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EBC pode ter direito à transmitir eventos esportivos

O relator da medida provisória que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), deputado Walter Pinheiro (PT-BA), quer obrigar as emissoras privadas a ceder gratuitamente à TV Brasil os direitos de transmissão de eventos esportivos com equipe representando o País cuja exclusividade tenham comprado, mas não queiram exibir. O objetivo da proposta é reprimir uma prática relativamente comum entre as emissoras brasileiras: adquirir a transmissão de competições para impedir que os concorrentes o façam, prevenindo-se contra a perda de audiência. Pela proposta, se não quiser ceder o direito à emissora pública,a TV privada terá de fazer a transmissão.

'Transmissão esportiva é um drama no Brasil', disse Pinheiro ao Estado. 'Os caras compram os campeonatos e não passam. Nesse caso, seriam obrigados a passar à TV Brasil. Ou exibem ou passam para a TV pública. Compram para o boicote deles, mas têm de entregar para o povo ver.'O dispositivo só poderia ser invocado em competições com participação de seleções esportivas do Brasil. Outro ponto que Pinheiro pretende incluir em seu projeto de conversão da MP 398 e poderá atingir as emissoras privadas é a obrigatoriedade de inclusão da TV Brasil em todos os pacotes de TV a cabo. 'As TVs por assinatura terão de carregar a TV pública.'

A Rede Globo de Televisão, por meio da Central Globo de Comunicação, informou oficialmente que não se manifestaria sobre o assunto, porque ainda não havia decisão oficial. A Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) alegou que seu presidente, Alexandre Annenberg, não estava disponível para entrevistas.

Cauteloso, o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero, ressaltou que será necessário esperar para saber qual será exatamente a redação a ser dada ao dispositivo que quebra a exclusividade da transmissão esportiva. Disse, porém que, se for como o parlamentar antecipou ao Estado, a entidade será contrária à medida.

Limites

O parlamentar, que recebeu pelo menos 133 emendas à MP assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também quer impor à nova emissora características que a diferenciem das TVs comerciais. Uma é a imposição de limite para exibir anúncios. 'Na TV convencional, cerca de 25% do tempo vai para isso', disse o deputado. 'Estou tentado ver se cai para 15%.'Na mesma linha, Pinheiro quer estabelecer uma definição muito rígida para os patrocínios culturais, para evitar o que ele considera como formas disfarçadas de publicidade comercial. 'Uma coisa é colocar: 'Apoio cultural da Caixa Econômica Federal'; outra é dizer: 'Apoio cultural da CaixaEconômica Federal, onde suas aplicações rendem mais.' Isso é anúncio comercial.'

Pinheiro ainda quer garantir, em algum grau, autonomia financeira para a EBC. Ele estuda a inclusão do repasse automático de parte do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) para o caixa da empresa. Quer, também, a criação do posto de ouvidor ou ombudsman, com a reserva de alguns minutos diários na TV Brasil.

Pesquisa revela que emissoras ultrapassam limite de publicidade

Qualquer um que use o controle remoto para “zapear” entre os canais de TV aberta pode facilmente identificar o excesso de propaganda. Apesar de o Código Brasileiro de Telecomunicações limitar ao máximo de 25% do tempo de programação a quantidade de publicidade que pode ser veiculada por emissoras de televisão, não são raros os canais que se dedicam exclusivamente ao comércio eletrônico.

A equipe do Observatório do Direito à Comunicação acompanhou 24 horas da programação de quatro canais de televisão aberta de São Paulo: Rede Brasileira de Informação – RBI (canal 14 UHF), MixTV(canal 16), PlayTV (canal 21) e ShopTour (canal 46). A pesquisa confirma que todos estes canais violam a legislação, ultrapassando o tempo máximo de publicidade permitido.

Em alguns casos, há leilões de jóias e tapetes. Em outros, são horas ininterruptas de comerciais com apresentadores animados “entrevistando” gerentes de lojas de todos os tipos, que ainda oferecem descontos especiais para os “espectadores”. E há, ainda, os programas de até 30 minutos que apresentam um único produto – um grill, um aparelho de ginástica, uma câmera digital. Ao final, claro, o número do serviço de tele-vendas.

Traduzindo em números, o monitoramento indicou que 62,5% da programação da RBI é dedicada ao comércio eletrônico. São 15 horas diárias de comerciais dos mais variados produtos e serviços e 9 horas de programas religiosos, um programa de “notícias” de uma hora e meia, com entrevistas, e videoclipes musicais “emprestados” da MixTV.

A MixTV, por sua vez, divide sua programação entre atrações caracterizadas como de “varejo” e “jovem”. A faixa batizada “jovem” ocupa menos de 10% do conteúdo da emissora e consiste, basicamente, em programas de videoclipes.

