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Lula anuncia crédito do BNDES antigo como novo

A linha de crédito de R$ 1 bi, anunciada no último domingo (02), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para baratear o conversor da TV digital, não possui recurso novo. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou que o crédito será realocado de recursos por emissoras de TV.

Durante a inauguração do sinal digital aberto, o presidente anunciou ter determinado ao BNDES que desenvolva um programa de incentivo à implantação da TV digital. 'No valor de R$ 1 bi, ele dará apoio à rede varejista para baratear a venda do conversor que permite a recepção do sinal digital pelos atuais televisores analógicos', declarou Luiz Inácio.

O BNDES declarou que os recursos anunciados pelo presidente são os mesmos do ProTVD, que estão sendo alocados para financiar o comércio varejista na venda dos aparelhos de conversão.

Segundo João Carlos Ferraz, diretor de Planejamento do BNDES, não houve demanda paras as finalidades previstas na criação do ProTVD, e, em razão disso, foi possível repassar os recursos não utilizados para financiar o varejo.

O Banco declarou ainda que do R$ 1 bi, apenas R$ 9 milhões foram utilizados pelos projetos do programa ProTVD. Apenas um projeto foi aprovado: o do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão). Curiosamente, o crédito financiará 197 retransmissores, cujo objetivo é melhorar a rede analógica.

Para a reportagem da Folha de S.Paulo desta terça-feira (04),Carlos Ferraz, diretor do BNDES, informou que nem o banco nem o presidente erraram no anúncio. Pois o orçamento de R$ 1 bi pode ser ampliado se necessário for.

Negociações sobre cotas para conteúdo nacional seguem sem Bittar

Uma grande reunião ocorreu nesta terça-feira, 4, sobre o projeto de lei 29/2007, mas o personagem de maior destaque no debate não compareceu. O deputado federal Jorge Bittar (PT/RJ), relator da proposta que trata do mercado de TV por assinatura e do conteúdo audiovisual, preferiu não participar do encontro, que reuniu outros importantes deputados no debate, como Jorge Bornhausen (DEM/RS), autor do PL, e Júlio Semeghini (PSDB/SP), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia.

O encontro em questão foi com a Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), executivos de empresas do setor e representantes de canais comercializados pelas televisões pagas. Mesmo sem a presença do relator, a reunião foi positiva na opinião do presidente da ABTA, Alexandre Annenberg. A associação é contrária ao principal objetivo de Bittar: criar cotas de conteúdo nacional na produção e no empacotamento dos canais da TV paga.

Na hipótese do relator manter-se irredutível sobre esta questão, a ABTA tem procurado outros interlocutores dentro da Câmara dos Deputados, na tentativa de barrar a iniciativa nem que seja durante a votação do substitutivo. "Ele (Bittar) tem discutido conosco e tudo o que estamos dizendo aqui hoje ele já sabe", pondera Annenberg. Porém, a falta de informação dos demais deputados da Comissão e Ciência e Tecnologia sobre a proposta de Bittar estimulou a associação a tentar abrir novos canais de negociação entre os parlamentares.

A informação dentro da comissão é de que o relator irá se afastar dos debates para poder concentrar-se no fechamento de seu relatório. Mesmo assim, ainda não há previsão de quando o substitutivo será levado a votação. Paralelamente à organização do texto final, Bittar tem se encontrado com membros da Casa Civil para articular qual a melhor maneira de desenhar o projeto e atender às expectativas do governo.

Campanha

Preocupada com o resultado do substitutivo, a ABTA iniciou hoje uma campanha para trazer a opinião dos consumidores para a pauta da Câmara. Com o slogan "Liberdade na TV hoje e sempre", a associação começou a transmitir comerciais nos canais das TVs por assinatura convocando os consumidores a entrarem em contato com os deputados e protestarem contra as cotas. O presidente da ABTA não titubeia ao falar sobre o destino das televisões caso a campanha não sensibilize o relator e sejam mantidos percentuais mínimos para a veiculação de conteúdo nacional. "Se isso acontecer, o último apaga a luz."

