do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações).

Decisões do governo impactam no alto preço dos conversores

Os primeiros conversores, os chamados set-top boxes, chegaram ao mercado dez dias antes do lançamento da TV digital, que acontecerá no próximo dia 2, com preços muito superiores ao que fora anunciado pelo governo federal, que durante o processo de discussão acerca da implementação da nova tecnologia garantiu reiteradamente que os conversores seriam acessíveis ao conjunto da população.

Por enquanto, o aparelho mais barato está sendo produzido pela fabricante de computadores Positivo Informática e oferecerá imagens apenas em resolução equivalente à imagem de DVD. O preço, R$ 500, será o sugerido pelo fabricante ao lojista, sendo provável que chegue às prateleiras por um valor substancialmente maior. Para ter acesso à alta resolução (HDTV, de high definition television), o consumidor terá que desembolsar a partir de R$ 700 (valor também sugerido ao lojista), preço de outro modelo de conversor da Positivo. Outros fabricantes, como Philips e Semp Toshiba, devem oferecer aparelhos para alta definição a partir de R$1.000.

Nenhum dos aparelhos disponíveis no mercado estará preparado para a interatividade, uma das grandes promessas do governo para a TV digital. Ou seja, se o consumidor quiser ter acesso a estes recursos, será preciso trocar de conversor em um futuro próximo. Também os conversores capazes de receber a chamada alta definição não garantem ao consumidor que adquirí-lo a chance de assistí-la, isso porque o televisor apto a receber tais imagens não sai por menos de alguns milhares de reais.

Já na Europa, que adota o padrão DVB – em vez do ISDB, o padrão japonês escolhido como base para o sistema brasileiro –, conversores são vendidos por cerca de 40 euros (R$ 103) e, por 50 euros (R$ 129,16), é possível comprar aparelhos que possibilitam interatividade.

Causa e efeito

O custo elevado dos conversores nada mais é que conseqüência direta das escolhas do governo brasileiro. A opção pela alta definição, por exemplo, é um dos fatores que elevam o preço.

Diferente da maioria dos países europeus, por exemplo, o Brasil priorizou a alta definição em detrimento das outras funções da TV digital, optando por realizar a transição diretamente para o HDTV. Nesse padrão, o fluxo de informações precisa uma velocidade mais alta para ser transmitido, sendo necessário chips com maior potência de processamento – o que encarece o aparelho.

Segundo especialistas consultados pela reportagem do Observatório do Direito à Comunicação, o maior nó, porém, reside o fato de, ao criar o SBTVD, o sistema brasileiro, o governo ter introduzido alterações no sistema japonês. Essas modificações, além de impactar diretamente nos custos, isolam o Brasil dos demais mercados, inclusive do próprio mercado japonês.

A primeira diferença é o sistema de compactação de dados: em vez do MPEG-2, usado no Japão, o governo brasileiro decidiu adotar o MPEG-4 – que permite a transmissão de um mesmo conteúdo com a metade da ocupação do espectro de freqüências – , mas que ainda não é utilizado em grande escala pela indústria.

Além disso, o governo brasileiro escolheu um turner (sintonizador) distinto dos demais. Ao determinar as especificações do sintonizador, privilegiou-se a robustez do sinal – sob a justificativa de que, apesar do aumento nos custos, esse dispositivo melhoraria a qualidade do sinal recebido pelos espectadores. 

Na avaliação de especialistas, porém, trata-se de uma solução que favorece antes as emissoras que os espectadores, pois quando o sinal não é robusto, cabe a elas aumentar a potência e, conseqüentemente, o consumo de energia. A solução mais coerente com o modelo de convergência digital, em que se pretende privilegiar a portabilidade e a mobilidade, seria, em vez de priorizar a robustez, espalhar antenas por diferentes pontos da cidade.

O Ministério das Comunicações, sempre em coro com as empresas, tentou colocar a culpa do alto preço nos fabricantes, mas agora tenta esfriar os ânimos, argumentando que o preço inicial dos conversores será rebaixado tão logo aumente a procura. Especialistas são céticos a esse respeito – justamente devido ao isolamento brasileiro e também porque parte substancial da classe média e da classa mais alta já possui TV por assinatura e, consequentemente, não comprará os conversores para a a televisão aberta.