Já a PlayTV veicula cerca de dez horas diárias de programas comerciais, ultrapassando, portanto, em quatro horas o limite estabelecido para publicidade. Os demais programas – basicamente videoclipes musicais, desenhos animados e programas religiosos – são ainda intercalados por comerciais. Ou seja, a violação da legislação é ainda maior.

O mais explícito e conhecido caso, porém, é do canal ShopTour, com programação composta exclusivamente por publicidade. O sinal da emissora atinge cerca de 50 municípios de 10 estados brasileiros. A empresa veicula desde 1987 programas de vendas em diversas emissoras e, em seu canal próprio, oferece para o espectador 24h de comerciais.

Ação na Justiça

RBI, ShopTour e MixTV são alvo de uma Ação Civil Pública (ACP) que exige adequação destes canais, que operam na televisão aberta de São Paulo, às exigências previstas na lei. A Ação foi apresentada à Justiça Federal pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social como parte da campanha “Concessões de Rádio e TV: Quem manda é você”. A campanha propõe a ampliação da fiscalização e a punição imediata dos concessionários que não cumpram os requisitos mínimos estabelecidos em lei.

Dentro deste princípio, a ACP questiona a omissão do Poder Executivo em fiscalizar as emissoras paulistas e pede a adequação dos canais ao limite máximo estabelecido pelo Código Brasileiro de Telecomunicações para a publicidade comercial. “Queremos que elas se adaptem ao que manda a Lei, mas, caso não façam isso, devem ter a concessão cassada, já que não estão cumprindo os requisitos para a exploração do serviço”, afirma Bráulio Santos Araújo, advogado que representa as entidades.

Os resultados do levantamento feito pelo Observatório não surpreendem, já que as próprias emissoras em suas páginas de Internet explicitam suas infrações e a deturpação das funções que deveriam cumprir como prestadoras de um serviço público. “Nem com muito esforço é possível considerar que informar preços de tapetes e anéis seja atender às finalidades do artigo 221 da Constituição, muito menos que isso seja prestar um serviço de interesse público”, afirma Araújo. O artigo citado pelo advogado determina que as emissoras são obrigadas a priorizar conteúdos educativos, culturais e informativos em sua programação.

Inversão de valores

MixTV, RBI e a PlayTV (esta última rede ligada ao Grupo Bandeirantes), veiculam, em meio à programação comercial, programas direcionados ao público jovem. São videoclipes musicais, games, esportes e até desenhos animados intercalados à venda de imóveis, carros, produtos de beleza, roupas e serviços diversos.

Segundo Ana Bock, presidente do Conselho Federal de Psicologia, a programação voltada para a venda fortalece valores que promovem relações sociais guiadas pela idéia de consumo. “Estamos ajudando a constituir sujeitos que tudo compram, tudo consomem, tudo descartam”, afirma.

A psicóloga Fátima Nassif, do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e da Rede Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura, alerta para a influência da mídia na formação da subjetividade de crianças e adolescentes. “A propaganda influencia o comportamento infantil e, em certa medida, juvenil”, destaca.

Fátima aponta que a deturpação de valores incentivada pelo culto ao consumo pode gerar transtornos complicados nas relações familiares e de amizade destes indivíduos. Ela relaciona, como exemplo, o crescimento nos casos de anorexia e bulimia em jovens à ditadura da beleza veiculada nos meios de comunicação.

“Consideramos esses mercados eletrônicos um abuso total e um desvirtuamento da função das concessões”, diz Fátima, que também integra a Campanha pela Ética na TV. Ela destaca o caráter público do serviço prestado pelas emissoras que, de acordo com a Constituição Federal, devem priorizar a promoção da educação, da arte e da cultura.

Omissão

Com uma legislação defasada em relação ao conteúdo, a limitação em relação à publicidade é um dos poucos critérios que podem ser, de imediato, usados no monitoramento das concessões de rádio e televisão. De acordo com o Código Brasileiro de Telecomunicações, cabe ao Pode Executivo, no caso, o Ministério das Comunicações, fazer a fiscalização.

A assessoria do Ministério das Comunicações confirma que “todas as ações punitivas sobre publicidade estão na lei”, no entanto, quando questionada sobre a omissão do órgão em fiscalizar o descumprimento desta lei, silencia. Procurada repetidas vezes para dar um posicionamento em relação à pesquisa, a assessoria de imprensa do Ministério das Comunicações não atendeu às solicitações da reportagem.