Até às 19h, o site criado especialmente para a campanha (www.liberdadenatv.com.br) já havia recebido mais de 13 mil votos contra as cotas. Alguns parlamentares comentaram hoje na Câmara que receberam mais de duas dezenas de e-mails até o início da noite dentro da onda de protestos. "A idéia não é que a campanha seja uma arma (na negociação). Trata-se sempre de sensibilizar todos os participantes desse setor, inclusive o consumidor, abrindo um canal para que ele se manifeste", comentou Annenberg após a reunião.

Para além das cotas – às quais as TVs pagas são radicalmente contra -, o principal aspecto negociado pela ABTA é a criação de um sistema de transição que suavize a mudança do mercado a partir da entrada das teles. Para a associação, a falta desse cronograma pode prejudicar o negócio das empresas e acabaria tornando ineficientes as próprias metas que os parlamentares querem atingir, como o bloqueio a monopólios no setor. "Estamos sendo atropelados por propostas divorciadas desse cenário onde a gente quer chegar", avalia Annenberg.

Fórum Nacional discute reforma da legislação brasileira

Será lançado no próximo dia 5 o Fórum Nacional de Direito Autoral, organizado pelo Ministério da Cultura – MinC e pela Fundação Nacional de Arte – Funarte. O seminário de abertura é a primeira de uma série de atividades: no próximo ano, serão cinco seminários nacionais, um internacional e onze oficinas regionais e temáticas. Como fio condutor, as contradições do direito autoral na era digital, e a conseqüente necessidade de reformulação do marco legal brasileiro.

“Ainda que a lei de Direito Autoral (Lei 9.610) seja recente, de 1998, ela tem uma concepção historicamente datada, que segue uma coerência analógica”, afirma o advogado Guilherme Carboni, que participará de uma das mesas do seminário.

Carboni afirma que a lei precisa ser reformada como um todo, mas destaca alguns pontos cuja alteração é mais urgente. Entre eles, os artigos que permitem determinadas liberdades de uso sem a necessidade de autorização do autor. Atualmente, entre as poucas exceções previstas na lei brasileira está “a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro”, considerada bastante restritiva pelo advogado. “As regras sobre limitações são as mais importantes, porque é nesse ponto em que travam os temas de interesse público e privado”, completa Carboni.

“Com o Fórum, queremos mobilizar a opinião publica e obter um amplo apoio da sociedade civil e dos segmentos envolvidos diretamente com a questão do direito autoral, no sentido de propor uma revisão do papel do Estado nessa área”, afirma Marcos Alves de Souza, da Coordenação-Geral de Direito Autoral do MinC. “Estamos buscando alternativas dentro do marco legal internacional para a implantação de um sistema equilibrado de relação entre os titulares de direitos e o cidadão”.

Foros internacionais

O Brasil é responsável – junto à Argentina – pelo projeto que deu origem à Agenda do Desenvolvimento, aprovada em 28 de setembro pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual – Ompi. As propostas, que dispõem sobre a reforma das normas da Ompi, enfatizam a necessidade de facilitar o acesso dos países menos desenvolvidos ao conhecimento e à tecnologia.

“Hoje, nossa margem de manobra é baixíssima”, reconhece Souza, aludindo aos tratados internacionais que impõem limitações à reforma da lei brasileira. “As propostas de alteração legislativa têm que estar dentro dos marcos dos tratados internacionais, e o Brasil não pode violá-los. Pode-se dizer, desse modo, que uma reforma acaba sendo limitada”, concorda Carboni.

Nesse sentido, o advogado acredita que é fundamental avançar nos foros internacionais e elogia a atuação na Ompi. “O Brasil assumiu um papel de negociador dos direitos intelectuais e isso é extremamente positivo, porque não ficou só em retórica”, afirma.

Apreensão

Paralelamente à agitação do Fórum, setores envolvidos com a democratização da cultura observam com apreensão a saída de Gilberto Gil do Ministério da Cultura no próximo ano. Thaís Carrança, pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Políticas para o Acesso a Informação da USP (G-Popai), é taxativa: “é preciso se articular e pressionar para que uma mudança na legislação de direito autoral aconteça enquanto Gil ainda estiver no cargo, sob o risco de a mudança não sair, ou sair contrária ao interesse público de acesso à informação”.

Isso porque, apesar de o debate ter se ampliado no país – com a criação de grupos de estudo, do portal Domínio Público, o desenvolvimento de softwares livres e a popularização das licenças Creative Commons –, ainda não há uma política consolidada para a questão do direito autoral.