“Com volumes pequenos o produto demorará para baixar de preço”, analisa Mario Baumgarten, membro da coalizão DVB Brasil. Ele lembra que a população brasileira, que representa 2,8% da mundial, não tem como impulsionar, sozinha, economias de escala. Segundo ele, nas telecomunicações que dependem cada vez mais da microeletrônica de alta integração, nenhum padrão tecnológico consegue sobreviver em regime de competição se não conquistar pelo menos 15% do mercado mundial.  “Se, por um exercício de extrapolação, imaginássemos que o Brasil conquistasse para si todos os países que ainda não decidiram por seu padrão (dezenas), ele estaria em condições de abocanhar aproximadamente 6,5% do mercado global – o que ainda fica longe do necessário para assegurar produtos econômicos”, diz. 

Nada de novo

O mesmo governo que se diz “indignado” com os preços foi alertado desde o início do processo acerca dos altos custos que resultariam da opção pelo padrão japonês.

No começo do ano passado, antes mesmo de oficializada a escolha do padrão, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciava que o conversor para o ISDB custaria entre 40 e 50 dólares no Brasil. Na época, o Centro de Pesquisa em Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) acabara de divulgar as conclusões de um estudo comparativo entre os padrões.

Ao contrário do que dizia o ministro, o relatório já informava que o conversor para alta definição do ISDB custaria a partir de R$ 700 (sem contar os royalties de modulação e licenças de middleware). E mais: esse custo valia para um conversor com sistema de compressão MPEG-2 e seria, portanto, maior com o uso do MPEG-4.

Ao fim e ao cabo, a sociedade brasileira, que foi excluída das decisões sobre a TV digital, é quem vai arcar com as conseqüências. E vai pagar duas vezes: na tentativa de desfazer o que ele mesmo criou, o ministro oferece, às expensas dos cofres públicos, linhas de crédito, subsídios à produção e isenção de impostos, em um pacote já chamado por alguns conhecedores do universo industrial de a “farra da TV digital”.

Tais medidas, além de questionáveis em seu mérito, devem ser ineficazes. “A raiz do problema da TV digital no Brasil não são os impostos ou a falta de competição. O problema central é o isolamento que o SBTVD-T provocou, com as conseqüentes faltas de economias de escala”, analisa Baumgarten.

Ele prevê que a isenção de tarifas de importação para produtos acabados resultaria, provavelmente, em transferência de empregos, pesquisa e desenvolvimento para o exterior. Por outro lado, “qualquer novo fabricante do exterior que desejasse competir localmente teria de incorrer em custos de desenvolvimento para poder produzir produtos do padrão SBTVD-T, nivelando-se aos fabricantes que aqui já se encontram para, ao final, ter que disputar um mercado internacionalmente pouco relevante”.

Movimento contrário

No dia 7 de novembro, Hélio Costa declarou à Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, durante audiência pública, que os preços de conversores estão caindo no Japão, devido ao aumento da escala. Segundo ele, já seria possível encontrar aparelhos a partir de 60 dólares.

Especialistas que têm analisado o mercado de conversores japonês, com o intuito de delinear as tendências do brasileiro – já que nosso modelo se apóia no nipônico – apresentam dados muito distintos. Existem quatro modelos de conversores de baixo custo (para padrões locais) no Japão, vendidos por cerca de 180 dólares. Três deles foram lançados em meados do ano passado e o preço, até hoje, não foi reduzido.

Em vez de se popularizar, os set-top boxes ganharam funções mais complexas e se tornaram artigos de luxo, restritos a uma pequena parcela da população. Os conversores mais baratos não adquiriram escala, e a maioria dos japoneses tem optado por televisores de tela plana com sintonizador embutido. Em um movimento semelhante, fabricantes como Sony e Samsung anunciaram que, no Brasil, vão vender apenas aparelhos que prescindem de conversor – sequer produzirão set-top boxes. O televisor mais barato, da Philips, custa R$ 7.999.

“Considerando o elevado custo da solução de TV digital aberta para o consumidor brasileiro, os formuladores de políticas poderiam se perguntar o que é mais econômico: continuar em frente ou rever essa decisão que, dia-a-dia se confirma como sendo de alto custo para os cidadãos brasileiros”, Baumgarten conclui.

Sem afobação

“O momento agora é de não ter pressa”, afirma Luiz Moncau, advogado do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). A entidade está preparando um boletim informativo, com orientações sobre as mudanças que vêm com a digitalização.

“A falta de informação é um problema muito grave. Nossa recomendação é para que o consumidor deixe passar essa fase de transição e não se afobe para comprar, pois há chances de o produto não funcionar ou não atender às expectativas”, complementa. Por exemplo, os conversores importados diretamente, que não se adaptam às especificações do sistema brasileiro, podem simplesmente não funcionar.