A pesquisa realizada com as quatro emissoras será anexada à Ação Civil Pública protocolada em 5 de outubro. Apesar de não constar no documento apresentado, o canal PlayTV apresentou violações similares aos demais à legislação e ainda pode ser inserido na Ação.

O processo corre com o número 2007.61.00.028088-0. Para visualizar a íntegra do documento, clique aqui .

* Colaborou Mariana Pires.

Anatel e PF fecham rádio universitária no interior de São Paulo

A Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel e a Polícia Federal fecharam mais uma rádio operada por estudantes, desta vez na Universidade Metodista de Piracicaba. Segundo relato do estudante Felipe Zanotto, a operação contou com a colaboração da direção da universidade que, inclusive, entregou dossiês sobre os estudantes envolvidos.

A Rádio Artigo V funcionava há um ano, resultado de mobilizações estudantis ocorridas em 2006. Desde então, a rádio vinha incentivando a participação de comunidades carentes do entorno da universidade. Segundo Zanotto, a direção da Unimep estaria incomodada com a presença de pessoas “externas”, o que teria motivado a presença das autoridades.

A PF e a Anatel apreenderam o transmissor da rádio, computadores e levaram dois estudantes a prestar depoimento em uma delegacia. “Além dos documentos, a universidade fez uma solicitação formal à Policia Federal para a intervenção. Vale lembrar que a rádio fica dentro do campus, onde nunca gostaríamos de ver policiais de qualquer tipo”, contou Zanotto. Os estudantes serão investigados por crime federal e podem pegar até três anos de prisão.

CEF realiza testes com middleware Ginga para oferecer serviços na TV digital

A AIKO, empresa do grupo Evadin, é a primeira fabricante de set-top-box do país a embutir o Ginga NCL num conversor. O produto, ainda experimental, está disponível na aplicação que a Caixa Econômica demonstra ao longo desta semana, para clientes e não-clientes na agência da Av. Paulista, na capital paulista, de simulação de contratação de crédito imobiliário. Participam ainda da iniciativa as empresas MOPA, HXD, e as emissoras SBT, MTV e Band.

No último dia 05/12, o Convergência Digital antecipou com exclusividade que a Caixa Econômica Federal seria a primeira instituição oficial a mostrar, ainda em caráter experimental, a primeira aplicação baseada no middleware Ginga NCL e com interatividade, para clientes de uma agência bancária em São Paulo.

A solução foi desenvolvida pelo consórcio formado pelas empresas brasileiras HXD e MOPA, desenvolvedoras de aplicações e do software Ginga, e pela AIKO, que disponibilizou o equipamento com o Ginga. Também há a participação de três emissoras de TV para a transmissão: SBT, MTV e Bandeirantes. A aplicação simula uma operação de crédito imobiliário através da interatividade via TV Digital.

"Apesar de todo o processo acontecer via TV, o equipamento disponibilizado pela AIKO já poderia, se houvesse um acordo, disponibilizar o retorno também via cable modem ou ADSL. A questão não é de tecnologia, mas sim, de modelo de negócios entre as partes envolvidas, em especial, radiodifusão e telecomunicações", explica o executivo responsável pela MOPA em São Paulo, Fernando Gomes. Os clientes e não-clientes da Caixa podem testar a interatividade do sistema ao longo desta semana na agência paulista.

Para o executivo da MOPA, o teste da Caixa Econômica Federal permite provar que o Ginga não "roda apenas em provas de conceitos". Gomes ressalta que a aplicação, em demonstração, revela o potencial de negócios que a TV Digital poderá trazer, através da interatividade permitida pelo Ginga. "Foi significativo trabalharmos com as emissoras de TV e mostrar que o Ginga é real. Que ele pode trazer rentabilidade para os negócios futuros. E mais: Que ele funciona fora das plataformas dos laboratórios", completou Gomes.

Comissão vota relatório sobre conta detalhada de telefone

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle pode votar na quarta-feira (19) o relatório final de proposta de fiscalização e controle sobre o cumprimento da obrigatoriedade de as empresas de telefonia fornecerem aos usuários informações detalhadas sobre ligações locais efetuadas entre telefones fixos. A proposta foi apresentada pelo deputado João Pizzolatti (PP-SC) em 2004 e, somente no ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) encaminhou à comissão os resultados da fiscalização.

No processo de investigação, o TCU determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deveria estabelecer um cronograma para o início do fornecimento da conta detalhada com a mudança da tarifação de pulsos para minutos. No acórdão encaminhado à comissão, o TCU mostra que a Anatel cumpriu as determinações feitas e as novas regras vão garantir maior transparência às tarifas, permitindo maior controle por parte dos usuários. O relator, deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), recomenda a aprovação do relatório final.

A reunião está marcada para as 10 horas no plenário 9.