“O Brasil é sempre apontado como um dos países pioneiros e o MinC vem tomando posições bastante interessantes e avançadas. Mas são apenas posições e declarações de intenções, e não uma política de governo que envolva todos os ministérios”, analisa Carboni. Decorre daí algumas contradições interministeriais: de um lado, as declarações progressistas do MinC e, de outro, a existência de um Conselho Nacional de Combate à Pirataria, orientado sob a ótica repressiva.

Marcos Alves de Souza, por sua vez, descarta a possibilidade de descontinuidade. “O fato é que o bloco está na rua, ou seja, independente de quem entre, a questão está lançada. A política de direito autoral é uma política de governo e de Estado”, afirma.

Globo fatura R$ 16 mi na estréia da TV digital

Apesar de a TV digital ainda se limitar a poucos usuários na Grande São Paulo, a Globo já está tirando proveito comercial da nova tecnologia. A emissora vendeu por R$ 16 milhões um pacote de inserções comerciais em alta definição (HDTV).  O primeiro bloco desses comerciais foi ao ar no "Fantástico", logo após a estréia oficial das transmissões digitais. As exibições prosseguem nesta semana nos programas em HDTV -"Duas Caras" e "Sessão Especial" (amanhã).

Com a alta definição, programas e publicidade têm uma qualidade de imagem seis vezes melhor do que na TV analógica. Entre os comerciais em alta definição, estão o do Bradesco com imagens da série "Planeta Terra", narrado por Wagner Moura.

Foram vendidas oito cotas, a R$ 2 milhões cada uma, para sete anunciantes. Além de Bradesco, compraram cotas Itaú, Natura, Vale (duas), CEF, Telefônica e Ambev. Cada cota dá direito a sete inserções.  A Globo cobrou o mesmo preço da tabela para anúncios analógicos. Mas, assim que o número de usuários de TV digital crescer, a emissora pretende cobrar mais pela HDTV.

A transmissão, de qualidade sofrível, da cerimônia de inauguração da TV digital também foi boa para a Globo. A rede foi a única que registrou mais audiência com os discursos do presidente Lula e de Dilma Rousseff e Hélio Costa do que no mesmo horário (20h30/ 20h46) do domingo anterior. Na média, porém, as redes que transmitiram a cerimônia perderam ibope. Anteontem, elas somaram 51,5 pontos, contra 55,6 no domingo anterior.

Laptop educacional: Brasil perde vez na América Latina

O governo brasileiro – que prometeu, mas não fez, pelo menos até agora, o edital para a aquisição dos notebooks educacionais – seriam comprados cerca de 150 mil notebooks de baixo custo para serem entregues às escolas em março de 2008, perde vez, para Uruguai, Peru e México, que já, oficializaram, a compra dos equipamentos, voltados para a inclusão digital.

O responsável pela iniciativa OLPC, Nicholas Negroponte, revelou o fechamento de dois contratos importantes. No Peru, foram encomendados 260 mil laptops. Já no México, o pedido foi feito por Carlos Slim, presidente do grupo Telmex. Ele teria solicitado, de acordo com Negroponte, a compra de 50 mil unidades.

A informação é do ZDNet Austrália, veiculada no portal Cnet.News nesta segunda-feira, 03/12. Os pedidos acontecem um mês depois de o laptop promovido por Negroponte – O OLPC – One Laptop Per Child – ter iniciado a produção com um custo de US$ 188. Em novembro, o OLPC contratou a fabricante de Taiwan, Quanta Computer, para iniciar a produção do laptop, na unidade fabril de Shangai, na China.

Os primeiros países a fazerem pedidos oficiais do produto foram o Uruguai e a Mongólia. De acordo com o diretor de Arquitetura de Segurança do projeto OLPC, Ivan Kristic, no Uruguai, empresas governamentais e operadoras móveis vão criar uma infra-estrutura, baseada em rede sem fio, para ampliar o alcance de uso do laptop educacional.