Moncau afirma também que o Idec está atento em relação à questão dos mecanismos anti-cópia. Segundo a Casa Civil, o presidente Lula decidiria até o final de outubro sobre a adoção ou não dos chamados DRMs. Até agora, não houve uma definição oficial e os conversores foram produzidos sem a especificação de todos os parâmetros. “Se os conversores não permitirem a cópia, vamos tomar uma atitude. Se não há uma nova norma, os conversores não podem simplesmente tirar um direito assegurado por lei”, afirma.

Procurado pela reportagem, o Ministério das Comunicações não se pronunciou a respeito do preço dos conversores ou sobre as especificações técnicas. Informou apenas que se reuniria em breve com os fabricantes. André Barbosa, assessor especial da Casa Civil para as políticas públicas de comunicações, também foi procurado mais de uma vez, mas não quis dar entrevista.

Jornalistas registrados como profissionais de rádio causam polêmica no Ceará

Um dos grandes problemas enfrentados pelo Sindicato dos Jornalistas do Ceará é, sem dúvida, o exercício ilegal da profissão. "A maior demanda vem dos jornalistas de televisão e rádio. Desde 2002, os profissionais de mídia eletrônica do Estado foram obrigados pelas empresas a obter registro de radialista, categoria que não tem formação superior obrigatória", declara Déborah Lima, 37, presidente do Sindjorce desde 2004.

Déborah afirma que os que se recusaram a executar a mudança foram demitidos e que, desde então, as empresas se negam a comparecer à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) para qualquer tipo de negociação das campanhas salariais com o Sindicato. "Elas alegam que não temos 'legitimidade' para representar os empregados das empresas de rádio e TV, porque estes são 'radialistas' e não jornalistas. A situação é grave e merece ser denunciada".

A presidente, formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), acredita que a TV Verdes Mares, filiada da Rede Globo, é uma das principais emissoras que sustentam a tese de que não há jornalistas em suas redações. "Pertencente aos herdeiros do empresário Edson Queiroz, sogro do senador Tasso Jereissati (PSDB), a TV Verdes Mares diz que não tem jornalistas, embora seus empregados sejam formados em Comunicação Social/Jornalismo e filiados ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará".

Com os jornalistas registrados como profissionais de rádio e, segundo Déborah, trabalhando mais e ganhando menos do que deveriam, o Sindjorce passou por um momento financeiro difícil. "As contribuições dos jornalistas passaram a ser repassadas pelas emissoras para o Sindicato dos Radialistas, um sindicato que contribuiu, e continua contribuindo, com o plano dos patrões de asfixiar financeiramente o nosso Sindicato".

O Estado do Ceará conta, atualmente, com cerca de 1,7 mil jornalistas, sendo que 1.195 são filiados ao Sindicato. Os baixos pisos, de R$ 1.090 a R$ 1.907, e as extenuantes jornadas de trabalho são os principais problemas enfrentados pela categoria cearense. "Os jornalistas trabalham até 14h diárias, já que só têm horário para entrar e não para sair das redações", afirma Déborah.

Dessa forma, as principais reivindicações do acordo coletivo deste ano vão desde um ganho real de 3%, reajuste acima da inflação, até vale alimentação e adicional pela veiculação da produção em outras mídias. "Os representantes patronais repetem o surrado discurso de crise nos jornais para justificar o corte dos direitos já consolidados, mesmo com as pesquisas apontando para um aumento do número de anúncios nas mídias impressas", declara Déborah.

A jornalista ainda afirma que, cada vez mais, os PJ's estão crescendo no Estado e, além disso, constatou que cerca de 100 jornalistas trabalham sem registro profissional em Fortaleza. Entretanto, Déborah aponta para "um caso mais grave", o da TV União. "A DRT detectou a completa ausência de jornalistas na emissora. A redação é tocada exclusivamente por estagiários. Eles se comprometeram a contratar pelo menos dois jornalistas, mas até agora nada". Déborah declarou ter sido ameaçada pelo dono da emissora, Alberto Bardawil, caso persistisse com as reivindicações. "Ele disse que se uma nova fiscalização da DRT chegasse lá iria ser recebida pelas câmeras e que a TV União denunciaria o sindicato por perseguição. O argumento dele era que a TV não tinha R$ 1.000,00 para pagar um jornalista. Está na hora dos jornais reconhecerem, valorizarem e investirem também em seus jornalistas. Chega dessa conversa de crise nos jornais. Essa choradeira não convence mais ninguém", finaliza.