A novela do megaedital da inclusão digital

Em junho, durante a Telebrasil 2007, o Assessor especial do Palácio do Planalto, Cesar Alvarez, anunciou que, no segundo semestre, o governo Lula iria realizar um pregão internacional para a aquisição de 150 mil laptops educacionais, de baixo custo, para distribuição nas escolas do país. O custo médio do equipamento, previsto na época, era em torno dos US$ 200.

Alvarez, aproveitou o evento que reunia o setor de Telecomunicações, para informar que a modelagem do pregão estava em processo de avaliação por parte dos consultores jurídicos do governo, mas que decisão de realiza-la era irrevogável.

"Precisamos testar novas oportunidades. A idéia é comprar esses equipamentos de quem fizer a melhor proposta para o governo brasileiro. Pode ser o computador do MIT, pode ser o da Intel, ou de qualquer outro fornecedor que queira entrar neste processo", declarou, à época, Alvarez.

Logo a seguir, em julho, em outra reportagem do Convergência Digital, o coordenador do projeto de Inclusão Digital do governo Lula afirmou que o fabricante de laptops que viesse a vencer a concorrência internacional do governo para fornecimento de um lote estimado entre 150 mil e 200 mil computadores escolares não deveria ser obrigado a investir na fabricação local desses equipamentos no Brasil. 

Numa primeira etapa do projeto UCA – Um Computador por Aluno – o governo, informou Alvarez, exigiria apenas a reposição, a assistência  e a manutenção técnicas dos laptops no País. Nesta mesma entrevista, Alvarez informou ainda que o edital ainda estava em fase de discussão no Ministério da Educação, mas Alvarez, explicou que essa exigência – da não obrigatoriedade da produção local – além de obrigatória pela Lei de Licitações, visa garantir que o programa não sofra descontinuidade por conta de falhas em equipamentos.

TCU à vista

O governo avaliava, em julho, três modelos de laptops escolares para a compra, que têm algumas similaridades em suas configurações básicas de hardware, porém possuem preços bem distintos.

O mais barato, que custava, em julho, US$ 170 (FOB) é o "XO", o laptop produzido pela fabricante taiwanesa Quanta, sob encomenda da OLPC (One Laptop Per Child), organização sem fins lucrativos criada por Nicholas Negromonte, pesquisador do Massachusets Institute of Technology (MIT), e que, agora, tem custo de US$ 188, e está com pedidos do Uruguai, Peru e México.

Com um preço intermediário, na faixa dos US$ 230 (FOB), vem o "Mobilis" produzido na Índia pela Encore, fabricante que acena com a possibilidade de uma parceria para montagem no Brasil pela empresa Telavo. Por último, e ainda com o preço superior aos concorrentes, sobretudo em relação ao XO, vem o Classmate, da Intel, já produzido localimente pela Positivo Informática, mas que tem custo (FOB) em torno de US$ 350.

Enquanto as regras do edital não são definidas, para que sejam aprovadas pelo Tribunal de Contas da União, um outro senão apareceu no caminho do projeto govenamental: A pouca penetração da banda larga no Brasil.

Para pressionar as teles, em outubro, durante o Futurecom 2007, o coordenador do projeto de Inclusão Digital do governo Lula voltou a falar da iniciativa de aquisição dos laptops educacionais.

Banda larga para todos ou para poucos?

Diante de uma platéia basicamente formada por representantes de empresas de telefonia e fabricantes de equipamentos para redes, Alvarez alertou: O governo não descartava a possibilidade de utilizar o backbone de 16 mil quilômetros da Eletronet, como uma alternativa para levar a banda larga a todos os seus projetos de inclusão digital. Tema que desagrada boa parte das operadoras, que querem usar suas redes para "vender" esse serviço ao governo.

"O jogo está sendo jogado. Há diferentes atores com diferentes ativos (…) Eu não posso simplesmente descartar 25 mil quilômetros de boa rede", afirmou Alvarez. Além disso, o Coordenador de Inclusão Digital também lembrou que o governo poderia usar dos seus poderes de compra e normativos, para cobrar das empresas um retorno social que não ocorreu após a privatização.

O governo, de lá pra cá, até negociou um acordo – a troca da obrigação dos PSTs, postos de atendimentos das operadoras por uma rede maior de acesso(backhaul) por parte das concessionárias para ampliar a infra-estrutura de banda larga no país – mas, até o momento, o acordo não foi formalizado e o impasse permanece.